The Last Tear
7 Capítulo 5 - Atormentada - parte 2
Keith me soltou e eu o empurrei, desnorteada, sem saber o que fazer, beirando á raiva e constrangimento.
–Isso foi interessante. – Ele sorria, enquanto eu encarava-o furiosa. Sim, ele merecia um soco bem dado pela minha mão direita, que estava levantada antes de eu pensar. O infeliz ainda sorria e...
–Desculpa interromper. — O Nate estava de pé, olhei para ele, ignorando-me, cerrando os punhos e indo direto para a porta. Ótimo e agora?! Merda!
–Espera aí, Nate!! — Fui atrás dele quando Keith me segurou. – Me larga! — Eu olhei para trás, analisando os lábios curvados e que esboçavam um sorriso ridículo.
–Você não vai deixar esse lindo elfo sozinho, vai? – Eu queria enfiá-lo em uma caixa com 100 facas amaldiçoadas. Ele me irritava e muito!
–Se "lindo" você quer dizer retardado, estúpido, idiota e um merda, então sim, você é um lindo elfo que vai ficar sozinho. – Falei indignada com o sorriso que se alargou mais e mais.
–Certo. – Levantou as mãos em forma de trégua, livrando-me de mata-lo. — Não demore muito, minha beleza tem limite. – E fingiu ser gay, analisando as unhas como se elas estivessem feitas. Poupe-me, eu tinha mais o que pensar.
–A minha paciência também não. – Apontei em seu rosto. — Namore consigo mesmo enquanto eu não volto.
– Meu amor é recíproco. — Revirei os olhos.
Saí correndo para alcançar o Nate antes que o elevador fechasse, quando o puxei forte para fora e nós perdemos o equilíbrio, com ele caindo em cima de mim.
–Você está louca?! — Falou se levantando e nem me ajudando.
–Eu pensava que sim, mas acho que não. – Tentei um sorriso para desculpar-me.
–O que você quer? — Perguntou nem um pouco gentil. — Por que não está com o seu namorado?
–Ele não é meu namorado, credo, e ainda adora flertar consigo mesmo. Não, não mesmo. – Enruguei o rosto, achando nojento o fato do Keith ser alguma coisa na minha vida. Meu Deus me mata antes disso!
–O quê? – Perguntou e eu percebi que tinha falado em voz alta. — Esquece, vou embora. Você já tem alguém tomando conta de você. – Virou-se e começou a andar até as escadas, porém fui rápida e o impedi bloqueando sua passagem. Ele olhou para mim e franziu a testa.
–Não, você não pode ir! Eu preciso da sua ajuda. – Implorei com olhos de cachorro abandonado. Eu precisava mesmo da ajuda dele, sério. Primeiro porque estava sem dinheiro, segundo porque eu precisava de alguém para me ajudar a encontrar a Laura, tirando o elfo que era muito convencido. E terceiro, eu não tinha ninguém HUMANO para me ajudar nessas circunstâncias.
–Em quê? – Cruzou os braços, nervoso. — Tirar o homem que está no seu quarto? – Sorriu sarcástico.
–Não. – Olhei-o brava, aquilo já estava começando a ficar o ridículo ao quadrado. — Eu consigo tirá-lo de lá, sozinha. Não é isso. – Bufei reparando em meus pés descalços. — Você precisa me ajudar a encontrar a Laura, mas junto com ele. – Minha voz ia baixando de tom em tom a cada palavra, até o silêncio beirar à morte. Fechei os olhos com o que viria.
–Kate. – A voz dele era gentil. Eu ainda estava com os olhos fechados. — Eu já disse, a polícia vai encontrá-la. – Abri os olhos e vi que ele me encarava cansado.
–Não, eles vão tentar e não a encontrarão. – Aquela agonia de estar presa tinha voltado, eu precisava procura-la. Era eu ou mais ninguém.
–Por que você acha isso? — Ergueu meu queixo para olhá-lo com atenção.
–Eu sei, eles não encontrarão. O que a levou não é humano, isso eu tenho certeza. – Seus olhos eram um azul escuro, mais escuro que os do Keith. Algo como safira.
–Então o que a levou? – A pergunta me irritou.
–Ah, eram pôneis Nate. Sabe aqueles que falam? – Dei um sorriso e joguei minhas mãos para o alto. – Eu vou lá saber o que era?! Não faço a mínima ideia ou eu já teria ido atrás daquela coisa sem você né! – Explodi.
Nós ficamos um momento em silêncio, quando a praga apareceu atrás de mim. Eu sabia, pois a presença dele era inconfundível e a risada ainda mais.
–O que aconteceu aqui? – Se recostou na parede, cruzando os braços. — Alguém morreu?
