The Last Soul On Fire
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Sal e ferrugem, o gosto de sangue enchia minha boca e eu não tinha ideia do porquê. Levantei com cuidado, eu estava deitada em um cobertor velho e rasgado e ao olhar em volta notei que havia me escondido em uma espécie de deposito abandonado. Minha cabeça doia terrivelmente e quando tentei me lembrar da noite anterior tive que conter um grito de agonia, tudo era escuridão em minha mente e a última memória era o rosto de Bryan em meio ao fogo e então tudo ficou escuro novamente.
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- Você sabe que eu preciso ir embora Lia, eles virão por mim em breve.
- Então nós vamos juntos. Eles não têm como te rastrear até que você complete 21, ou até que você perca o controle e faça um estrago. Nenhuma das duas coisas aconteceu.
- Não posso pedir que venha comigo, sabe disso.
- Você não está pedindo Bryan e eu também não quero ser encontrada.
- Você vai ter a proteção do Estado por mais dois anos, não precisa se arriscar ainda...
- Sabe que não vai ganhar essa discussão, eu vou contigo e pronto!
Bryan suspirou e me abraçou, eu sabia que tinha vencido e abri um sorriso de rasgar o rosto. Ficamos ali até o primeiro sino, nossa vida no orfanato era controlada pelos sinos que tocavam de hora em hora marcando o inicio e o fim das atividades, durante o primeiro periodo os internos com mais de 16 anos ajudavam na manutenção do orfanato, enquanto os mais novos estudavam. Bryan seguiu para a cozinha, onde era ajudante e eu para a minha primeira turma do dia, onde eu dava treinamento físico para crianças. Podiamos ficar no orfanato até os 21 anos, a idade com a qual eramos recrutados pelas academias, Bryan estava próximo de seu vigésimo primeiro aniversário e eu tinha acabado de completar 19.
- Felícia! — Ouvi a voz da Devy, uma garota da idade do Bryan que dava treinamento físico para os alunos mais velhos.
- Oi Devy. — Eu disse com o melhor sorriso que consegui colocar no rosto. Devy era linda, tinha olhos verde-esmeralda e um cabelo preto e liso que ia até as costas, era um lindo contraste com a pele branca e os lábios vermelhos, muitos dos garotos brigavam por ela, mas para o meu azar, ela era apaixonada pelo meu melhor amigo.
- Ouvi boatos de que o Bryan foi convocado pelos Dragões para daqui a duas semanas. É verdade?
Eu engoli em seco, todos já sabiam então? Tentei me acalmar antes de responder.
- Quem anda comentando esse tipo de coisa?
- Qual é, não é ruim! Todos querem ser Draccos, você sabe...
- E você já recebeu a sua carta? — Perguntei com um aperto no coração, Devy tinha a idade de Bryan e eles provavelmente seriam recrutados no primeiro período.
- Recebi os dois convites na verdade. — Ela disse com um sorriso orgulhoso.
- Entendo, bom você devia perguntar isso ao Bryan, eu não sei nada sobre as convocações. — Sorri e fui para minha aula. Existem duas academias e eram inimigas mortais, em algumas cidades menores as crianças ficavam sob a guarda dessas academias, mas Antarinae era grande de mais para que cuidassem de todas as crianças, então elas ficavam sob tutela do Estado e quando completavam 21 anos eram convocadas para a guerra idiota deles. Alguns como Devy se orgulhavam em ser disputados e poder escolher uma academia, mas nem eu e nem Bryan queriamos fazer parte do exercito que dividiu e destruiu nosso mundo. Naquela época acreditavamos que juntos poderiamos vencer a tudo e a todos, é claro que estavamos errados, mas não havia como saber disso.
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Quando acordei novamente minha cabeça latejava e era impossível me desfazer do sonho, a luz que entreva pelas frestas nas tábuas da janela era fraca, já devia ser quase noite.
- Ótimo! Depois de todo o trabalho você jogou tudo fora. — Disse a mim mesma antes de me levantar. — Ok, só preciso de um pouco de água e...
Mas meu fluxo de pensamentos foi interrompido por outra pontada de dor, por alguns instantes acreditei que meu cérebro seria esmagado. Esses momentos de blackout já tinham acontecido antes, mas a dor de cabeça era inédita... Foi quando me lembrei das palavras de Bryan "Você deixou sua marca neles..." e agora os Dragões tinham deixado sua marca em mim.
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