The Legacy Of Kidan
3 Capitulo 2 - Sangue Nobre
[...] Depois de alguns dias nessa cidade o boato da semana tornou-se verdadeiro, uma das tropas de Kayamanaky passou por aqui em direção ao leste para a batalha e dentre eles estava o guerreiro demônio.
Como qualquer cidadão deste lado do continente já havia ouvido as assustadoras histórias à seu respeito, e sendo tão perto não pude conter a curiosidade de ir vê-lo com meus próprios olhos, um dos campeões de nosso rei!
Nunca acreditei que as histórias contadas sobre o exército realmente fossem verdade, porém a primeira vista fiquei muito impressionado com o que vi, cerca de 100 soldados passaram por nossa cidade, as armaduras de Kayamanaky são realmente como dizem, amedrontam apenas por encará-las, o metal negro junto do vermelho me deu uma sensação sombria de medo que aqueles homens realmente passam e a qual jamais esquecerei.
Entretanto todos eles juntos não se somam aquele que ia a frente com mais dois capitães em cavalos tão negros quanto a bandeira do estandarte de Kayamanaky.
Dirigia-se orgulhoso a frente de seus homens lentamente, depois de uma breve parada pude vê-lo com mais atenção, o designe inconfundível da armadura bem mais leve e com menos peças do que as outras não deixava duvidas, além das duas belíssimas armas cruzadas as costas, a espada do vento, capaz de criar tornados e varrer exércitos inteiros e a espada do fogo que dizem queimar mil homens apenas com um movimento, agora tive certeza que aquelas armas não pertencem a esse mundo.
Na breve parada que fizeram para abastecer os suprimentos pude vê-lo sem o elmo e parte da armadura, e qual não foi a minha surpresa ao constatar que ele não deveria ser mais do que três anos mais velho que meu filho, apenas um garoto! Isso realmente não era possível, aparentava não ter mais do que 18 anos, apesar dos músculos ainda tinha um corpo jovem não deixando a menor dúvida quanto a idade, pensei comigo:
"Como Vossa Majestade daria o comando de seu exército á uma criança? O posto de comandante á uma criança! E todas as histórias? Os vilarejos destruídos? Os inimigos aniquilados? Os exércitos hostis sem nenhum sobrevivente? Como? Tudo isso sempre foi mentira? Uma história para amedrontar os camponeses e mantê-los na linha?"
Não conseguia compreender o que estava acontecendo, tudo o que via na rua abaixo era um garoto sentado com uma espada no colo como se cuidasse de um animal de estimação... Então vi seus olhos, assustadores, nunca irei esquecê-los, não havia uma cor neles além do negro, eram totalmente escuros como se ele estivesse possuído por algo sombrio e maligno.
Um dos soldados chutou uma das barracas que estavam próximas, irritado com um dos comerciantes, o pobre homem saiu chorando de joelhos desculpando-se, porém não houve piedade e logo estava morto, o filho dele, um pequeno garoto que vendia-me sempre algumas frutas no mercado foi chorando ao encontro do corpo do pai, os soldados riram diante da tragédia do menino e outro deles não tardou a matá-lo somente por diversão.
Não estavam a mais do que dez passos do jovem general que observou toda a cena ainda com a espada na mão, ele levantou-se lentamente, dois outros soldados colocaram o resto de sua armadura, a capa, e lhe entregaram o elmo.
As luvas de sua armadura mais pareciam garras, colocou o elmo e seguiu em frente, os soldados prestaram uma saudação respeitosa e ele passou por eles e os corpos do garoto e do pai como se passasse por um objeto qualquer, subiu em seu cavalo e deu a ordem para que partissem.
Não pude deixar de ficar impressionado com o tamanho desdém do jovem guerreiro, será que realmente ele é o herói que mantêm nosso reino protegido dos invasores ou será que não passa de um assassino, assim como muitos dizem, e que tanto os inimigos quanto o nosso povo deva temer?[...]
Shana sentou-se no chão, já esgotada, enquanto Osora de pé ainda a chamava para o combate:
— Vamos lá Shana! Mal começamos!
— Eu já estou morta, além do mais você é melhor do que eu com a espada.
— Tudo bem, você pode usar magias eu não me importo, vamos lá!
— Isso só faria eu me cansar ainda mais... Sente-se um pouco.
Meio contrariada Osora sentou-se encostada no tronco ao lado da garota, na sombra de uma enorme árvore:
— Tudo bem, mas só uma paradinha rápida.
— Beba um pouco.
Shana ofereceu a ela uma garrafa com água, o conteúdo já estava pela metade:
— Eu quero aproveitar o dia de hoje, você sentiu Shana? Parece que estou com mais poder do que nos outros dias.
— Sim, a sua espada esta diferente hoje realmente.
— Desde esta manhã a pedra esta com um pequeno brilho, acho que ela finalmente reconheceu a minha força!
Disse Osora com um ar de confiança e um grande sorriso formando-se no rosto, Shana também deu um sorriso encorajador e concordou:
— Com certeza Osora, com certeza.
As duas permaneceram por mais algum tempo sentadas, até Osora levantar-se novamente e começar a puxar sua prima por um dos braços:
— Agora chega de descanso, vamos lá!
— Haaa não! Eu ainda não descansei!
— Para de ser resmungona, anda levanta!
— Osoraaa...
— Vamos Shana! Nossa como você é pesada... Andaaa...
Foi neste exato momento que as duas sentiram uma presença perturbadora se aproximar e olharam ao mesmo tempo para a clareira logo a frente, segundos depois dois garotos surgiram bem no meio dela.
Por um instante os quatro se observaram silenciosos e desconfiados, Shana levantou-se e ficou ao lado de sua prima, que foi a primeira a quebrar o incomodo silencio:
— Quem são vocês?