–Morreu e eu não a encontrei ainda. – Funguei o nariz. — O que você está fazendo aqui, não era para esperar no quarto?
–Eu esperei, mas você demorou muito, então resolvi te chamar, porque meu amor começou a me entediar. — Ele disse. — Sabe, às vezes, é difícil conversar com alguém muito bonito por muito tempo. Minha beleza me entedia, às vezes.
–É claro. – Revirei os olhos e ele sorriu. O Nate ficou mais tenso, estreitando os olhos com raiva. — Esse é o Nate. – Apresentei-o ao Keith. Lógico, nenhum dos dois apertou as mãos. O elfo não gostou do Nate, isso era certeza, a cara de repugnância que ele fez foi extrema.
–Ótimo, mais um humano na minha vida. – Murmurou nada satisfeito, sorrindo. — Só que eu não vou precisar beijar esse. — Ele começou a provocar o Nate e deu certo. O Nate quase avançou no Keith, porém eu o olhei para não fazê-lo.
–Eu não sei como você o aguenta. — Nate disse apontando para o Keith.
–Eu me pergunto a mesma coisa.
–Por que pediu para que eu desbloqueasse a visão dele? — Keith ignorou o Nate e fingiu não ouvir o que ele disse.
–Bom, porque os dois vão me ajudar. – E sim, eles me olharam com raiva. – Não é?
–Não Kate. – O Nate tinha se afastado um pouco.
–Por favor? – Aproximei-me dele e peguei em suas mãos. – Por favor? Só dessa vez. – Tentei convencê-lo com o meu olhar de coitada abandonada. Deu certo, ele relaxou a expressão.
–Tudo bem. – Bufou. – Só dessa vez.
Eu sorri muito feliz. Menos um para convencer. Virei-me para o Keith que nos observava quieto, sério. Ele sabia o que eu ia pedir.
–Não. – Apontou para o Nate. – Ele foi a última vez que eu te ajudei. — Keith falou e eu abri a boca para responder. Ele me impediu. – Não posso te ajudar mais, você não faz parte do meu mundo e eu sou um elfo muito ocupado para brincar de caça ao tesouro.
–Você, ocupado? – Cerrei os dentes.
–Sabe, caçar um bicho ali, outro demônio aqui, sair correndo atrás dos filhos das trevas. Nada tão importante, só salvar vocês, humanos. – Sorriu irônico.
–Não vai mudar muita coisa me ajudar só mais um pouquinho, certo?
–Pensando melhor, sim. Não muda muita coisa, mas eu não estou com vontade de te ajudar e o que eu fiz até agora, eu nunca fiz por um humano. Você pode sentir-se lisonjeada por eu ter feito o que eu fiz por você. – Sua sobrancelha levantou e ele continuava com o sorriso imperativo. – Pode começando agora. — Ordenou.
–Eu agradeço muito por tudo. Mas, eu ainda preciso da sua ajuda. – Coloquei minha mão na cintura, eu odiava ser mandada.
–Pode esquecendo. — Ele riu. — Isso não me convenceu, mas se você tentar algo ou sugerir alguma coisa, eu posso até pensar. — Droga, esse elfo não ia me ajudar nem se eu beijasse seus pés. Apertei minhas mãos.
–Deixa Kate. — Nate pôs a mão em meus ombros, aproximando-se mais. – Nós encontraremos a Laura sem a ajuda dele. — Disse ríspido.
Eu pensava a mesma coisa há algum tempo atrás, antes de perceber que nesse novo mundo que vejo agora, não é muito legal, é muito diferente do meu e eu só conheço o Keith desse novo mundo, que acabou me ajudando e que agora não estava a fim de me ajudar, eu sabia que eu precisava dele.
Eu andei até o Keith e fiquei de frente para ele, pegando a gola de sua camiseta preta, fazendo-o abaixar-se. Frente a frente com o seu rosto, ele estava sorrindo.
–Olha, camarada, eu te agradeço muito. – Disse séria. — Mas, você precisa me ajudar e o seu egoísmo vai te levar ao inferno, então ajude os necessitados.
–Você não tem cara de necessitada, humana. – Olhou através de mim, para o Nate. – Consegue domar até um humano, você é bem capacitada para mim. – Seus olhos voltaram aos meus e o seu sorriso me irritava. Eu queria muito chutá-lo e não pensei duas vezes, minha perna foi para o seu estômago.
–Duas vezes não, humana. — Ele disse e eu vi, não o acertei. Ele tinha posto o braço para se defender.
–Droga. — Ele sorriu com a minha frustração. Ótimo, não tinha outro jeito então.
