The Last Rebel
10 Double Trouble
Notas iniciais
Três meses depois, o álbum de Mary Ann já estava em fase final de produção. Teria onze músicas. E a festa de lançamento já estava marcada.
Charlie fez uma ligação do seu celular:
- Keifer?
- Fala, Burns...
- E aí, você vai vir pro lançamento?
Um suspiro do outro lado da linha.
- Não, Burns... Não vou.
- Mas por que não?
- Você sabe que não saio mais de casa... Só quando é estritamente necessário...
- Ah, que bobeira! As onze músicas do álbum dela são suas! Como você não vai vir?
- Não indo... Não insista, Burns... Por favor...
Charlie desistiu. Não adiantava tentar convencer Tom. Na verdade o compositor não tinha empolgação nenhuma em escrever músicas para Mary Ann. Ir para Los Angeles, no lançamento do álbum da jovem cantora era um suplício para ele. Por isso, ele simplesmente ignorou os quatro convites que lhe haviam sido enviados.
- Tudo bem... Pelo menos você ouviu o single da primeira música de trabalho? Ou todos os mp3 que te enviei?
- Não ouvi...
- Mas como não ouviu?
- Burns, por favor! Pare de fazer pergunta idiota! Você me atrapalhou, estou fazendo algo importante aqui, e você está me incomodando!
- OK, Keifer, então boa noite...
Charlie desligou o telefone, irritado com a arrogância de Tom. Queria mandá-lo para aquele lugar.
- Velho idiota e arrogante!
Ouviu uma batida na porta, bem de leve, e virou-se.
- De quem você tá falando, Charlie?
Era Mary Ann. Quem a havia visto três meses antes não a reconheceria. Havia passado por mudanças drásticas. Um novo corte de cabelo associado a roupas bem diferentes das que costumava usar. No lugar das calças jeans largas, camisas quadriculadas e botinas estavam uma calça de couro bem apertada, corpete branco, jaqueta de couro preto e botas caubói. Ela ainda estranhava as roupas, mas já estava se acostumando. Tinha que fazer parte da sua carreira um figurino condizente com o tipo de música que tocava.
- Ah, não é de ninguém não... – Charlie respondeu, escondendo de Mary Ann.
- É do compositor, não é mesmo? Ele não vai vir para o lançamento do álbum... Estou errada?
Charlie bufou e respondeu:
- É... Ele é um cara excêntrico.
- Não... Eu não chamo isso de excêntrico não... Chamo de arrogante, como você mesmo definiu. Cara chato dos infernos! Não vai vir pro lançamento do álbum que contém as próprias músicas dele!
- É... Tem razão... Parece um pouco de arrogância sim...
- Músicas que não me completaram, Charlie... Não me sinto à vontade pra cantar músicas de um cara que eu mal conheço! Nunca ouvi uma música dele sequer...
- Eu devo ter algum cd da banda dele no meu carro... Depois coloco para você escutar...
- Tá... Mas e se ele tá gostando ou não do meu trabalho... Eu tenho que saber...
- Pra ele tudo não fede nem cheira, Mary Ann... Tom é um cara muito frio. Ele simplesmente compõe, vende a composição dele e...
- Peraí! Não foi o que você me falou! Você disse que ele...
Charlie levantou uma sobrancelha:
- Estava empolgado? Não... Nunca esteve... Falei isso pra te preservar, Mary Ann!
- Mas o que...
- Se eu falasse para você que ele estava frio – Charlie a interrompeu – Você não iria querer. Há três meses atrás você era muito mais cabeça dura do que é hoje...
E se aproximou da jovem, pegou suas mãos e a beijou nos lábios. Depois a fitou diretamente nos olhos e falou:
- Nem o meu amor você queria...
- Charlie...
- Nem minhas propostas de casamento você aceitaria...
E a beijou novamente. A verdade é que Mary Ann acabara cedendo às investidas de Charlie. Ele conseguiu, com seu argumento muito bem fundamentado, convencê-la de que deveria comprar uma casa em Los Angeles, um carro para ele e, principalmente, namorá-lo. Estavam de casamento marcado. Para um dia antes do lançamento do álbum. Charlie contratara um analista financeiro para cuidar das finanças de Mary Ann, e ele na verdade fazia o que o jovem empresário pedia.
Mary Ann ainda era virgem. Havia pedido que só se relacionassem sexualmente após o casamento. Charlie aceitou simplesmente porque não se sentia excitado na presença dela. Tudo o que ele queria era seu dinheiro.
Chester era contra o casamento, mas não se pronunciava diretamente. E, como estavam na Califórnia e o proprietário do Birmingham’s Groove no Alabama, Charlie tinha o caminho livre para enganar a jovem cantora.
