Notas iniciais
Desculpe a formatação... mas fiz de outro computador pois não teria tempo de fazer do meu...

Chester foi ao local do show do
Lynyrd Skynyrd e aguardou por Mary Ann. A menina chegou, extasiada, sem
acreditar no que tinha visto, e entrou no carro do patrão.



- Conte-me, como foi?



- Arre, Chester, foi demais! –
Ela disse, deixando seu lado caipira transparecer – Foi a melhor coisa da minha
vida!



- Sim, eles são ótimos!



- Ao vivo é demais! Acho que foi
o dia mais feliz que eu já vivi... Quer dizer... Só teve um dia que foi mais
feliz!



- Oras... E qual foi esse dia!



- Ara... Foi o dia em que o
senhor me deu o emprego!



Chester parou o carro e caiu em
um choro profundo.



- Mas Chester, o que aconteceu!



- Ah, Mary Ann... Desculpe... Eu
não pude evitar... Hoje faz 18 anos que minha filha morreu...



Mary Ann ficou muda. Chester
continuou:



- Ia ser um dia muito feliz em
nossas vidas. A Janet estava tão feliz... Fomos para a maternidade tão felizes.
Mas eu nunca vou esquecer quando aquele médico chegou na sala de espera onde eu
estava e me deu a notícia de que ela e a neném não sobreviveram ao parto. Perdi
mulher e filha, no mesmo dia... Era para minha menina ter 18 anos...



A jovem não sabia o que dizer. Estava
explicado porque Chester se ofendera pela menina do interior espancada pelo
pai.



- O que mais me revolta – Chester
disse, enxugando as lágrimas – É que se pelo menos uma das duas tivesse
sobrevivido, a dor não teria sido tão grande quanto realmente foi.



- Chester, eu sinto muito...



- Desde aquele dia estou sozinho.
Quando eu vi você, toda apavorada, procurando emprego, imaginei que pudesse ser
minha filha. E quando fiquei sabendo que o seu pai a espancava por raiva da
morte da sua mãe, Deus, fiquei louco! Eu daria o mundo para que as duas
tivessem sobrevivido, mas se pelo menos uma delas...



E voltou a chorar. Mary Ann não
sabia o que dizer. Ficou muda, apenas acariciando o ombro de Chester. Até que, em
uma atitude linda, abraçou Chester e disse:



- Posso chamá-lo de pai?



Chester novamente enxugou as
lágrimas e dessa vez sorriu:



- Sim... Pode... Não tem
problema... Embora não seja verdade, pelo menos é um consolo saber que posso
cuidar de alguém...



E foram para o bar. No dia
seguinte, Mary Ann se mudou para a casa de Chester. E assim permaneceram.



Um ano depois da chegada de Mary
Ann à cidade grande, sua banda já estava conhecida. Não tocavam apenas no
Birmingham’s Groove, mas também em outros bares da cidade.



Uma noite, após tocarem no
Birmingham’s Groove, já estavam se preparando para sair, o baterista da banda
foi chamar Mary Ann, que havia ido conversar com dois clientes, pois havia uma
pessoa que queria falar com ela:



- Mary Ann, tem um cara que quer
falar com você...



- Obrigada, Jake, já estou
indo...



E Mary Ann, após se despedir dos
clientes, virou-se e teve uma surpresa:



- CHARLIE! – Ela gritou, correndo
em direção ao rapaz que lhe dera carona no dia em que fugiu de casa.



- Mary Ann... Quem diria! Quanto
talento!



E se abraçaram, felizes.
Conversaram por um tempo. Até que Charlie propôs:



- Tem algum dia em que você não
toca, menina?



- Amanhã eu estou de folga...



- Então eu virei aqui... Tudo bem
para você se a gente tomar uma cerveja?



- Eu não bebo... Mas não tem
problema... Posso acompanhar com um suco!



- Tudo bem! Você é a única pessoa
que conheço em Birmingham... Estou me mudando pra cá...



- Ah é? Que bom!



- Pois é... A empresa me
transferiu...



- E você trabalha com o que
mesmo?



- Eu trabalho numa produtora de
eventos...



- Interessante...



Após um tempo, Charlie se
despediu e partiu. Chester foi até Mary Ann e perguntou:



- Quem é esse cara? Eu nunca o vi
por aqui...



