The Last Rebel

29 Life’s Twisted


Notas iniciais
Apesar da demora... ficou muito louco esse! kkkk

Um mês se passou. Eric tirou seu gesso. A banda comprou um novo ônibus e contratou um novo motorista. A turnê ia ser retomada. E Mary Ann ainda não conseguia sentir odores.

Todos os integrantes do ônibus acidentado tiveram que comprar roupas e instrumentos novos. Tiveram um prejuízo apenas com isso, já que o veículo tinha seguro. E o primeiro show seria em Tampa. Foram alguns dias de viagem, mas tudo na mais perfeita calma. Quando chegaram à cidade da Flórida, se acomodaram no hotel. Tom e Mary Ann, após o jantar, subiram para o quarto. Eric e Jullie estavam namorando firme, e Heather e Fred continuavam com seu caso.

Mary Ann se deitou. Tom se acomodou ao seu lado. Começou a beijá-la e ela correspondeu. Ele trilhou um caminho de beijos de seu colo até seu sexo, e intensificou sua carícia para poder fazê-la chegar ao prazer. Mary Ann relaxou muito antes que Tom a penetrasse, e acabou por adormecer. A viagem havia sido muito cansativa. Tom riu da situação, deitou-se ao lado da jovem e adormeceu junto a ela.

Mas foi acordado às quatro da manhã pelo grito de Mary Ann. Quando a viu, ela estava sentada sobre a cama, arfando e chorando.

- O que foi, Mary Ann? – Ele perguntou assustado.

- Sonhei com meu pai! Ele estava todo queimado e vinha pra se vingar de mim!

- Mas seu pai não morreu?

- Sim, foi dado como morto! Só que ninguém achou o corpo dele!

- Fiquei sabendo do incêndio, não tem como ele ter sobrevivido àquilo!

- Sim... Mas... Eu sonhei!

- Tudo bem... Foi só um pesado... – Tom a abraçou, tentando acalmá-la.

E eles se deitaram. Ela ainda soluçava um pouco, e ele tratou de manter-se agarrado a ela e a acariciando o tempo todo. Até que adormeceram novamente.

No dia seguinte, a passagem de som seguiu normalmente. Depois de um lanche, algumas horas de descanso, de preparação, a Mary Ann Collins’ Band subiu ao palco. Tudo correu normalmente. Até que, na última música, a jovem notou algo estranho na plateia. Aproximou-se do canto direito do palco, pois não conseguia enxergar muito bem, ou acreditar no que seus olhos viam. E, no mesmo momento, ficou muda. Sua voz não saía mais. Viu, encostado à grade da primeira fileira, um senhor de idade, grisalho, enrugado demais. Era seu pai.

A jovem agradeceu ao público antes de a música terminar, sempre fitando aquele canto. O homem começou a aplaudir lentamente, como quem ironiza, e ela deixou o palco correndo, assustada. Passou pelo camarim de Tom, que estava com a porta aberta. Ele notou que ela estava estranha, e saiu ao encontro dela. Ela já havia se fechado em seu camarim.

- Mary Ann! – Ele bateu à porta – O que houve?

Ela não respondia. Tom continuou batendo à porta e indagando o que estava a ocorrer. Até que ela abriu:

- Entra! – Ela pediu, olhando para os lados, apavorada – Entra rápido!

E ele a obedeceu. Ela fechou e trancou a porta.

- O que foi, menina! O que aconteceu?

- Ele tá aqui!

- Ele quem?

- Meu pai!

- Mary Ann! Calma! Você deve ter confundido! Seu pai morreu, esqueceu?

- NÃO, TOM! NINGUÉM ACHOU O CORPO DELE! EU TENHO CERTEZA DE QUE ERA MEU PAI!

- OK, calma! E o que faremos?

- Ligar pra polícia! Pedir para os seguranças não deixarem ninguém entrar aqui!

- Tudo bem...

Tom saiu e conversou com dois funcionários da segurança. Depois chamou a polícia.

- Vou ter que trabalhar, agora... Fica calma... A polícia está vindo...

E Tom saiu do camarim, indo para o backstage, a fim de começar o show do Cinderella.

A polícia chegou e Mary Ann contou tudo aos policiais. Eles disseram que nada poderiam fazer, já que ninguém havia prejudicado, ferido, roubado ou ameaçado ninguém. Foram embora sem nada ajudar.

Mary Ann permaneceu estática em seu camarim, respiração curta, suando frio. Até que escutou uma batida à porta. Temeu abrir por alguns segundos. Escutou a voz de Tom:

- Sou eu... Pode abrir...

Ela se dirigiu à porta e abriu. Ele entrou e a abraçou. Estava muito suado, saíra do palco e fora direto ao camarim da jovem.

