The Last Rebel
23 Searching
Notas iniciais
- Dez segundos! – Carl, o baterista, gritou.
Todos esperavam no backstage. Mary Ann estava tensa. As duas backing vocals, Lizzie e Pamela estavam de mãos dadas com a jovem cantora.
- Agora!
Carl foi o primeiro a subir, seguido por Robert, Eric e Damon, o outro guitarrista. Lizzie e Pamela correram para o palco e a última a entrar foi Mary Ann, já esperando uma chuva de apupos. No entanto, foi efusivamente aplaudida. Começaram executar uma música do novo álbum, e qual não foi a surpresa de todos que muitas pessoas na plateia conheciam a letra?
Tom ficou nos bastidores, observando a apresentação da banda de sua namorada secreta escondido. E notou coisas muito estranhas naquele palco. Parecia que algo ocorria com o guitarrista, Robert, que não saía do lado de Mary Ann. Ela mudava de local sempre que ele estava próximo, mas ele a seguia.
Quando Mary Ann apresentou a banda, Eric foi muito aplaudido. Robert nem tanto. E, após uma hora, o show foi encerrado, com muita animação da plateia.
Quando desceram do palco, os membros da banda comemoraram muito. Mary Ann chorou bastante, amparada por suas backing vocals.
Robert se aproximou de Mary Ann e a abraçou. Foi um abraço longo, mais do que deveria ter sido. Eric notou que a garota ficou tensa quando ele a abraçou. Percebeu que havia algo de estranho.
O baixista seguiu para o camarim para se trocar, pois teria que encarar mais um show, agora com sua banda original. Antes de entrar, escutou a voz de Tom, que o chamava.
- Eric... Vem aqui!
O loiro obedeceu.
- Que foi?
- Cara, eu vou matar esse Robert!
Eric riu.
- É... Eu também notei, Tom... Ele tá fazendo de tudo... Parece que tá meio a fim da Mary Ann...
- Será que ela sabe disso? – Tom rangeu os dentes.
- Olha... Eu acho que sim... Porque ela ficava fugindo dele no palco... Teve uma hora que ela cochichou pra mim “Eric, não sai de perto de mim, por favor!”... Ela tá fugindo dele como o diabo foge da cruz...
- Desgraçado! Pior que agora não dá pra cortar a cabeça dele! Vai ter que ser assim até o fim...
Eric respirou fundo e falou:
- Abre o jogo com ele! Conta, pede segredo... Ele é um cara legal... Não tem porque ele sacanear vocês...
- Não podemos! De jeito nenhum!
- Mas é uma opção! E a mais correta com ele!
- E eu lá tô preocupado com ele? Eu quero que ele se exploda!
- Voltou ao normal... Tava bom demais... A educação era grande... – Eric ironizou.
- Cala a boca, idiota! Eu tô aqui pensando numa forma de fazer esse babaca entender que ela é comprometida!
- Tá bom... – Eric saiu do camarim de Tom e foi terminar de se trocar. Em dois minutos teria que estar no palco com o Cinderella.
E assim a banda de Tom subiu ao palco. Ele, com um forte mau humor, interagiu pouco com a plateia e parecia querer descer do palco a todo momento. Mas foi profissional.
Mary Ann ficou assistindo o show do backstage e notou que Tom não estava bem.
- O show deles é demais! – Robert se aproximou.
- É... – Mary Ann foi evasiva.
- Sempre achei o Tom um gênio... Mas ver ao vivo é outra coisa... Me faz achar ele mais gênio ainda!
Mary Ann não respondeu.
- Tá tudo bem? – Ele perguntou, se aproximando dela.
Sem que ela permitisse, ele foi a abraçando. E Mary Ann retesou seus músculos, assustada com a atitude dele. Foi se afastando conforme ele aproximando sua boca de seu pescoço, sem reações violentas. Até que não tinha mais como ser discreta:
- Por favor, Bobby! Não tô gostando disso, OK? Será que daria pra você se conter um pouco?
