The Last Secret
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Notas iniciais
Langdon levantou cedo, depois de ficar até tarde da noite corrigindo trabalhos; foi fazer seus quarenta minutos diários de natação, e voltou para casa para preparar o café da manhã; checou os planos de aula, arrumou tudo na pasta, se trocou e foi para a universidade. Não tinha aula no primeiro tempo, ficou na sala dos professores preenchendo os diários de classe até a hora da aula na turma de Mary Kate.
A maior parte dos alunos ainda estava chegando quando ele entrou na sala, mas logo pode perceber a ausência de Mary Kate. A amiga dela, Blair, estava sentada sozinha no fundo. Langdon esperou até que a turma se acomodasse para começar a aula. Mary Kate não era a única ausente; Scott Dickson também não estava na aula, embora fosse comum ele chegar atrasado, Langdon não gostou da coincidência.
Talvez fosse a primeira vez na carreira que Langdon não conseguia se concentrar numa aula, mas olhar para a cadeira de Mary Kate vazia lhe causou uma angustia terrível. Olhou para o relógio diversas vezes durante a aula, se equivocou em alguns pontos, não conseguiu seguir uma linha de raciocínio lógico, e findou por liberar a turma dez minutos antes do horário acabar.
— Srta. Sanders, posso falar com você um minuto? — Langdon chamou quando Blair estava saindo.
— Claro, professor. — Ela rezou para que o assunto que ele queria tratar não fossem as duas linhas que ela copiou de um livro na dissertação que fez na última aula.
— Você viu a Mary Kate? Sabe por que ela não veio para a aula hoje? — “ok, Blair, a Mary Kate é uma aluna exemplar, qualquer professor notaria a falta dela”, pensou, antes de responder ao professor.
— Não, não a vi hoje, professor. Na verdade, eu estou um pouco preocupada, por que ela não atendeu o celular quando eu liguei.
— Quando você a viu pela última vez?
— Ahm, ontem a gente ficou estudando até tarde na minha casa, depois que ela colocou o Scott e os amigos idiotas dele pra fora.
— O Scott estava com vocês? — Blair assentiu. Preocupação era nítida no rosto do professor Robert Langdon. — Srta. Sanders, você conhece a companheira de dormitório da Mary Kate?
— Conheço, bom, não exatamente, a Scarlet não é exatamente alguém do meu círculo de amizades, mas...
— Você pode ligar e perguntar se a Mary Kate dormiu em casa? Agora?
— Tá, tudo bem. — Blair pegou o celular na bolsa, e discou o número de Scarlet, enquanto pensava que o professor estava exagerando.
Ok, ela também estava preocupada com Mary Kate, e tinha tido aquela história dos caras seguindo ela algumas semanas atrás, mas talvez ela tivesse simplesmente resolvido ficar em casa dormindo até tarde, todo mundo podia faltar um dia de aula afinal.
— Ah, alô, Scarlet. Blair Sanders, amiga da Mary Kate. É, eu queria saber se você a viu. Ela não dormiu em casa? Ah, ok, obrigada. — Blair desligou o telefone, e ficou preocupada, talvez o professor não estivesse exagerando. — Ela não dormiu em casa.
— Se você encontrar a Mary Kate, ou conseguir falar com ela, por favor, diga-lhe que eu preciso vê-la.
— Tá, claro, pode deixar, professor. — Langdon guardou as coisas e saiu para voltar a sala dos professores.
Pegou o celular e tentou ligar para Mary Kate, mas todas as chamadas eram direcionadas para a caixa postal. Não sabia o que fazer. Chamar a polícia? Antes de 24 horas eles nem lhe dariam atenção, mesmo que contasse sobre a garota ter sido seguida há dias, não teria como provar, se falasse sobre Scott Dickson, também não conseguiria explicar; mas ignorar que algo estava errado também não era possível, Mary Kate não sumiria daquela maneira.
Resolveu esperar mais um pouco antes de tomar alguma atitude. Durante todo o dia não conseguiu se concentrar no trabalho, tentou várias vezes ligar para o celular da garota e sempre a mesma caixa postal, nem a amiga de Mary Kate tinha qualquer informação. Não era mais possível esperar, Langdon resolveu procurar a polícia e dar queixa do desaparecimento de Mary Kate, quando perguntassem qual era o seu interesse nisso, ele diria a verdade, que era o pai dela.
Estava saindo de casa para ir ao posto policial, quando viu um carro parado em frente. Um Audi preto. Scott Dickson estava em frente ao carro; os dois homens se encararam em silêncio, era como se a presença de Scott ali respondesse a todas as perguntas por si mesmas, até Langdon falar.
— Onde está a Mary Kate?
— A Mary Kate está segura, por enquanto, professor.
— O que você fez com ela, seu moleque?
— Calma, professor Langdon, o senhor precisa me ouvir antes de tirar conclusões.
— Eu vou chamar a polícia, essa é a minha conclusão, Sr. Dickson.
— Por favor, o senhor não pode fazer isso, pelo bem da Mary Kate. Eu só quero ajudar, professor Langdon, eu juro. — O celular que Scott segurava começou a tocar; ele olhou rapidamente o número no visor de LCD e estendeu o telefone para Robert. — É para o senhor. — Robert hesitou um instante, olhando para o garoto, que parecia mais assustado do que ameaçador; finalmente pegou o telefone e apertou o botão de atender, levou o aparelho ao ouvido.
— Professor Langdon?
