Anos de história discutidos durante o voo de Boston e Londres, era tudo que Langdon tinha para começar. Naquela instante sentia-se de certa forma grato por Scott está ali; claro que o garoto não sabia de tudo, mas explicou muito sobre aquela lenda dos descendentes do Rei Arthur. Agora podia entender o motivo dos bons trabalhos dele na faculdade.

Sentado na poltrona do avião, enquanto conversavam, Langdon conseguiu organizar um pouco as ideias e ser racional. Certo que estavam lidando com um psicopata, mas haviam alguns fatos irrefutáveis naquela história.

— Você acha que pode ser verdadeira, a lenda?

— Existem muitas lendas sobre o Rei Arthur, e lendas não surgem do acaso, normalmente se baseiam em coisas que aconteceram, mas são transformadas ao longo do tempo.

— É como se um fato fosse contado tantas vezes de várias maneiras.

— Exatamente. Margareth Dashwood era uma das mais conceituadas historiadoras do mundo, além disso, existe o medalhão.

— A pesquisa dela deve dar alguma pista.

Era a única esperança que tinham, se é que podiam chamar de esperança, de qualquer forma estavam numa estrada escura. Chegar à Inglaterra era só o primeiro passo, ele não sabia como faria para ter acesso à pesquisa de Margareth; a ideia de contar a verdade ao avô de Mary Kate fora descartada; não precisava conhecer Lorde Dashwood para saber que ele não aceitaria nenhum tipo de chantagem, principalmente vindo de um Dickson, logo, se contar, será possível que informe as autoridades sobre o sequestro da neta.

— Professor, o que nós vamos fazer, quero dizer, quando chegarmos a Inglaterra? — Scott perguntou, como se ouvisse os pensamentos de Robert.

— Tentaremos conseguir acesso ao material de trabalho de uma das mais importantes historiadoras da Inglaterra. Em plena madrugada.

Meia hora depois o jatinho pousou, no aeroporto Robert e Scott pegaram um táxi, e se dirigiram para a universidade de Londres, onde Margareth trabalhava e onde estava baseada sua pesquisa; no caminho Langdon tentou fazer algumas ligações.

XXX

Hendricks já estava se preparando para dormir, checou se todas as portas da mansão estavam fechadas; àquela hora o seu inconstante patrão já estava dormindo, pelo que ele agradecia profundamente. A melhor parte do seu trabalho era quando a noite chegava e Lorde Dashwood se recolhia; o humor pouco estável do velho homem tinha se tornado ainda mais sensível desde que a filha morrera e a neta fora embora da Inglaterra. Sozinho com sua arrogância, só restava ao nobre ser ranzinza com seus empregados.

De certo, a última coisa que Hendricks podia querer era acordar Sir Edwin, quando o telefone tocou. Era Don Peddleton, da Universidade de Londres; Hendricks quase deu uma risada quando o homem pediu para falar com Lorde Dashwood. Queria perguntar quem Peddleton pensava que era para achar que tinha o direito de incomodar Lorde Dashwood àquela hora, o fato de ter trabalhado com a filha dele não significava que fosse da família.

— Não é possível falar com Lorde Dashwood no momento.

Hendricks, eu sei que Lorde Dashwood é muito reservado, mas eu insisto, é importante.

— Eu peço que não insista, Sr. Peddleton.

— Eu só preciso da autorização dele para acessar os arquivos da Megg.

— E por que isso não pode esperar até amanhã? — Don suspirou, as coisas poderiam ser mais simples se Hendricks entendesse que o professor de Harvard era uma das maiores autoridades em simbologia do mundo, e estava de passagem por Londres, só por aquela noite, e se interessara pelo trabalho de Megg; a própria Megg entenderia isso sem qualquer esforço.

— Não, Hendricks, não pode esperar até amanhã, por isso eu insisto.

— Eu realmente gostaria de ajudar, Sr. Peddleton, mas não é possível, tenha uma boa noite, senhor. — Hendricks desligou o telefone antes que Don pudesse falar qualquer coisa; ele só ouviu o barulho da estática do outro lado da linha, e encontrou o olhar de expectativa dos visitantes.

— Eu sinto muito, professor Langdon. Eu não tenho autoridade para permitir que o senhor visite o escritório da Megg, só Lorde Dashwood poderia fazer isso, e... Talvez se o senhor esperasse até amanhã... — Langdon tentou dar um sorriso, era difícil quando o único plano que tinham estava fracassando. Por muita sorte era um nome conhecido no meio acadêmico, e Don Peddleton era um dos seus admiradores, por isso, pode pedir que o encontrasse.

