The Last Secret
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Notas iniciais
Mary Kate se encolheu no sofá, abraçando os joelhos, sentindo que perderia o ar em pouco tempo; confusa e assustada, ouvia Scott esmurrar inutilmente a porta metálica enquanto proferia palavrões. O rapaz andava de um lado para o outro, passando as mãos pelos cabelos, pensando em algum jeito de sair dali, mesmo sabendo que seria praticamente impossível. Aquela porta só podia ser aberta por fora, com uma senha alfa numérica, tudo naquela porcaria de casa era protegido por senhas, e Scott podia apostar, elas tinham sido trocadas recentemente.
Foi até o computador e ligou a máquina, talvez seu pai pudesse ter cometido algum erro, ter deixado uma brecha. A tela de login apareceu e Scott digitou a senha que conhecia, mas como tinha imaginado, o acesso foi negado.
— Droga. — Bateu na mesa com a mão; então olhou para Mary Kate. — Mary Kate, você tá legal? — Ela não respondeu, nem precisava, era claro que não estava legal, nem poderia. Scott foi até o sofá e sentou ao lado dela. — Eu tentei impedir. Me desculpe, eu não consegui, meu pai...Olha, eu vou dar um jeito de tirar a gente daqui, ok?
— Por que? — Scott balançou a cabeça, sem entender o motivo da pergunta. — Por que você quer me ajudar e não ficar ao lado do seu pai?
— Como você deve ter notado, Mary Kate, meu pai não é uma pessoa normal, e, ao contrário do que você pensa, eu não, não suporto o que ele faz. Bom, na verdade eu tenho suportado durante toda a minha vida, mas ele passou dos limites, completamente.
— Ele matou minha mãe? — Scott balançou a cabeça sem olhar para a garota. Mary Kate deixou que as lágrimas que tentou controlar até aquele momento caíssem. Assassinada, sua mãe não morreu num acidente de carro, mas num assassinato; sentiu mais uma vez o peito apertado, com falta de ar, não conseguia respirar direito.
— Mary Kate, o que você tem? Oh, meu Deus, eu preciso tirar você daqui.
— Por que ele fez isso?
— Olha, você não está legal para ouvir isso.
— Eu preciso saber, eu tenho o direito de saber.
— Tudo bem, ok, você tem razão, você tem todo direito de saber o que, e por que está acontecendo, só que, eu não sei por onde começar. — Scott baixou a cabeça, encostando a testa nas mãos, procurando as palavras para começar a explicar aquela história maluca a garota.
Ele mesmo ainda não entendera completamente; desde aquele dia que ouvira seu pai conversar com os dois seguranças na biblioteca e depois encontrado o dossiê Dashwood, fizera algumas pesquisas, e tinha descoberto muita coisa através dos arquivos do pai, coisas que ele não acreditava que fossem mais que loucuras, pois era no que acreditava, que seu pai era completamente louco, doente.
— Você já ouviu alguma coisa sobre o Rei Arthur, não é?
— Cla... claro. Minha mãe estudava lendas arthurianas. — Scott assentiu.
— Engraçado é que eu sempre vi o meu pai como um cético. Claro que existem centenas de histórias e lendas sobre o Rei Arthur e os seus Cavaleiros, não é? E se algumas pessoas acreditassem que esse Rei não foi apenas um personagem lendário, que ele existiu de fato?
— Você poderia ser mais claro?
— Ser claro pode ser realmente complicado nesse caso, mas, ok, o que eu estou querendo dizer, é que, pessoas como o meu pai, e a sua mãe, acreditavam que o Rei Arthur foi real, e mais, eles acreditavam... — Scott parou de falar um instante, e olhou para Mary Kate tentando avaliar a reação dela, mas a garota tinha uma expressão impassível no rosto. — Eles acreditavam que poderiam ser descendentes diretos do Rei Arthur.
— Isso é loucura.
— Claro que é, mas eles acreditavam nisso, Mary Kate, a loucura vira verdade para quem acredita nela. De acordo com a lenda, os descendentes do rei seriam os eternos guardiões de um tesouro. Em algum momento da história, Dashowoods e Dicksons começaram a disputa para saber quem eram os legítimos guardiões. É por causa desse tesouro que há tantas gerações das nossas famílias existe essa rivalidade. Houve muitas mortes, em ambas as famílias, pois as duas reclamavam o direito legitimo de guardar o tesouro, até que ele desapareceu.
— Mas que tesouro perdido seria esse? — Mary Kate perguntou, embora não estivesse inclinada a acreditar em conversas sobre lendas, tesouros ou guardiões.
— Um diamante.
— Um diamante? Mas que diamante, por que ele seria especial?
— O diamante que a sua mãe encontrou, ou acredita ter encontrado, Mary Kate, era especial porque foi tirado do punho da espada do Rei Arthur. Excalibur. — Mary Kate virou o rosto para Scott, tinha os olhos arregalados e começou a pensar que o rapaz era tão maluco quanto o pai. — Pelo que eu entendi pesquisando os arquivos do meu pai, depois que o rei comandou seus exércitos na guerra contra os saxões, ele declarou paz em toda a Bretanha, em tempos de paz ele não precisava de uma espada tão poderosa quanto a Excalibur, então, o Rei resolveu jogá-la no mar, mas antes disso, retirou do seu cabo o diamante vermelho, deixando-o como herança para todos os descendentes do Pendragon.
