Notas iniciais
Só uma observação importante: não esperem que o Tom Keifer nesta fic seja igual ao Tom Keifer de Anjos da Filadélfia, okay? kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk

Aquela semana foi cheia. Mary Ann foi entrevistada por inúmeros apresentadores de televisão, cantou em programas, foi chamada para um show. A experiência adquirida durante o American Idol ajudou a garota a ficar um pouco mais solta no palco, embora ela ainda fosse tímida. O fato era que ela, apesar do acanhamento, a cada dia conquistava mais a mídia e, principalmente, os fãs.

Sua agenda lotou de uma forma que seria impossível ela ir a Nashville com Charlie.

- Mas você vai pra lá pra que?

- Vou conversar com um compositor, e depois volto. Se der tudo certo, ele vai compor músicas para você gravar. Temos que ter músicas logo!

- Tá... Mas eu queria ir junto...

Charlie revirou os olhos:

- Mary Ann... Quantas vezes vou ter que te falar que temos que ter músicas logo? Seu contrato com a gravadora não pode ficar eternamente na gaveta. Eles descartam facinho...

- Tá, mas como o cara vai compor músicas que têm a ver comigo sem nem ao menos ter me conhecido?

- Mary Ann! O cara é profissional! Vai por mim! Pesquisa sobre ele na internet!

- Eu nem sei ligar esse troço! – Apontou para um notebook que estava sobre a mesa – Acha que eu vou saber pesquisar na internet?

- Bom... Tudo bem... Quando eu voltar eu te mostro tudo.

Charlie saiu do hotel, deixando Mary Ann sozinha. Pela tarde ela participaria de outro talk show. Tomou um táxi e foi para o aeroporto.

Enquanto ele aguardava o chamado para o voo, encontrou-se com o advogado, Oscar Neville:

- E aí, parceiro! Como está a moça? – O advogado perguntou.

- Um inferno de chata! Parece que a fama já lhe subiu à cabeça!

- É... Essas criaturas que alcançam o estrelato com tanta facilidade são realmente insuportáveis!

- Mas eu passei um aperto, viu... – Charlie comentou.

- O que foi?

- O ex-patrão dela, lá de Birmingham... Quis ler o contrato...

- E você deu a cópia que eu te passei?

- Sim... O contrato falso. – Charlie disse, em tom de cochicho.

- E ele?

- Ah, tava tudo OK né... Ele disse que tudo bem... Mas que se eu aprontasse para o lado dela, ele me mataria...

- Se ele tentar fazer alguma coisa com você, ele vai pra cadeia. Ela assinou o contato porque quis!

- É, eu sei... Mas ele falou isso olhando nos meus olhos... Deu medo.

- Que isso! Charlie! Pelo amor de Deus né... Agora você tem medo de dono de bar?

- Ah... Ele me pareceu sincero...

- Sinceridade é para os fracos! – Oscar tomou um gole de água em uma garrafinha – E agora, você tá indo pra onde?

- Para Nashville... Vou ver se contrato o Tom Keifer pra compor pra ela...

- Bom... O cara tá no obscuro... Vai parecer que as músicas são dela...

- E o cara é bom né...

- É sim... Insuportável... Mas é bom... – Oscar tomou mais um gole.

E chamaram o voo de Charlie, que se despediu de Oscar com um aperto de mão e partiu.

* * *

Tom observou o relógio. Três e meia da tarde. Bufou, olhando pela janela e tomando uma dose de whisky em seguida. Estava irritado com o atraso da reunião. Caroline havia saído, e o vocalista se encontrava sozinho em casa.

“Ah, que saco isso”, Tom pensou, irritado com o atraso de Charlie.

Em dois minutos a campainha tocou. Andou até a porta e a abriu.

- Desculpe o atraso...

- Porra, Charlie! Eu tenho mais o que fazer, não é?

- Ei, calma, Keifer! Reclame com a Delta Airlines!

Tom revirou os olhos e deixou sua visita entrar. Charlie caminhou para dentro, retirando a mochila das costas.

- Entra à esquerda, no meu escritório... Primeira porta... – O vocalista indicou.

O empresário de Mary Ann obedeceu. Sentou-se numa cadeira. Tom se sentou em outra.

- Bem, Tom... Essa menina vai ser um sucesso... Você já a viu cantar?

- Eu só ouvi a final do American Idol... Não tenho paciência para essas idiotices...

- Eu não acho uma idiotice não... Muito pelo contrário... Me renderá uns bons dólares.

- Você, como sempre, só pensando no dinheiro... – Tom serviu whisky a Charlie.

- E você? Você não pensa? Não sai mais de dentro dessa casa desde que sua banda acabou! Só fica aqui, compondo...

