Notas iniciais
CURTINHO... porém bonitinho! ♥

Um ano se passou e Mary Ann nunca mais fora importunada por seu pai. Todos os frequentadores do bar a conheciam, sem exceção. Ganhava presentes, flores, bombons. Tinham um carinho especial por ela.

Uma tarde, ela estava em seu quarto, dentro do bar. Já havia limpado tudo e estava sentada na cama, tocando seu violão. E começou a cantar uma música.

Melissa chegou e escutou a voz doce e afinada de Mary Ann, acompanhada dos delicados acordes. Assustou-se com o que ouviu. Chamou Chester e ambos ficaram ouvindo, até o fim da canção. E, quando os acordes cessaram, ambos bateram palmas, assustando Mary Ann.

- Menina, você é um talento! – Melissa disse, emocionada.

- Muito bom! Estudou muito tempo? – Chester perguntou.

- Não, seu Chester. Nunca estudei.

Chester e Melissa espantaram-se. E, descobriram, sem querer, um grande talento.

Alguns meses depois, o bar celebraria uma festa de aniversário de uma importante família local. Mas, justamente naquela noite, os músicos que lá tocariam sofreram um acidente de carro.

Melissa deu a má notícia a Chester, pois fora avisada por telefone.

- Oh, não! O que vamos fazer? – Chester coçou a cabeça, preocupado.

Mary Ann estava no bar, e já servia alguns clientes, alheia aos acontecimentos.

- Não sei, Ches... Não faço ideia!

- Liga pro Billy, vê se ele conhece alguém pra vir tocar aqui!

Melissa obedeceu à ordem de Chester, porém sem sucesso.

- Não tem ninguém que ele possa indicar.

Chester colocou as duas mãos na cabeça. Neste exato momento, o aniversariante chegou. E a festa iria começar, pois alguns dos convidados dele também chegavam.

- Ai, Senhor, o que vamos fazer? – Chester perguntou a si próprio, fitando o teto.

- E se colocarmos Mary Ann no palco? – Melissa deu a ideia.

- Você tá louca! A menina é talentosa, é verdade, mas fazer isso com ela é sacanagem!

- Mas nem ao menos conversamos com ela!

- Não, Melissa! Fora de cogitação.

E assim abandonaram a ideia da gerente. E o bar foi enchendo de clientes. Até que o aniversariante chamou Chester:

- Ches, cadê a música?

Chester desviou o olhar. Melissa correu até o balcão e chamou Mary Ann.

- Mary Ann! Precisamos de sua ajuda! Consegue subir no palco e tocar e cantar alguma coisa?

- E... Eu? – Ela perguntou, hesitante.

- Sim! Ou teremos problemas com aquelas pessoas! Eu assumo seu lugar no bar!

Mary Ann respirou fundo, tirou seu avental e correu para os fundos. Penteou-se, passou um batom nos lábios e trocou a camiseta por uma camisa xadrez. Colocou um chapéu caubói e botas de couro, cujos canos cobriam a barra da calça jeans. E, claro, pegou seu inseparável violão.

- Chester! Você me disse que haveria música! Que merda é essa? – Disse o aniversariante ao dono do bar, irritado.

- É... É que aconteceu um imprevisto...

De repente, um barulho no microfone ecoou por todo Birmingham’s Groove. Era Melissa, no centro do pequeno palco.

- Boa noite, senhores! É com grande pesar que informo que os Sullivan Bros sofreram um acidente hoje pela tarde. Eles estão internados, mas se encontram bem. No entanto, não puderam vir hoje para o bar.

Chester escutou os convidados do aniversariante chiando. Mas não tirou os olhos do palco.

- Mas – Melissa continuou – Não poderíamos ficar sem música...

“O que essa maluca tá tramando?” – Perguntou a si mesmo, perplexo.

- E, assim sendo, quero apresentar a vocês o novo talento do rock e country americano. Quer dizer... Futuro novo talento... Com vocês... Mary Ann Collins...

E Mary Ann entrou, hesitante, assustada, pela porta de trás do palco. Os clientes que a conheciam estavam surpresos diante daquela menina. Não sabiam que ela era musicista.

Ela sentou-se sobre um banquinho, ajeitou o microfone, desajeitada e fitou a todos.

- Boa noite... – A sua voz não saía.

Chester arregalou os olhos, feliz. Mas escutou um comentário depreciativo vindo de trás:

- Não acredito que ele colocou a balconista para tocar! Que falta de respeito!

Virou-se, num impulso e respondeu, com um sorriso nos lábios temerosos:

- Vocês não vão se arrepender!

Melissa ajeitou outro microfone no pedestal, próximo às cordas do violão. E fitou Mary Ann, sorrindo, acenando com a cabeça, indicando que tudo estava OK.

- Boa noite... Vocês devem me conhecer do balcão... Mas eu queria tocar algumas músicas para vocês.

E ela começou os acordes de Pure & Simple, do Lynyrd Skynyrd.