Nenhum dos dois a respondeu, por alguma razão ela sentia uma sensação estranha, não reconheceu nenhum deles, aliás, achou os dois mais do que suspeitos, as roupas bem maiores do que seu tamanho além de estarem velhas e esfarrapadas, como se tivessem sido feitas há anos:
— Vocês são surdos?
Então o garoto mais alto deu um passo à frente, era bem alto para um rapaz tão jovem, a camisa curta deixava á mostra os músculos bem definidos dos braços, os olhos azuis se assemelhavam aos seus, porém, sem dúvida eram bem mais claros, o cabelo prateado na altura das orelhas completava-lhe a fisionomia singular:
— Eu me chamo Sagafaya, qual o seu nome garota?
As duas se entreolharam e então Osora também deu um passo a frente dizendo:
— Me chamo Osora... O que vocês dois querem aqui? Tenho certeza que não são de Anick.
— Não se preocupe garota, estamos apenas atrás de algumas informações e acho que talvez você pode nos ajudar.
— Não me chame de garota, já lhe disse meu nome, agora me diga que tipo de ajuda você esta procurando?
Shana aproximou-se de Osora e colocou uma das mãos em seu ombro dizendo baixo no seu ouvido:
— Você esta sentindo Osora? Estes caras têm uma energia estranha.
Osora não respondeu, mas também estava sentindo, por algum motivo eles lhe pareciam perigosos, analisava-os com cuidado a espada estava em suas costas, porém ela desejava que estivesse em sua mão pronta para o ataque, então o garoto que estava mais atrás se aproximou e disse a ela com um ar de superioridade:
— Não acredito que Kay esteja nas mãos de uma camponesa! Se da valor a sua vida me devolva minha espada agora pirralha!
— Fique calmo Kadec.
Pediu o rapaz mais alto, colocando uma das mãos em seu ombro, Osora se surpreendeu pela audácia e arrogância daquele garoto e como não era uma jovem de muita paciência disse num tom mais alto sentindo o sangue ferver:
— O que?! Quem você pensa que é seu idiota?!
— Quem eu sou?
Ele sumiu um instante de seu campo de visão e quando apareceu novamente estava com a espada na mão dizendo:
— Eu sou Kadec, primeiro general de Kidan e comandante das seis legiões de Kayamanaky e você quem é?
Osora ficou abismada, levou a mão à bainha nas costas, mas estava vazia, olhou novamente para frente e o notou o garoto e seus assustadores olhos escuros, então ouviu a voz de sua prima lhe dizendo:
— Kayamanaky! São inimigos do reino!
Osora não esperou por mais nada, rapidamente foi em sua direção e o atacou, o chute foi defendido com a espada, mas ela não se deu por vencida continuou com mais chutes e socos, entretanto aquele era um adversário a altura estava usando tudo o que havia aprendido em seus treinamentos na academia de guerra nos últimos anos, mas parecia que ele estava apenas brincando com ela e então num descuido um golpe a acertou a mandando com força na árvore ao lado de sua prima:
— Osora!
Shana correu até ela e a ajudou a se recompor:
— Você esta bem Osora?
Kadec começou a se aproximar novamente da garota, mas Sagafaya o segurou pelo braço de maneira firme:
— Não dei ordem para ataca-las, não estamos aqui para fazermos inimigos.
— Me desculpe senhor, mas pirralhas como essas não devem saber de nada.
— Você esta enganado Kadec, talvez não tenha percebido, mas o estilo de luta que essa garota utilizou é o mesmo que se aprende em Kidan e além do mais, basta olhar para ela para saber que tem sangue do nosso clã.
Kadec então baixou a espada e disse:
— Se você acha tudo bem.
Sagafaya aproximou-se das duas e reparou bem na fisionomia das jovens, deveriam ter por volta de 17 e 18 anos, ambas eram muito bonitas, seus olhos eram azuis, porém não tão claros quanto os dele, a de cabelo dourado o encarava com um brilho de raiva no olhar e a outra fazia uma magia de cura nas costelas da primeira.
— Me desculpem por isso, Kadec é assim mesmo.
— Cale a boca seu maldito de Kayamanaky!
Disse Osora esbravejando, ele ficou um momento em silêncio e depois voltou a falar de maneira calma novamente:
— Não somos seus inimigos e também não estamos do lado de Kayamanaky como eu disse viemos apenas atrás de informações.
— Hump... Como se eu acreditasse em você! Eu ouvi muito bem o que ele falou!
— Ele estava apenas brincando... Olhe para ele, é muito jovem para ser um comandante de Kayamanaky não acha?
Elas ficaram em silêncio por um instante, Sagafaya então reparou na mão da garota com o cabelo escuro e reconheceu seu anel, uma joia que havia ganhado há muitos anos quando era bem mais jovem em Kidan:
— Este anel que você esta usando... Quem deu a você?
Shana surpreendeu-se com a pergunta, mas ao encara-lo e reparar naqueles olhos de um azul mais puro que o seus, sentiu como se pudesse confiar no desconhecido, a sensação estranha que havia sentido há alguns instantes atrás desaparecera totalmente:
— Este anel pertence ao nosso clã a várias gerações.
— Seu clã?
— Sim...
— Ele se chama Kidan?
— Não... Meu clã é o Yokaida.
— Yokaida...
Sussurrou ele pensativo, ainda estava próximo as duas garotas:
— Parece que eu estava certo.
Disse Kadec mais atrás, Shana então refletiu um pouco e depois falou novamente:
— Clã Kidan... Esse foi o clã que fundou a aldeia que deu origem a essa cidade.
— Então você reconhece esse nome?
— Sim...
— Pare de falar com ele Shana é nosso inimigo!
