The Last Rebel

6 Best things in life


Notas iniciais
Nova aparição relâmpago do nosso herói kkkkkkk

Mary Ann ficou isolada em um hotel por alguns dias. Chester não pôde se comunicar com ela. Em algumas horas, começaria a primeira apresentação dos participantes do programa. Após chegar ao estúdio de gravação, Mary Ann foi encaminhada a um camarim onde foi penteada e maquiada. Depois se vestiu com uma roupa do figurino da equipe de televisão.

Um pouco antes de entrar no palco, notou a hostilidade de alguns de seus concorrentes. Procurou esquecer aquilo, embora se sentisse muito mal com aquela situação.

Quando foi apresentada, entrou, acanhadamente, no palco. Foi ovacionada pelos espectadores. Pôde ver que Chester e Melissa estavam na primeira fila. Mas não viu Charlie.

O apresentador do programa começou a entrevistá-la:

- Como você está Mary Ann?

- Nervosa... – A menina respondeu, ficando com suas bochechas rubras.

- E o que você vai cantar para nós?

- Vou cantar Pure & Simple, do Lynyrd Skynyrd.

Ele a anunciou, e Mary Ann começou a cantar. Ao final da música, foi novamente aplaudida.

E, no final do programa, estava classificada para a próxima fase.

E assim a jovem foi participando de todas as eliminatórias. No quinto programa, ocorreu um fato desagradável: Mary Ann foi criticada por outra participante, Evelyn, nos bastidores. Ficou nervosa e acabou não se apresentando muito bem. Com isso, ficou para eliminação. No entanto, acabou escapando, sendo que a própria Evelyn foi eliminada.

Por sorte, aqueles que a desdenhavam foram, pouco a pouco, perdendo as competições no programa.

Até que Mary Ann conseguiu se classificar para a final. No dia da classificação, apresentou uma canção de Shania Twain, arrancando lágrimas do público. Chester e Melissa foram a todos os programas, seguindo fielmente sua funcionária. Mas Charlie só passou a acompanhar o programa ao vivo a partir da sexta apresentação.

* * *

Fazenda Birmingham. Sexta-feira, agosto de 2003. Francis bebia uma dose de conhaque. Não era a primeira, mas seria a última, pois naquela noite ele havia acabado com a garrafa da bebida.

- Essa fidumaégua vai ganhá essa merda di programa... Vai ficá rica... Vagabunda!

E ligou a televisão para assistir à final do American Idol. Quando Mary Ann foi apresentada, e cenas de suas apresentações anteriores foram veiculadas, Francis teve um ataque de ódio e jogou o copo de conhaque contra o aparelho de televisão, com uma força suficiente para estourar a tela e soltar faíscas. O aparelho se incendiou, e as labaredas atingiram a cortina. Em segundos, a casa de Francis, onde Mary Ann crescera, estava tomada pelo fogo.

* * *

Nashville, TN. Sexta-feira, agosto de 2003.

- O programa vai começar... Você não vai assistir?

Tom Keifer estava em seu escritório. Escutou Caroline falar consigo e apenas se deu o trabalho de responder:

- Não sei... Acho essas coisas tão superficiais...

- Mas hoje é a final... – Caroline insistiu, aparecendo na porta do escritório, carregando uma vasilha cheia de pipocas.

- E daí? Não assisti a temporada inteira... De que adianta começar a assistir agora que é o último programa!

Caroline bufou, irritada. Já não aguentava conviver com a indiferença de Tom. Dirigiu-se à sala e sentou-se no sofá, tendo como companhia somente sua gata, Fluffy. Ligou a televisão e todo o sistema de som do home theater.

Tom permaneceu no escritório, trabalhando em algumas composições. Mas o som da televisão o incomodava. Muito.

- Carol, abaixa um pouco a televisão!

Sua esposa não respondeu. Tom foi para a sala, bravo, colocou-se na diagonal do sofá e disse:

- Será que daria para abaixar um pouco essa merda dessa televisão?

- Agora? O David Lee vai cantar! Na hora da caipira eu abaixo!

Tom bufou e saiu da sala. Esperou até que a música de um dos concorrentes da final do American Idol terminasse, quando finalmente Caroline abaixou o som. Mas escutou acordes de uma música conhecida. Era Life’s Lessons, do Lynyrd Skynyrd. Acabou sendo atraído até a sala. Ao chegar, viu, na televisão, uma moça muito jovem, jeito tímido, cabelos negros lisos longos até a cintura, olhos verdes, bem magra, cantando a música. Impressionou-se com o talento e a voz da jovem. Sentou-se sobre o braço do sofá e ficou a observar. Caroline falou:

- Essa caipira é chatérrima! Espero que ela perca...

O vocalista deu um sorriso carregado de ironia e disse:

- Claro... A moça tem um baita talento, diferente daquele chato que estava cantando antes... E você acha que ela deve perder... Você não tem critérios!

- Hey, você tá louco, não fala assim comigo!

Tom levantou-se do sofá e saiu, voltando para seu escritório, meneando a cabeça negativamente.

Caroline continuou assistindo ao programa. Até que a hora decisiva chegou. Ela aumentou o volume da televisão, já na expectativa de que David Lee vencesse. O apresentador do programa começou a falar. Tom escutava do escritório.

- Bom, foram muitos meses de treinos, apresentações, estudos, preparo, sofrimento e alegria. Todos os que aqui estiveram têm talento e conseguirão trilhar carreiras de sucesso, tenho certeza disso. Mas, o vencedor dessa noite terá algo a mais. Contrato de um ano com a gravadora, mais um prêmio em dinheiro. E as portas se abrirão com mais facilidade.

A esposa de Tom não tirava os olhos da televisão. E o apresentador continuou.