- Não quero mais me expor... Quero uma vida sossegada... Tô de saco cheio dessa merda toda. Não posso botar o nariz para fora de casa que vêm me encher o saco... A bosta da imprensa me pergunta quando vamos voltar a fazer turnê!

- Ah, na boa, cara... Você é o único hard rocker fodido dos anos oitenta que reclama da fama!

- Isso mesmo... Eu sou fodido... Mas aposto que você não veio aqui para discutir a minha situação... Porque se veio, eu peço que você saia por aquela porta e nunca mais venha... Você está atrás de dinheiro, não é mesmo?

- É... Nisso você tá certo...

- Então tá... Já tenho umas três músicas que meio que selecionei pra essa menina aí cantar...

- Sabe ao menos o nome dela?

- É Mary qualquer coisa né?

- Mary Ann...

- Isso aí... – Tom entortou a boca.

- Então... Você vai me passar essas músicas...

Tom mexeu em um calhamaço de papéis. Retirou algumas folhas manuscritas e as bateu, em pé, sobre a mesa, a fim de ajeitar.

- São essas aqui... Raining in the Dark, Fallen from Heaven e I’m Yours... Dá pra manter uma levada tanto southern como country… As duas primeiras são agitadas... A outra é balada. Acho que vai dar tudo certo com ela...

- Tá... Então me dê aqui...

Tom esticou o braço, segurando as folhas nas mãos.

- Vou te dar...

E quando Charlie fez menção de pegá-las, Tom as retirou:

- Com uma condição!

Charlie revirou os olhos.

- Direitos autorais nas minhas mãos, ok? – Tom esticou um dedo para o alto.

- E alguma vez eu te passei pra trás?

- Não passou... Mas demorou a pagar! – Tom entregou as folhas ao rapaz – Tenho vários anos de vida na sua frente... Não subestime minha inteligência...

- Não subestimo... Se subestimasse sua capacidade não o teria procurado...

- Eu falei inteligência, não capacidade...

- Keifer, capacidade engloba inteligência...

- Burns! NÃO SEJA EVASIVO! ISSO ME IRRITA! – Tom bateu sua mão na mesa – Você já passou muita gente pra trás. Espero que não faça isso com essa menina... Porque comigo não vai fazer.

- O ex-patrão dela desconfiou de mim... E me ameaçou.

- Você é tão sacana que deixa isso na cara! É óbvio que você vai fazer de um tudo com ela!

Charlie riu.

- Essa é ótima, Keifer! Então quer dizer que eu passo todo mundo para trás...

- Todo mundo não. Você não me engana. Essas músicas já estão registradas. Vou compor mais músicas para essa moça, e vou registrar todas. Só depois eu te entrego isso!

O rapaz bufou, fitou o nada e disse:

- OK... Então eu aguardo as outras músicas... Consegue me mandar pelo e-mail?

- Mando sim... Mas não me pressione quanto a prazo.

- Preciso disso logo! Os caras da gravadora vão botar ela contra a parede!

- Ah tá... Vão botar a menina contra a parede... Você só participa da carreira da garota na hora de lucrar né... Na hora de defender a moça... Tchau!

- Que seja!

- Então tá ótimo... Mas quero que você saiba que não temos um contrato oficial... Então não exija prazo – Tom o fitou, sério – Faço e vou mandando.

- Mas, Keifer...

- Não tem “mas”! Nosso trato é você mandar os direitos autorais para mim. Se for para eu cumprir o prazo, vou querer os 20% das vendas. E vai sair de você, não dela!

Charlie bufou:

- OK, Keifer... Você venceu... Mas pense que é um talento da música que está sob pressão...

Tom bebericou seu whisky e disse:

- Não estou preocupado com ela... Quero só o meu dinheiro, o que é meu por direito. Que saco, Charlie! Quantas vezes vou ter que te falar que não me apego às pessoas!

- Tudo bem... Então vou nessa... Vamos ver também se ela vai curtir essas músicas...

- Ah, então ela tem que escolher... Ah, vai se foder! – Tom esbravejou – Se não gostar, que se foda!

Charlie se levantou e se dirigiu à porta. Tom o seguiu. O empresário abriu a porta e dirigiu-se para fora.

- Tchau, Keifer... Tenha uma boa tarde...

Tom bateu a porta, irritado.

“Se essa caipirinha metida não gostar das minhas músicas, que vá para o inferno” – Pensou, tomando seu whisky.

* * *

Mary Ann despertou ao som de batidas na porta. Levantou-se e vestiu um roupão. Abriu a porta do quarto do hotel. Era Charlie:

- A reunião com o compositor foi um sucesso! Ele já tinha separado três músicas para você! Está empolgadíssimo!

