The Last Rebel

30 Dead Man Walkin’


Notas iniciais
GENTE, É O SEGUINTE: fiquem tranquilos que não vou parar nenhuma das duas fics que estou escrevendo. Essas fics migrarão para um blog que eu estou montando. Em breve eu lhes informarei o link! Fiquem ligados! Sem problemas, ok? Não vamos criar crises ou tristezas por causa dessa decisão do Nyah!, sei lá pq eles decidiram isso... mas deve ter algum motivo!

Após deixarem Birmingham, os ônibus partiram rumo a Jackson, Mississippi. Foi uma viagem relativamente longa, com duas paradas. E assim seguiram com a turnê. New Orleans, Lousiana; Houston e Dallas, Texas; Oklahoma City, Oklahoma; Kansas City, Kansas; Denver, Colorado; Albuquerque, Novo México. Ao chegarem a Phoenix, Arizona, fizeram uma pausa de quatro dias antes do show.

Mary Ann estava muito cansada e aproveitou os quatro dias dormindo. Eric e Jullie não saíam da piscina do hotel, enquanto Jeff, Fred e Heather foram, com outros membros da Mary Ann Collins’ Band às compras. Tom passou os dias compondo.

No terceiro dia, Tom, que já estava cansado de tanto escrever e testar melodias, resolveu, no meio da tarde, relaxar um pouco. Como não era chegado a tomar sol, simplesmente deitou-se ao lado de Mary Ann, que praticamente hibernava, e ligou a televisão na CNN. Quando estava quase pegando no sono, uma notícia chamou sua atenção: um corpo havia sido encontrado enterrado em uma cova rasa, próximo ao Parque Regional Estrella Mountain, mas em uma área deserta. O cadáver, em decomposição parcial, era de um homem jovem, claro, cabelos castanhos lisos e longos, mas era o que dava para se saber. No entanto, ao final da reportagem, apareceu uma foto de Robert, e a jornalista disse que a polícia suspeitava que poderia ser o corpo dele.

- Meu Deus! – Tom disse, estarrecido.

Mary Ann se moveu ao lado dele, e ele abaixou o volume da televisão com o controle remoto. Ela não acordou. Tom levantou-se, apavorado e tentou pensar em algo. Por que Robert teria sido assassinado? Pois era óbvio, para ser enterrado em uma cova rasa ao lado de um parque regional, só poderia ser algum acerto de contas, que resultou em sua morte e na ocultação de seu cadáver. Tom caminhava de um lado para o outro, aflito, com as mãos na cabeça, tentando pensar. De repente, tudo começou a fazer sentido.

Pegou seu celular, que estava sobre uma cômoda, e saiu do quarto. Tomou o elevador e desceu até o térreo, dirigindo-se à área das piscinas. Caminhou a passos firmes até encontrar Eric, que passava filtro solar nas costas de Jullie.

- Eric, preciso falar com você em particular! – Exclamou o vocalista, agitado.

- Deixa só eu terminar aqui... – Eric respondeu, passando as duas mãos no traseiro de Jullie, esparramando mais filtro solar.

- ERIC, É SÉRIO! VEM COMIGO AGORA! – Tom ordenou.

O baixista deu um beijo nas costas de Jullie e levantou-se, olhou Tom de rabo de olho e seguiu com ele. Seguiram até uma área aparentemente vazia, atrás do prédio.

- O que é? – Eric, enfadado, indagou a Tom.

- Acabei de ver na televisão...

Tom fez uma pausa e passou a mão na cabeça, empurrando os cabelos longos para trás.

- Como assim, o que você acabou de ver na televisão? – Eric perguntou.

- Mataram o Robert! Encontraram o corpo dele em decomposição, enterrado numa cova rasa, a alguns quilômetros daqui!

- Você tá brincando... – Eric desviou o olhar, fitando o nada como quem não acredita em seus ouvidos.

- Não, não tô brincando!

- Bom... Deve ter sido algum acerto... Ele sempre usou drogas, não é mesmo?

- Sim, Eric... Mas... É tão difícil de você entender?

- Entender o que?

- Eric! Por Deus, tudo agora faz mais sentido!

Eric deu uma risadinha de quem não entende nada.

- Tom... Me diz... O que exatamente faz sentido?

- PENSA! PELO AMOR DE DEUS! PENSA! – Tom exclamou, irritado.

