The Last Hope

5 Capítulo 5


Colho as maçãs de uma macieira, eu e Tobias estamos pegando frutas, o dia ontem foi um tédio total, mas eu só penso que amanhã eu farei 16 anos, finalmente.

– Anne me contou que seu aniversário é amanhã. — diz Tobias.

– Sim, vou fazer 16.

– Você queria estar no castelo agora?

– Não. No meu aniversário sempre venho pra floresta...

– Então você é diferente.

– Como assim?

– A maioria das garotas odeia vir na floresta, a única que já conheci foi Anne.

– As vezes as pessoas acham que é uma vida boa viver em um castelo.

Ficamos em silencio, vamos andando perto de um lago, muita lama, escorrego, Tobias se vira para trás e eu caio em cima dele, nossos rostos alguns centímetros de distancia.

– Desculpe. — digo.

– Não foi nada.

Eu me levanto, ele se levanta também, meu coração está disparado, ele segue andando, não consigo parar de olhar pra ele.

– Você e Anne já namoraram? — deixo escapar, me arrependo.

– Nunca. Somos como irmãos, isso nunca aconteceria.

– Mas ela é tão bonita sabe... — penso em Anne, olhos azuis claros e cabelos castanhos.

– Você também é. — ele responde sem olhar pra mim.

Por um momento meu coração dispara. Ficamos em silêncio até voltarmos para o acampamento.

– Isabelle, o que aconteceu? Você está vermelha. — pergunta Alec

Eu não acredito que ainda estou vermelha! Que droga!

– Nada, Alec, nada. — digo.

Nos sentamos, Anne senta ao meu lado.

– Posso te chamar de Izzy? — ela me pergunta.

– Claro. — digo.

– Legal. Ei, amanhã temos que ir para um lugar com minha mãe. Você pode ficar com a Marlee?

– Posso. Onde vocês vão?

Anne fica em silêncio, mas depois fala.

– Luke morreu. Minha mãe não queria que Marlee fosse junto para o enterro, então quer deixar ela em casa.

– Marlee deve estar arrasada...

– Todos estamos, mas você não deve saber como é isso.

Sim, eu sei como é. Deve ser ruim perder uma mãe ou um pai, mas quando essa pessoa morre na sua frente, é muito mais difícil superar.

– O que temos de almoço, Alec? — grita Anne.

– Troquei a caça por um almoço completo! — grita Alec.

– Ótimo! — responde Anne.

Nos levantamos e vamos comer, uma comida boa, diferente da do castelo, ela tem um gosto bem mais caseiro.

Ao terminar de comer, as mesmas coisas, nada de mais, um dia qualquer. O céu parece ter escurecido, acabo adormecendo.

Sinto alguém me cutucar, acordo, o céu está totalmente escuro, Alec e Anne dormindo, Tobias está ao meu lado.

– O que foi? — pergunto.

– Quero te levar pra um lugar, comemorar seu aniversário.

– Que horas são?

– Já deve ser quase meia-noite.

Nos levantamos, ele me leva a um lugar lindo, cheio de flores que estão fechadas.

– Que lugar é esse? — pergunto.

– Meu lugar preferido da floresta, nem Alec nem Anne sabem daqui, é um lugar praticamente mágico.

– É lindo.

– Temos que esperar até meia-noite.

– Por que?

– É quando a mágica acontece.

Nos sentamos em uma pedra e ele me da uma metade de uma maçã.

– O que aconteceu na sua vida que você mais gostou? — pergunto.

Ele pensa por um momento.

– Quando meu pai e minha mãe me trouxeram pra cá. Era véspera do meu aniversário, então eu me apaixonei por esse lugar, eu adoro vir aqui. E com você? — ele diz.

– Quando minha mãe me trouxe pra floresta, na beira de um riacho, eu e ela cantamos juntas, é uma lembrança muito boa. — digo.

– Já deve estar na hora. — ele diz.

Ele me ajuda a me levantar, até que realmente acontece uma coisa mágica.

Todas as flores se abriram, flocos brilhantes começaram a sair delas, fico olhando, ando uns paços e toco no brilho, ela voa mais alto.

Tobias vem pra frente e pega na minha mão, olho para ele, e dou um sorriso, ele retribui. Andamos de mãos dadas, ele chega mais perto de mim, meu coração dispara, os brilhos estão aparecendo cada vez mais, fico de frente com Tobias, nossos rostos alguns centímetros de distancia.

– Obrigada. — digo.

– De nada. — ele responde.

Ele se aproxima, não recuo, os lábios dele encontram os meus, ele me envolve com seus braços, ficamos por ali um longo tempo, até que eu recuo.

– A gente devia voltar. — digo.

– Não quero voltar. Você quer? — ele diz.

– Nem um pouco...

Ele me beija de novo, uma sensação ótima, como se tudo tivesse voltado ao normal, como se tudo fosse diferente. Agora ele recua.

– Temos que ir mesmo, Alec e Anne podem perceber. — ele diz.

– Tudo bem.

Voltamos de mãos dadas, Alec e Anne ainda estão dormindo, Tobias me da um beijo novamente, rápido, gostaria que fosse tão lento como os outros.

– Boa noite. — ele diz.

– Boa noite.

Me deito e logo durmo, tenho um sonho novamente.

Mary agora está em um tipo de caverna, acorrentada, chorando.

– Me encontre Izzy! O tempo está acabando! Me encontre!

Ela começa a chorar, desesperadamente.

Notas finais
Espero que tenham gostado desse capítulo. ^^