The Last Tear
17 Capítulo 15 - Extra Keith
P.O.V’s Keith
Abri os olhos e a humana estava sentada, pálida. Essa menina iria me dar mais dor de cabeça, pensei, olhando-a analisar a situação e estreitando os olhos.
–Você está fraca, não devia se levantar. – Puxei-a pelo braço, fazendo com que ela se deitasse comigo. Eu tinha certeza que a humana desmaiaria a qualquer momento. – Fique quieta. – Falei, pois ela tentava sair dos meus braços e não parava de resmungar. Ela começou a fazer manha, se esperneando.
–Você ficou louco?! Por que eu deveria dormir aqui com você?! — Não respondi, ignorando o comentário. — Não tenho privacidade nem para dormir?! – Ela bufou, parecendo não entender nada.
Comecei a rir, imaginando se ela tinha perdido a memória por ter estado com febre ontem á noite.
–Deus, essa menina só me dá trabalho! – Sentei e ela me encarava irritada, mordendo os lábios. Ela não se lembrava de nada, puta merda! – Você não se lembra, não é? – Perguntei confirmando.
–Lembro, claro, nós fizemos sexo e... Foi bom? – Comecei a rir, enquanto ela ficava vermelha de raiva e vergonha. Essa eu não esperava, nem em um momento assim, no meu quarto e na minha cama. – O quê?! – Gritou.
–Humana, você é muito engraçada. – Sorri, parando de rir e saindo da cama. Senti ela me observando, enquanto eu estava de costas.
–Quantos anos você tem? – Falou de repente, surpreendendo-me.
–Dezenove. – Respondi, pois era verdade e ao mesmo tempo não era. Eu odiava esse tipo de pergunta, odiava lembrar os anos e as perdas ao longo deles.
–Há quanto tempo tem dezenove anos? – Ela continuava a perguntar, mesmo eu começando a me irritar.
–Há muito tempo. – Sorri para disfarçar a expressão que eu não mostraria a ninguém. Não era culpa dela, só as perguntas. Eram coisas na qual eu não me sentia confortável à responder. Perguntas sobre mim. – É melhor você dormir, seu corpo ainda está fraco. – Tentei mudar de assunto.
–Nós já nos conhecemos? –Onde ela queria chegar, fazendo esses tipos de pergunta? Eu sempre soube que as mulheres não resistiam à minha presença, mas ‘nós já nos conhecemos?’ e deitada na minha cama, é um jeito estranho de pedir para ganhar um beijo ou algo a mais.
–É claro que nós nos conhecemos, você tem estado um bom tempo aqui, no meu quarto. Meu amor. – Sorri, percorrendo os olhos em torno da beldade deitada na minha cama, somente com um cobertor cobrindo-a até a cintura. Ótimo, lembrei da noite passada, enquanto ela dormia. A imagem de um anjo, descansando em meu peito. Ela acordada e dormindo eram duas coisas diferentes e isso era incrível. Que mulher estranha, nem parecia ser a mesma pessoa. Um demônio de dia e um anjo à noite.
–Elfo, você entendeu muito errado. Tire esse sorriso dos lábios, seu idiota. – Disse, percebendo o porquê de eu a observar, cobrindo os seios que mostrava o sutiã preto rendado. — Vou refazer a minha pergunta, nós já nos conhecíamos, antes do acidente? Há muito tempo atrás? Tipo, muito tempo mesmo, uns quinhentos anos atrás? — Ela perdeu a memória e ficou completamente doida de um dia para o outro.
–Não. Nós não nos conhecíamos, humana. O acidente na floresta foi nosso primeiro encontro. – Ela não acreditou na minha resposta, estava estampado na cara dela que eu estava mentindo. A garota não disse nada, apenas me olhava pensativa e foi aí que eu ouvi, na minha cabeça, novamente a voz dela.
“Mentira. Você está mentindo. Não podia ser outro elfo além dele, só se ele tivesse uma cópia ou um irmão gêmeo...”
–Eu não estou mentindo. – Respondi alto ao pensamento dela. — Eu não minto e odeio mentiras. – Afirmei, fazendo-a ficar chocada com a exatidão das minhas palavras. — E eu não tenho irmão, meu amor. – Sorri, pois era ridículo. Não que eu me lembre, mas nunca tive irmãos. A humana ficou pálida, mais do que já estava.
–M-Mas, como você fez isso?! – Ela só podia estar brincando, nem ao menos percebendo o que estava acontecendo. – Você lê a minha mente?! – A tão esperada pergunta apareceu. Ela deu um pulo da cama e ficou de frente para mim, esperando a resposta.
–Não, minha querida, é você quem fala comigo. – Isso estava me enchendo o saco. A humana continuava a não entender nada e tive que ser mais claro. — Ou seja, seus pensamentos chegam até mim, não sou eu quem lê sua mente. Você fala comigo por pensamento. Mas, isso só acontece às vezes. – Ela ficou mais confusa ainda.
–Ah claro, sou eu quem falo com você, às vezes? – Dei de ombros; não era para eu responder e eu sabia que seria perda de tempo. — Eu só faço isso com você?! — Sorri de canto, pois estava ficando divertido.
–Pelo que vejo, sim. Só comigo. – Sussurrei no ouvido dela. — Pode-se dizer que é algo bom,pois só eu consigo te ouvir. – Ela não gostou nem um pouco e fez uma cara de que não era nada bom. Era hilário.
–Isso é horrível! – Gritou histérica. — Agora não tenho privacidade nem para pensar?! – E foi se deitar, cruzando os braços igual uma menininha emburrada.
–Ah, Que dó. – Falei irônico. — Que anjo triste, coitadinha. – Era muito divertido provocá-la. — Não pense que sofre só por isso. Outros não têm o mesmo privilégio que você, meu anjinho. – E me olhou com um sorriso de canto.
–Elfo, quem tem o privilégio de ser um anjo?!
–Ninguém, por isso que anjos não tem privilégio. Eles nascem com isso, como eu. Sou um elfo abençoado, com corpo e mente de um Deus, claro. — Era a pura verdade; e ela estava me olhando como se eu fosse idiota .
–Nem tudo que pensa pode ser seu, meu "Deus". – Falou confiante e mostrou aquele olhar desafiador, algo que eu não encontrava em nenhuma das elfas ou ninfas. Ela gostava de me provocar. Uma “humana”, um ser que nunca viveu entre os elfos e nem entre os anjos. Ótimo, ela era a única que podia me provocar e apenas por estar ali, me olhando como se pudesse vencer um jogo, confiando em si mesma. Eu mordi os lábios para não forçá-la a me beijar. Nunca vi um ser me desafiar tanto, querendo vencer minhas jogadas.
–Não se engane quanto aos filhos de Deus e aos mais próximos dele: os elfos. — Falei firme, sorrindo, para que ela soubesse que eu conseguiria tudo, tudo o que eu quisesse. Virei-me, peguei o colete e a adaga. — Seu treinamento começa amanhã, mas como já se levantou, vá comer alguma coisa e depois me encontre na entrada. – Não a olhei antes de sair, era inevitável. Eu só podia me afastar dela por agora, ou não seria nada bom ficar ali, continuando com as provocações e a conversa maluca.
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