Uma funcionária do hotel passou por eles e os fitou, estranhando. Eles se calaram diante dela. A jovem arrumadeira notou que estava sendo inconveniente, mas declaradamente fitou o peito nu de Eric, disfarçando em seguida e deixando o local.

- Eric, raciocina, por favor... – Tom continuou – Ele conversou com pessoas estranhas, abandonou a turnê na mesma hora, dizendo que ia ficar com a avó doente, só que na mesma noite sofremos um acidente, que parece não ter sido propriamente um acidente. Fica desaparecido, oras, ninguém vai visitar a avó doente e desaparece, a ponto de sua foto ir parar na caixinha de leite, e depois seu corpo é encontrado enterrado num parque regional em um estado nada a ver! Ele estava na Flórida! Sua família é da Geórgia! Como você me explica que ele foi encontrando aqui no Arizona?

- Se eu tivesse que esconder um cadáver – Eric cochichou – Eu escolheria o Arizona ou o Novo México... Talvez até o Texas... – Fez uma pausa e depois continuou – E a única coisa que eu não engulo é essa história de avó doente... Pra mim essa foi a desculpa pra ir acertar alguma pendência... E das grandes... Que resultou nisso aí!

Tom emudeceu. Não falava mais nada. Eric continuou:

- Muito simples... O acerto de contas não deu certo, alguém o matou, trouxe o corpo dele pra cá, e enterrou... Fim!

- Tá... Tudo bem... – Tom finalmente respondeu, resignado – Eu não tinha pensado nisso. Mas se prepara, porque talvez a gente tenha que depor ou coisa do tipo.

- E eu vou falar só isso que falei a você... Porque é o que eu imagino...

- Tá... OK... Então vai lá passar filtro solar na bunda da sua garota... – Tom fez pouco caso.

- Ah, claro que vou... E não só na bunda não! – Eric deu uma risada coberta de safadeza.

Ambos saíram do local onde estavam, Eric voltou para o deck da piscina e Tom, para seu quarto. Ao entrar, Mary Ann estava acordada, sentada sobre a cama.

- Onde você estava? – Ela perguntou, aparentemente preocupada.

- Eu... Eu fui falar com Eric...

- Ah... E ele tava na piscina, não é?

Tom se aproximou de Mary Ann, ficando de frente com ela. O olhar doce da jovem tirava qualquer desespero de si. Ela permaneceu sentada, fitando-o, e ele, com a cabeça abaixada, cruzando seu olhar com o dela, lábios carnudos entreabertos. Sua mão seguiu, como se tivesse vontade própria, até o rosto da jovem, e a acariciou com as costas dos dedos.

- Eu quero você... – Ela disse, em um sussurro quase inaudível.

- Você me quer? – Tom retribuiu com uma pergunta, voz presa na garganta.

- Quero... Agora...

Tom imediatamente desatou seu cinto, abriu o botão e o zíper da calça. Mary Ann o ajudou, empurrando a calça para baixo. Com o membro rígido do vocalista na altura de seu rosto, Mary Ann começou a acariciar o abdômen dele, primeiro com a palma da mão, depois com as pontas dos dedos, provocando arrepios visíveis. Tom inclinou sua cabeça para trás, fechando os olhos, perante a carícia de sua parceira. Mary Ann abaixou a cueca delicadamente, revelando a masculinidade de Tom. Massageou o seu membro rígido por alguns instantes, antes de tentar degluti-lo em um ato que provocou no vocalista um gemido alto e repleto de prazer. E assim, em um movimento de vai e vem, pressionando a língua contra a glande, umedecendo o membro com a saliva, Mary Ann chupou o membro de Tom com vontade. Ele, como em um reflexo sensual, empurrava seu quadril contra a cabeça da jovem, e a cabeça dela contra seu quadril, sussurrando palavras sujas enquanto era sugado.

- Chega... Não quero gozar agora! – Ele disse, interrompendo o sexo oral.

Mary Ann tirou o membro duro de Tom de sua boca e o fitou.

- Essa carinha... Você é tão irresistível, Mary Ann... – Tom disse, acariciando o rosto dela – Deita...

