The Last Rebel
22 Travellin’ Man
Notas iniciais
Mary Ann olhava para sua mala. Não acreditava no que estava vivendo. Seus cabelos tinham um novo corte, optara por diminuir um pouco o comprimento, cortá-lo reto, pois antes era em V, e agora usava uma franja. Tom comprara roupas novas para a cantora, que serviriam como figurino dos próximos shows. Aguardava a chegada dos ônibus: um de sua banda, e o outro da banda de Tom. Teriam que se manterem distantes por algum tempo, durante a turnê, para não levantar suspeitas da imprensa sobre o envolvimento dos dois.
- No que você tá pensando? – A jovem escutou a voz de Tom.
Mary Ann se virou e fitou o vocalista. Ele se sentou ao lado dela, sobre a sua cama.
- Você ficou linda com esse cabelo... – Ele disse, acariciando seu rosto.
- Eu não tô conseguindo acreditar em tudo isso... Parece um sonho...
- Não... Não é um sonho... E quando acabar esse processo, vamos poder tornar público nosso relacionamento... E tudo vai ficar melhor ainda...
A jovem sorriu timidamente. Ele continuou:
- O único problema é que vão ser vários meses de turnê e não sabemos quando vão marcar a porra da audiência...
- É... Espero que não atrapalhe...
- Mesmo que atrapalhe, a gente adia show... Sei lá...
- Vai ter que ser assim... Não posso faltar à audiência...
Escutaram uma buzina forte.
- Chegaram... Vamos!
Tom pegou as duas malas e saiu, sendo seguido por Mary Ann. Antes que saíssem da casa, Tom largou as malas e abraçou a garota, beijando-a com excitação.
- Vamos ter que dar um jeito nisso de vem em quando... Eu não vou conseguir ficar muito tempo sem te sentir...
- É perigoso! – Ela respondeu, beijando-o novamente.
Separaram-se e Tom abriu a porta, saindo com as malas. Mary Ann foi atrás. Ao chegarem ao gramado em frente à casa de Tom, viram dois grandes ônibus. O primeiro era do Cinderella, o segundo, da Mary Ann Collins’ Band. Foram primeiro ao ônibus da banda da jovem. O motorista abriu o bagageiro e guardou a mala sua mala.
- A gente se vê em Memphis... Ou na estrada... – Tom falou baixinho.
Ela apenas sorriu e subiu no veículo. Tom virou-se e correu para seu ônibus, guardou a mala no bagageiro e subiu.
A jovem foi recebia pelos seus companheiros de banda com aplausos. Sentou-se ao lado de Robert, o guitarrista, após cumprimentar todos.
- E aí, Bobby, a perna tá melhor?
- Sim... Pronto pra outra!
Escutaram o barulho do primeiro ônibus partindo e, em seguida, sentiram o veículo se movimentar. Começava a turnê conjunta das duas bandas.
No ônibus do Cinderella, Tom sentou-se ao lado de Eric. Fred e Jeff estavam no fundo, junto com os músicos de apoio, os roadies e as duas backing vocals.
- E aí... Como você vai fazer pra conseguir dar uma escapadinha? – Eric cochichou.
- Quartos no mesmo andar... O segredo é esse...
- Quando estivemos em hotel né... Você sabe que na maior parte do tempo estaremos na estrada...
- Eu só sei que vou dar um jeito... Eu não tô conseguindo ficar longe dessa garota por muito tempo... Ela é fascinante...
- Percebi – Eric zombou.
E a viagem continuou, sem maiores problemas.
Chegaram a Memphis já era noite. O show seria na noite seguinte. Acomodaram-se. Tom tivera a sorte de pegar um quarto ao lado de Mary Ann. Ela, assim como ele, dormiria sozinha. Foram até o recinto onde ocorreriam os shows para conhecer. O staff das duas bandas permaneceu no local, para começar a montar a aparelhagem, para que os músicos pudessem fazer uma passagem de som no início da tarde. O ônibus do Cinderella partiu com todos os músicos e o outro ficou no local para levar o staff para o hotel depois.
Mary Ann se sentou ao lado de Bobby no banco em frente a Tom e Eric. Ficaram conversando, enquanto os dois músicos do Cinderella permaneciam calados. Eric começou a perceber que Tom estava de mau humor e ficando vermelho.
- Ei, cara... Que foi?
- Nada... – Tom resmungou.
- Nada? Sei... Você tá com ciúme...
- Shhh! Quieto! – Tom fez um sinal com a mão.
