The Last Secret
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Notas iniciais
— Do que você está falando, Mary Kate? — Langdon perguntou, enquanto fechava a porta, depois de dar uma última olhada lá fora e certificar-se que não havia ninguém. Mary Kate jogou a mochila em cima do sofá e colocou as mãos na cintura.
— A placa do carro — disse a garota, com a sobrancelha arqueada e um tom de que aquilo era a coisa mais óbvia do mundo.
— Você decorou a placa do carro? — Mary Kate deu de ombros.
— Eu tenho essa coisa de, lembrar de, coisas. — Robert deixou um pequeno sorriso escapar dos lábios. Aquilo que chamavam de memória fotográfica era uma habilidade que ele mesmo possuía. — E também aprendi alguma coisa sobre espionagem com o James Bond. Vou precisar usar o seu computador, Robert. — Robert assentiu, e acompanhou Mary Kate até a biblioteca. Ela deu uma olhada de 360º no ambiente; móveis antigos, livros, e a velha sensação de que acabara de entrar num museu; o computador de Langdon, um iMac para total surpresa de Mary, estava em cima da mesa. — Internet?
— Ah, sim, é claro, embora eu não a use muito, de vez em quando eu preciso mandar um e-mail.
— Como alguém pode viver sem internet?
— Vamos dizer que eu sou um cara à moda antiga. Mas, fica à vontade. — Langdon ofereceu a cadeira a Mary Kate e ela sentou em frente ao computador. — Bem, como você pretende descobrir o dono do carro?
— Pode ser algo até fácil, se a pessoa tem habilidade de hacker — Mary dizia enquanto digitava e olhava para a tela.
— Você tem habilidade de hacker?
— Eu sou uma garota que passou muito tempo sozinha estudando e vendo filme de espionagem, Robert.
Robert ficou atrás da cadeira de Mary Kate, olhando para a tela do computador sem entender muito bem o que ela estava fazendo, definitivamente não era um grande entendedor de internet, embora tivesse um web site para divulgar seus livros — que era mantido graças a dedicação de seu agente —, seus conhecimentos praticamente limitavam-se a mandar e receber e-mails, e eventualmente fazer alguma pesquisa, é claro, os livros ainda eram sua primeira opção.
— Acho que já podemos descartar aquela teoria de sequestro, sinceramente, se alguém quisesse realmente me sequestrar já teria tido muitas chances, no entanto...
— Talvez você tenha razão. Mas por hora é a única explicação plausível.
— Era. Obrigado, Google. — A satisfação de Mary Kate por sua pesquisa ter dado resultado não durou tanto quanto Langdon imaginou; de repente o rosto da garota ficou sério. — Não é possível.
— O que, Mary Kate? Descobriu alguma coisa? Uma pista?
— Uma pista no mínimo estranha, Robert. Veja, veja a quem o carro que quase nos atropelou pertence. — Langdon fez o que a garota dizia, aproximando-se um pouco mais do computador, e ao ler, encontrou rapidamente nos arquivos da sua mente um registro.
— Dickson? Por que alguém da sua turma ia fazer isso com você, Mary Kate? — Langdon falou, imaginando se toda aquela história seria uma brincadeira de calouros — Parece que alguém lhe passou um trote.
— Trote? Improvável, Robert, principalmente se há um Dickson envolvido. Aliás, existe um Dickson na minha turma? Quem?
— Um garoto que sempre chega atrasado, e cá para nós, tem olhado para você com um jeito que não tem nada a ver com colega de sala.
— Scott? Scott Summers? Mas isso não... não faz sentido, é possível tanta coincidência?
A cabeça de Mary Kate fervilhava com as novas informações, alguém tentara roubar o medalhão que ganhara de presente da mãe, um cara tentou paquerá-la na faculdade e um carro quase a atropelou; aparentemente estes três eventos estavam interligados, e em pelo menos dois deles tinha um Dickson envolvido. Definitivamente não poderia ser uma simples coincidência.
— Mary Kate, você poderia ser um pouco mais clara?
— Os Dickson e os Dashwood são inimigos históricos, Robert, uma família está para a outra, assim como os York estão para os Lancaster, os Montequios para os Capuletos...
— Por que você acha que são os mesmos Dickson? — Mary Kate não respondeu imediatamente. Olhando para a tela do computador, clicou num link e mostrou a Langdon. — Sir Nicholas Dickson.
— Os Dickson se mudaram para a América há anos, só uma pequena parte da família ainda vive em Londres. Uma vez vi uma foto de uma mulher no jornal, Lady Catherine Dickson, eu lembro de ter comentado alguma coisa e o meu avô gritou comigo só por eu ter falado aquele nome dentro da nossa casa, depois minha mãe explicou vagamente a rivalidade histórica das famílias.
— E o motivo da rivalidade? — Mary Kate deu de ombros.
— Riqueza, poder, influência, todas essas bobagens; como eu disse, minha mãe foi bastante vaga, e eu também não dei muita importância.
— E nada que possa se relacionar a isso? — Langdon falou apontando o medalhão no pescoço de Mary Kate; ela balançou a cabeça. — Você tem certeza que esse medalhão não tem um significado para a sua família?
— Para minha mãe certamente tinha, para a família, com certeza não, quer dizer, não é como uma daquelas joias que são passadas por gerações, além disso, o símbolo dos Dashwood é um dragão, está no nosso brasão.
— Você por acaso conhece o brasão da família Dickson? — Langdon apontou o computador e Mary entendeu, imediatamente executou uma nova busca na internet, procurando por brasão da família Dickson. Seus olhos arregalaram-se e sua boca abriu-se quando viu a primeira das imagens que apareceram na tela; exatamente a mesma estrela de três pontas que estava no medalhão em seu pescoço, aparecia no centro do brasão da família Dickson. — Acho que nós podemos supor que esse medalhão aparentemente sem valor tem alguma importância.
Encontraram uma resposta, agora sabiam quem queria roubar o medalhão de Mary Kate, mas havia ainda centenas de perguntas. Por que o medalhão era importante? O que ele significava, como tinha chegado às mãos de Megg? Mary Kate e Robert passaram longas horas da noite conversando, tentando encontrar uma explicação, mas todas as respostas não passavam de suposições.
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