O guitarrista ficou assustado com a reação de Mary Ann.
- Tá, tudo bem... Desculpa!
- Não quero ser mal educada com você... Mas... Eu já tenho outra pessoa... Sou comprometida... Não quero nada com você...
Robert abaixou a cabeça e deixou o backstage. Mary Ann ficou arfando, nervosa, e tentou se concentrar no show.
Após a execução de Shake Me, a banda agradeceu e se retirou do palco. Fred, Jeff e Eric, este último exausto, passaram por Mary Ann, que os abraçou um a um. Quando chegou a vez de Tom, ele a fitou de uma forma tensa. Ela respirou fundo e o abraçou também. Ele retribuiu a carícia, receoso.
- Vou pro meu camarim... Ele falou, e a deixou sozinha. Mary Ann fez o mesmo, fechando-se em sua sala.
Após cerca de uma hora, um dos ônibus levou os músicos para o hotel, enquanto o outro ficou a esperar as equipes técnicas desmontarem toda a parafernália. Partiriam em duas horas.
No elevador, Tom evitava fitar a jovem. Eric dormia em pé, e Jeff e Fred conversavam. Ao chegarem ao andar, todos desceram. Mary Ann foi para seu quarto, Tom abriu sua porta. Ambos demoraram a entrar. Eric, Jeff e Fred entraram em seus quartos. Assim que as portas se fecharam, Tom correu para o quarto de Mary Ann que fechou a porta depois que ele entrou.
- Mary Ann... O que tá acontecendo entre você e o Robert?
A jovem arregalou os olhos, apavorada.
- Na... Nada! – Ela gagejou.
- Ele tá querendo pegar você, não é? – Tom estava muito sério.
- Ah... Tom... Espera... Eu posso explicar...
- Então meu ciúme não foi em vão? Tinha fundamento?
- Não... Quer dizer... Eu não...
- DÁ PRA FALAR LOGO, MARY ANN? – Tom levantou sua voz.
- EU NÃO QUERO E NÃO TENHO NADA COM ELE! Mas ele veio querer meio que dar em cima de mim mesmo... Duas vezes... Uma antes... Outra no palco... Eu saí de perto dele e fiquei meio que perto do Eric, pra ele não vir com historinha... E depois, durante o seu show...
- O QUE ELE FEZ, MARY ANN?
- Ele tentou me agarrar... – Ela não conseguia fitar Tom.
- Eu vou matar esse desgraçado! – Tom virou-se para sair do quarto.
- NÃO! – Ela o segurou pelo braço, quase sem conseguir controlá-lo, tamanha a força daquele homem – Eu já dei um jeito nisso!
- E o que você fez? – Ele a encarou, com fogo nos olhos.
- Eu disse a ele... – Mary Ann fez uma pausa e deglutiu seco – Que eu tenho uma pessoa... Que era pra ele parar... E ele foi embora...
Tom colocou as duas mãos na cabeça e puxou levemente seus cabelos para trás, respirando fundo, aliviado.
- Você não acha melhor a gente mandar o cara embora? – Perguntou, sem conseguir controlar seu ciúme – Eu não vou mais conseguir deixar você ir com ele no ônibus...
- Não tem problema... Converso com Pamela e me sento ao lado dela... Acho que ele entendeu o recado... Não vamos tentar encontrar chifre em cabeça de cavalo, por favor!
- Tudo bem... – Tom piscou fortemente e passou as mãos no rosto – Então... Então tudo bem... Eu confio em você... Mas se esse cara tentar se aproximar de você, tocar em você, qualquer coisa, eu...
- Não precisa se preocupar, Tom... Sei me defender... E não vou fazer nada pra te magoar ou ferir...