Interrompeu Osora, já estava se sentindo aos poucos melhor agora e pronta para um segundo round:
— Já disse que não sou, estou apenas atrás de informações sobre Kidan e seus descendentes.
— Bem... Acho que os descendentes somos nós do clã Yokaida.
Respondeu Shana meio sem jeito, não queria contrariar sua prima mais velha, mas não conseguiu evitar em falar, Sagafaya levantou-se e foi até Kadec:
— Ouviu isso Kadec? Parece que estamos com muita sorte hoje.
Ele resmungou algo incompreensível e cruzou os braços, Osora já estava de pé e muito brava apontou um dedo para Kadec dizendo:
— Me devolva agora minha espada seu imbecil de olhos estranhos!
— Como é que é?
Kadec já se preparava para ataca-la novamente, mas Sagafaya ficou entre os dois:
— Parem com isso agora.
Depois virou-se para Osora indagando novamente:
— Esta espada, quem deu ela á você?
— Ela é minha e ponto final!
Respondeu a garota exaltada, ele por sua vez estava calmo, da mesma maneira que sempre estivera desde quando havia chegado:
— Você também é do Clã Yokaida?
— Claro que sou!
— Ela é minha prima.
Interrompeu dizendo Shana, enquanto a segurava por um dos braços para que se acalmasse:
— Entendo... Bem se vocês conhecem sobre o clã Kidan devem saber a quem pertence esta espada e esse anel.
Sugeriu ele apontando para os objetos, as duas ficaram em silêncio e se entreolharam por um instante até Shana voltar a falar:
— Bem na nossa cidade não se fala sobre este clã, pois as pessoas têm receio, então não sabemos muita coisa só que pertencia a Kidan, fora isso não sabemos muito sobre esse assunto.
Sagafaya pensou por um momento antes de perguntar novamente:
— Você disse que eles têm receio? Por quê?
— Isso não é da sua conta!
Interrompeu Osora, depois foi até ele e parou em sua frente:
— Escuta só cara, você chega aqui e faz um monte de perguntas e nem sabemos de onde você saiu, quem você pensa que é?!
A garota era de personalidade forte e explosiva como bem ele pode perceber:
— Não foi minha intenção fazer com que vocês pensassem que somos inimigos, como eu disse antes só quero informações e agora que sei que vocês duas são descendentes do nosso clã creio que poderei obter.
— Quer dizer que vocês dois são do clã Kidan? Mas ele não existe mais, há apenas os Yokaida, isso é impossível.
Disse Shana um pouco mais atrás da outra garota, não acreditando muito na história, Sagafaya reparou na corrente que Osora tinha no pescoço e a puxou para cima reconhecendo o medalhão de Kadec.
— Ei! Pare com isso seu tarado!
Disse ela se afastando com a joia entre as mãos:
— Me desculpe, não queria assustá-la... Digam-me uma coisa, vocês duas estiveram em uma vila aqui ao lado chamada Yona?
As duas se surpreenderam e Osora respondeu desconfiada:
— Sim, estivemos por quê?
Ele refletiu por um momento e depois de permanecer com os olhos fechados os abriu dizendo:
— Agora tudo faz sentido.
Kadec que estava mais atrás foi o próximo a falar:
— Você acha que foram estas duas Saga?
— Sim, com certeza é a explicação mais provável.
— Explicação do que?
Indagou Osora achando aquela conversa no mínimo muito estranha:
— Explicação de como nós dois estamos vivos.
As duas se surpreenderam e Osora falou novamente:
— Como assim vivos?
Sagafaya então contou a elas que os dois pertenciam ao clã Kidan e que já haviam morrido há pelo menos 200 anos, contaram também que no dia anterior tinham surgido misteriosamente na vila ao lado onde estava a pedra da ressuscitação:
— Isso é impossível!
Disse Shana perplexa ainda não acreditando no que acabava de ouvir e continuou:
— Ninguém pode ser ressuscitado do nada e... Esse... Esse tipo de magia não existe!
— Existe e a prova somos nós dois.
Falou Sagafaya em frente as duas:
— Você só pode estar mentindo! Acha que vamos acreditar nessa história?!
Esbravejou Osora e ele continuou:
— Bem, eu tenho certeza que o chefe da família de vocês deve conhecer sobre o nosso clã e sobre nós, vocês duas poderiam nos levar até ele?
Elas emudeceram e pareceram um pouco tensas, a mais velha delas então falou:
— Bem nosso clã tem várias ramificações, mas a família principal é a nossa.
— Imaginei que fosse, você poderia me levar ao chefe da sua família.
— Não há chefe na nossa família, somos somente nós e nosso avô.
— Então acho que deveríamos falar com seu avô.
— Acho que ele esta certo Osora, vovô é historiador vai saber se estão dizendo a verdade.
Osora encarou Sagafaya um instante antes de responder, sua prima estava ao seu lado, agarrada em um dos seus braços:
— Está certo, mas só porque a Shana esta pedindo, porém não pense que eu confio em você e além do mais eu tenho que recuperar minha espada.
— Não me importo se não confia em mim e quanto à espada, seu avô talvez possa explicar melhor a você.
Osora tomou a frente na trilha e começou a caminhar, Shana logo a seguiu dizendo aos outros dois:
— Vamos, é por aqui! Estaremos lá antes do meio dia, vocês podem almoçar se quiserem.
Kadec começou a caminhar ao lado se Sagafaya um pouco mais atrás das garotas:
— Tem certeza disso Saga?
— Absoluta Kadec.
— Como pode confiar tão facilmente em duas crianças.
Ele encarou Osora mais ao longe e reparou em seus longos cabelos dourados:
— Apenas sei que posso.
********
Hyou vinha apressado em sua carroça parou em frente a sua casa e viu a fumaça na chaminé:
"O almoço já deve estar pronto."