— Nós não temos esse tempo.

— Eu realmente sinto muito. O senhor sabe, desde a morte da Megg, Lorde Dashwood quis manter tudo que fosse relativo às pesquisas dela trancado no escritório. É como se ele culpasse o trabalho pela morte da Margaret. — Don falou num tom complacente; Robert e Scott se entreolharam, aparentemente tendo a mesma ideia: será que Lorde Dashwood sabia sobre o que a filha estava pesquisando antes de morrer, será que ele sabia que Margaret tinha sido assassinada?

— É muito provável que ele saiba. — Langdon falou e Scott assentiu. — A Mary Kate disse que o avô não dava muita importância ao trabalho da Megg, mas...

— Talvez ele só quisesse mantê-la a salvo.

— Faz sentido, na verdade, faz todo sentido.

— Mas do que vocês estão falando? — Don olhava do professor para o seu assistente, como Langdon tinha apresentado Scott Summers, sem entender nada do que os dois falavam, se Robert Langdon não fosse um conceituado simbologista podia apostar que ele estava louco.

— Nós vamos precisar ir à casa de Lorde Dashwood, Sr. Peddleton, fica a quanto tempo daqui? — Langdon falou, olhando para o relógio e já saindo da sala de Don.

— O que? Não, Sr. Langdon, o senhor não pode visitar Lorde Dashwood a essa hora da noite, ele não irá recebê-lo.

— Não se preocupe, nós daremos o nosso próprio jeito.

Peddleton acompanhou os dois americanos pelo corredor, ouvindo o que eles conversavam, e nada daquilo parecia fazer qualquer sentido.

— Espera, espera. — Scott parou e se virou para Don. — O senhor trabalhou com a Sra. Dashwood, você deve saber tudo sobre a pesquisa dela — disse, e olhou para Langdon, esperando que o professor concordasse. Robert assentiu, de fato, fazia muito sentido.

— Bem, eu conheço o escopo da pesquisa sim, mas não detalhes. — Langdon tirou o medalhão do bolso e mostrou a Don, os olhos do homem saltaram para a joia. — Onde o senhor conseguiu isso?

— Com a Mary Kate Dashwood. E ela está correndo perigo. Nicholas Dickson sequestrou a Mary Kate. Ele quer o diamante. — Don não conseguia se mover; era claro que o assunto ali não era novidade para ele, mas o fato de alguém além dele e dos Dashwood saber sobre o medalhão era assustador.

— Isso não é possível — balbuciou.

— Agora o senhor entende por que nós precisamos falar com Lorde Dashwood? — Scott perguntou. Don balançou a cabeça debilmente, ainda processando as informações. Eles saíram para o pátio, o taxi continuava esperando lá fora; Langdon foi o primeiro a entrar. — Talvez o senhor queira vir conosco, Sr. Peddleton. — Don hesitou um momento, mas sim, queria, e devia. Entrou no carro, e passou as mãos pelas têmporas. Langdon falou com o motorista e deu o endereço para onde iam.

— A Margaret pensou que a filha ficaria segura nos Estados Unidos. Como Lorde Dickson ficou sabendo, sobre, tudo?

— Ele esteve vigiando a Sra. Dashwood por bastante tempo.

— Aquele desgraçado.

— Você acha que Lorde Dashwood sabe sobre, tudo?

— Sabe, sim, ele sempre foi contra a obstinação de Margaret em encontrar o diamante, pediu muitas vezes que ela parasse; e quando ela morreu, ele decidiu que não contaria nada a neta, queria manter Mary Kate segura. Ele costumava dizer que havia uma razão para que o diamante tivesse sido escondido, aquela guerra estúpida precisava acabar. — Os três homens ficaram calados por alguns minutos. O taxi acabara de chegar em frente a mansão dos Dashwood.

Foi bom que Don Peddleton estivesse ali com eles, pensou Scott, enquanto o homem conseguia convencer os seguranças a deixá-los entrar. Foram recebidos por Hendricks, completamente cheio de relutância. Peddleton falou, e insistiu muito, mas Hendricks não parecia nem remotamente disposto a acordar o patrão, insistindo para que Don Peddleton e os dois americanos fossem embora, e chegou a ameaçar chamar a segurança para botá-los para fora.

— Hendricks, você vai se arrepender se não chamar Lorde Dashwood. Entenda que isso é muito importante.

— Sr. Peddleton, eu vou pedir pela última vez para os senhores irem embora, eu não vou incomodar Sir Edwin... — Hendricks falou, no mesmo instante os três visitantes voltaram as cabeças para a escada.

