The Last Rebel
7 Tomorrow’s goodbye
Notas iniciais
Gente, queria pedir um pouco de paciência... já que eu tô trabalhando em duas fics ao mesmo tempo e não faço só isso na vida kkkkkkkk.
Bjs!
O telefone do quarto de Mary Ann tocou. Ela atendeu. Já era manhã.
- Olá, Mary Ann!
- Melissa, bom dia! – Mary Ann coçou os olhos e falou, em meio a um bocejo.
- Desculpe se te acordei...
- Não... Não tem problema... Vocês chegaram bem?
- Sim... Chegamos... Mas preciso te falar uma coisa meio...
- Meio?
- Meio desagradável...
Mary Ann respirou fundo, assustada. O que seria?
- E o que aconteceu?
- Me promete que você vai ficar bem?
- Não posso prometer... Não sei o que aconteceu! É com o Chester né?, O que aconteceu com ele? – Mary Ann já estava preocupada.
- Não... Chester está ótimo... Mas...
- Fala logo, mulher! Vai me matar do coração!
- A casa do seu pai na fazenda Birmingham pegou fogo antes de ontem, à noite.
- Ai meu Deus! – Mary Ann desesperou-se, colocando a mão na boca – Mas... E meu... E o Francis?
- Então... O problema é esse... Foram muitas horas de incêndio... Até descobrirem que estava pegando fogo demorou... E até os bombeiros conseguirem chegar... Eu... Eu sinto muito... Mas seu pai está desaparecido...
Mary Ann começou um choro mudo. Apesar de tudo, não desejava mal ao seu pai. Melissa continuou:
- Eles estão desconfiados que devido ao tempo de incêndio o seu pai foi calcinado e dificilmente encontrarão o corpo...
- Preciso ir para aí?
- Na verdade sim... A polícia pediu que você voltasse para Birmingham com certa urgência...
- OK, irei para aí... Acho que chego à tarde... Se tiver voo...
- Avisarei o xerife.
Mary Ann desligou o telefone e continuou chorando. Calmamente levantou-se, foi ao banheiro, lavou o rosto, escovou os dentes e se trocou, sempre mantendo seu pranto silencioso. Até que escutou uma batida na porta. Era Charlie.
- Bom dia, Mary Ann! Preparada para... – O rapaz notou o choro de Mary Ann – O que houve?
- Melissa me ligou de Birmingham... Aconteceu algo...
- O que foi? Tá tudo bem com eles?
- Sim... Está... Mas ela comentou que a casa de meu pai pegou fogo... Ele está desaparecido.
Charlie coçou a cabeça. Fez uma careta e disse:
- Isso é mau... Estão pedindo para você voltar para lá?
- Sim... A polícia pediu...
- Ah... Então temos um problema... Me ligaram agora da gravadora... Pediram para irmos para lá...
- Mas não posso... Tenho que voltar para Birmingham...
Charlie pegou o rosto de Mary Ann em suas mãos e a fitou diretamente nos olhos:
- Fique tranquila... Vamos resolver isso... A gente vai até a gravadora, conversa com eles, e pegamos o primeiro voo para Birmingham!
Mary Ann se desvencilhou das mãos do seu amigo, tímida, evitando o contato. Ele percebeu e se conteve.
- Então vamos... Estou pronta.
Ela não havia sequer desfeito as malas. Apenas fechou o zíper após colocar seus pertences de banheiro dentro da mala.
Saíram do hotel e tomaram um táxi até o estúdio. Lá desceram e adentraram. Um funcionário os levou até uma sala. Aguardaram alguns minutos até que um senhor de barba branca entrou. Era um advogado.
- Sou Oscar Neville, advogado. Vim até aqui a pedido de vocês para que a senhorita assine o contrato com o senhor Charles James Burns, para que ele seja seu empresário...
- Mas ninguém conversou comigo sobre isso! – Mary Ann perguntou, preocupada.