Pensou, depois atravessou o terreno do jardim o qual estava coberto de flores das mais variadas cores e tamanhos, entrou na sala dizendo num tom um pouco alto:
— Desculpe a demora meninas, já cheguei!
Olhou para o sofá e viu dois garotos sentados muito disciplinados e com o corpo ereto, no outro sofá estava Shana com seu sorriso simpático e uma bandeja de suco logo na mesa a frente, de pé atrás do sofá estava Osora emburrada.
No primeiro momento em que os viu ajeitou mais um pouco os óculos para ver se realmente não era uma ilusão:
— Olá vovô, disse Shana sorridente, levantando-se para ajudá-lo com a bolsa cheia de papéis.
— O... Olá.
— Estes são Sagafaya e Kadec estão aqui para falarem com o senhor.
Sagafaya percebeu a reação de Hyou e o quanto ele parecia surpreendido com a presença de ambos, levantou-se dizendo ao ancião:
— Parece que nossos rostos ou os nossos nomes o deixam meio perturbado senhor, ou estou enganado?
Ele não estava enganado, Hyou realmente havia os reconhecido e ainda sem acreditar apenas gaguejou mais do que assustado:
— Im... Impossível!
— Calma vovô! O senhor esta bem?
Shana soltou as sacolas e o amparou:
— Isso não pode ser verdade realmente... São... São muito parecidos, mas... Vocês só podem estar brincando comigo.
— Não estamos brincando, parece que você nos reconheceu não é? Sou Sagafaya Kidan primeiro lorde do Reino de Kayamanaky revivido graças a suas netas.
Hyou estava confuso e perplexo, Shana o ajudou a sentar-se e lhe ofereceu um copo com água, demorou um tempo até que seu avô se acalmasse e então mais recuperado ele falou aos convidados que estavam sentados em sua frente:
— Me desculpem, mas realmente fiquei assustado... Bem você disse que é Sagafaya Kidan e pressumo que você seja Kadec Kidan, os mesmos nomes dos dois guerreiros dêmonios de Kayamanaky realmente vocês se parecem com eles, mas isso é impossível então não me venha com essa história de ressuscitação sou velho, mas não sou tolo.
— Isso não é uma brincadeira.
Sagafaya retirou um pequeno saco do bolso e colocou em cima da mesinha a frente, era a pedra que estava na escultura em Yona, entretanto agora apresentava uma coloração escura:
— Essa é a pedra da ressuscitação, quando suas netas se aproximaram dela creio que o poder do meu anel e do medalhão de Kadec tenham reagido, por isso fomos trazidos de volta a vida.
— Isso é difícil de acreditar, apenas por chegarem perto a magia na pedra não se ativaria.
— Eu sei disso, um encantamento seria necessário, por isso eu creio que haja outra dessa pedra e a outra foi ativada, consequentemente esta também reagiu.
Hyou pensou por alguns instantes, tirou os óculos e esfregou os olhos, talvez aquele garoto tivesse razão, mas aquela historia era irreal demais para poder se acreditar:
— Acho que ele precisa de uma prova mais completa Kadec.
Kadec levantou-se com Kay na mão, fechou os olhos por um momento e uma energia escura como um fogo cobriu a lâmina da espada, quando abriu os olhos de novo estavam mais escuros do que antes, todos na sala sentiram a energia estranha que vinha dele.
— Acho que isso é o suficiente.
Disse Sagafaya fazendo um gesto para que ele sentasse novamente, Hyou então visivelmente nervoso finalmente falou:
— Acho... Acho que esta falando a verdade...
— O que?! Vovô! Você também acredita nestes caras?!
Resmungou Osora indignada:
— Tudo bem... Eu analisei as informações de vocês ontem, achei estranho aquele selo e a estátua que vocês mencionaram... Essa manhã revisei alguns documentos e parece que Barramuty era um templo com algumas relíquias muito antigas e proibidas.
— Proibidas?
Indagou Shana o observando:
— Sim... Não duvido que esta pedra realmente estivesse lá, mas... Ter ressuscitado justo vocês dois, não posso dizer se isso será uma benção ou uma maldição para nosso reino...
As garotas se entreolharam em silencio e Sagafaya não disse nada apenas continuou encarando o velho que parecia a cada instante mais tenso, Kadec estava ao seu lado com Kay no colo e o anfitrião continuou:
— Bom eu realmente fico honrado em poder conhecê-los pessoalmente, como sabem somos descendentes de Kidan, compartilhamos o mesmo sangue e conheço um pouco de suas histórias e façanhas em Kayamanaky e o antigo reino, me chamo Hyou Yokaida.
Ele levantou-se e estendeu a mão á Sagafaya dizendo:
— E no que posso ajudá-los?
Saga ainda o encarava seriamente, levantou e retribuiu o cumprimento, sem mudar o olhar falou da mesma forma séria que estava antes:
— Preciso de informações dos últimos 200 anos, senhor Hyou Yokaida.
Hyou estava igualmente sério encarando o garoto, contudo seu nervosismo era visível:
— Direi a você tudo que aprendi nos meus 50 anos de vida como historiador.
— Espere um pouco vovô!
Gritou Osora dando um passo a frente, indignada com a situação:
— Como o senhor pode acreditar nele?!
O ancião voltou sua atenção para a garota:
— Me desculpe Osora, Shana, vocês duas não conhecem a historia deles, pois ela foi proibida há muito tempo, porém estes dois jovens são de fato realmente quem dizem.
Ela ficou por um momento perplexa, até aquele instante não estava realmente acreditando em tudo aquilo, pensava apenas que eram malucos ou idiotas:
— Se isso é verdade... Então eles são de Kayamanaky, são nossos inimigos! Quer dizer então que o clã que fundou a nossa cidade são... São os inimigos de Hully?!