— Posso saber o que está acontecendo, Hendricks? — Finalmente o que Hendricks tanto tentou impedir aconteceu.

Lorde Dashwood estava de pé, e aparentemente de mau humor; o velho de cabeça branca, apoiado na bengala parou no último degrau da escada e deu uma olhada nas visitas; analisou os dois americanos e parou o olhar em Don.

— Peddleton, o que você faz aqui a essa hora? Um pouco tarde para uma visita, não acha?

— Desculpe, senhor, na verdade, eles já estavam de saída — Hendricks falou, mas Don o interrompeu.

— Desculpe incomodar tão tarde, Lorde Dashwood, mas eu não estaria aqui se não fosse importante. Nós precisamos ter acesso a pesquisa da Megg.

— Ora, pelo amor de deus, Sr. Peddleton, o senhor está passando dos limites. — Hendricks voltou a falar, agora sinceramente irritado com aqueles três por tamanha falta de respeito com o velho Dashwood.

— Você deveria saber que isso não é possível, Peddleton — Lorde Dashwood falou, visivelmente abalado com a lembrança da filha. — Por favor, tenham a bondade de se retirar da minha casa.

— Lorde Dashwood, eu insisto...

— Senhor, eu vou chamar a segurança — Hendricks disse, e Sir Edwin deu as costas aos três homens, ele já estava na escada quando Langdon abriu a boca pela primeira vez.

— Mary Kate pode está em perigo, Lord Dashwood. Lorde Dickson a sequestrou. — O homem parou na escada, e se virou, seu rosto estava pálido.

— O que foi que você disse?

XXX

Mary Kate acordou sem saber onde estava nem como tinha ido parar naquele lugar; seu corpo inteiro doía como se tivesse andado por horas sem parar. Por alguns segundos não se deu conta do que era aquele incômodo nos pulsos, só quando abriu os olhos percebeu que tinhas as mãos presas por cordas de náilon no braço da poltrona. Não era mais a sala com paredes metálicas que estava a sua volta; parecia a sala de uma cobertura em algum prédio chique, podia perceber pelo tapete no chão. Não fazia noção de que horas fossem, mas certamente era noite, pois podia ver o escuro lá fora pela janela.

— Vejo que a nossa pequena rebelde acordou. — Mary Kate levantou a cabeça e viu Nicholas Dickson de pé bem na sua frente; ele segurava um copo de bebida de forma pretensiosa. — Mais calma, eu presumo, querida?

Pareceu efeito de mágica, Mary Kate lembrou do que tinha acontecido antes, de como aquele homem asqueroso ouvira toda a conversa que ela teve com Scott, e mandou o filho procurar Robert Langdon; depois Mary Kate tentou fugir, arranhando a cara do tal de Davidson com as unhas, mas não conseguiu ir longe, logo outro daqueles capangas do Dickson a agarrou e levou de volta. Mary Kate gritou e esperneou, até cuspiu na cara de Nicholas.

— Você não parece muito confortável. — Mary Kate baixou a cabeça, sentia mais dores quando tentava forçar as mãos amarradas, as cordas lhe queimava os pulsos. — Ora, Mary Kate, admita, você não foi uma boa menina, por isso mereceu esse castigo. — A dor física chegava a ser insignificante diante do tom debochado que o assassino da sua mãe lhe dispensava.

— Por que você está fazendo isso comigo? — disse, incapaz de segurar as lágrimas que escorriam dos olhos azuis. — Eu não fiz nada, eu não sei de nada, por que?

— Nós já tivemos essa conversa, querida, você é uma Dashwood, isso encerra nossa discussão.

— Você é completamente maluco, sádico, e assassino. — Nicholas se aproximou de Mary Kate, inclinou-se sobre a garota, deixou o rosto tão perto que ela sentia o cheiro de bebida.

— Você só errou a parte de maluco, querida. — Mary Kate soluçou. — Muita coisa poderia ter sido evitada se a vadia da sua mãe não tivesse metido o nariz onde não devia, Mary Kate. Você e o seu papaizinho americano idiota cometeram o mesmo erro, merecem o mesmo castigo, concorda? — Nicholas apertou a bochecha de Mary Kate, com um sorriso malévolo na boca; a garota virou o rosto, tentando parar de chorar, não queria dar o gosto aquele homem de vê-la desesperada, mas simplesmente não conseguiu evitar o choro. Naquele instante Smith entrou na sala com uma bandeja. — Mas o que é isso, Smith?