- Pronto... Vamos embora daqui. Não vou descolar de você por nenhum minuto. O que a polícia falou?

- Falou que não poderia fazer nada porque não foi cometido nenhum delito...

- É... Imaginei que fossem falar isso. Não sei por que chamamos os caras... Mas, enfim, se você se sentiria mais segura, achei melhor fazer isso... Vamos para o hotel...

E todos seguiram para os ônibus. Mary Ann se ajeitou em uma poltrona. Mas chamaram Tom no outro ônibus.

- Já volto... – Ele falou a ela.

Ela ficou a fitar a janela, assustada. Foi quando viu o mesmo homem velho aproximar-se do ônibus. Ela o fitou e ele acenou ironicamente, rindo muito. E virou-se indo para o outro lado.

Temendo que ele pudesse entrar no veículo, Mary Ann correu até o motorista.

- Feche a porta, por favor! – Ela ordenou.

- Mas estou esperando o Sr Keifer...

- Fecha a porta agora!

O homem a obedeceu, contrariado, nervoso. E justo quando a porta fechou, o velho apareceu em frente a ela.

- Olha aí! Tá vendo porque eu pedi pra fechar a porta?

O motorista olhou, estranhando.

- Mas... É o Sr Keifer!

Mary Ann fitou a janela da porta novamente e viu Tom batendo no vidro. O motorista perguntou:

- Posso abrir?

Ela fez um aceno lento com a cabeça, e o motorista abriu a porta.

- O que aconteceu, Mary Ann?

A jovem nada falou e seguiu para a poltrona novamente. Tom pediu desculpas ao motorista e a seguiu.

Sentou-se ao lado da cantora, que tremia e suava.

- O que tá acontecendo? – Ele acariciou a garota.

- Eu vi aquele desgraçado de novo. Ele acenou pra mim! Riu da minha cara!

- Calma! Você tá delirando... Não é verdade! Como é que só você vê?

- Eu tenho certeza que vi! Eu tenho certeza disso!

- Por favor, Mary Ann... Tenta relaxar um pouco. Vamos para o hotel, depois vamos viajar... É madrugada... Você tem que descansar!

E Tom deu um beijo em sua testa. Ela tentou se acalmar, sem sucesso. Após pararem no hotel para um banho e pegar as bagagens, os dois ônibus seguiram para a estrada.

A próxima parada seria Montgomery, Alabama. E Mary Ann se sentia bem melhor em respirar o ar de seu estado natal. Chegaram quase no fim do dia seguinte, e foram se acomodar no hotel. Mary Ann ainda estava tensa, mas Tom a ajudou a se acalmar. Não sabia por que ela estava tendo aqueles medos e visões, mas decerto tudo aquilo acontecia devido à forte pancada que sofrera na cabeça. Tom ligou para o médico, em Nashville, comentou com ele, e ele não descartou que fosse uma sequela do acidente.

- Mary Ann, tomei a liberdade de ligar para seu médico... – Tom falou, com cuidado.

Ela o fitou, desconfiada. Semicerrou seus olhos, com a cabeça um pouco de lado.

- E pra que?

Tom respirou fundo e esclareceu:

- Eu liguei para ele para perguntar se você poderia estar tendo algum tipo de delírio por causa da pancada na cabeça...

Mary Ann bufou, fechou os olhos e os abriu em seguida, olhando para Tom, com semblante indignado.

- E... O que ele disse?

- Falou que sim... Que é possível que você esteja realmente delirando...

- Você tá dizendo que eu tô louca?

- Mary Ann... Eu não falei que você tá louca... Eu falei que você pode estar tendo...

- NÃO, TOM! EU VI! EU VI O MEU PAI! ELE ME IRONIZOU, ELE ME DEU TCHAUZINHO, ELE ESTAVA EM TAMPA!

- Não é possível! Seu pai morreu! Não tinha como alguém sobreviver àquele incêndio, eu vi na televisão, não sobrou nada!

- MAS ERA ELE!

- PARE DE GRITAR QUE EU NÃO TÔ GRITANDO COM VOCÊ! – Tom berrou, irritado.

Mary Ann deixou o quarto aos prantos, trancando-se no banheiro. Tom se arrependeu do que fizera e bateu à porta.

- Mary Ann... Abre essa porta, por favor... Me desculpa... Não quis te magoar... Só quero te livrar dessa agonia...

Porém a jovem não abriu a porta. Permaneceu dentro do banheiro, a chorar.

* * *

- E o que você pretende fazer com eles? – Caroline perguntou a Charlie.

Estavam sentados à mesa de um bar em Los Angeles. Ele acendeu um cigarro. Ela fez outra pergunta:

- Desde quando você fuma?