Mary Ann estava feliz com o rumo que sua carreira estava tomando. Tinha dinheiro, enviava sempre uma boa quantia para ajudar Chester. Já lançara seu primeiro single “We’re Kinda Busy”, canção com uma levada empolgante, que atingiu o topo das paradas em menos de dois dias de seu lançamento. E Tom, que havia composto a música, sabia de tudo isso, mas não escutara a versão da vencedora do American Idol. Seu isolamento o impedia de fazer qualquer coisa desse tipo.
- Vamos, meu amor – Disse Charlie, dissimulado e maldoso – Não temos a noite inteira... Hoje você vai estar em rede nacional no California Call...
* * *
Ele retirou a calcinha da moça e lambeu toda a extensão de sua coxa, do joelho até a virilha, antes de se deliciar com o sexo dela. Ela gemia, mostrando a ele que estava gostando, enquanto ele lhe dava sexo oral.
- Vira de quatro – Ele pediu.
A jovem obedeceu. Ele colocou um preservativo e a penetrou com violência, arrancando um gritinho de sua boca. Ficou a penetrá-la com estocadas fortes, até que se desfez em um prazer rápido e intenso. Saiu dela, retirou a camisinha e deu um nó. Depois, deu um pequeno tapa no traseiro da garota, que se levantou da cama, foi ao banheiro, se lavou e se vestiu.
A campainha tocou e ele foi abrir, já vestido com uma calça jeans e uma camiseta.
- E aí, como você tá? – Um homem de cabelos loiros, na altura do ombro, mesma idade, entrou.
- Mesma merda de sempre...
Quando ela saiu do quarto, ele já a esperava na sala. O outro homem o observou pagá-la. A moça agradeceu, deu um beijinho em seu rosto e virou-se. Fitou o loiro, com um olhar provocante, e saiu pela porta.
- Agora você tá pagando puta, Tom?
- É, Eric... Fazer o que?
- Como assim fazer o que? Tom, abre essa merda dessa porta da sua casa e sai com a gente... Você vai conseguir um monte de mulher pra fazer sexo com você sem precisar pagar...
- Mas aí posso me envolver emocionalmente com alguém... Pagando não... Tenho o serviço de uma profissional que não vai ficar no meu pé depois. E muito menos eu vou me apegar a uma piranha como essa que saiu daqui!
- Tá bom, durão... Você que sabe... E aí... Tá sabendo que a música que você escreveu pra aquela mocoronga do American Idol tá em primeiro nos charts?
- É? Que legal... Você veio aqui pra me comunicar isso?
- Tom... Deixa eu só te falar uma coisa... Nos tempos do Cinderella você não era assim estúpido não...
- Agora sou... Posso?
- Não deveria!
- Mas sou... Tá feliz, ótimo... Não tá? Dê meia volta e vaze daqui!
- Realmente, Tom... Você tá muito chato... Enfim... O lançamento dela vai ser um evento daqueles... Você vai?
- Não...
- Como assim “não”? – Eric arregalou os olhos – As músicas são todas suas!
- Não vou! Não tenho paciência pra essas bobeiras!
- A menina vai explodir! Você não tem noção! Ela vai ser, dentro de alguns meses, o maior nome do Southern Rock! E você escreve as músicas pra ela e não...
- Isso mesmo, Eric... Você disse bem: eu escrevo as músicas pra ela... Ela está me pagando, ela compra minhas músicas... Eu só recebo os direitos autorais. Depois que a música já tá na mão dela, não é mais minha... A merreca que eu ganho da venda da música é insignificante. E o que vai ser feito dessa música pouco me importa! É que nem essa puta que tava aqui: entrou, comi, paguei, VAZOU!
- Você não pensava assim antes...
- Mas agora eu penso!
- Só que você não é um compositor desconhecido! Você está sendo citado! Não acha que ela deveria ao menos te conhecer?
- Não tenho paciência para caipiras, Eric!
- Bom... Se você quer continuar nessa mesma merda de sempre... Foda-se... Enfim... E aí... Você tem algo já?
- Tenho... Falou com Jeff?
- Falei sim... Só tá difícil de arrumar um baterista...
- Os babacas da Sony se viram... Isso se o Fred não topar voltar...
Eric suspirou. Tom continuou:
- Acho que essa turnê vai ser um fracasso... Mas já que insistem tanto...
- Vai dar certo... Você vai ver!
- Eric, só de pensar que eu vou ter que sair de casa... Não tenho a mínima vontade.
- Enfim... Vou pra casa... A gente vai se falando...
Eric se despediu e saiu.
* * *
Mary Ann e Charlie se casaram antes do pôr do sol. Uma festa simples foi exigida por ela, ao contrário do que o jovem empresário queria. Sem imprensa. Sem fotógrafos. Chester e Melissa estiveram presentes, e embora o dono do bar fosse contra a união dos dois, ele desejou o melhor.