Eric riu da reação do vocalista. Tom nunca fora ciumento, mas provavelmente porque nunca gostara de alguém como estava gostando de Mary Ann.
Ao chegarem ao hotel, Tom, que estava sentado na poltrona do corredor, saiu rapidamente, deixando todos para trás. Mary Ann se levantou e fitou Eric, que riu. Nesse momento ela entendeu que o baixista sabia de tudo.
Entraram no hotel e foram direto para o restaurante. Tom sentou-se a uma mesa. Jeff e Eric também se sentaram. Mary Ann se aproximou deles.
- Posso? – Ela perguntou, puxando uma cadeira que estava na diagonal de Tom.
Jeff e Eric consentiram. Tom mal olhou para a jovem. Ela se sentou e permaneceu calada durante todo o jantar. Na mesa, só Jeff e Eric conversavam.
Tom foi, aos poucos, fitando Mary Ann de canto de olho. Ela o fitava também, tentando disfarçar.
- O que você tem, Mary Ann? – Jeff perguntou – Tá tão calada...
- Eu tô um pouco cansada...
- É... Foi uma viagem cansativa... – Eric adiu.
- Tom é outro também que tá calado demais... – Jeff falou.
- Eu sempre fui calado, besta... – Tom foi estúpido com seu companheiro de banda.
- Sempre foi mal educado também... – Jeff riu.
E após terminarem de comer, os quatro se levantaram e subiram. Estavam todos no mesmo andar. Tom entrou em seu quarto. Mary Ann também. Jeff e Eric seguiram para o fundo do corredor, onde ficavam os quartos reservados a eles.
Dois minutos depois, o celular de Tom tocou. Era Mary Ann:
- O que aconteceu com você? Você tá bravo?
- Tô...
- Eu percebi isso, mas... Com o que?
- Com você!
- Mas o que foi que eu fiz?
Tom desligou o celular, foi para sua porta, abriu, saiu, fechou, e bateu à porta da musicista. Ela atendeu. Ele entrou.
- Não gostei de você conversando com o Bobby! O tempo todo falando, que nem uma...
- Que nem uma o que?
Tom respirou fundo. O que estava fazendo? Viu decepção nos olhos da jovem.
- Ah, deixa pra lá... Não gostei, fiquei com ciúme... Posso?
- Pode, mas não tem nada entre eu e ele não, viu...
Tom respirou fundo e a abraçou. Ela hesitou por um instante, mas também o abraçou.
- Desculpa, Mary Ann, eu sou um idiota... Claro que você não tem nada com ele...
- É... Eu tenho algo com você...
O vocalista olhou para ela e a beijou nos lábios.
- Posso dormir aqui?
- Mas alguém pode perceber!
- Como assim, Mary Ann? Vão entrar aqui no quarto e ver a gente juntos? É seguro... Vai por mim!
Mary Ann sorriu. Como negar algo àquele homem?
Ele começou a tirar a blusa dela, depois a sua. E foram se despindo. Tom a deitou na cama beijou seu corpo por inteiro, da cabeça aos pés, dando especial atenção ao sexo dela, deixando-a ainda mais sedenta pelo prazer que ele tinha a oferecer. Depois a penetrou com cuidado, aumentando a velocidade de suas estocadas aos poucos. Não conseguiria ficar muito tempo sem aquele calor. Seu suor começou a encharcar o corpo e os cabelos de Mary Ann, que gemia bem baixinho e cravava as unhas nas costas de Tom. Suas pernas o enlaçaram pela cintura, ele levantou seu tronco, penetrando-a mais profundamente, fechando seus olhos e tombando sua cabeça para trás. Ela aumentou a intensidade dos seus gemidos, arqueando sua lombar e oferecendo-se mais a ele. Até que ele não aguentou mais e se entregou ao prazer. Caiu sobre ela, molhando-a ainda mais com seu suor, e arfou até se recuperar. Sentiu o coração de Mary Ann bater forte e rápido em seu peito, denunciando o prazer que ela sentira. Beijou seu colo, como se nunca mais fosse tê-la para si. A jovem arfava, ainda sentindo aquele homem dentro de si. Acariciou as costas dele, provocando-lhe leves arrepios.
- Ainda bem que você não ficou com medo de...
- Tom! – Mary Ann interrompeu – O Eric tá sabendo da gente?
Tom levantou sua cabeça, que estava apoiada no colo de Mary Ann, e a fitou, com estranheza.
- Ele tá sabendo, não está? – Ela perguntou novamente.