- Ah, é? – Mary Ann bocejou – E onde estão as músicas?

- Na minha mochila... – Charlie falou, retirando sua inseparável mochila das costas. Retirou a pasta de dentro e entregou os papéis à moça.

Mary Ann pegou as folhas em suas mãos e começou a ler. Nada falou.

- E aí? O que achou? – Charlie disse, sorrindo.

- Nada...

- Como assim “nada”?

- Não achei nada, arre! Preciso ver isso pra cantar...

- Então vamos ao estúdio que é pra gente ver isso com a banda como fica... Os músicos já devem estar te esperando!

- Mas nem me troquei ainda!

- Você tem cinco minutos, Mary Ann...

E saiu do quarto, deixando a garota sozinha. Mary Ann foi ao banheiro, tomou um banho, escovou os dentes e se vestiu. Demorou muito mais que cinco minutos. E saiu de seu quarto. Charlie a aguardava na porta.

- Está atrasada!

- Não estou... Nunca que eu iria me arrumar em cinco minutos...

Seguiram para um táxi. Foram quinze minutos até o estúdio. A banda, de fato, já os aguardava. Charlie já havia enviado as músicas para os membros da banda. Mary Ann entrou com eles no estúdio e Charlie ficou do lado de fora, na sala de controle de som, com um gerente do estúdio. O homem tomou um gole de café e falou:

- Vocês atrasaram...

- Culpa dela... Sabe como são essas mulheres... Demoram a se arrumar...

Dentro da sala de gravação, Mary Ann ouvia as músicas, interpretadas pela banda. Ao final, eles se comunicaram com ela pelo interfone:

- O que achou, Mary Ann? – Charlie falou.

- Não gostei... – A menina disse.

Todos ficaram em silêncio. Após alguns minutos de tensão, Charlie falou:

- O que é que tem de errado?

- Ah, sei lá... Achei as músicas chatas!

Mais alguns minutos de silêncio. O guitarrista olhou para o baixista e ambos deram uma risadinha.

- Mas... Será que não seria a falta da sua interpretação?

- Não sei...

- Então canta!

Mary Ann respirou fundo. Fez a contagem e passou a cantar quando chegou a sua hora. Terminada a terceira música, Charlie abriu a comunicação novamente:

- E agora?

- Continuo não gostando... – Mary Ann respondeu.

- OK, galera... Vamos dar um intervalo...

Todos saíram do estúdio, menos Mary Ann. Charlie entrou e foi falar com ela:

- Mary Ann... O que tem de errado?

- Essas músicas são muito... Muito... MUITO PRA BAIXO, CHARLIE!

- Mas o que é que tem demais?

- Muito tristes, muito depressivas! – Não tem como o cara compor algo mais animado não?

Charlie bufou. Respirou fundo duas vezes e pegou o rosto de Mary Ann em suas mãos:

- Menina, escuta: esse cara é um dos principais nomes do rock nos EUA! Você tem que entender que não temos tempo de ficar escolhendo outra pessoa...

- Charlie, fala com ele! Quem sabe ele não pode mandar outras coisas...

- OK... – Charlie se deu por vencido – Grave essas músicas com eles... Eles vão gravar a bateria e as linhas de baixo hoje... Amanhã vão ser teclado e guitarra... Você só vai entrar com a voz na segunda-feira!

- Eles vão trabalhar no domingo?

- Claro que vão... E você vai descansar!

- Não, Charlie... Vou ficar aqui com eles!

- Mary Ann... Bota uma coisa na sua cabeça, meu amor...

A garota revirou os olhos quando Charlie disse “meu amor”. Ele continuou:

- Você é a estrela. Estrelas não trabalham aos domingos...

* * *

O telefone tocou e Tom foi atender. Caroline já havia saído, novamente.

- Alô...

- Oi, Keifer... Sou eu, Burns...

- Ah tá... Que foi?

- Estamos com um problema...

Tom bufou.

- Fala.

- Daria para compor algo mais animadinho? Ela achou as tuas músicas muito tristes...

- Ah, vai se foder, Burns... É isso que eu tenho, e chega... Não gostou, procura outro otário.

- Ela vai gravar essas três... Mas quando for compor mais coisas, faça algo mais animado...

- Mais alguma coisa, senhor? – Tom respondeu, ironizando.

- Não, só isso! As músicas são ótimas... Mas realmente muito depressivas...

Tom desligou, irritado. Seu casamento estava uma droga. Caroline saía todos os dias, pois, se ficasse em casa, haveria briga. E Tom já não suportava mais sua vida. Como iria compor algo animado?

Foi para o escritório, resmungando.

Notas finais
aqui temos um Tom Keifer mais machão... kkkkkkkkkkk
Aguardo reviews!