Antes que Hyou falasse novamente Sagafaya interrompeu-o dizendo:
— É verdade que já fomos aliados um dia, mas não compartilhamos do mesmo sangue das outras famílias que pertenciam a aliança, Kidan sempre foi um reino de certa forma independente, porém é justo que vocês saibam um pouco mais sobre nosso passado.
Sagafaya então contou a eles brevemente a história sobre a traição de Kayamanaky e sobre como havia pedido a rainha de Kidan que viesse para o sul:
— Quer dizer que vocês são mesmo de Kidan.
Falou a garota desanimada ainda pensando em tudo o que ele havia dito:
— Somos.
Completou Sagafaya e ela então encarou Kadec ao lado dele:
— Então, aquela espada pertencia a ele.
— Sim, Kadec é o mestre de Sey e Kay duas espadas demônios.
— Não posso acreditar nisso, ele era general e você um lorde?!
Ela estava em pé cada vez mais indignada com a história e com as próprias palavras que dizia:
— Kayamanaky não era como Anick, tivemos sempre várias guerras e os guerreiros eram mandados ainda jovens para a batalha.
— Quer dizer que a espada deve ficar com ele Osora.
Completou seu avô, Shana aproximou-se e colocou uma das mãos em seu ombro a confortando:
— Eu não vou aceitar isso!
Esbravejou ela mais uma vez, os olhos furiosos encararam Sagafaya seriamente:
— Pode pegá-la se quiser...
Disse Kadec que pela primeira vez havia falado alguma coisa desde que chegara na casa, Osora desviou os olhos para ele:
— ...Se você conseguir é claro.
Completou de um jeito cínico a deixando mais furiosa ainda:
— Kadec, pare de provocá-la.
Disse Sagafaya com um olhar repreensivo para ele:
— Seu imbecil!
Osora saiu correndo para seu quarto e Hyou se desculpou pela neta:
— Não peça desculpa senhor, a culpa não é de nenhum de vocês é apenas de um soldado indisciplinado.
— Me desculpe senhor.
Disse Kadec a Sagafaya, porém não muito arrependido:
— Bem, agora se fosse possível, eu gostaria que o senhor nos dissesse o que aconteceu depois de nossa morte, o que sabe sobre a vinda do clã Kidan para as terras do sul e como eles se estabeleceram aqui em Hully?
— Sim, sim... A maioria dos documentos que estudei está na biblioteca do reino, também há muitos documentos escritos pelos próprios escrivães que sobreviveram, acho que por agora posso ajudá-los com minha memória...
“Após a traição do reino de Kayamanaky sobre seu aliado o clã Kidan e a morte de vários membros, inclusive seus melhores guerreiros o restante do clã junto de sua líder, dirigiram-se para o sul das terras de Zarenon, naquela época o reino de Hully começava a crescer e se unificar cada vez mais, o rei aceitou o pedido da rainha na capital, dizem que ela implorou diante do grande conselho ancião e de sua majestade abrigo para seu povo, assim aceitou-se que eles vivessem em terras de Hully, porém teriam de abandonar o nome Kidan e se misturar a uma pequena aldeia ao sul do continente um local de camponeses que ficava além da margem sul do Lago Vitae.
Essas medidas foram tomadas para proteger o povo de Hully, pois o rei de Kayamanaky estava atrás dos sobreviventes de Kidan.
Em troca de seu exilo, os Kidans não poderiam falar sobre seu passado e nem demonstrar suas habilidades, apenas a alta cúpula de Hully e seus líderes conheceriam suas histórias.
Porém após alguns anos o rei de Kayamanaky investiu com tudo sobre o território de Hully e os reinos vizinhos, expandindo as suas terras até o grande rio Lyrus.
Não tendo outra alternativa, Hully uniu todos os pequenos reinos e clãs ao sul do lago Vitae e convocou a ajuda do antigo clã guerreiro, entretanto além de sua rainha poucos membros dotados de habilidades haviam sobrado.
Mesmos com todas as dificuldades aqueles guerreiros habilidosos impediram o avanço de Kayamanaky sobre Hully e também aprenderam as técnicas elementares que eram recentemente utilizadas por Kayamanaky, passaram estas habilidades ao restante do povo do sul aumentando a esperança e juntando cada vez mais os pequenos reinos oprimidos por Kayamanaky à Hully, dividindo assim o continente de Zarenon em duas grandes potencias Kayamanaky ao norte e Hully ao sul.”
Sagafaya ouviu com atenção as palavras de Hyou, não tinha dúvidas quanto a Anick ter sido fundada pelos sobreviventes de seu povo, o medalhão e o anel também eram uma prova de que sua rainha havia deixado os objetos com pessoas do clã, outro fato era Kay, ele a havia entregado junto com os outros dois objetos a um soldado dando ordem para levá-los diretamente a rainha Ayame:
— Parece que não restam dúvidas, porém tenho outro questionamento, eu gostaria de saber se o senhor tem informações sobre a localização das outras espadas Sey e Tartarus?
— Depois do ocorrido com vocês não há nada nos documentos que estudei sobre a localização das outras espadas demônios, o único paradeiro conhecido é o de Kay que agora esta com você.
Disse Hyou fitando Kadec:
— Entendo.
Completou Sagafaya pensativo:
— Bem... O que vocês pretendem fazer agora que voltaram a vida?
Perguntou Shana, ansiosa com todas aquelas surpreendentes histórias:
— Ainda irei pensar sobre o assunto, creio que tudo aconteceu rápido demais...
Respondeu o garoto ainda pensando no que o ancião lhe contara:
— Até que vocês se organizem podem ficar em minha casa, eu e as garotas seremos bons anfitriões... Afinal não é sempre que se pode ter grandes guerreiros como hóspedes em sua residencia.