— Sim?
— Que satisfação falar com o famoso Robert Langdon. — Robert não respondeu, não estava definitivamente gostando daquela brincadeira, seja lá quem fosse que a estivesse fazendo.
— Quem está falando?
— Ah, que indelicadeza a minha, professor. Sir Nicholas Dickson, a sua disposição, senhor Langdon.
— Onde está a Mary Kate? — Langdon perguntou, impaciente demais para se deixar levar por aquela bobagem.
— Ah, alguém que gosta de ir direto ao assunto. Perfeito, professor. — Langdon começou a ficar irritado com o tom presunçoso daquela voz ao telefone.
— Onde está a Mary Kate? — repetiu.
— Ah, a doce Mary Kate. Vamos ser diretos, professor, o senhor vai me trazer o que eu quero, e eu devolvo a sua garota. O que me diz?
— E o que você quer?
— O diamante.
— Diamante? — Langdon ficou ainda mais surpreso, talvez esperasse ouvir medalhão, mas diamante era completa novidade, e ele não podia fazer ideia do que se tratava. — Mas de qual diamante você está falando?
— Ora professor, não temos tempo para isso, não é? Você tem 24 horas, se ainda quiser ver a sua querida filha viva. — Antes que Langdon pudesse abrir a boca, ouvi o click do telefone desligando.
— Que brincadeira é essa?
— Não há brincadeira nenhuma, professor Langdon, infelizmente, a Mary Kate está em perigo.
— Será que você pode me explicar o que está acontecendo? — Scott suspirou, claro, tinha que explicar, era exatamente para isso que estava ali.
Um pequeno sorriso triste se formou no canto da boca do rapaz, infelizmente era preciso admitir para si mesmo que seu pai tinha cumprido a promessa de fazê-lo se arrepender de ter metido o nariz onde não devia. Só queria ajudar Mary Kate, mas acabou conseguindo piorar ainda mais a situação, agora, Mary Kate pensava que ele a tinha traído; isso por que toda a conversa que tinham tido durante a noite tinha sido gravada, ou seja, seu pai estava vendo tudo, era demais esperar que ela acreditasse que aquilo não tinha sido planejado.
— A gente não tem muito tempo, professor.
— Eu não estou entendendo nada.
— Eu vou explicar, mas, nós precisamos ir.
— Como ir? Ir para onde?
— Para o aeroporto. O avião está esperando. — Langdon gostava cada vez menos daquilo, não tinha boas recordações sobre convites inesperados para viagens em aviões particulares.
— Olha, garoto, eu não vou a lugar nenhum antes que você me explique o que está acontecendo? Onde está a Mary Kate?
— Eu não sei onde ela está, o meu pai a levou para algum lugar... será que nós podemos conversar dentro de casa? — Mesmo sem gostar da ideia, Langdon voltou para dentro de casa, Scott o acompanhou, então não esperou mais para repetir para Robert a mesma conversa que tivera com Mary Kate, acrescentando as exigências do pai.
Sir Nicholas sabia que Langdon estava com o medalhão, exigia que ele fosse até a Inglaterra e encontrasse o diamante; mandaria Scott junto, como castigo por ter se intrometido no assunto, e para assegurar que o filho não faria mais besteiras. O professor não teve uma reação muito diferente da que teve a garota.
— Você espera realmente que eu acredite nisso?
— Se você acredita ou não, professor, não é meu problema, mas...
— Eu vou chamar a polícia. — Em partes sentiu pena do rapaz, que não parecia nem remotamente contente com o que estava fazendo, definitivamente Scott parecia desesperado.
— Não. O senhor não pode, não entendeu? Meu pai vai matar a Mary Kate, ele vai matar a minha mãe, se o senhor não fizer o que ele quer.
Langdon passou a mão na testa, se perguntando mentalmente por que coisas tão improváveis sempre aconteciam com ele. Queria poder dizer que aquela era a maior loucura que já tinha escutado na vida, mas lembrando do que acontecera em Washington alguns anos atrás, aquela busca desesperada por um portal místico que conduziria aos Antigos Mistérios, não podia duvidar de nada; e quando se tratava de loucos, era preciso ter muito cuidado.
— Professor, nós não temos muito tempo.
— Meu Deus, que loucura. — Foi a única coisa que Robert conseguiu dizer.
Não estava conseguindo raciocinar direito, em tão pouco tempo descobrira que tinha uma filha e agora precisava entrar numa busca inacreditável para salvá-la. Começar a procurar algo que provavelmente nem existia e tendo vinte e quatro horas. Não podia estar acontecendo de novo, Langdon não evitou lembrar-se de Mal’ahk e do sofrimento de Peter Solomon, e toda a agonia por que passou de repente parecia viva demais em sua memória.
Dessa vez ele não corria perigo, mas Mary Kate sim, ainda não sabia com que tipo de lunático exatamente estava lidando, mas ele matou Margareth, e obrigava o próprio filho a participar daquilo, certamente seria mesmo capaz de matar Mary Kate. Não tinha escolha, mesmo que não acreditasse em nada do que ouvira sobre diamantes, Rei Arthur, Excalibur, precisava salvar Mary Kate. Foi ao quarto, vestiu um casaco e pegou o passaporte.
— Ok, vamos. — Scott assentiu e os dois saíram; Langdon fechou a casa e entrou no carro.
A caminho do aeroporto, só conseguia pensar em como começaria aquela busca. Não fazia a mínima ideia.
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