E Tom se aproximou de Mary Ann, ficando frente a frente com ela. Eles se fitaram por alguns instantes, antes de se atracarem num beijo forte. Tom a arrastou até o banheiro, onde se despiram e tomaram banho juntos. Ele beijou o corpo inteiro da jovem, tomado de uma excitação mais forte que antes, como se o ciúme que sentia tivesse acendido nele a chama da paixão de uma forma mais forte e desesperada, como se ele tivesse que mostrar a ela que a amava para não perdê-la. Fizeram amor sob a água quente que caía do chuveiro, e relaxaram a ponto de desejarem dormir por muitas horas. Mas tinham que pegar a estrada.
- Agora eu tenho um problema... – Tom falou, coçando a cabeça.
- O que foi? – Mary Ann sorriu para ele.
- Tô sem roupa limpa! Essa aí tá suada!
Mary Ann riu. Sim... Isso era um problema!
- Você vai ter que sair pelado, Tom... Mas não se preocupe que o seu quarto é aqui do lado...
- É... Fazer o que? – Ele disse, se secando com uma toalha.
Dirigiu-se, completamente nu, com as roupas nas mãos, para a porta. Abriu uma pequena fresta e escutou o ambiente externo. Depois colocou a cabeça para fora e nada viu. Mary Ann ria baixinho da situação cômica na qual Tom se encontrava.
- Me deseje boa sorte... – Ele falou, e correu para fora, com as roupas cobrindo suas partes íntimas. Fechou a porta atrás de si.
Deu cinco passos e tentou abrir a porta, sem sucesso.
- Merda! – Praguejou baixinho, procurando o cartão que abria a porta.
Escutou um estalo. Era uma das portas abrindo. Olhou, tenso, para o fundo do corredor e viu Eric saindo do quarto.
- Mas o que... Mas... AHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAH! – O baixista gargalhou após entender.
- Shhhhhhhh! Fica quieto! – Tom protestou, colocando o dedo indicador em frente aos seus lábios.
Eric seguia rindo da cena patética que Tom protagonizava. O vocalista deixou as roupas caírem no chão e tampou seu sexo com as duas mãos. Eric riu mais ainda, sem se preocupar em disfarçar. Finalmente Tom encontrou o cartão no bolso da calça e abriu a porta. Pegou todas as roupas e entrou correndo no quarto, batendo a porta.
A porta em frente ao quarto de Eric se abriu. Era Fred.
- Ei, o que foi que você tá se matando de rir aí?
- Nada... Vai tomar banho, Fred... Ahahahahahahah – Eric entrou em seu quarto, batendo a porta, e deixando Fred no vácuo.
O baterista, por sua vez, deu de ombros, fez uma careta e entrou no seu quarto.
Tom apoiou a cabeça na porta, respirando fundo e rindo do ocorrido. Mas ficou sério ao imaginar que pudesse ser Jeff ou Fred o vendo naquela situação.
Vestiu-se. Ouviu seu celular tocar.
- Alô?
- Sou eu... Deu tudo certo? Ouvi uma risada no corredor!
- Deu sim... Mas o Eric me viu daquele jeito...
- Ainda bem que foi ele! Mas Tom... Tenho uma coisa pra te contar...
- O que foi agora?
- Chester acabou de me ligar... Marcaram a audiência!
Tom silenciou. Respirou fundo e perguntou:
- Quando?
- Semana que vem... Na quarta-feira...
Por sorte seria num dia em que haveria um intervalo entre shows. Eles pegariam um avião e partiriam para Los Angeles.
Tom saiu do quarto e encontrou com seus amigos. Bateu à porta de Mary Ann e essa saiu, cabelos presos em um rabo de cavalo, bochechas coradas. Eric riu, e foi devidamente censurado por Tom Keifer com um olhar.
Dirigiram-se aos ônibus, subiram, tomaram seus lugares e os veículos partiram.
Eric pôde notar que Tom estava muito tenso.
- O que foi?
- Não tô feliz em saber que ela tá no mesmo ônibus daquele patife. – Tom esclareceu – Ele deu mesmo em cima dela, e ela cortou ele...
- Que bom... Agora relaxa e dorme... Bem... Acho que relaxado você está.
Tom olhou torto para Eric, mas na sequência sorriu. E a viagem prosseguiu.
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