Disse o velho com um sorriso tímido, estava um pouco mais calmo agora:
— Obrigado, Kadec e eu ficamos honrados e agradecidos em saber disso, aceitaremos com prazer.
Nesse instante Osora apareceu novamente, ela havia escutado toda a conversa:
— O que vocês de Kayamanaky pretendem fazer em relação a guerra? Estão em qual dos lados?
Todos se entreolham e quem respondeu foi novamente Sagafaya:
— Minhas decisões sempre foram tomadas para o bem do meu clã, era por Kidan que sempre levantei minha espada, essa guerra deve-se principalmente ao fato de que nossos sobreviventes vieram para esse reino... Então para vingarmos nosso clã devemos...
Nesse instante Kadec intervenho falando:
— Devemos aniquilar os traidores de Kayamanaky.
— Bem... Seguiremos essa ideia.
Osora os encarou com uma expressão nada amistosa e depois disse:
— Em 200 anos nós só podemos conter o avanço de Kayamanaky, nem sua rainha e nem seus guerreiros os derrotaram, como que vocês poderão fazer isso? São apenas dois garotos, só por que vieram de lá e foram aliados um dia, não significa que terão mais vantagem do que nós.
Antes que Sagafaya respondesse Kadec levantou do sofá dizendo:
— Hump! Nem se canse a responder Saga, não espere que crianças que nunca viram uma batalha entendam o que é nascer para lutar, não passam de camponeses ignorantes.
— Realmente não entendo...
Rebateu Osora e depois continuou encarando Kadec com um olhar desafiador:
— Vocês de Kayamanaky são todos assassinos sanguinários que só pensam em matar e destruir... Nunca perderiam uma oportunidade dessas, até me envergonha descobrir que em minhas veias corre seu sangue podre.
— Osora, por favor, se acalme!
Pediu Shana sabendo como sua prima era e Kadec novamente voltou a falar:
— Hump! Vossa Majestade deve estar lastimando o dia em que misturou o sangue nobre do nosso clã com essa escória do sul e ainda fizeram a burrice de dar uma espada demônio á alguém como você, como se soubesse usá-la, camponeses só sabem manejar a terra e o gado.
Osora se preparou para partir para cima do garoto, mas Shana a deteve, Hyou levantou-se preocupado acalmando sua neta, Sagafaya também ficou em pé, ao lado de Kadec e disse de maneira firme:
— Já chega, pare de ofendê-los Kadec não esqueça que somos hóspedes nessa casa e também você é apenas um soldado, julgar o destino de nosso clã não cabe a você, se bem me lembro você fez um juramento de proteger Kidan ou esqueceu? Querendo você ou não eles são nossos descendentes e o mínimo que você deve a eles é respeito, não irei tolerar mais esse tipo de atitude vindo de você.
Kadec se desculpou com ele, porém não disse nada a Osora, Sagafaya por sua vez voltou à atenção a ela dizendo:
— E você garota, não nos compare à Kayamanaky, muito antes de sermos traídos nós já formávamos um reino independente com nossas próprias leis e costumes, não temos o mesmo sangue que eles, talvez você tenha razão quanto a mim e a Kadec, porém Kidan tinha pessoas honrosas e respeitáveis que não se diferenciavam muito com as daqui, então antes de insultar sua linhagem conheça um pouco de sua história.
Todos ficaram em silencio e um clima tenso tomou conta do lugar, Shana então deu um passo à frente dizendo a todos:
— Olha só a hora! Acho que irei preparar o almoço ele ficara pronto em um instante, que tal sentarem todos.
Hyou logo a encorajou também:
— Faça isso Shana e capriche na comida! Hoje temos convidados muito especiais, enquanto isso eu irei arrumar estes documentos que trouxe da cidade, me ajude a carregá-los Osora e vocês dois, por favor, fiquem a vontade.
Hyou subiu para seu quarto acompanhado de sua neta, Shana foi para a cozinha, Kadec e Sagafaya ficaram esperando na varanda que dava vista ao jardim florido:
— E então Saga... O que realmente iremos fazer?
— Ainda estou pensando na melhor escolha.
— Você esta preocupado com a nossa ressuscitação?
— Sim, tenho certeza que ela foi incompleta.
— Quer dizer então que você não sabe quanto tempo teremos de vida?
— Mais ou menos isso.
— Para mim isso não importa, o que eu quero é destruir Kayamanaky e vingar o nosso clã.
— Também desejo isso, mas temos que ter cautela... Talvez Kayamanaky esteja usando nossas espadas e por isso esteja há tantos anos nessa guerra.
— Isso realmente seria um problema.
— Sim... Devemos ir atrás delas primeiro e depois veremos o que fazer.
Nesse instante Shana surgiu na porta dizendo a ambos:
— Com licença, bem... Vocês querem alguma coisa especial para o almoço?
— Irei dar uma volta.
Disse Kadec assim que ela apareceu já saindo em direção ao quintal à frente:
— Desculpe os modos dele, Kadec não é muito sociável, eu apreciarei qualquer coisa que você preparar, obrigado.
Shana então aproximou-se, encarando-o meio sem jeito:
— Você vai querer seu anel de volta?
Disse levantando a mão na qual portava a joia:
— Não, pode ficar com ele, fica melhor em você.
— Si... Sim obrigada.
Disse ela com as bochechas vermelhas, antes de entrar novamente na casa. Pouco tempo depois todos comiam tranquilamente a mesa, apenas Kadec havia se recusado a comer apesar de muita insistência por parte da cozinheira:
— Não se preocupe garota, Kadec não come muito, ele irá ficar bem mesmo sem almoço.
Por fim ela desistiu e antes que começasse a comer a refeição comentou:
— Estou sentindo falta de alguém hoje...