I used to live in a poor neighborhood
My friends and me we always had a time
Never had no money but we had it so good
Those days are gone and I wanna go back
So pure so simple
Never thought about it when youre young you dont care
You dont realize it till its all behind
Take it for granted just not well
Oh-oh it was pure and simple
Ill remember those days till the end
Oh-oh God knows its simple
If I could live my life all over again
Id keep it pure and simple

Aqueles que, no princípio, duvidaram da capacidade de Mary Ann, eram os mesmos que, ao final da música estavam com os olhos cheios de lágrimas.

E, no último acorde, todos, sem exceção, a aplaudiram em pé.

Naquela noite, Mary Ann tocou várias canções, desde músicas do Lynyrd Skynyrd e outras bandas de southern rock, até de Jewel, passando por John Mellencamp e Reba McIntyre. E foi muito aplaudida.

Ao final da noite, o aniversariante foi conversar com Chester:

- Muito obrigado pelo que o senhor fez. Substituiu muito bem os músicos. Muito profissional da sua parte.

Chester mal podia acreditar. Mary Ann salvara a noite.

A menina já recolhia os equipamentos de som, que eram escassos, quando Chester a chamou.

- Sim, seu Chester... – Ela disse.

- Olha, Mary Ann... Não tenho como agradecê-la. Tudo o que eu puder fazer por você é pouco perante o que você fez hoje...

- Não precisa se preocupar, seu Chester... O senhor já me ajudou muito quando...

- Sim... Eu sei... Mas você merece algo mais...

E retirou, de dentro do bolso da jaqueta, um maço de notas de cinquenta dólares.

- Toma... Isso te pertence! – Disse, estendendo a mão com o dinheiro.

Mary Ann arregalou os olhos e gagejou:

- Ma... Mas eu não posso aceitar, seu Chester...

- Claro que pode! Isso é o cachê da apresentação de hoje!

- Mas eu...

- Aceite, por favor! São seiscentos dólares. É o valor que pago para os Sullivan Bros todas as noites em que eles tocam aqui. Você merece muito mais que isso... Mas é o que posso te dar!

Mary Ann pegou o dinheiro, acanhada, e agradeceu Chester. Este a fitou, feliz com o resultado.

Nos dias que se passaram, Mary Ann tocou no bar. E cada vez mais as pessoas iam ao Birmingham’s Groove para ver a apresentação da jovem. Sua fama começou a se fazer de boca em boca. O bar ficou mais cheio que de costume, pois Mary Ann era novidade. E, tamanho sucesso acabou por fazer Chester cancelar o contrato com os Sullivan Bros, além de contratar outro balconista. Comprou equipamento de som, um violão elétrico e investiu em Mary Ann. Acabou contratando músicos para acompanhar a garota. E assim montou uma pequena banda. O lucro que obtinha no bar o fez se animar cada vez mais.

Um dia, Mary Ann comentou com Melissa que gostaria de ir ao show do Lynyrd Skynyrd, que estava passando, em turnê, pelo Alabama, e tocaria na cidade.

- Infelizmente a gente não pode te dispensar...

Mary Ann lamentou, mas não tirou o sorriso dos lábios. Foi para seu quarto se arrumar para apresentação da noite.

Melissa correu até Chester e falou com ele:

- Tudo certo para hoje?

- Sim! Tudo certinho!

E, quando Mary Ann Collins’ Band foi anunciada, a garota e seus companheiros subiram ao palco para se apresentar.

- Boa noite, queridos! Vamos aproveitar que não estaremos na próxima noite no show do Lynyrd Skynyrd e vamos tocar somente músicas do repertório deles hoje, para matar a vontade!

O público aplaudiu. Mary Ann começou a contagem para Sweet Home Alabama.

- One... Two... One, two, three, four...

E o público acompanhou a música, cantando junto com voz delicada de Mary Ann.

E assim foram tocando canções de sua banda preferida.

No final da noite, ela foi muito aplaudida. Foi quando, do meio das pessoas, surgiram duas figuras conhecidíssimas de Mary Ann.

- Oh, santo Cristo! – A menina disse no microfone.

Em sua frente estavam Johnny Van Zant e Gary Rossington, respectivamente o vocalista e o guitarrista de sua banda favorita. Eles a aplaudiam efusivamente. Mary Ann mal pôde segurar as lágrimas.

- Menina! Que grande orgulho ter uma fã com esse talento todo! – Disse Van Zant, animado, subindo sorridente no palco e abraçando Mary Ann – Você ainda vai fazer muito sucesso! Tenho certeza disso!

- Eu... Eu quero um autógrafo! – Ela falou, chorando.

- Ah, não... Não sei se poderei dar isso a você... Mas acho que tem algo que você vai querer... E que foi nosso amigo Chester que pediu que déssemos de presente a você...

E Van Zant retirou, do bolso da jaqueta, um ingresso para o concerto do Lynyrd Skynyrd, na noite seguinte. Ela mal podia acreditar.

- Oh, mas... E o bar amanhã?

Chester, que estava ao lado de Rossington, caiu na risada:

- Oras, Mary Ann! Esqueça o bar! Amanhã vai ser sua folga! Vá curtir o show dos meus amigos!

Mary Ann abraçou Chester. Finalmente sentia um carinho de filha por alguém

Notas finais
agora a coisa vai começar a deslanchar!