A noite de núpcias foi em um hotel. Suíte presidencial. Mary Ann tomou um banho e se trocou. Vestiu uma camisola de seda e foi, hesitante, para o quarto. Charlie a esperava, na cama. Ela apareceu, olhar tenso, medo refletido em suas expressões.
- Venha... – Ele a chamou.
Ela obedeceu e se aproximou dele. Ele beijou seu ventre. Depois, levantando a camisola, acariciou suas coxas e seus glúteos, provocando arrepios na garota. Mais por medo que por desejo.
Ele a puxou. Ela se ajoelhou sobre a cama, encaixando-se no corpo dele. Ele tirou sua camisola e revelou seus seios pequenos e delicados. E os acariciou com as mãos, depois com os lábios. Virou o corpo de Mary Ann e a deitou. Tirou sua calcinha e beijou seu sexo. A menina guardava apreensão, não sabia o que iria acontecer. Não conseguia relaxar.
- Você tá tomando sua pílula certinho, não está? – Charlie perguntou.
- Estou...
Ele, sem pedir licença, sem a delicadeza esperada, penetrou o sexo de Mary Ann com força, com raiva. A menina sentiu uma forte dor, mas não se pronunciou. Seus olhos produziram mais lágrimas que o normal, e estas escorreram por suas bochechas, enquanto ele se deleitava no calor dela. Ao final, nada de prazer para Mary Ann. Só a dor de ter sido violada com seu próprio consentimento.
Na noite seguinte, o lançamento do álbum de Mary Ann foi extremamente pomposo. Uma festa cheia de convidados ilustres. Mal puderam os fotógrafos registrar todos eles. Mary Ann apresentou três músicas. E tudo correu como deveria.
Pela manhã, o álbum da jovem já estava no topo das vendas. E assim ela iniciou, um mês depois, uma turnê. Tudo estava dando certo. Seu casamento com Charlie era morno. E ela não desfrutava do prazer que deveria desfrutar.
Mas, durante a turnê, começou a notar que Charlie estava diferente do que se apresentava. Passou a impor certas vontades, maltratava roadies, destratava os músicos da banda. Mary Ann não falava nada, mas consertava as besteiras que ele fazia.
Após a apresentação em Biloxi, houve uma festa. E Charlie bebeu mais do que poderia ter bebido. Ao voltarem para o hotel, ele tentou forçá-la a fazer sexo com ele. Ela não queria, pois não concordava em se entregar para um homem bêbado, mesmo este homem sendo seu marido.
- Como assim, Mary Ann? Você tem que dar pra mim!
- Não, Charlie... Só depois que você melhorar...
- Ah, Mary Ann... Por que não? Vem cá, vem...
- Não vou, Charlie... Por favor, não insista!
E Charlie desferiu uma bofetada fortíssima no rosto de Mary Ann. A moça ficou sem ação. Ele a pegou pelos braços e a chacoalhou.
- Você tem que me dar, tá entendendo? É minha mulher! Tem que me dar! A hora que eu quiser! É assim que funciona!
E começou a abrir a sua calça. Mary Ann se aproveitou da bebedeira dele e conseguiu sair do quarto. Bateu à porta do lado e o guitarrista da banda abriu a porta.
- O que tá acontecendo? – Ele perguntou.
- Por favor, Larry, me deixa dormir aqui!
- O que foi...
Mary Ann escutou Charlie abrindo a porta do seu quarto. Empurrou Larry para dentro do quarto e fechou a porta, após entrar.
- Shhh! – Ela pediu silêncio.
Escutaram Charlie se afastar no corredor, chamando pela cantora.
- O que aconteceu, Mary Ann?
- Eu não quis... E ele quis me forçar... Me bateu...
Larry respirou fundo. Sentiu pena da garota.
- Olha... Esse cara é um boçal... Você tem que se separar dele, Mary Ann... Rescindir o contrato com ele, arrumar outro empresário... Ele é muito idiota!
- Ah, ele fez isso... Porque tá bêbado – Mary Ann tentou diminuir o ocorrido.
- Mesmo bêbado... Isso não tem justificativa... E eu também não quero me meter... Desculpe, mas já quebrei dois paus com ele... Preciso do emprego... Mas se ele continuar me humilhando do jeito que me humilha... Eu tô fora!
Mary Ann concordou com Larry, mas não expressou isso. Apenas abriu a porta do quarto e saiu, voltando para seu quarto. Entrou e trancou a porta. Cinco minutos depois Charlie voltou e começou a dar escândalo pedindo para que ela abrisse. Ela não abriu. E ele acabou dormindo no corredor.
Notas finais
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