— Bem parece que ele ainda esta viajando, será que voltará essa...
Antes que Hyou terminasse a frase é interrompido por alguém que entrava na casa gritando:
— VOVÔÔÔ! VOVÔÔÔ! Estou de volta! Tenho novidades da minha última viagem!
Um garoto apressado surgiu entrando pela porta da cozinha e gritando ao mesmo tempo:
— Hã? Quem são estes? Você esta com visitas?
Sagafaya e Kadec mantiveram-se em silencio e Hyou logo disse:
— Olá Toy! Então esta de volta, falávamos de você ainda agora, sim temos alguns convidados hoje.
Um garoto sorridente aproximou-se da mesa, tinha um corpo forte apesar de jovem, os cabelos negros e arrepiados assemelhavam-se aos de Kadec e seus olhos assim como das duas outras garotas eram de um azul característicos as pessoas de sua família:
— Olá Osorinha! Como você esta linda! Mas não adianta nada se tem menos charme do que um taverneiro.
Osora levantou-se e sem dizer nada o puxou por uma das orelhas dizendo:
— Quantas vezes eu já falei para você não dizer estas bobagens na frente das pessoas seu imbecil! Agora apresentesse e sente pra comer logo!
Toy passou a mão na orelha ainda choramingando, enquanto a garota sentava-se novamente:
— Eu sou Toy Yokaida prazer em conhecê-los.
Toy esticou a mão na direção de Kadec que apenas o desviou o rosto sem dizer nada nem cumprimentá-lo:
— Não perca seu tempo, ele é mais irritante do que você.
Disse Osora voltando a comer, já em seu lugar na mesa:
— Ha então você também irrita a Osora não é? Humn por que seus olhos são desse jeito? Você esta doente? Também magro desse jeito só poderia ter a imunidade fraca, acho que você precisa de um treinamento, quando quiser pode me chamar eu estou sempre disponível para amigos, você não me disse seu nome! Qual o seu nome? Ha você é daquelas pessoas que não gostam muito de falar, humn melhor assim não gosto desse tipo de pessoa que fala demais e irrita os outros...
— Toy já chega... Esses são Kadec e Sagafaya eles são nossos convidados hoje.
Disse Hyou puxando uma das cadeiras para que o garoto se sentasse logo:
— Ha entendo vovô, eles são pretendentes que vieram pedir a mão de suas netas em casamento, bom talvez até Shana saia casada, mas a Osora eu duvido muito, ela sempre corre os homens que chegam na volta dela, apenas seu rosto é bonito porque sua personalidade é terrível.
— Cala a boca seu imbecil! De onde você tira tanta bobagem?!
Gritou Osora do outro lado da mesa com uma faca em uma das mãos:
— Toy não fale besteiras, eles são...
— Somos apenas viajantes e estamos a procura de alguns artefatos, estamos de passagem e seu avô nos ofereceu pousada.
Interrompeu Sagafaya quando Shana começou a falar:
— Haaa então é isso, eu sou um ótimo comerciante, viajo por muitos lugares também, se precisarem de ajuda estou a disposição ainda mais agora que aperfeiçoei meu elemento terra, ficar do meu lado é segurança na certa.
— Elemento terra?
Perguntou Sagafaya sem entender e Toy respondeu logo em seguida:
— Sim sou um dominador de elementos, meu elemento é terra, as garotas também são Shana é raio e Osora fogo.
— Mas que tipo de nova técnica é essa?
— Novas? Essas técnicas tem quase 200 anos, de onde vocês vieram? De algum povoado excluído? De alguma ilha fora do continente?
— Eu me esqueci de comentar sobre as técnicas que foram copiadas de Kayamanaky na primeira investida, me perdoem, mas isso porém é um assunto para mais tarde é melhor terminarmos o almoço primeiro.
— Oba! Também vou comer! A comida de Shana é ótima vocês não acham? Melhor que a da minha mãe, bom um de vocês vai ter sorte se casar com Shana, a não esqueci que vocês não são pretendentes é que eu sempre me confundo com algumas coisas, eu tenho a memória um pouco fraca acho que isso vem de família...
— CALE A BOCA TOY!!!!
Gritaram as garotas juntas, já visivelmente irritadas com ele.
************
Aquele dia havia passado sem mais nenhum transtorno e ao amanhecer as garotas incentivadas pelo avô convidaram Kadec e Sagafaya para um passeio a fim de conhecer a cidade de Anick, no começo Osora se recusou a ir, mas depois mudou de ideia, não quis deixar sua prima sozinha com eles.
Caminharam por várias horas conhecendo a região passando pelo templo, os locais de treinamento, a sede do senhor nobre da região o lago e tantos outros locais visitados por forasteiros.
Depois de algumas horas finalmente chegaram ao comercio central para comprar alguns objetos para a casa:
— Vamos Osora! Temos muito que fazer, Temos que preparar o jantar.
— Sim, sim já estou indo!
Olhou para trás e encarou os dois garotos ao longe:
— Parem de enrolar e andem logo.
Eles estavam em uma barraca observando os produtos, nesse instante também avistou Toy ao longe que logo aproximou-se fazendo falando alto:
— Ha! Que bom! Estão todos aqui reunidos, eu vi Shana sozinha com as compras do mercado e resolvi vir ajudá-la, vocês sabem como o vovô nos ensinou a ajudar os mais fracos e necessitados, assim como a Shana.
— Toy! Não precisava falar isso de mim!
Disse ela ofendida e Kadec não se conteve dizendo:
— Chegou mais outro idiota, essa vila é patética, nem parece que tem sangue Kidan.
Osora virou-se de costas ignorando o seu comentário:
— Vamos embora não temos mais nada para fazer aqui mesmo, e nem pense em nos seguir Toy, vá comer na sua casa hoje.
