The Last Rebel

26 Full Moon Night


Notas iniciais
Finalmente consegui escrever algo! ufa!

- NÃO QUERO SABER, NEVILLE! VOCÊ TINHA QUE TER PREVISTO ISSO!

- Ah, Burns! Dá um tempo! Vamos recorrer e a gente vira o jogo!

Charlie e Neville discutiam feio por conta do ódio que o jovem empresário estava sentindo. Irritado, ele gritava com seu advogado:

- Essa grana era pra ser minha! Tá ouvindo? MINHA!

- Calma... Que ela vai vir pra você... Ninguém quer mais isso do que eu...

- Lógico, você vai abocanhar uma boa parte, não é mesmo? Por isso quer!

- Você fala de mim como se não fosse nem um pouco interesseiro... Burns, você é um nojo mesmo!

- E você é ótimo também! – Charlie tomou um gole de whisky diretamente da garrafa.

- Acho melhor a gente parar de discutir! Não vai ser bom pra mim, muito menos pra você.

Charlie não respondeu mais nada. Até que, sentado em uma poltrona, bebendo whisky como se fosse água, balbuciou:

- Isso não vai ficar assim...

- Ah, fica quieto! – Neville protestou.

- Eu vou matar esses dois...

Neville riu, enquanto Charlie fitava o nada, com o olhar alucinado de tanto ódio.

Cerca de duas horas depois, o celular do empresário tocou. Ele atendeu, sem saber quem era. Neville se aproximou para ouvir a conversa.

- Sim, Burns... Sim... Te conheço muito bem... E o que você quer?

Uma pausa.

- Ah, isso é... Bom... Parece ser bem interessante... Qual é seu preço?

O advogado coçou a cabeça, preocupado. Charlie continuou ao telefone:

- Sim... Pago o dobro então, se o serviço for bem feito... Então me passe todas as coordenadas nos próximos dias.

E desligou o telefone. Virou-se para o advogado e disse:

- Quando a gente menos espera, a solução aparece na nossa frente. Linda!

- O que foi agora... Não vai se meter em encrenca... – Neville aconselhou – Se você se enroscar, não quero nem saber...

- Não precisa se preocupar... Vai tudo parecer um acidente.

* * *

Pegaram a estrada rumo a Jacksonville às três da manhã. Desde a revelação do romance entre Tom e Mary Ann, a jovem viajava com ele no ônibus do Cinderella. E, também após toda a verdade aparecer, Robert estava calado, o tempo todo cabisbaixo. Subia ao palco, tocava, descia, e nada falava com ninguém.

Fizeram uma parada, pela manhã, em um posto, para abastecer os ônibus e tomar café da manhã. Tom e Mary Ann sentaram-se a uma mesa, separados dos outros. Fred, Eric, Jeff e as backing vocals da Mary Ann Collins’s Band ficaram a conversar em outra mesa. Os outros músicos ocupavam uma terceira.

Duas jovens entraram pela porta do estabelecimento. Uma delas era bem morena, cabelos na altura dos ombros, lisos, de uma cor castanha bem escura, olhos também castanhos, sobrancelhas marcantes, usava uma camiseta preta de gola muito larga, mostrando os ombros, calça jeans bem justa e botas caubói. A outra era loira, cabelos longos, cacheados, olhos azuis, rosto sardento, vestia uma blusa no mesmo estilo de sua companheira e shorts de couro, meia arrastão preta e botas curtinhas. Dirigiram-se ao balcão, pediram algo e se sentaram a uma mesa.

Eric e Fred observaram atentamente as duas garotas. A beleza de ambas chamou a atenção dos músicos. Até que Eric, de tanto olhar, acabou por ser notado pela morena. Ela ficou a corresponder seu olhar e, depois de um tempo, retribuiu um sorriso que ele abrira.

- Já pegou, garanhão, vai lá... – Jeff brincou.

- Você tem dúvidas? E a loirinha é do Fred... – Eric riu.

- É... Eu só me fodo nessa vida... Sempre sozinho... – Jeff reclamou de sua situação.

A morena se levantou e levou a bandeja para o balcão. Quando se voltou novamente para eles, Eric fez um sinal, chamando-a. Ela sorriu e foi em direção a ele. E, ao se aproximar, estendeu um papel e uma caneta, pedindo um autógrafo. Eric pegou o papel, segurando levemente a mão dela.

