MARY KATE TENTOU não ficar ansiosa; estava feliz por Langdon ter dado aquela primeira mostra de querer conhecê-la, mas sabia que as coisas não seriam assim tão fácies, e eles não se tornariam pai e filha da noite para o dia. Enquanto esperava pelo sábado, voltou a encontrar Robert na aula; agora não sentava mais na frente, mas na última fila, e por mais de uma vez, o professor Langdon precisou pedir para que ela e a colega que estava sentada ao lado parassem de conversar. Ela não estava fazendo por mal ou para chamar a atenção, estava apenas ansiosa demais pelo jantar do fim de semana.

Quando o sábado finalmente chegou, as colegas de fraternidade estava ocupadas com a festa que iriam numa república dos meninos; Scarlet tentou de todo jeito convencer Mary Kate a ir também, mas ela estava mais preocupada em escolher uma roupa para jantar com o pai.

— O que você acha desse aqui? — perguntou mostrando um vestido lilás, mas também queria se livrar as perguntas de Scarlet.

— Ótimo, só vai faltar as trancinhas para você parecer uma menina de dez anos! — Mary Kate concordou que aquele vestido era meio infantil mesmo. — Afinal, você quer conquistar esse cara ou quer espantá-lo? — Scarlet falou ironicamente enquanto a colega estava pensando se usava o cabelo solto e uma tiara ou preso num rabo de cavalo. — É assim que as garotas paqueram na Inglaterra?

— Quem foi que falou em paquera, Scarlet?

— Você não vai sair com um cara?

— Não, não é um “cara”.

— Você é lésbica?

— Scarlet!

— Por que você está se arrumando tanto se não vai sair com um cara?

— Ai, eu vou jantar com um amigo da minha mãe.

— Ok, você vai perder uma festa muito legal para jantar com algum velhote e falar de política? Sabia que o Scott Summers vai estar nessa festa.

— E você deve saber que eu não me importo nada com o Scott.

— Você é inacreditável, Mary Kate. — Scarlet não teve mais chance de continuar insistindo, Mary Kate fechou a porta do quarto e começou a se vestir.

Decidiu usar um vestido azul escuro, de manga, mas não muito curto e ficar com o cabelo solto. Não importava que o americano mais bonito que ela já conheceu fosse para a tal festa, no momento o único americano que lhe interessava era Robert Langdon, e estava saindo para encontrar-se com ele.

— Então, você não vai mesmo? — Scarlet ainda perguntou, Mary balançou a cabeça e saiu.

Langdon a esperava no restaurante. No início foi estranho, os dois não sabiam exatamente como se comportar, mas aos poucos, a conversa foi fluindo. Robert se sentia cada vez mais encantado pela garota, não sabia se devia atribuir isso ao fato dela afirmar ser sua filha, porque ainda não estava completamente convencido, precisa de um teste de DNA para ter certeza, mas se perguntava se o fato dela possivelmente ter seu sangue, ter sido concebida por ele, teria alguma influência.

Langdon reparou no colar que Mary Kate usava, ela percebeu o interesse do professor e tirou a joia do pescoço, mostrando-a a Robert.

— Minha mãe me deu, tinha algum significado para ela, mas eu não sei qual é.

— É uma joia linda, parece antiga.

Robert pegou o medalhão, tinha o tamanho de uma moeda de um dólar, uma estrela de três pontas em curva, o que dava uma ideia de movimento, nas costas do medalhão havia o desenho de uma espiral, Robert reconheceu o símbolos imediatamente.

— São símbolos da arte celta. — Mary Kate assentiu, e deixou que o professor explicasse mais. — A estrela chama-se Triskelion, é um símbolo de poder e proteção. As espirais representam o equilíbrio do universo dentro de nós, quer dizer, o equilíbrio interior e a consciência exterior.

Mary Kate sorriu, filha de uma especialista em simbologia celta e estudante de simbologia ela já sabia aquelas coisas, mas apenas deixou que ele explicasse, e achou que aquele poderia ser um bom modo de começar a ter uma ligação com Robert Langdon.