Notas iniciais
Alô, finalmente capítulo novo o/Esse ficou parado parecendo mula empacada, quase que eu não termino, tanto por falta de tempo quanto de ideias, mas ok, antes tarde do que nunca né? Olha essa coisa de encarnar o Dan Brown é piração, haha, mas é divertido, espero que aproveitem o capítulo.

Scott segurava um livro, fingia ler, mas na verdade estava com os olhos fixos em todos os movimentos da “garota inglesa”. Claro que não era a primeira vez que reparava nela, Mary Kate era realmente uma menina linda, com toda aquela classe europeia, infelizmente era também uma das poucas garotas que não se derretiam por ele, o que lhe conferia um charme a mais. Mas não era nos lindos olhos azuis, ou no corpo esbelto da garota que ele estava interessado, não depois de ter encontrado aquela espécie de dossiê no cofre do pai.

Até aquele momento não tinha imaginado que o Dashwood do nome dela fosse o mesmo que conhecia, talvez isso explicasse por que seu pai não fez um escândalo quando ele resolveu fazer o curso de História da Arte ao mesmo tempo que cursava Administração. Scott odiava isso, e odiava a ideia de que algum mal pudesse acontecer àquela menina com cara de anjo.

— Algum problema? — Ele piscou os olhos, Mary Kate estava estalando os dedos na sua frente, e Scott se deu conta que baixara o livro e olhava para ela sem mesmo disfarçar. Optou por usar o seu indiscutível charme, que normalmente o ajudava a sair de algumas saias justas, deu um sorriso com o canto da boca e fitou Mary Kate.

— Só que você é linda — disse, Mary Kate mordeu o lábio, tentando não rir, porque não o achava engraçado, nem um pouquinho.

— E você é um pouco idiota.

— Wow, você nem me conhece. Scott Summers — disse ele estendo-lhe a mão, mas Mary não a apertou.

— O garoto que tem nome de personagem dos quadrinhos.

— Uma coincidência peculiar. — Scott tentou imaginar a cara de Mary Kate Dashwood se ele dissesse o seu último sobrenome, o que era do pai, aquele que ele desprezava, motivo pelo qual usava o da mãe, embora tivesse que conviver com as brincadeiras em relação ao personagem do X-men, era menos detestável que o sobrenome aristocrático. — Você é uma garota difícil.

— É assim que os americanos paqueram? Porque se for, não está funcionando! — Mary Kate sempre se irritava com caras que se achavam bons demais e tentavam conquistar todas as meninas da escola, só não esperava encontrar um desse tipo em Harvard. — Será que eu posso pedir para você parar de me encarar? Isso não é nada elegante, sabe?

— Me desculpe — Scott disse, mas Mary não lhe dava mais atenção, nesse instante o professor Robert Langdon entrava na sala, e não foi difícil perceber o modo especial como ele olhava para a garota.

Scott queria entender o que estava acontecendo, no dossiê Dashwood não tinha nenhuma referência a Robert Langdon, mas ele tinha certeza que ouvira o segurança do pai dizer o nome do professor. Infelizmente não conseguiu parar de imaginar mil coisas durante a aula, muito menos desviou a atenção de Mary Kate, e antes de sair da sala, ouviu o professor pedir para falar com ela em particular.

XXX

Robert ainda não tinha parado para pensar o que as pessoas poderia deduzir ao ver a proximidade entre ele e Mary Kate Dashwood, pelo menos não antes de ouvir, ou melhor, quase ouvir alguns comentários. Quando entrou na sala dos professores e seus colegas de trabalho pararam de falar com aquelas caras de quem é pego no flagra e disfarçaram falando de uma reunião, mas antes disso, Robert conseguiu ouvir Sally dizer que duvidava que Langdon fosse capaz de algo assim. Ok, obrigado, Sally, pensou Robert, embora não soubesse do que elas estavam falando.

Só quando estava lendo a redação de Mary Kate e imaginando a cara dela quando recebesse um B, Langdon começou a atentar que as pessoas poderiam entender aquilo do jeito errado. Mary Kate ia a sua sala, onde conversavam de porta fechada, ele chegava a sentar no refeitório dos alunos para conversar, enquanto ela reclamava do chá americano, ela até ia a sua casa. Professores podem se relacionar bem com alunos, mas isso não é normal, seria uma confusão enorme se as pessoas começassem a tirar conclusões precipitadas.

O que faria, não poderia falar que a garota era sua filha antes de ter certeza, nem poderia se afastar de Mary Kate até que resolvessem as questões legais, quando ela jurava que havia pessoas lhe seguindo. De qualquer forma já se sentia ligado a Mary Kate, independentemente do resultado do teste de paternidade. Não foi exatamente essa a velhice que eu planejei, pensou tentando manter o bom humor.

Anotou o B de Mary Kate e colocou a redação dela junto às que estavam corrigidas. Olhou o relógio do Mickey Mouse no pulso, eram quase nove horas, mas ele resolveu terminar de corrigir aquelas redações antes de ir para casa; ficar trabalhando até tarde lembrava-o de quão dura pode ser a vida de um professor, embora ele gostasse do que fazia — poderia facilmente viver dos seus livros — que não eram tão populares entre o público comum, mas muito bem conceituados no meio acadêmico — e como palestrante, mas sentia prazer em dar aulas, nada poderia ser mais gratificante do que transmitir conhecimento.