- Qual seu nome? – Ele perguntou.

- Jullie...

Eric escreveu algumas palavras no papel e o entregou à jovem. A loirinha se aproximou e ficou a analisar Fred. O baterista respirou fundo, sentindo-se como se estivesse sendo despido com os olhos.

- E o que vocês duas fazem aqui no meio da estrada? Viajando para onde?

- Estamos indo para Jacksonville... Mas só que de carona...

Eric e Fred se entreolharam e riram.

- Nós também estamos indo pra lá... Querem carona? – O loiro ofereceu.

- Ah... Acho que não seria nada mal pegar carona com o ônibus do Cinderella...

- Ou com o ônibus da equipe da Mary Ann... – A outra garota disse – Ah, desculpem, nem me apresentei... Meu nome é Heather...

- E o que vocês estão indo fazer lá? – Fred perguntou, sem tirar os olhos de Heather.

- Eu toco baixo, e ela toca guitarra... – Jullie explicou – E fomos chamadas para fazer um teste lá...

- VOCÊ TOCA BAIXO? NÃO ACREDITO! OLHA QUE MARAVILHA! – Eric se empolgou – Acho que você pode fazer um teste mesmo lá... Mas não pra onde te chamaram...

Elas se olharam, sem entender nada.

- É que a Mary Ann Collins’ Band tá sem baixista, e quem tá quebrando o galho é o Eric... Mas o cara não aguenta mais tocar duas horas e meia por noite... – Jeff explicou.

Jullie sorriu. Mas Heather se preocupou:

- Mas, e eu?

Eric fitou Robert, que estava calado, olhando para baixo, parecia desanimado.

- Acho que talvez você até tenha uma função num futuro não muito distante... Pelo menos tudo indica que sim...

As duas se olharam e Jullie respondeu:

- Ah... Tudo bem então... Se não tiver problema em nos dar a carona...

- Claro que não... – Eric disse, olhando para os seios da jovem, já com fisionomia faminta.

O baixista se levantou e foi até a mesa de Tom.

- Cara, preciso falar com vocês... Aquelas duas meninas ali estão indo pra Jacksonville, mas de carona... Algum problema se elas forem conosco?

Tom fitou Mary Ann e ela disse:

- Oras, por que não?

- Ah, não sei... – Tom disse – Não sou muito chegado a dar carona...

- Só que tem mais uma coisa... A morena... Ela toca baixo... Será que não dá pra gente fazer uns testes com ela quando chegarmos? Gente, sério... Eu tô podre!

Mary Ann riu e consentiu:

- Acho uma boa ideia... E a outra?

- Toca guitarra! – Eric explicou.

E os olhos de Tom brilharam. Parecia pressentir algo:

- Ótimo, tenho a impressão de que Bob vai vazar a qualquer instante... Acho que rola fazer um teste com as duas...

- Então ótimo... Chegando lá a gente faz o teste... – Eric disse, voltando animado para sua mesa.

E todos partiram, nos ônibus, alguns minutos depois.

Durante a viagem, Eric e Jullie se sentaram lado a lado e foram o tempo todo conversando sobre as músicas da banda de Mary Ann. Fred e Heather também sentaram juntos e, algumas horas depois, já se beijavam.

Ao chegarem, se acomodaram em um hotel e foram para a passagem de som. Fizeram o teste com a baixista e o resultado foi satisfatório. Eric tocaria em mais alguns shows e depois ficou combinado que a jovem começaria a tocar, até terem tempo de ensaiar.

Robert saiu por uma porta, escondido, e foi até uma área reservada, do lado de fora. Dois homens o esperavam. Conversaram um pouco e, depois, se despediram. O guitarrista voltou, e continuou a ensaiar com a banda.

Voltaram para o hotel para descansar. O show seria no dia seguinte, e já partiriam em direção a Tampa, viajando por dois dias. Mary Ann saiu do banho e não tinha uma fisionomia boa. Tom a observou e viu que tinha algo errado:

- O que foi, meu amor? Você tá estranha...

- Tom... Não tô com um bom pressentimento... Pra ser sincera... Não sei... Acho que vai acontecer algo...

Nesse instante o telefone do quarto tocou. Tom atendeu. Era Robert, pedindo uma reunião com os dois.