- Como não, Mary Ann... Conversamos ontem, não se lembra...
- Não!
- Bom... Aqui está o contrato! – O advogado estendeu um calhamaço de papel para ambos – Por favor, peço que leiam...
- Ah, não estou com cabeça de ler isso agora... Meu pai morreu... Tenho que voltar para Birmingham...
- Mas vocês agendaram comigo!
Mary Ann perdeu a doçura por alguns segundos:
- Eu não marquei nada! Ara! Faça-me o favor!
- Calma, Mary Ann! – Charlie tentou acalmá-la.
- Olha, garota, não é porque você ganhou um programa de televisão que pode falar assim comigo... – O advogado a enfrentou.
- Eu não solicitei sua presença! – Mary Ann o enfrentou.
- Calma, gente! – Charlie tentou apaziguar os ânimos – Mary Ann... Ele veio trazer o contrato para que nós assinássemos. Eu já li esse contrato...
- Eu não vou ficar lendo contrato nenhum! – Mary Ann o interrompeu.
- Mary Ann, por favor, me deixa falar! – Charlie continuou – Eu já li esse contrato, está tudo OK, é só assinarmos!
Mary Ann pegou o contrato em suas mãos, leu as primeiras duas linhas e nada pôde compreender.
- Onde é que eu assino? – Perguntou, irritada.
- Última página, por favor. – O advogado estendeu-lhe a caneta.
A jovem pegou a caneta da mão do advogado, virou todas as folhas até a última página e assinou. Passou a caneta para Charlie, que repetiu o gesto.
- Acabou né? Agora vamos embora! – Mary Ann levantou-se da cadeira e saiu pela porta.
Charlie e o advogado se entreolharam e sorriram um para o outro. O rapaz se levantou e seguiu Mary Ann.
Tomaram um táxi e foram para o aeroporto. Conseguiram comprar passagens para um voo até Memphis, onde trocariam de aeronave e voariam até Birmingham.
Os voos ocorreram sem problemas. E sem diálogos também. Somente quando estava para descer em Birmingham Charlie tentou um contato com Mary Ann:
- O que você tem que tá emburrada?
- Eu não tinha que ter assinado contrato nenhum! Não agora! Queria que Chester estivesse comigo.
- Ah, Mary Ann! Você não confia em mim?
- Não é isso! É que eu queria ter perguntado ao Chester! Confio nele...
- E em mim não?
- Já falei que não é isso, Charlie!
- Você acha que eu realmente te enganaria? Acha que eu te prejudicaria? Puxa, Mary Ann, já te ajudei tanto... E além do mais...
Charlie fez uma pausa. Mary Ann o fitou. Ele a olhou e disse:
- Eu estou completamente apaixonado por você, Mary Ann... Acha que eu te passaria para trás?
E a menina quase desmaiou de susto ao ouvir isso.
- Mas Charlie...
- Não diga nada! Eu sei que não é recíproco! Você não sente o que eu sinto! Mas sei que um dia vou te conquistar!
Mary Ann ficou muda.
Quando desceram em Birmingham, foram diretamente para a casa de Chester. Ao chegarem, Mary Ann abraçou seu ex-patrão, aos prantos.
- Calma, Mary Ann... Sei que é difícil, mas você tem que ser forte...
Seguiram, de carro, para a fazenda. Ao chegarem, encontraram a casa de Francis destruída. Mary Ann chorou novamente, por se lembrar de onde crescera. Por mais tristes que pudessem ser as recordações, ela gostava de lá. O diretor da fazenda veio ao seu encontro, para dar os pêsames. Uma equipe de peritos vasculhava o local.
Até que o xerife chegou. Fez algumas perguntas a Mary Ann, indagou principalmente o motivo de ela ter deixado a fazenda. Ela contou a ele toda a história dos maus tratos.
- E por que você nunca procurou a polícia? – O xerife indagou.
- Ah... Não sei... Nem sabia que isso era de procurar polícia...