Ela obedeceu, sem tirar seus olhos dos dele. Tom se livrou dos sapatos, meias, calça e cueca, mas permaneceu de camisa. Ajoelhou-se sobre a cama e alcançou o cós da calça de Mary Ann. Desabotoou e abriu o zíper, puxando a peça com delicadeza. Depois, repetiu o ato com sua calcinha. Trilhou um caminho de beijos por sua canela, joelhos, coxa até a virilha da jovem. Depois, com calma, afastou ambas as pernas dela e massageou seu clitóris com delicadeza, porém mantendo os dedos firmes, e sentiu que ela estava molhada e desesperada por ele. Introduziu um dedo em sua vagina, e começou a penetrá-la com vontade, observando as suas reações. Ela se contorcia e gemia. Ele colocou mais um dedo, e os manteve lá, enquanto, com seu polegar, massageava o ponto de maior prazer, com delicadeza, mas ao mesmo tempo com força. Sentiu que ela, após arquear as costas e falar seu nome, molhou sua mão mais do que já havia molhado, e sua temperatura se elevou. Não saciado em vê-la gozar, aproximou seus lábios carnudos do sexo de Mary Ann e começou a beijá-lo, depois a chupá-lo com força, acariciando seu clitóris com a língua em movimentos circulares, provocando nela ondas elétricas que se propagavam velozmente por todo o corpo. Suas investidas foram tão fortes, tão intensas, que parecia que ele queria entrar nela, e foi se lambuzando com seu gozo sem dó. Mary Ann ficava a cada segundo mais molhada, ele pôde sentir com suas mãos que a barriga dela suava muito e ela gozava mais uma vez, agora em sua boca. Após dar uma última lambida por toda a extensão de seu sexo, e engolir a secreção que dela emanava, Tom foi beijando seu umbigo, sua barriga, o vale entre seus seios, e depois deu atenção primeiro ao mamilo direito, depois ao esquerdo, enquanto levantava sua camiseta. Mary Ann facilitou que ele tirasse a camiseta e estava sem sutiã, ficando completamente nua. Ele beijava seu pescoço enquanto ela tirava a camiseta dele. Fitaram-se antes de se beijar. Mary Ann pôde sentir seu gosto nos lábios de Tom. Ele se ajeitou, sem desgrudar sua língua da dela, e a penetrou com cuidado, mas logo esse cuidado dissipou, e ele começou a meter forte. Levantou seu corpo e ajoelhou-se na cama. No mesmo segundo, levantou ambas as pernas da jovem e as colocou sobre seus ombros, conseguindo assim uma penetração mais funda, arrancando gemidos de maior intensidade da boca de sua amada. Cada vez mais veloz, conseguiu fazê-la chegar aonde queria por mais duas vezes. Mary Ann se segurava na cabeceira da cama, olhos fechados, boca aberta, gemidos fracos sendo emitidos. Tom não resistiu e a tocou novamente, enquanto a penetrava, massageando seu clitóris e fazendo-a chegar lá novamente, até perceber que, se continuasse daquela forma, a mataria de tanto prazer. Via seus pelos se eriçarem várias vezes, ritmadamente com a intensidade de seus gemidos, e, assim, deixou-se fluir para dentro dela, em duas estocadas mais fortes e profundas. Desabou sobre seu corpo, após retirar as duas pernas dela de cima dos seus ombros. O suor dele se misturou ao dela. Tom abraçou Mary Ann, que arfava, tentando recuperar o fôlego. Relaxada, a jovem cochilou por alguns minutos. Tom ficou a observá-la, mal conseguindo abrir os olhos.

Após um tempo, ela acordou e o fitou. Abriu um lindo sorriso, que foi correspondido por ele. Uma gota de suor descia pelo rosto do vocalista, e ela esticou a mão para limpá-la.

- Adoro quando você tem essas ideias em momentos inusitados... – Tom falou.

- Às vezes acontece... – Ela deu de ombros – Mas, me diga... O que você foi conversar com Eric?

Tom já havia se esquecido do assunto, porém lembrou-se com a indagação da garota. Respirou fundo e decidiu contar a ela todos os fatos.

- Então... Você tava dormindo, eu tava vendo televisão... Deram uma notícia sobre um corpo encontrado próximo a um parque regional, aqui perto...

- E você foi falar sobre isso com Eric? Mas... Por que?

- É que... – Fez uma pausa – Eu vi que eles... A polícia, na verdade... Desconfia... Que o corpo é de... Robert...

- Bob? – Mary Ann levantou seu tronco, apoiando os nós dos dedos sobre o colchão... Mas... Ele não tinha ido pra...