- Realmente... No dia em que eu
fugi da fazenda foi ele que me deu carona. Depois me ajudou a fazer o
currículo...



- Ah, sim... Entendi... – Chester
coçou o cavanhaque – Tome cuidado com ele... Percebi que ele tem algum
interesse em você...



- Como assim? – Ela ficou
confusa.



- Ué... Vai ver que ele quer...
Sair com você!



Chester percebeu que Mary Ann
ficou confusa.



- Mary Ann... Deixa eu te perguntar
uma coisa... Alguma vez alguém conversou sobre... Sobre sexo com você?



- Sexo? O que é isso?



- Ah... Era o que eu temia... –
Chester olhou para o teto – Nem quando você ficou menstruada seu pai falou pra
você o que aquilo significava?



- Não... Ele me bateu quando eu
falei que eu tava sangrando... Mas uma moça que trabalhava na fazenda me falou
que isso ia acontecer todo mês. Mas não falou por que acontecia...



- É... Acho que você tem muito a
aprender... Vou pedir para Melissa conversar com você sobre essas coisas...



Pela manhã, Melissa foi tomar
café na casa de Chester. Após o desjejum, Mary Ann e Melissa se fecharam no
quarto que Chester havia improvisado para a jovem.



- Mary, me diga... – Melissa
começou – Você sabe como os nenéns nascem?



- Arre, pela racha da mãe...



- Sim... Mas não foi isso que eu
quis dizer... Que eles nascem pela racha e que vêm da barriga eu vejo que você
sabe...



- É...



- Mas eu queria saber se você
sabe como eles foram parar lá...



Mary Ann colocou o dedo ao lado
da boca e revirou os olhos, fitando o teto. Aí ela respondeu:



- Uma vez eu perguntei isso pro
meu pai e ele bateu, disse pra eu deixar de sem-vergonhice. Aí eu desisti de
perguntar até pra minha professora, porque ela contava pra ele tudo o que eu
perguntava pra ela...



- Affff, Mary Ann... Não sei como
você aguentou tanto tempo... Deixa eu te contar então como é que funcionam as
coisas... É assim... Quando um homem e uma mulher se apaixonam... Você sabe o
que é isso, né?



- É quando a gente fica
interessado na outra pessoa né...



- Isso... Enfim... Começam a
namorar e tal... Aí a gente começa a sentir vontade de namorar...



- Mas já não tá namorando? – A
jovem parecia confusa.



- É, mas eu me refiro a fazer
amor...



- Fazer amor? E amor se faz?



Melissa riu. E continuou:



- É assim: o casal tira a roupa e
namora pelado...



- AI MEU DEUS DO CÉU! ISSO É
SEM-VERGONHICE! NÃO PODE!



- Claro que pode – Melissa não
controlava as risadas – Só que tem que ter a hora certa... Então... Você já viu
um homem pelado?



- Claro que não!



- Então... Eles não têm o meio
das pernas igual ao da gente... Eles tem um membro comprido, chamado pênis.
Eles fazem xixi por aquilo...



Mary Ann não piscava. Melissa
continuou:



- Aí quando eles estão com
vontade de namorar, aquilo fica duro e eles colocam dentro da gente, pela nossa
vagina...



- Isso dói? – Mary Ann perguntou,
preocupada.



- Na verdade nas primeiras vezes
dói, e até sangra... Mas depois fica bom. Dá prazer. Por isso que as pessoas
fazem, nem sempre elas fazem para ter filhos.



- Então é bom?



- Sim... É bom. E conforme vai
acontecendo, a gente começa a sentir um prazer mais intenso, que vai ficando
cada vez mais forte, até que a gente chega no máximo de prazer que pode ter e
tem o que chamamos de orgasmo...



- Nome feio...



- Mas a sensação é linda... – Melissa
riu – E depois a gente fica relaxada. E os homens também têm isso. Quando eles
chegam ao orgasmo, eles soltam, pelo buraquinho onde fazem xixi, um líquido
branco, chamado esperma, que contém espermatozoides. Esses espermatozoides são
células bem pequenininhas...



- Ah, disso eu lembro, a
professora falou! Eles vão pro útero, encontram com o óvulo e aí acontece a
fecundação e a vaca fica prenha!



Melissa gargalhou.