Todos voltam para casa de Hyou em silencio, Kadec e Osora estavam mais calmos naquele dia, mas as coisas entre eles ainda permaneciam ruins.
A noite chegou lentamente, Osora estava em seu quarto, Shana preparava algo para o jantar com a ajuda de Toy, que mesmo depois dos avisos de Osora os seguiu, enquanto isso Sagafaya pediu a Hyou para terem uma conversa privada:
— Senhor Hyou decidi que eu e Kadec iremos em busca de nossas espadas, pelas informações que obtive com o senhor é bem provável que o poder delas esteja sendo usado pelo inimigo e mesmo que isso não seja verdade, se vamos enfrentá-los precisaremos delas também.
Hyou escutou tudo com atenção fazendo uma breve pausa antes de falar:
— Sagafaya, eu entendo que vocês queiram lutar nessa guerra, que tem seus próprios motivos, mas... Mesmo com suas espadas... O reino de Kayamanaky é muito forte, eles possuem poderes que vocês nem imaginam e quanto ao exército, aqueles soldados são extremamente poderosos... Dominação de elementos é uma técnica muito poderosa, leva- se anos para aprender e objetos feitos pelo homem não são capazes de derrotá-los...
O antigo guerreiro permaneceu em silêncio pensando nas palavras do ancião que continuava a falar:
— Então, será impossível vocês dois sozinhos vencerem o rei de Kayamanaky mesmo que tenham sido grandes guerreiros no passado, vivemos em outros tempos agora.
Sagafaya levantou-se e encarou-o seriamente.
— Não duvide de nossa capacidade, creio que não sabe o que a palavra poder significa... Mas por um lado o senhor tem razão, elementos são coisas perigosas, afinal creio que foi uma dessas técnicas que me derrotou... Mas se esse for o problema, Kadec e eu aprenderemos a dominação de elementos.
Hyou também levantou-se:
— Isso não é tão simples, levam-se anos e geralmente começa a iniciação quando criança.
— Me diga senhor Hyou quem aqui nessa cidade é o melhor dominador de elementos?
— Hã... Bem... O mestre da academia é o melhor... Ele sabe muito sobre os cinco elementos.
— Ótimo, então amanhã iremos a essa academia para aprender sobre essas novas habilidades.
O ancião suspirou, depois voltou a falar de maneira calma:
— Como eu disse antes Sagafaya, vocês não podem aprender com essa idade, geralmente deve se aprender quando é criança.
— Nós não somos iguais a todos, então não nos compare com pessoas comuns.
Interrompeu Kadec entrando na sala e Saga prosseguiu falando:
— De qualquer forma nós podemos aprender novas técnicas, não importa o quanto avançado elas sejam.
— Hump! Eu tenho dúvidas se isso é realmente possível.
Disse agora Osora que estava escutando a conversa:
— Osora é feio escutar a conversa dos outros.
— Eu escutei por acaso vovô, e por que vocês não o repreenderam, ele também estava escutando escondido.
Falou apontando um dos dedos para Kadec:
— Por favor, Osora pare com isso...
Repreendeu seu avô, depois voltou à atenção novamente a Sagafaya:
— Acho que posso falar com Takezo, mas vocês realmente acham que dominarão essa técnica?
— Você certamente verá.
— Bem então enviarei uma mensagem a ele esta noite e amanhã devem ir até lá, porém não poderei acompanhá-los até a academia, pois tenho alguns assuntos para tratar, mas as garotas os levarão sem problemas.
— Não decida as coisas por nós vovô!
— Não precisamos de idiotas em nossa sombra de forma alguma.
— Não me chame de idiota seu imbecil
— Pare com isso já! Osora vá para seu quarto essa conversa é apenas entre nós três.
— Sim senhor...
Disse ela emburrada voltando ao seu quarto novamente:
— Me desculpem, vamos continuar.
Os três seguiram na sala conversando por mais algumas tempo, parando para o jantar e depois novamente retomando a conversa, Sagafaya queria juntar o máximo de informação possível e a fonte que ele tinha era somente o historiador:
— Tudo bem, acho que já chegamos a um acordo, foi um dia longo hoje... Certo irei me retirar para meu quarto não sou mais tão jovem assim como vocês.
Hyou levantou-se com a ajuda de Sagafaya e depois saiu em direção ao andar de cima, Kadec estava sentado no sofá, Sagafaya o observou por um tempo antes de falar:
— Kadec, estou notando que você esta meio rude com Osora, algum motivo para isso acontecer?
— Não senhor... Apenas não gosto dessas pessoas e dessa garota menos ainda.
— Esta certo, não posso obrigá-lo a gostar de ninguém, mas quero que você evite ao máximo esse tipo de discussão boba esta entendendo?
— Sim senhor.
— Não se esqueça que você é um guerreiro Kadec e estamos aqui em preparação para uma guerra, você não é uma criança que deva ficar discutindo com garotinhas.
— Eu não esquecerei disso, senhor.
— Muito bem... Agora eu também irei dormir fique próximo e não saia por ai.
Antes que eles levantassem escutaram alguma coisa cair e olharam para trás, era Toy que havia escutado toda a conversa:
— Quem... Quem são vocês afinal?
Depois de Hyou e Shana explicarem tudo pra o garoto ele ficou refletindo alguns instantes, absorvendo toda a informação, depois olhou para Kadec sorrindo:
— Nem acredito que meu grande amigo Kadec é um general ressuscitado!
— E desde quando eu sou seu amigo idiota?
Shana chegou perto e puxou Toy para longe dele:
— Bom já que tudo foi esclarecido acho melhor irmos descansar.
Sugeriu a garota e então todos foram para seus quartos, menos Toy que muito contrariado foi expulso por Osora e não teve escolha a não ser voltar para a sua casa.
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