- Agora chega de esperar. Chegou a hora de saber quem é o vencedor da segunda temporada do American Idol. E, é com muito orgulho que eu anuncio que quem venceu o American Idol 2003 foi...

Um pequeno silêncio. A câmera filmou ambos os participantes. Mary Ann estava tensa, olhando para baixo, assustada. David Lee sorria para câmera. Ele era o favorito, e por isso tinha confiança na vitória.

- MARY ANN COLLINS!

A jovem foi filmada com exclusividade, aparentando surpresa. David Lee mudou sua expressão, de uma confiança excessiva para uma decepção gritante. Porém abraçou a concorrente, que chorava.

- Ah, que droga! – Caroline resmungou.

Tom, que não saíra mais do escritório, escutou o anúncio de que a candidata que sua esposa não admirava havia ganhado o programa, e Caroline não gostara disso. Riu, sozinho, da situação.

* * *

Chester, Melissa e Charlie subiram ao palco e abraçaram Mary Ann, que mal podia acreditar. Havia se saído muito bem nas três músicas que cantara na final. O apresentador se aproximou dela e perguntou:

- Como você se sente sendo o novo ídolo americano, Mary Ann?

- Eu... Eu... – Mary Ann gaguejava – Ah, eu tô muito feliz!

- E o que espera disso tudo?

Mary Ann pensou. Não sabia o que dizer. Não sabia o que esperar. O estrelato havia batido à sua porta. Ela nunca esperara estar numa situação daquela, nunca imaginara que pudesse ganhar um título daquele. E agora teria a chance de ouro para se tornar um novo nome da música.

- Espero que eu consiga... Espero que eu agrade quem torceu por mim e surpreenda quem era contra minha vitória!

- Então vá curtir sua família, que a partir de amanhã você terá muito trabalho pela frente!

O programa saiu do ar após o apresentador se despedir, e Mary Ann foi para o camarim. Trocou-se e tirou a maquiagem. Quando saiu de lá, havia várias equipes de jornais, televisões e revistas dispostos a entrevistar a garota. Ela atendeu um a um, com simplicidade e alegria. Até que Charlie se intrometeu e acabou por tirá-la de lá.

- Você deve estar cansada... Não faltará tempo para que te entrevistem!

- Mas eles querem falar comigo! – Mary Ann contestou.

- O senhor quem é? – Um repórter perguntou.

- Eu sou o futuro empresário dela, Charles James Burns.

Mary Ann fez uma careta e olhou para Chester, que coçou o cavanhaque.

Os três a levaram de lá, e seguiram para o hotel, já que a final era em Los Angeles. Mary Ann ficou no mesmo quarto que Melissa, embora tivesse o seu próprio apartamento reservado pela produção do programa. Mas estava com saudades da amiga e queria conversar.

No dia seguinte, Mary Ann tinha estava com a agenda lotada. Foi aos estúdios da gravadora assinar o contrato. Conheceu os funcionários e deu autógrafos, embora não entendesse o porquê daquilo tudo.

Depois foi entrevistada por vários meios de comunicação. Ao fim do dia, estava exausta. Chester e Melissa tiveram que voltar ao Alabama, mas Charlie ficou com Mary Ann em Los Angeles.

A menina se sentia triste pela partida de Melissa e Chester. Sentia-se como se estivesse sozinha. Charlie, notando essa tristeza toda, decidiu levar Mary Ann para jantar.

Foram a um restaurante e começaram a conversar quando sentaram à mesa:

- Você decidiu que tipo de música vai cantar, Mary Ann?

- Acho que... Talvez Southern Rock...

- Eu acho que você combina mais com country...

- Ah, Charlie, mas não queria cantar country não... Você sabe que minha preferência é o southern...

- Sim... – Charlie riu – Não vou te contrariar... Vamos ver como você se sai com essa mistura de rock e country... Se tudo der certo... Ótimo...

E durante a conversa, repentinamente, Charlie pegou a mão de Mary Ann. A menina enrubesceu, retirando a mão e a escondendo debaixo da mesa. O jovem disse:

- Desculpe... Eu... Eu não pude evitar...

- Você já sabe que músicas eu vou cantar? – A jovem desconversou, preocupada em mudar de assunto.

- Não... Mas tem um compositor em Nashville que poderá enviar algumas músicas para que você interprete... Acho que vai rolar sim...

- E quem é esse cara?

- Depois te mostro o trabalho dele... É surpresa!

E a noite prosseguiu, sem maiores surpresas. Após jantarem, voltaram para o hotel, de táxi. Ao subirem para o andar onde os quartos deles ficavam, Charlie acompanhou Mary Ann até a porta de seus aposentos.

- Obrigada pela noite, Charlie. Foi divertido.

- Eu que agradeço a confiança, Mary Ann...

Charlie se aproximou um pouco mais da jovem e novamente pegou sua mão. Mary Ann novamente enrubesceu e demonstrou timidez. O rapaz levantou o queixo dela com um dedo e a fitou diretamente nos olhos.

- E gostaria de saber se...

Subitamente Charlie colou seus lábios com os de Mary Ann. A garota ficou sem reação, mas tentou beijá-lo, com receio de recusá-lo. O rapaz percebeu que ela não conseguia beijar direito, mas não desistiu. Só freou o instinto de tentar algo a mais porque sabia que seria recusado. Ao término do beijo, ele sorriu. Mary Ann abaixou o olhar, envergonhada.

- Boa noite... – Ela disse, entrando rapidamente em seu quarto e fechando a porta.

Encostou-se à parede e ficou assustada. De repente sua vida havia mudado como se estivesse vivendo dentro de um tornado.

Notas finais
Que acharam?