- Desde a semana passada... Olha, isso não te interessa! Enfim... Eu quero fazer aquela desgraçada sofrer... Pensei em armarmos um flagrante para seu marido...

- Ex-marido – Caroline corrigiu.

- Sim... Seu ex-marido, com alguma vagaba aí... Ou o contrário, ela com outro cara...

- Acho que ela com outro cara... Ele não perdoa traição... E jamais trairia...

- Só que agora, durante a turnê, fica difícil... Acho mais fácil tentar algo em Nashville...

- E foi pra isso que você me ligou – Caroline perguntou – Para arquitetar um plano de vingança a longo prazo.

- Sim... Coisas planejadas funcionam melhor... Fora que em breve marcarão nova audiência, do recurso... E vamos ver o que o juiz vai decidir... Dependendo, tudo ficará mais fácil...

- Bom... Então estou nessa... O que eu tenho que fazer?

Charlie abriu um sorriso cheio de malícia.

* * *

O show em Motgomery transcorreu normalmente. E, na mesma noite, partiram para Birmingham. Foi o primeiro momento em que Mary Ann realmente relaxou e se animou, já que iria se encontrar com Chester. E recebeu a visita de seu tutor no camarim, enquanto aguardava para subir ao palco.

- Chester! Que saudade!

- Mary Ann! Como você tá?

Os dois se abraçaram, emocionados.

- Sobrevivi! Foi horrível, mas eu sobrevivi! – Ela disse, referindo-se ao acidente.

- Mas não consegue mais sentir cheiros...

Mary Ann suspirou, fechou os olhos por alguns segundos e respondeu:

- É... Poderia ter sido pior... Eu poderia ter ficado cega, ou perdido a fala...

- Sim... Sempre pode ser pior... – Chester acariciou a jovem.

Ela fitou o nada por alguns minutos.

- O que foi, menina? O que você tem? – Chester indagou, curioso.

- Eu acho que fiquei com outra sequela...

- E... Qual foi essa sequela?

- Eu vi meu pai em Tampa...

Chester soltou o ar, flexionando um sorriso, achando aquilo engraçado:

- Como é? Mas seu pai morreu...

- Só que eu o vi... No show, em Tampa. Depois do lado de fora do ônibus. O Tom não acredita em mim... E isso tá me matando...

- Mas o que tá te matando? Você achar que viu seu pai...

Mary Ann interrompeu Chester:

- EU VI!

- Tá, que seja... Ver seu pai ou o Tom não acreditar em você?

- As duas coisas...

- Filha... – Chester ponderou – Concorda comigo que é difícil acreditar nisso? Eu entendo o lado do seu namorado...

- Sim... Eu também entendo, mas... Isso significa que ele não confia em mim!

- Claro que ele confia! Há todo um histórico que nos deixa sem acreditar nisso! O incêndio foi terrível, não tinha como sobreviver àquilo!

- Mas... E se... – Mary Ann ponderou – E se ele tivesse conseguido fugir antes do fogo tomar toda a casa?

- E ele iria se esconder, sumir, desaparecer por qual motivo?

Mary Ann não tinha resposta para a pergunta de Chester.

- Não sei... Talvez pra vir me assombrar...

- Não... Não acredito nisso...

Tom bateu à porta do camarim e entrou. Chester levantou-se e o cumprimentou com um abraço e tapinhas nas costas. Mary Ann não fitou o vocalista.

- E como está? – Perguntou o dono do Groove.

- Bem... Quer dizer... Eu estaria melhor se essa criança aí me perdoasse por ter gritado com ela outro dia...

- Mas por que você gritou com ela?

- Ah, eu fiquei preocupado porque ela tá vendo umas coisas estranhas... Diz que vê o pai, mas eu não consigo ver... Nem o motorista do ônibus. Aí eu liguei para o médico dela, e ele disse que pode sim ser da pancada, mas ela começou a gritar comigo... E eu me defendi gritando com ela. Mas eu me sinto um verdadeiro idiota, porque eu amo essa menina...

E fez uma pausa. Mary Ann finalmente o fitou. Chester tentou disfarçar um sorriso. Tom prosseguiu.

- Eu amo essa menina demais... E ter gritado com ela foi dilacerante pro meu coração... E eu quero pedir desculpas na sua frente, esperando que ela possa me perdoar... Porque sem o perdão dela eu não sou nada!

Uma lágrima caiu pela bochecha de Mary Ann. Tom ficou a fitá-la, mas ela desviava o olhar. Chester olhou para Tom e depois de manifestou:

- E aí, Mary Ann? Você vai perdoar esse filho da mãe?

Tom fitou Chester e riu discretamente. E a jovem se levantou, fitou os dois, depois correu até Tom e o abraçou. Os dois riram da atitude da garota, que apertava Tom com uma força sem precedentes.