— Desculpe, chefe, mas a menina está sem comer desde ontem, ela vai acabar morrendo de fome, e, esse não é o plano, não é mesmo?

— Ok, você até tem razão, Smith. Pode soltá-la, mas certifique-se de que ela se comporte. — Nicholas saiu da sala.

Smith deixou a bandeja em cima de uma mesa de centro e se ajoelhou ao lado da cadeira onde Mary Kate estava para desamarrar as cordas que prendiam seus braços. Assim que se viu livre das cordas, Mary Kate levantou a mão, mas o movimento de Smith foi mais rápido e ele a segurou pelo pulso.

— Eu não quero machucar você — Smith falou, como se adivinhasse o que a garota estava pensando; se ele estava sozinho, e ela pudesse acertar o rosto do mesmo jeito como fizera com Davidson. Ele soltou a mão de Mary Kate devagar. — Você pode ir ao banheiro, se quiser.

— E se eu fugir pela janela do banheiro?

— Você está na cobertura de um prédio de vinte andares, não vai querer pular pela janela. Eu te acompanho. — Ela não queria obedecer, mas estava realmente precisando ir ao banheiro.

Smith trancou a porta pelo lado de fora quando ela entrou. Mary Kate olhou com desânimo o banheiro luxuoso, pia de mármore, torneiras de prata. Que ótimo, estou num cativeiro de luxo, pensou. Mesmo que estivesse disposta a pular do vigésimo andar, não tinha janela no banheiro. Podia estar com vontade, mas não conseguiria fazer nenhuma necessidade naquele banheiro, muito menos com Smith do lado de fora. Parou de frente para a pia e se olhou no espelho. Nunca tinha se visto tão desarrumada, os cabelos despenteados, olheiras profundas; era como se seus dezessete anos tivessem passado há muitos séculos.

Mary Kate deu um sorriso triste para a sua imagem no espelho; deveria se sentir uma pessoa má por pensar na própria aparência quando seu pai estava provavelmente correndo algum sério risco? Ou talvez não, parece que nos último dia crescera mais do que nos últimos anos. Jogou um pouco de água no rosto e enxugou depois com a toalha.

— Já acabei — disse batendo na porta. Smith abriu.

A bandeja continuava em cima da mesinha; embora sentisse o estômago vazio, Mary Kate duvidava que conseguisse comer alguma coisa. O celular de Smith tocou, e Mary Kate aproveitou enquanto ele atendia para ir até a janela. Mesmo de noite, ela reconhecia aquela cidade, não estava nos Estados Unidos. Não lembrava de como tinha chegado em Londres. Mas de pensar que a casa do avô ficava tão perto dali, voltou a pensar que poderia fugir, bastava um minuto de desatenção de Smith.

— Seu jantar está esfriando, princesa. — Smith pegou no braço da garota e a puxou para longe da janela.

— Como eu vim parar aqui? Por que eu não me lembro de ter saído dos Estados Unidos? Me ajuda a sair daqui, Smith, pelo amor de Deus, me ajuda, não deixa esse homem me matar, você não é um assassino, eu posso ver nos seus olhos. — Mary Kate o encarou, na verdade, pensava mesmo assim, Smith tinha mais cara de bobalhão do que de bandido, ele não era como Davidson. — Por favor.

— É melhor você comer logo, antes que ele volte.

— Por que ele me trouxe para Londres, afinal? — Mary Kate apanhou o prato de comida, mas fez uma careta. Smith deu de ombros. — Quando vocês me seguiram a primeira vez, vocês não queria pegar o medalhão e ir embora não é? Estavam tentando me assustar. Por que não pegaram a porcaria e me deixaram em paz? — Mary Kate falava, mas Smith não lhe dava nenhuma resposta; ela comeu três colheres da comida e tomou dois goles de suco, e aquilo era tudo que seu estômago revirado aceitaria. Ela queria sair dali, queria correr e procurar Robert.

XXX

Langdon não conseguiu explicar o motivo da visita fora de hora; tinham combinado não contar sobre o sequestro de Mary Kate; Peddleton tinha achado melhor poupar o homem de mais essa preocupação, se conseguissem convencê-lo a liberar o acesso a pesquisa de Margareth. Mas logo Langdon percebeu que aquilo não seria possível, e de qualquer modo, não era justo. Era a neta dele, tinha o direito de saber a verdade.

— Eu não admito que vocês venham aqui e mexam com a memória da minha filha; a minha neta, Mary Kate, está nos Estados Unidos.