O homem percebeu a inocência de Mary Ann. Conversou com Chester e com Charlie antes de liberar os três.
Terminada conversa deles, foram a um advogado, conhecido de Chester, para saber o que deveria ser feito sobre a possível morte de pai: trâmites legais, herança e afins.
O advogado marcou outra reunião para o dia seguinte. Foram para a casa de Chester, onde jantaram. Mary Ann foi dormir cedo. Estava exausta.
No dia seguinte voltaram a conversar com o advogado de Chester. E ele comentou que Francis não havia deixado nenhuma herança. E não seria possível declará-lo morto. Somente Chester e Mary Ann foram para lá.
- Mas como assim meu pai não pode ser declarado morto? – Mary Ann indagou.
- Não tem como. Sem corpo não existe morte. Ele continuará sendo declarado desaparecido.
Mary Ann não gostou disso. Mas nada poderia ser feito.
Após a reunião, Chester e Mary Ann deixaram o escritório do advogado. No caminho, enquanto Chester dirigia, Mary Ann se mantinha calada.
- E o que você tinha de tão importante para fazer ontem em Los Angeles que o Charlie demorou tanto para te trazer pra cá?
- Ah, ele queria uma reunião com o advogado dele, tinha marcado. Pra assinar um contrato...
- Contrato? Que contrato? – Chester disse, coçando o cavanhaque.
- Nem sei, Chester... Não li.
- E você não assinou, não é?
- Assinei.
Chester freou o carro subitamente. Virou-se para Mary Ann e disse:
- Menina, você está louca? Não se assina um contrato sem antes ler!
- Mas o Charlie falou que havia lido...
- E você confia nesse garoto? Eu não confio!
- Ah... Ele não iria me prejudicar...
- Vamos ver...
Chester seguiu para casa. Ao chegarem, ligou para Charlie.
- Charlie, por favor... Vocês voltarão para L.A. quando?
- Amanhã pela manhã...
- Antes de vocês partirem, eu gostaria de dar uma lida no contrato que a Mary Ann assinou... Você tem uma cópia, não tem?
- Tenho sim... Pode deixar que eu levo a cópia para o senhor ler...
Chester ficou mais tranquilo.
* * *
Nashville, TN. O telefone tocou na casa dos Keifer. Caroline atendeu.
- Tooom! – Ela gritou.
O vocalista apareceu na porta do escritório.
- Quem é? – Perguntou.
- Um tal de Burns...
Tom bufou e respondeu:
- Tá... Pode passar...
O ramal do escritório de Tom tocou e este atendeu:
- Olá, Burns...
- Tudo bem, Tom?
- Sim...
- Tom... Tenho uma proposta de trabalho... Gostaria de marcar uma reunião...
- Sim... Para quando?
- Final dessa semana...
- Aqui em Nashville?
- Sim... Pode ser... Sexta às 15 horas... Tudo bem para você?
- Tá... Combinado então... Pode adiantar o assunto?
- Claro... Estou empresariando a menina que ganhou o American Idol... Não sei se você viu...
- Não vi... Mas fiquei sabendo... Ela é do Alabama, né...
- Sim... O foco dela é southern rock...
- Sei... – Tom revirou os olhos.
- Acho que ela poderia ter algumas músicas compostas por você...
- Tá... – Tom deu de ombros – Ela vai vir para a reunião também?
- Ainda não sei... Ela teve um problema de família. O pai dela faleceu num incêndio na noite da final... Estou com ela em Birmingham para resolver essas burocracias...
- Nossa... Que falta de sorte...
- É... Amanhã voltaremos a L.A.... Ela vai ser entrevistada por um cara aí... Depois vai gravar outro programa... Não sei se conseguirei levá-la... Gostaria, pois tenho medo de deixá-la sozinha... É muito caipira, muito inocente...
- É o que ela aparenta ser...
- Ela chega a ser insuportável... Muito burrinha... Mas canta muito bem...