- Pra Geórgia? Isso foi o que ele contou pra gente...

- Sim... Mas não é possível!

- É sim... Ele deve ter se metido com algum traficante... E se enrolou... Foi assassinado e o cara desapareceu com o corpo... – Tom resolveu, em um milésimo de segundo, contar a versão de Eric para o que supostamente havia acontecido ao guitarrista, embora não acreditasse nela.

- Que horror... – Mary Ann balançou a cabeça negativamente.

- Talvez a gente seja intimado a depor, já que fomos algumas das pessoas que o viram por último...

- Será? – Mary Ann perguntou, confusa.

- Acho que sim.

Nesse mesmo instante o interfone do hotel tocou. Tom esticou a mão e o atendeu.

- Ah, sim... Pode mandar subir, por favor! Não... Não vamos descer... Eles podem subir, se quiserem! O que? Ah, faça-me o favor! Não... Diga a eles que subam para revistar o apartamento, se quiserem!

E desligou.

- Quem era?

- Dois policiais querem falar conosco... Vista-se! – Tom deu a blusa a Mary Ann, e ambos se vestiram.

Em poucos minutos bateram à porta. Tom levantou-se e foi abri-la, sendo observado pela garota. Dois policiais aguardaram.

- Sr. Keifer, viemos entregar essa intimação a vocês!

- Por favor, entrem! – Tom convidou.

- Não, não será necessário. Aguardamos vocês em duas horas no distrito policial do centro. É grave!

- Seria sobre o corpo que foi encontrado?

- Sim... Suponho que viu a reportagem na CNN.

- Sim, eu vi... OK, estaremos lá em duas horas...

- Até mais ver...

- Até... – Tom fechou a porta – Acho melhor irmos logo... Quanto mais cedo chegarmos, melhor. Temos show hoje à noite.

Mary Ann assentiu com a cabeça e no mesmo instante o celular de Tom vibrou. Ele pegou o aparelho:

- Fala Eric...

- Vocês também foram intimados?

- Sim... Vamos logo para lá...

- Nos encontramos no ônibus.

Tom e Mary Ann desceram e ficaram a aguardar no lobby. Os outros componentes das duas equipes foram chegando. Até que, quando todos estavam lá, subiram em um dos ônibus e seguiram até o distrito. Após entrarem, preencherem fichas e aguardarem um pouco, foram, um a um, sendo chamados. Quem saía ia aguardar no ônibus.

Eric, Tom e Mary Ann foram os três últimos a depor. Eric e Mary Ann falaram o que desconfiavam, mas o depoimento de Tom foi mais esclarecedor para a polícia. Tom contou sua desconfiança, sobre o acidente não ter sido um acidente, e sobre suas suspeitas a respeito de Robert. O policial que o escutou, até então enfadado, modificou sua postura quando Tom disse que desconfiava que Robert poderia ter armado o acidente:

- Mas... Por que você acha isso? – Perguntou ao vocalista.

- Eu nunca me dei muito bem com ele. Quando eu e Mary Ann namorávamos escondidos, ele investia nela, queria algo com ela. Até que fomos obrigados, depois do fato da sex tape, a contar a todos sobre nosso namoro. Depois disso ele ficou distante, não se enturmava mais com a banda.

- Certo... Conte-me mais...

- Até que, quando chegamos a Tampa, após conversar com três caras muito estranhos, ele veio conversar conosco e pedir demissão. Disse que sua avó estava doente. Até onde eu sei, a família dele é da Geórgia... E ele se separou de nós. Na mesma noite, sofremos o acidente.

- Sim... E o senhor está sugerindo que...

- Talvez ele tenha a ver com o acidente. O caminhão que fechou o nosso ônibus fugiu sem prestar socorro, e fez isso claramente de propósito. Pode perguntar ao motorista do segundo ônibus.

- Interessante...

- Eu posso até estar errado, mas acho, sinceramente, que isso poderia ser melhor investigado...

- E vai ser... Tenha certeza disso... – O policial sorriu, triunfante.

- Então...

- E é só isso? O senhor acha que a morte do guitarrista foi uma queima de arquivo?

- Sim...

- Então o senhor está liberado... – O policial falou, dispensando Tom.

E o vocalista saiu. O policial permaneceu quieto, com dois dedos sobre a boca, cotovelo apoiado sobre a mesa, pensativo.