- Bob quer falar conosco... – Tom falou, colocando o fone no gancho – Disse que é urgente...

Mary Ann se vestiu e eles desceram. O guitarrista os esperava no lobby.

- Gente, desculpa incomodar vocês, mas... É que... Eu queria avisar vocês que... Bem... Eu queria pedir demissão...

- Mas... Como assim pedir demissão? No meio da turnê? E o seu comprometimento? – Tom se revoltou.

- Desculpe... Hoje à tarde vieram me avisar que minha avó está muito doente e eu queria... Eu queria estar com ela nesse momento... Prefiro pedir demissão e ficar com ela...

Tom ficou vermelho de raiva, porém Mary Ann foi mais condescendente:

- Tudo bem... Acha que consegue tocar amanhã?

- Não... Amanhã eu toco sim... Mas não vou seguir com vocês para Tampa...

Tom respirou fundo e acabou por dizer:

- Tudo bem então... Treinaremos a garota que veio de carona e ela vai tocar no seu lugar... Pelo menos essas duas apareceram, não sei de onde, pra resolver nossos problemas... Boa noite, Bob...

E os dois subiram. O guitarrista ficou sozinho, e parecia não ter uma cara muito boa.

No dia seguinte, à tarde, nova passagem de som. Heather começou a pegar as músicas com o próprio Robert e em poucas horas já tocava razoavelmente bem.

Tudo transcorreu corretamente no show. Mary Ann anunciou ao público que aquela seria a última apresentação de Robert. Depois do show do Cinderella, as duas bandas se prepararam para pegar novamente a estrada.

A viagem se iniciou por volta de duas da madrugada. Robert havia ficado em Jacksonville.

Todos dormiam. Eram quatro horas da manhã. Uma lua cheia brilhava intensamente no céu. Mary Ann acordou.

O ônibus do Cinderella seguia na frente do outro. Mas, repentinamente, pela esquerda, um enorme caminhão surgiu. Era uma descida e, portanto, o grande veículo ganhava velocidade. Quando já estava quase ultrapassando sendo ultrapassado, o motorista do ônibus da banda foi surpreendido: o caminhão deu uma fechada, fazendo-o perder o controle.

- MEU DEUS! – Mary Ann gritou, apavorada.

Tom acordou com o solavanco, e nada mais viu. Uma gritaria se instalou. O ônibus tombou, após sair da estrada e cair em uma ribanceira.

O outro ônibus parou. O motorista tentou anotar a placa do caminhão, mas este correu a ponto de não ser alcançado ou visto.

Os músicos da banda de Mary Ann desceram do veículo e correram até onde estava o ônibus. Escutaram gritos vindos de dentro do veículo, que havia caído em uma área pantanosa e afundava lentamente.

- Vamos tentar resgatá-los! – Gritou o motorista.

Ele, Carl e Damon correram até o ônibus. Uma janela foi retirada. Dela saíram Fred, Jeff, Heather e Jullie. Mas não havia mais sinal de ninguém. Os outros que estavam dentro do ônibus conseguiram sair: eram os rodies. Mas nem sinal de Tom, Mary Ann, Eric e do motorista.

- Temos que encontrá-los! Fred gritou.

E o baterista voltou para dentro do veículo. Acabou por encontrar Tom, que tentava fazer Mary Ann despertar. Eric estava desacordado também.

Jeff e Carl desceram. Conseguiram retirar Eric, depois Mary Ann, com a ajuda de Tom. E o ônibus continuava afundando. O motorista não foi encontrado.

- A polícia e os paramédicos já estão chegando! Damon os chamou!

- Mary Ann? Acorda, meu amor! – Tom dizia, dando leves tapinhas no rosto dela. Mas ela estava desacordada, respirando com dificuldade, e tinha vários cortes na cabeça, que sangravam.

Eric despertou e reclamou de muita dor na perna. Aparentemente, só Mary Ann havia ficado mais gravemente ferida, além do motorista que não fora localizado.

Assim que os paramédicos chegaram, a jovem foi levada para dentro de uma ambulância.

- Ela está perdendo muito sangue... Temos que partir para o hospital mais próximo o mais rápido possível! – Disse um paramédico.

Tom quis ir junto na ambulância. E assim começaram momentos de puro terror para todos.

Notas finais
sei que ficou fraquinho... mas prometo que semana que vem vai vir um muito bom!