- Sim, Mary Ann... Mas não
estamos falando de vacas, estamos falando de mulheres. E aí a mulher fica
grávida!



Mary Ann silenciou e aparentou
ficar com dúvida. Melissa não falou mais nada até que Mary Ann perguntou:



- Tá... Mas eu só vou fazer isso
quando quiser ter um filho...



- É justamente por isso que eu e
Chester estamos querendo te ensinar essas coisas. Como isso que eu te contei,
como fica grávida, e que se chama sexo, ou fazer amor... Bem, como isso dá
prazer, as pessoas querem fazer sempre, mas nem sempre elas querem ter
filhos... Então elas usam métodos contraceptivos, que evitam que a mulher fique
grávida...



- Mas por que você tá falando
isso?



- Porque, Mary Ann, já reparou
quantos rapazes ficam doidos por você quando você está no palco? Uma hora ou
outra você vai se apaixonar por alguém. Uma hora ou outra essa pessoa vai
querer fazer sexo com você... E você precisa saber como evitar uma gravidez. Só
deve ficar grávida quando estiver preparada.



- Ah, tá...



- E, além disso, tem as doenças
sexualmente transmissíveis, que também têm que ser evitadas. Eu recomendo a
você que use camisinha!



- O que é camisinha?



- É uma capinha de borracha que
os rapazes colocam nos pênis deles. Evita que você engravide ou pegue doenças.
É essencial usar isso. Só que muitos rapazes não querem usar. Se o rapaz não
quiser usar, não faça amor com ele!



E assim continuaram conversando
durante todo o dia, sobre namoro, sexo, beijo, e assuntos essenciais para a
vida de uma pessoa.



À noite, Charlie foi até o
Birmingham’s Groove encontrar-se com Mary Ann. Não saíram da mesa. Até que
Charlie resolveu dizer algo a Mary Ann:



- Mary, ontem não foi o primeiro
dia em que eu te vi cantar...



- Ah, não?



- É... Não foi... Já tenho visto
você cantar a algum tempo, e, como você sabe... Eu trabalho com eventos...



- É... Você me falou...



- Bom... Eu acho que você tem
muito talento... E deveria investir nesse talento...



- Obrigada.



- Você já viu aquele programa da
televisão, o American Idol?



- Vi sim...



- Por que não se inscreve nele?



- Ah, não vai dar certo...



- Por que não daria? Olha como
você canta, menina! Você é um talento!



- Não sei...



- Você não quer ter sucesso?
Ganhar dinheiro? Ser uma celebridade?



- Não sei o que eu quero...



- Bom... Se decidir seguir essa
vida, saiba que eu te apoio bastante! Se precisar, posso te ajudar!



- Obrigada, Charlie... Mas... Não
sei...



Charlie foi embora, depois de
mais algumas horas conversando com Mary Ann. Ficou triste por ela não ter
aceitado sua proposta, mas continuaria a tentar convencê-la.



Após alguns dias, Melissa foi
conversar com Mary Ann sobre o papo com Charlie. E a garota contou tudo a ela:



- Ele falou pra eu ir no American
Idol.



Chester escutou a conversa e
sentiu uma tristeza profunda, mas, deixando o orgulho de lado e respirando
fundo, teceu seu comentário:



- Olha... Confesso que não gostei
desse rapaz conversando com você, Mary Ann. Achei que ele tinha algum outro
interesse, talvez em namorar você, ou só transar...



A menina fez uma careta. Melissa
esclareceu:



- Transar é o mesmo que fazer
amor, Mary Ann...



- Ah... – A jovem balbuciou,
enrubescendo.



- Mas não esperava que ele fosse
ter esse tipo de interesse. E, na verdade, eu ia propor a você, Mary Ann, de ir
mesmo a esse programa...



- Chester... Você tá falando
sério? – Mary Ann assustou-se.



- Sim... Acho que você deve ir. E
acho que você se daria muito bem lá... Você não pode passar a sua vida toda
atrás de um balcão de bar, nem em um palco de uma espelunca como essa!



A jovem ficou brava:



- Não chame o Birmingham’s Groove
de espelunca, Chester.



- Não foi o que eu quis dizer...
Eu acho que você tem muito talento para se tornar uma nova Shania Twain...
Canta muito bem, toca violão finamente, você é um fenômeno, menina!