- Sim... Eu não contei... Ele deduziu... Porque quando a gente estava em LA eu liguei pra ele, precisava tentar descobrir o que eu tava sentindo por você... E ele deduziu que eu estivesse... Apaixonado por você... E nas gravações ele percebeu alguma coisa... Veio me perguntar, não tive como negar...
Mary Ann piscou os olhos com força, respirando fundo:
- Isso não podia acontecer, Tom... E agora?
- Calma, ele não vai contar pra ninguém... Eu pedi segredo a ele...
- Mas ele é confiável?
- Sim, claro que é... Ele sabe que nosso segredo é importante por causa do processo... Ele tem consciência de que se ele contar para alguém poderá te prejudicar... E ele não quer isso!
- Então tudo bem... Espero que ele realmente seja confiável...
- Eu conheço ele há muitos anos... Pode confiar... Não tem perigo...
- Tá... – Mary Ann se rendeu – Mas você não pode ficar dando bandeira nem ataquinho de ciúmes! Alguém vai acabar percebendo...
Tom sorriu e acariciou o rosto da jovem:
- Tudo bem... Prometo que vou me controlar... Não sei o que deu em mim, eu nunca fui ciumento! Acho que, na verdade... Eu acho que você poderia se envolver com qualquer cara da sua idade... Eu sou muito mais velho... Não tenho o corpo que eu tinha antes... Não tenho o mesmo pique que tinha antes... De repente você pode querer me trocar por outro cara...
- Tom! – Ela o interrompeu, segurando seu rosto com as duas mãos – Eu quero você! Eu não vou te trocar por ninguém mais novo! É muito mais do que aparência! Você me deu coisas que nunca ninguém vai me dar! Não troco você por ninguém! Eu te amo!
O vocalista esticou-se para alcançar os lábios da jovem cantora, beijando-a com carinho.
- Eu também te amo... Muito...
E assim adormeceram. Abraçados.
* * *
Pela manhã, Tom já tinha voltado ao seu quarto. Mary Ann acordou sozinha. Imaginou que ele havia saído cedo para não levantar suspeitas. Ao pegar seu celular, viu que havia uma mensagem.
“Eu fui para o meu quarto pra evitar que os outros vissem que a gente dormiu junto... É uma merda não poder acordar com você...”
Mary Ann riu do mau humor da mensagem. Levantou-se, lavou o rosto, escovou os dentes, trocou-se e desceu. Encontrou-se com Fred e Jeff no restaurante.
- Bom dia... – Ela disse, timidamente.
- Oi... – Fred falou – Senta com a gente!
Mary Ann se serviu e depois voltou para a mesa dos dois músicos.
- E aí... Preparada? – Jeff perguntou.
Mary Ann sorriu:
- Ah, ansiosa demais... Mas acho que vai dar tudo certo...
- Tem tudo pra dar certo! – Fred observou.
Mary Ann queria perguntar sobre Tom, mas tinha receio de deixar algo transparecer.
- Olá, idiotas! – A voz de Eric ecoou.
O baixista se sentou, ocupando o quarto lugar da mesa.
- Bom dia, Mary Ann... O idiotas não foi pra você, é claro! – Ele disse.
- Bom dia... – Ela respondeu, timidamente.
- Eric, onde está o Tom? – Fred perguntou.
A jovem fitou o baixista, que a olhou e deu um sorriso com o canto da boca, já entendendo.
- Não sei... Ele deve estar lá no quarto dele... Vocês sabem que quando ele acorda gosta de aquecer a voz...
- Ah, é... Já tinha me esquecido disso... Faz tanto tempo... – Fred falou – Bom... Vou lá fora fumar...
- Eu vou com você... – Jeff falou.
Levantaram-se e seguiram para o lado de fora do hotel. Mary Ann ficou a fitar seu prato.
- Ele está no quarto dele sim... Dormindo... Ahahahahah! – Eric riu.
A jovem o observou com olhar de censura. Eric segurou sua risada.
- Desculpe... Mas fiquei muito feliz... Espero que dê certo... E pode ficar tranquila que ninguém ficará sabendo!
- Espero...
- Claro que não! Seu segredo está a salvo comigo! – Eric cochichou – E vou te falar... Hoje aquele cara é outro homem... Parabéns por amolecer o coração dele... E é lindo ver como seus olhos brilham quando a gente fala dele... Só acho melhor te avisar que isso acontece pra que ninguém perceba que você fica feliz...
Ela sorriu. Já havia terminado seu café.
- Você se importa se eu me retirar?