— Lorde Dashwood, o senhor precisa ouvir o professor Langdon...

— Peddleton, por favor, vá embora da minha casa e leve seus amigos americanos com você. — Antes que o homem começasse a subir a escada, Langdon tirou o medalhão do bolso e o mostrou. A expressão no rosto de Sir Edwin não se tornou menos severa, e certamente aquele objeto não lhe era estranho. — Onde o senhor conseguiu esse medalhão, Sr. Langdon?

— Com a Mary Kate...

— Não, isso não é possível, a Mary Kate não sabe nada a respeito disto. Como você conhece a minha neta?

— Ela é uma das minhas alunas, e... Senhor, agora não há tempo para explicações, nós precisamos correr contra o tempo. Nós precisamos saber se a Megg descobriu a localização do diamante. — Sir Edwin encarou Langdon com ar cético, ele não estava disposto a acreditar no que o professor dizia.

— Hendricks, faça a gentileza de acompanhar os senhores.

Scott estava admirado pela pouca emoção do homem, a neta dele estava em perigo, e ele não demonstrava nenhuma preocupação.

— O senhor não ouvia nada do que nós dissemos? A sua Mary Kate está em perigo. Ela corre risco de vida; o senhor sabe que o meu pai matou a sua filha, ele não vai pensar duas vezes antes de matar a sua neta. — Mais uma coisa que deveria ficar oculta naquela noite foi revelada.

Diante daquilo Lorde Dashwood pareceu ainda mais cético, e pior, sentiu raiva daqueles intrusos e da audácia daquele moleque. Um Dickson dentro da sua casa, era uma ofensa imperdoável.

— Eu quero que você e o seu pai morram, garoto, como você tem coragem de entrar na minha casa? Saia daqui antes que eu chame a segurança e o coloque para fora como o lixo que você é.

— Faça isso, sir, mas não mudará o fato de a sua neta está em perigo.

— Scott, fica quieto, ok? Sir, nós não temos a intenção de ofender o senhor...

— O que vocês querem, afinal? — Langdon lembrou que Mary tinha lhe dito que falar com o avô era uma tarefa complicada, e realmente estava sendo; o que lhe deixava angustiado era saber que a garota estava nas mãos de um lunático e o tempo estava passando.

— Salvar a Mary Kate, é a única coisa que nós queremos, mas não podemos fazer isso sem...

— Sem o diamante? Mas que conveniente, professor. Mas, deixem-me dizer uma coisa. Eu não sei como vocês ficaram sabendo de detalhes dessa história, na certa trabalham para o Dickson, não existe diamante nenhum.

— Como?

— Não existe. Ótimo, podem ir embora.

— É verdade, Peddleton? — Scott perguntou, e Don gaguejou. — Ah, Lorde Dashwood, pelo amor de Deus, nós estamos perdendo tempo. É melhor a gente procurar outro jeito de salvar a Mary Kate, professor, nosso tempo está esgotando. — Langdon concordava e muito com aquilo, exceto é claro pela parte que não havia outro jeito, sem acesso aos documentos de Margareth não sabiam de nada além do que o próprio Scott tinha descoberto fuçando os arquivos secretos do pai, não iam conseguir nada, tudo que existia sobre aquela lenda se resumia aos estudos de Margareth Dashwood.

— A Mary Kate é minha filha, Lorde Dashwood — Langdon falou depois de um instante pensando; talvez aquilo não resolvesse nada o impasse, talvez só complicasse, mas precisava tentar convencer o homem. A atenção de sir Edwin então se voltou para o professor, embora ele ainda estivesse com a expressão de puro ceticismo no rosto. — Ela me procurou assim que chegou aos Estados Unidos, nós ainda estávamos nos conhecendo quando ela começou a ser seguida; ela telefonou para falar a respeito com o senhor não foi? — Lorde Dashwood balançou a cabeça meio atordoado.

— Ela disse que tinha sido uma impressão...

— Que era por que estava assustada, sim, ela disse isso porque não queria que o senhor a obrigasse a voltar para Londres.

— Mas como você pode...? Você é americano!

— É uma longa história, senhor, infelizmente, nós não temos tempo para discuti-la agora; Nicholas Dickson é um lunático, e está com a Mary Kate. Mesmo que não exista diamante, nós precisamos saber o que significa isso aqui. — Langdon falou e mostrou novamente o medalhão, deixou-o balançando um instante e entregou na mão do homem. Sir Edwin pegou-o e observou-o por alguns segundos.

— A Megg prometeu que esqueceria... Isso já deveria ter acabado...