- Eu concordo com o Chester... –
Melissa disse, arrumando o cabelo.



- Então vocês acham que...



- Não achamos... Temos certeza. –
Chester coçou o cavanhaque.



Nove meses depois, foram abertas
as inscrições para o American Idol. Novamente Charlie procurou Mary Ann:



- E aí... Vamos fazer a inscrição?



- Ah, não sei... – Mary Ann
falou, ressabiada.



- Não fala isso! Vamos lá! Você
mesma me contou que Chester apoia...



- Eu tenho vergonha de fazer tudo
aquilo lá...



- Mas não tem que ter vergonha,
garota.



E, naquela noite, Charlie
conseguiu convencer, juntamente com Chester e Melissa, a jovem a fazer a
inscrição no programa.



Exatamente um mês depois, chegou
uma carta para Mary Ann informando de onde seria a primeira audição. Ela
deveria comparecer em três dias e cantar para três jurados. Era a primeira fase
do programa.



No dia da audição, Mary Ann foi
juntamente com Charlie, Chester e Melissa. Mas a produção do programa proibiu
os seus acompanhantes de entrarem. Pegaram a documentação que Mary Ann levou e lhe
deram um crachá com um número. A jovem foi para uma fila onde havia mais
cinquenta e cinco pessoas além dela. E essa fila continuou crescendo. Mary
esperou pacientemente, porém com muito nervosismo. Quando o cansaço tomou o
lugar da ansiedade, ela era a próxima.



Entrou na sala. Era uma sala
pequena. Havia uma câmera, operada por um cameraman, e três mesas, com três
jurados. Um deles riu quando ela entrou.



Uma moça que estava sentada na
mesa do centro perguntou:



- Qual é seu nome?



- Mary Ann Collins...



- Ah... E de onde você é, Mary
Ann?



- Daqui de Birmingham mesmo...



- E o que você vai cantar pra
gente?



- Vou cantar Free Bird... Do Lynyrd Skynyrd.



Os três jurados não acreditaram.



- Nossa... Essa música é difícil
de uma mulher cantar... – Disse um homem, sentado à direita.



- Bom, Mary Ann... Então cante...
– A moça do meio pediu, olhando para seu companheiro da esquerda, com
menosprezo.



E Mary Ann simplesmente cantou
como estava acostumada a fazer nos bares da maior cidade do Alabama. Os três
jurados que, a princípio, não acreditaram no potencial da garota, ao final da
apresentação dela estavam com lágrimas nos olhos.



- Pode parar, Mary Ann... – O
jurado da esquerda falou.



A jovem fechou os olhos, já
esperando uma reprovação.



- Simplesmente lindo... – O mesmo
jurado comentou – Foi uma das apresentações mais bonitas que eu já vi... Por
mim você está classificada para a próxima fase...



- Eu também... Eu também aprovo
sua ida... – A moça falou.



- Eu nem tenho o que discutir...
Aprovada... – Disse o terceiro jurado.



Mary Ann agradeceu. Mal podia
acreditar no que acontecera. Saiu da sala, foi à direção, com a placa de
aprovação e solicitou participação em uma nova audição. Quando saiu do local,
encontrou os três que a esperavam, com um grande sorriso no rosto.



- Arriégua! Fui aprovada! – Ela
comemorou.



E os três a abraçaram. Felizes.



A fase seguinte seria em Dallas,
no Texas. E para lá viajaram. Foi a primeira viagem de avião de Mary Ann, que
não parou de rezar da hora em que entrou no avião até a hora em que saiu da
aeronave. Chester a acompanhou.



Novamente uma audição. Novamente
a aprovação. E assim foi por mais duas fases. Na última, não recebeu resposta.



Um mês e meio depois, chegou uma
carta. Chester a levou para Mary Ann.



- Abra! – Ele disse.



Mary Ann hesitou, mas após alguns
minutos abriu a correspondência. E deu um grito ao ler:



“Parabéns, você foi selecionada
para participar do programa American Idol. Apresente-se em Los Angeles, dia 1º
de março, para iniciarmos a competição. Seja bem vinda.”



E assim começou a luta de Mary
Ann.

Notas finais
como será que ela vai se dar nas apresentações do American Idol, hein? Aguardo ansiosamente por reviews!