- Claro que não... – Eric disse.
- Então... Dá licença... – E se levantou.
Tomou o elevador e partiu para seu andar. Ao chegar, bateu à porta de Tom, certificando-se de que não havia ninguém no corredor. O vocalista abriu a porta e Mary Ann entrou rapidamente.
- Fiquei preocupada, achei que você tivesse passando mal!
- Não, que isso! – Tom riu, enquanto a abraçava e beijava – Fica tranquila que você não vai se livrar de mim tão cedo... E depois da noite passada... Mary Ann... Acho que ontem, pra mim, foi nossa melhor noite...
- Você acha? Não sei escolher qual foi a melhor... Todas foram especiais...
Tom a beijou nos lábios.
- Você tá nervosa?
- Nervosa? Não... Na verdade eu estou ansiosa...
- Dá pra perceber...
E continuaram se beijando por muito tempo. A ponto de Tom perder a hora do café da manhã. Não fizeram amor, tiverem que se controlar muito. Havia o risco de alguém bater no quarto de um dos dois.
Até que, por volta de meio-dia, escutaram uma batida na porta
- Sou eu! Eric!
Mary Ann ficou tímida com a situação. Tom a compreendeu.
- Vou abrir só porque é ele. – Tom cochichou.
Foi até a porta e abriu apenas uma frestinha.
- Fala... Tô ocupado...
- Eu imagino... É só pra te falar que em uma hora estamos saindo para a passagem de som...
- Ah tá...
E fechou a porta.
- De nada! – Eric falou do lado de fora.
Mary Ann riu da situação.
- É... Tá na hora de a gente se arrumar...
A jovem se levantou da cama e foi até o vocalista. Beijou seus lábios com excitação e o abraçou.
- A gente se vê...
E ela deixou o quarto.
* * *
Foram para a passagem de som em apenas um ônibus. Tom e Mary Ann se sentaram juntos, e tiveram que se controlar durante todo o percurso, que não era muito longo. Mal se falavam, apenas trocavam olhares.
Ao chegarem, todos desceram. O equipamento já estava lá. Começaram os testes. A primeira banda a fazer a passagem de som foi a de Mary Ann. E Tom ficou a observar o trabalho deles, ajudando-os. Depois foi a vez da banda de Tom.
Terminaram os ensaios por volta das 18 horas.
- Agora vamos esperar... – Tom comentou.
Mary Ann já havia ido para o camarim. Teria um espaço exclusivo, assim como Tom. Ela começou a se arrumar cedo, já que gostava de fazer isso com calma. Primeiro se vestiu, provando três roupas e escolhendo uma delas, depois começou a arrumar o cabelo, passando a realizar sua maquiagem. Quando faltavam trinta minutos para o início do show, saiu de sua sala e foi até o backstage. Observou, por trás de uma torre de amplificadores, que o recinto já estava enchendo de pessoas. Sentiu um frio na barriga.
- Vai ser de arrepiar... – Escutou uma voz vindo por trás.
Era Robert.
- Assim espero... – Mary Ann desejou.
- Sabe... Eu tava pensando... A gente poderia sair pra tomar alguma coisa depois do show... O que você acha? – O guitarrista propôs.
Mary Ann assustou-se com a proposta dele.
- Ah... Éééé... Ah... Não sei... Será que as outras pessoas vão querer? A gente vai partir por volta de três da manhã...
- Mas até lá dá pra gente beber... Mas eu queria que fosse só eu e você... E aí... Topa?
Era exatamente o que Mary Ann havia imaginado. Robert estava flertando com ela.
- Não, Bobby... Desculpa... Quero ir ao hotel, tomar um banho e preparar tudo para a viagem...
O jovem ficou visivelmente decepcionado. Deu as costas e saiu. Mary Ann entendeu o porquê do ciúme de Tom.
Voltou para o seu camarim. No caminho, cruzou com Tom.
- Você tá linda... – Ele falou, em um volume baixo de voz...
- Obrigada... – Ela desviou o olhar.
- O que foi?
- Nada... Tô ansiosa...
- Fica tranquila... Vai dar tudo certo...
Tom olhou de um lado para o outro. Não viu ninguém.
- Vem cá! – Ele a puxou para seu camarim.
Fechou a porta e a beijou com paixão.
- Fica tranquila que vai dar tudo certo! Você vai brilhar naquele palco.
Mary Ann se aconchegou nos braços de Tom. Era assim que se sentia bem. No entanto, teria algo mais com que se preocupar: o flerte de Robert.
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