Eu sabia que me arrependeria de fazer o que eu iria fazer, mas não tive escolha. Desculpa Nate. Pensei olhando para trás brevemente e o menino nos observava.
Eu me aproximei do Keith até colidir com os lábios dele. O elfo ficou surpreso, pois foi muito repentino, depois ele me puxou para mais perto e não consegui me controlar, me aprofundei mais no beijo, colocando os braços em torno de seu pescoço e o agarrando loucamente. Ele correspondeu, colocando as mãos em minha cintura e me jogando contra a parede. Eu me perdia por completo com aquela boca, parecia ser uma droga, você não consegue parar. Era maravilhoso, algo que eu nunca tinha provado antes, o beijo dele era sufocante, ardente e dava-me arrepios. Ou ele beijava muuuuito bem ou era algo mágico, vindo dos céus. Eu sabia, ele também não conseguia se controlar quando me fez ficar encurralada com o seu corpo contra o meu, passando as mãos pelos meus cabelos e deslizando pelas minhas costas.
Nós ficamos assim por um bom tempo, até que eu me lembrei. O Nate, merda, o Nate estava me vendo. Foda-se. Empurrei o Keith e ele me olhou confuso.
–O que? — Perguntou ofegante. — Te machuquei? — Pôs a mão em meu rosto, olhando gentil para mim. Puta merda, não era para isso acontecer.
–Não. — Saí de perto dele, evitando o contato com aqueles olhos cinza, a boca e as mãos.
Olhei no corredor, procurando o Nate. Mas, nada. Eu já sabia, ele não estava lá. Depois de eu ter feito aquilo bem na sua frente, claro que ele não teria ficado para terminar.
–Argh!!! – Agarrei meus cabelos, olhando para o Keith com raiva. — Agora com certeza você vai me ajudar, certo?! – Eu estava mais afirmando do que perguntando.
–É justo. — Ele apenas sorriu.
Eu não achei graça nenhuma para ele sorrir.
– "É justo"? — Falei imitando-o. Eu estava brava comigo mesma por ter feito o que eu fiz na frente do Nate. Eu tinha que descontar em alguém e esse alguém era o Keith. — Essa é a sua resposta depois do que aconteceu?
–É. Você quer que eu diga "não"? — Falou nem ligando para o meu estresse. — Foi você quem me beijou e eu não propus nada, então é justo. — Ele estava encostado na parede com os braços cruzados. Eu queria que ele perdesse a paciência, sinceramente queria.
Ai meu deus! Algum dia eu ia matar esse elfo, eu tinha certeza.
–Certo. – Fechei os olhos e respirei fundo. — Fique calma. – Falei para eu mesma.
–Humana, você tem problema. — Ele riu.
–Elfo, eu não me chamo Humana. É Kate, ok? — Agora eu estava agressiva. — Será que o meu nome é tão difícil para você gravar? E eu tenho muitos problemas, obrigada, então é melhor você não ser um deles. – Minha cabeça latejava de dor, provavelmente por não ter comido nada desde a hora em que eu acordei.
–Tudo bem, estressada. — Levantou as mãos para o alto, desencostando-se da parede e virou as costas para mim. — Eu vou embora e depois venho te ver, uma hora em que você estiver mais calma. – Começou a andar.
–Isso, vai embora como todos os outros, nunca mais volte. – Eu desabei, minhas pernas ficaram fracas e senti lágrimas escorrendo em meu rosto, comecei a chorar. Eu estava uma confusão tremenda, meus sentimentos uma bagunça total e eu queria acabar com tudo, bloquear tudo da minha vida.
Será que era pela perda da Laura ou pelo Nate ter ido embora? Ou por ter sido eu quem estava dirigindo o carro? Ou por não ter encontrado a Laura ainda? Não, era tudo, tudo, até a morte do meu pai. Eu me culpava por tudo. Tudo estava acumulado em meu coração e só faltava algo, um único pensamento para fazer todos aqueles sentimentos guardados saírem de uma vez.
Eu estou sozinha.
Aquele elfo idiota, na minha frente, em vez de ir embora, deu meia volta e caminhou até onde eu estava. Abraçando-me e dizendo:
–Tudo bem, está tudo bem, eu não te abandonei. — Era reconfortante alguém dizer isso para você, palavras que eu estava esperando há muito tempo. Eu só ouvia isso do meu pai, mais ninguém, nem a minha mãe nunca falou isso para mim e após a morte dele, eu nunca chorei até então.
–Boa Noite, Kate. — Keith disse, escrevendo algo em minha testa com os dedos, depois me beijou. Senti seus lábios tocarem o local em que ele havia escrito.
Meus olhos começaram a se fechar sem que eu os mandasse e apaguei.
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