— Espera, isso tudo está muito confuso; você está dizendo que a minha mãe foi assassinada porque encontrou um diamante, mas esse diamante pode nem sequer existir de fato. O que significa que ela pode ter sido morta por que acreditava numa lenda segunda a qual ela era guardiã de um tesouro secreto do Rei Arthur?
— Não faz nenhum sentido, não é?
— Não mesmo. O seu pai é louco, Scott, a minha mãe era uma pesquisadora séria, ela lidava com fatos históricos, não com...
— Bobagens? Ok, Mary Kate, a sua mãe era uma pesquisadora, que lidava com fatos históricos, e também com lendas.
— E o medalhão, o que o medalhão tem a ver com toda essa maluquice?
— O medalhão, Mary Kate, o seu medalhão, é, de acordo com uma lenda, uma chave para encontrar o lugar secreto onde o diamante está escondido.
— E você acha que a minha mãe sabia onde era esse lugar?
— Ela tinha o medalhão. — Mary Kate balançou a cabeça, aquilo tudo era completamente sem sentido, tanto que até mesmo sua claustrofobia parecia ter diminuído enquanto ouvia Scott lhe contar.
— Por isso seu pai o quer?
— Sim. Meu pai acha que os Dickson, e não os Dashwood são os legítimos descendentes do Rei Arthur; ele também acredita que a sua mãe lhe contou sobre o esconderijo antes de morrer.
— Eu presumo que quando ele encontrar esse tesouro vai me matar e colocar um fim nos usurpadores?! — Mary Kate falou ironicamente, mas Scott assentiu, na verdade, era exatamente isso que Sir Nicholas pretendia fazer. — Você não acredita nisso, não é?
— Não, claro que não.
— Ótimo, nós temos que sair daqui e chamar a polícia. Minha mãe foi assassinada e eu espero que o responsável por isso seja preso. Eu sinto muito por ele ser seu pai.
— Ele é meu pai, mas eu não posso concordar com assassinatos. Eu vou te ajudar.
— Obrigada. Como nós saímos daqui?
— Não podemos sair.
— Tem que ter um jeito.
— Infelizmente não tem, Mary Kate, como você viu, a porta tem fechaduras eletrônicas acionadas por computadores, e nós não temos a senha; nem adianta pensar no duto de ar. — Scott acrescentou enquanto Mary Kate olhava para cima procurando as saídas de ar; mas eram pequenas demais, não seria possível tentar sair por elas. — Vamos esperar, em algum momento ele vai mandar buscar a gente.
— E então nós lutamos com os dois seguranças grandões?
— Com aqueles dois e os outros vinte que fazem a segurança da casa. Olha, ele não vai te matar enquanto não souber o que quer saber.
— A localização do diamante?
— Isso.
— Ótimo. Só que eu não sei de diamante nenhum e o seu pai é um maluco, Scott. Então a única coisa que você quer que eu faça é sentar e esperar?
— Nós vamos pensar num jeito de tirar você daqui, Mary Kate, eu prometo. — Scott encarou Mary Kate.
— Há algumas horas eu coloquei você para fora do apartamento da Blair, com uma ideia completamente errada a seu respeito.
— Tudo bem, você pensou o que qualquer um pensaria. Olha, mesmo que eu conseguisse acessar o sistema de segurança, tem pelo menos vinte caras do tipo do Davidson vigiando a casa, a gente não conseguiria sair no portão. De manhã o meu pai vai para o escritório, ele pode ser louco, mas não quer levantar nenhuma suspeita, quando ele sair nós vamos ter alguma chance.
— Ok, vamos esperar então.
A ideia de passar a noite presa naquela sala esquisita com Scott Dickson não era animadora, ainda mais depois de descobrir que sua mãe tinha sido assassinada graças aos delírios de um lunático que por acaso era o pai dele; foi então que ela lembrou-se do próprio pai.
— O Robert, o medalhão está com o Robert.
— Robert Langdon?
— É, nós conversamos e, eu pensei que aquele medalhão podia ter algo a ver com a pesquisa da minha mãe, por Deus, eu estava certa, ou pelo menos perto; então eu deixei o medalhão com o Robert. Você acha que o seu pai pode fazer alguma coisa contra o Robert?
— Ele está obcecado, Mary Kate, vai fazer qualquer coisa com qualquer pessoa que fique no seu caminho, mas por hora, ele não sabe que o medalhão está com o Robert, mas você sabe, isso pode ser uma vantagem para nós. Por que você não tenta dormir um pouco?
— Duvido que eu consiga.
Nenhum dos dois conseguiu dormir; ficaram alguns instantes calados, depois Mary Kate pediu que Scott explicasse melhor como tinha descoberto tudo aquilo, como Sir Nicholas conseguiu saber sobre as pesquisas de Margareth e como ele planejou assassiná-la — isso Scott não soube dizer. Explicou a Mary Kate que tinha pesquisado arquivos do pai escondido, mas ele descobrira há alguns dias e lhe ameaçado de várias maneiras, a mais eficiente claro, era ameaçando sua mãe, Catherine.
— É terrível ser refém a vida inteira.
— Como alguém pode aguentar isso? Quer dizer, por que a sua mãe não vai embora?
— Ela não pode, Mary Kate, ele a mataria se ela tentasse, minha mãe vive presa nessa casa, vigiada, vinte e quatro horas por dia; ela faz isso por mim, e eu continuo aqui por ela, no fim das contas, nós dois estamos presos a ele.
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