- Sim... Tá todo mundo elogiando... Menos minha mulher – Tom riu de seu próprio comentário.
- Bom... Obrigado... Então nos encontraremos na sexta-feira.
E Tom desligou o telefone.
“Empresário chamando a menina de burra... Isso tá me cheirando a sacanagem...” – Tom pensou.
Voltou ao seu trabalho.
* * *
Chester abriu a porta para Charlie. Este entrou, debaixo do olhar nervoso do proprietário do Birmingham’s Groove. Mas o empresário de Mary Ann carregava um sorriso no rosto.
- Bom dia, Chester!
- Bom dia nada, rapaz! Deixa-me ver o contrato que você fez a menina assinar!
- Calma, senhor Chester...
- Não tem essa de calma! Se você tiver feito sacanagem com a menina, eu quebro seu pescoço...
Charlie tirou sua mochila das costas e a abriu, retirando de dentro uma pasta. Abriu a pasta e retirou uma cópia do contrato, entregando-a a Chester.
- Pronto, senhor Chester... Esta é a cópia do contrato... Pode ler que o senhor vai ver que não há nada de errado...
Chester pegou o contrato e sentou-se no sofá. Leu tudo, até o fim.
- É, rapaz... – Disse, coçando o cavanhaque – Realmente tudo aqui me parece limpo... Mas... Eu queria saber por que esta cópia não está assinada...
- É que quando a gente estava assinando, a Mary Ann estava com muita pressa... Então só assinamos uma das cópias. A outra eu guardei comigo para que ela pudesse ler depois... Ela comentou com o senhor que ela não leu o contrato?
- Sim... Ela comentou...
- Então... Agora no avião eu a farei ler...
- E você já tem ideia do que vai acontecer com ela?
- Eu contatei um compositor de Nashville... Terei uma reunião com ele nessa sexta-feira...
- E quem é esse sujeito?
- O nome dele é Tom Keifer...
- Ah... Acho que sei quem é... Não é um daqueles caras que se maquiavam nos anos oitenta?
- Isso... Vocalista do Cinderella...
- Sei sim... Um que parecia um pato rouco cantando...
Charlie riu da observação de Chester. Este continuou:
- Olha, rapaz... Vou te dizer uma coisa... Se você aprontar alguma com a Mary Ann, eu juro que eu te arranco a cabeça...
- O senhor está desconfiado de mim, senhor Chester?
- Não... Estou confiando... Tanto é que estou deixando tudo acontecer. Mas se eu souber que você aprontou alguma coisa com ela... Te mato!
E saiu da sala. Charlie engoliu forçadamente, tenso.
Pouco depois Chester voltou para a sala, acompanhado de Mary Ann, carregando a mala da moça. Os três saíram da casa de Chester e se dirigiram ao veículo dele. Chester os deixou no aeroporto. Despediu-se de Mary Ann com um abraço, e com um aperto de mão disse adeus a Charlie. Mas, antes que este pudesse virar-se para se dirigir ao saguão, ainda dentro do carro, disse ao jovem:
- Não se esqueça do que eu te falei. Costumo cumprir minha palavra.
- Eu também, senhor Chester... Pode ter certeza de que eu cuidarei de Mary Ann.
E saiu do carro. Seguiu com Mary Ann para o saguão do aeroporto.
Fizeram o check-in e dirigiram-se à sala de embarque. Enquanto aguardavam a autorização para entrar no avião, permaneceram calados. Mas depois de embarcarem, Mary Ann perguntou a Charlie:
- O que o Chester falava tanto com você?
- Ele desconfiou do contrato... Eu mostrei a cópia a ele... Ele leu e agora está tudo OK...
Mary Ann foi reconhecida dentro do avião. E teve que dar alguns autógrafos. Após isso, Charlie mostrou a ela cláusula por cláusula do contrato, explicando nos mínimos detalhes.
E assim voaram para Los Angeles.
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