Terminou de ler a última redação com uma pontada de frustração; seria o único trabalho digno de nota máxima se o autor não fosse um piadista; coisas normais da idade, tudo bem, mas Langdon não poderia dar um A a um aluno que deixava de assinar um texto. Da próxima vez o engraçadinho prestaria mais atenção, pensou Langdon, enquanto pegava a relação com o nome dos alunos para ver quem estava sem nota. O nome sem nota na lista deixou Langdon surpreso, aquela redação estava boa demais para ter sido escrita por aquele rapaz que só chegava atrasado às aulas.

— Scott Ewan Summers Dickson, B menos para você aprender a ser mais atencioso, amigo — disse para si mesmo, e arrumou o material na pasta.

Eram dez horas e cinquenta minutos quando ele saiu da sala dos professores, cumprimentou o vigia noturno ao encontrá-lo no corredor, e se assustou ao virar à esquerda e dar de cara com Mary Kate. A garota estava andando de um lado para o outro no corredor, segurando as alças da mochila e mordendo o lábio.

— Mary Kate, o que você está fazendo aqui a essa hora?

— Eu, ahm... estava, esperando você. — Robert a olhou interrogativamente, mas principalmente preocupado. — Eu fiquei estudando na biblioteca depois da aula, quando sai, ah, eu não sei, tinha alguém atrás de mim, eu... — Langdon percebeu que Mary Kate não tinha certeza de estar realmente sendo seguida, mas estava assustada. — Eu voltei para dentro do prédio, e não tive mais coragem de sair sozinha. Eu sinto muito, Robert.

— Tudo bem, eu acompanho você até o dormitório.

— Obrigada. — Mary Kate e Langdon saíram do prédio para a noite.

— Você não pode ficar com medo para sempre. — Mary o encarou um instante, mais uma vez Robert achava que ela estava imaginando coisas, mas o simples fato de ele estar sendo tão atencioso era reconfortante; ela deu um suspiro.

— Eu queria saber o que está acontecendo. Eu não estou imaginando isso, Robert, não, eu não inventaria algo assim para chamar atenção. — Mary Kate sorriu e olhou para Langdon, os dois andando lado a lado pela calçada; ele também sorriu, um pouco sem jeito. — É normal que você pense isso, mas eu não sou tão infantil assim.

— Você parece uma garota bastante sensata, para falar a verdade, Mary Kate.

— Eu preciso descobrir o que está havendo antes que o meu avô resolva vir até aqui e me obrigar a voltar para a Inglaterra, se ele sonhar que alguém está tentando me sequestrar, eu nem vou poder argumentar, ele vai me arrastar para Londres e colocar quatro seguranças na minha cola vinte e quatro horas por dia. — Mary Kate lembrou de como tinha sido difícil convencer o avô que não estava acontecendo nada, que ela só tivera a impressão de ver os seguranças dele no aeroporto.

— Você não contou ao seu avô o que está acontecendo? Você não deveria mentir para ele, Mary Kate.

— Não é exatamente mentir, é omitir, é que falar com o meu avô pode ser mais complicado do que você imagina. De verdade.

— Mas nós precisamos falar com ele a respeito da adoção, lembra? Eu pensei em ir a Londres, falar com Lorde Dashwood pessoalmente.

— Você faria isso?

— É a coisa certa a fazer, não é?

— É, claro, sim, poxa, eu nem sei o que dizer.

— Os papeis estão quase prontos, mas eu prefiro conversar com o seu avô antes de iniciar o processo legal, por uma questão de respeito, até pela memória da sua mãe.

— Você age exatamente como a minha disse que seria, Robert. — Mary Kate encarou Robert com admiração.

Aconteceu tão rápido que Langdon surpreendeu-se por ter tido tempo de puxar o braço de Mary Kate, quando viu o carro vindo na direção deles; o Audi preto cantou pneu e freou praticamente nos pés dos dois; os faróis brilhando impediam de ver o motorista. Langdon puxou Mary Kate, colocando-a atrás de sim como se pretendesse escondê-la. Eles poderiam correr, mas por algum motivo permaneciam parados, como se tivessem os pés grudados no chão.

— Robert... — Mary Kate procurou a mão de Langdon, e sentiu que sua voz estava tremendo.

— Calma, Mary Kate — disse Langdon, prendendo a respiração, esperando que a qualquer momento caras enormes usando terno preto saísse de dentro do carro e colocassem uma arma em sua cabeça, entretanto isso não aconteceu; o carro acelerou um pouco, e quase subiu na calçada, mas começou a dar ré e desapareceu tão rápido quando tinha surgido. — Tudo bem, tudo bem — disse ele, agora passando a mão nos cabelos de Mary Kate. — É melhor você vir comigo para minha casa.

— Mas, Robert...

— Definitivamente isso não foi brincadeira, desculpe por ter duvidado de você em algum momento.

— E o que as pessoas vão falar?

— Isso não importa agora, só sua segurança é importante. — Robert colocou o braço em volta dos ombros de Mary Kate, um gesto protetor que só um pai seria capaz de fazer.

— Pelo menos agora nós saberemos que está por trás disso — disse Mary Kate com um tom decidido, mas Robert não sabia do que ela estava falando.