* * *

- ACHARAM O DESGRAÇADO! – Charlie gritava, desesperado.

Neville, sentado sobre uma cadeira, brincava com um conjunto de bolinhas em série, presas a pequenos cabos. Quando batia em uma, a da outra extremidade pulava, e assim sucessivamente.

- Oras, ninguém vai descobrir... Se a coisa foi bem feita, ninguém vai desconfiar de nada...

- NEVILLE, SERÁ QUE VOCÊ NÃO ENTENDE? ELES VÃO CHEGAR ATÉ MIM! EU TENHO CERTEZA DISSO!

- Deveria ter pensado nisso antes de mandar apagar o cara... Você não tem, nem nunca teve esse perfil... – Neville soltou outra vez uma bolinha.

Charlie se aproximou do advogado e o pegou pelos colarinhos:

- Desgraçado, me dá alguma ideia, seu desgraçado!

- Oh, pera lá, me solta, franguinho! Se me escutasse mais não estaria nervoso agora!

Charlie o soltou, e o Neville ajeitou o paletó.

- Burns, a única coisa a fazer é ficar quieto, na sua, e esperar. Com calma... Sem desespero.

- Não tem como! Não sei como você pode ficar tão calmo com isso!

- Em primeiro lugar, eu não tenho nada a ver com isso, portanto, estou calmo... Em segundo lugar, até provarem que focinho de porco não é tomada, você pode ficar tranquilo... Não vão chegar até você!

- Claro que vão!

- Não vão, Burns, vai por mim, tenho experiência de sobra para te garantir isso! E, se chegarem, Burns, acredite... Você tem grana... E tudo nessa vida tem o seu preço...

Charlie se acomodou numa cadeira, ainda com os pés inquietos, balançando de um lado para o outro. Seu rosto estava vermelho, olhos nervosos, mas aparentemente tudo estava se tranquilizando em sua mente.

- Burns... Acredite em mim... Nada dá errado para quem é multimilionário!

- E por que eu deveria acreditar em você?

- Por que eu sou velho nisso... De corrupção, crime e suborno eu entendo...

- Sim... Uma raposa velha...

A televisão do escritório estava ligada e o noticiário da noite começou a falar sobre o caso Robert. E imagens das duas bandas foram veiculadas, pois haviam prestado depoimento durante a tarde. Isso deixou o rosto de Charlie ainda mais vermelho, e seus olhos ainda mais nervosos, e seus pés ainda mais inquietos.

- Desgraçados, foram depor!

- Claro que foram, Burns... Eles trabalharam com a vítima!

Uma imagem de Tom e Mary Ann, de mãos dadas, apareceu na televisão. Charlie esmurrou a mesa:

- Filho da puta, desgraçado! Eu aqui nesse nervoso e esse filho da puta fodendo a garota!

O noticiário mudou de notícia e Neville fitou Charlie, perplexo.

- O que você tá olhando? — Charlie perguntou.

- Ah, não é possível... Burns, me diga... Você tá com ciúmes da caipira?

- Eu, ciúme? Você bebeu, Neville?

- Não... Porque você enfatizou tanto a palavra “fodendo”, que foi essa a impressão que me deu...

Charlie desviou o olhar, apoiou os cotovelos nos joelhos e continuou batendo os pés no chão.

- E continua estranho... – Neville falou.

- É... Tenho que confessar que ver aquela desgraçada com aquele maldito me tira do sério... Ele deu a ela o que eu não dei... Ela aceitou dele o que não aceitou de mim...

- Mas você sempre quis se livrar dela... Não entendo seu raciocínio.

- É... Eu quis me livrar dela... Mas não esperava a aliança dos dois... Nem muito menos o caso deles... E aquele vídeo...

- O que tem o vídeo dos dois transando? – Neville provocou.

- Eu vi que ela tava totalmente entregue a ele... Nunca se entregou a mim como fez com ele!

- Eu sabia que tinha ciúme envolvido!

- NÃO É CIÚME, NEVILLE! DE UMA VEZ POR TODAS, NÃO É CIÚME!

- Tá bom... Se você tá dizendo... Eu acredito.

Charlie se levantou e deixou Neville sozinho no escritório. O advogado continuou brincando com as bolinhas, fazendo um gesto negativo com a cabeça.

Notas finais
As coisas estão começando a tomar corpo, não acham?