The Last Hope

2 Capítulo 2


A festa está meio chatinha pra mim. Todos estão conversando com Mary, ninguém fala comigo. Aproveito e subo no meu quarto, pego o violão e vou para o jardim. Toco uma música que minha mãe e meu pai tocavam pra mim. Canto o refrão

Quando você encontra seu caminho

Tudo se encaixa

Todas as estrelas se alinham

A esperança nunca acaba.

– Você deveria estar na festa.

Me viro e vejo meu pai.

– Não estou muito animada — respondo.

– Está chateada?

– Não pai. Você sabe, eu não queria ser rainha.

– Achei que tinha cometido um erro.

– Como assim?

– Eu queria que fosse você. Mary será uma boa rainha, mas sinto que você seria melhor que ela.

– Não pai, não seria.

– Seria. Você é humilde, adora fazer as pessoas felizes.

– Mary também.

– Você é diferente. Acho que Mary não seria capaz de resolver problemas muito difíceis.

– Pai...

– Tudo bem, não falo mais sobre isso.

Ele sai do jardim, deixo o violão ao lado do banco e entro no salão. Mary está conversando com os príncipes dos 3 reinos que foram convidados. Um deles será o futuro marido dela.

– Izzy! — ela me chama.

– Sim, Mary?

– Venha conhecer os meninos!

Por que ela faz isso? Não quero um namorado! Sempre que os príncipes de outros reinos vem pra cá ela faz isso. Vou ao lado dela.

– Meninos, essa é a Isabelle, podem chama-la de Izzy.

– Ola Izzy. — eles respondem em coro.

– Oi... — digo baixinho.

Todos beijam minha mão e dizem a mesma coisa "Prazer em conhece-la".

– Izzy, esse é Jace. Ele adora musica como você!

Isso já me irritou! Por que ela fica tentando me arrumar um namorado?

– Qual instrumento você mais gosta? — ele pergunta.

– Gosto de piano e violão. — respondo.

– Eu prefiro violino.

– Legal.

Nós dois ficamos quietos, Mary entra na conversa, mas me deixa de fora, eu saio de perto e sento em uma cadeira.

A festa acabou e eu só fiquei sentada, todos os convidados vão embora e eu vou para o meu quarto. Lavo o rosto, tirando a maquiagem com um algodão, tiro e vestido e visto um pijama. Durmo rápido.

Acordo. Olho no relógio, são 4 da manhã. Estou com a garganta seca, saio do quarto e vou para o corredor tomar água. Quando viro levo um choque. Mary está deitada no chão do corredor com o pescoço sangrando. Está morta. Solto um grito e caio de joelhos ao lado dela. Guardas entram no corredor e também se assustam, eu estou gritando o nome de Mary, minhas lágrimas estão molhando todo o rosto dela, paro de gritar quando um guarda me levanta, ele diz alguma coisa mas não ouço, eles levam o corpo, acho que vão mostra-lo ao meu pai. O guarda que está me segurando me leva para o meu quarto, pega a chave e me tranca pra dentro, bato na porta mandando ele abrir, mas ele já deve ter ido embora. Sento na minha cama, meu rosto está encharcado, a imagem de Mary morta fica em minha cabeça.

Já são 6 da manhã e eu continuo chorando, ponho um vestido branco que vai até os joelhos e uma capa preta, a capa que era da minha mãe. Eu sempre ia na floresta com essa capa. Ouço um barulho, alguém destrancou a porta. Meu pai estra no meu quarto, corro para sua direção e o abraço.

– Pai...

– Vá embora e nunca mais volte! — ele me empurra.

– Como assim? O que está dizendo?

– Foi feita uma reunião e já sabemos de tudo. Você estava com inveja de sua irmã. Se queria ser rainha devia falar comigo!

– Pai? Eu não a matei! Eu nunca mataria Mary! Eu a amo mais que...

– Cale a boca! — ele me interrompe. — Você será expulsa desse reino!

– Pai...

– Não me chame de pai! Eu não sou seu pai!

Olho para ele e vejo. Em seu pescoço tem uma cicatriz. Pelo que me lembro ele não tem nenhuma cicatriz no pescoço. Uma imagem me vem a cabeça. Valentim! Valentim tem uma cicatriz no pescoço! Meu pai fez essa cicatriz. Bem que ouvi que ele podia assumir a forma das pessoas.

– Você não é meu pai mesmo, Valentim. — digo.

– Você é mais esperta que eu imaginava...

A aparência dele começa a mudar, ele deixa a forma do meu pai e assume a verdadeira forma dele.

– Você matou Mary! — Cerro os punhos.

– Sim eu matei. Mas foi a garota errada, preciso de você!

Ele pega uma faca e vem pra cima de mim, ele passa a faca bem em cima da minha cicatriz no braço, fazendo com que ela se abra. Dou uma joelhada em sua barriga e ele cai, corro pra fora do quarto com meu braço sangrando, corro pelos guardas e abro o portão. Não tem ninguém para me parar, todos estão vendo o que aconteceu com Mary. Abro o portão só um pouco e paço por baixo, corro em direção a floresta, meu braço está ardendo, caio na terra e meu vestido branco fica sujo, ponho o capuz da capa e me levanto. Corro o mais rápido que posso, lágrimas escorrem pelo meu rosto, não conheço esse lugar na floresta, já passei do rio que minha mãe, meu pai e Mary ficávamos. Sinto cheiro de fumaça, fico tonta. Vejo uma silhueta na minha frente, parece ser um garoto, mas a tonteira não deixa eu ter certeza.

– O que uma garota como você está fazendo aqui? — uma voz de um garoto fala, deve ser o que está na minha frente.

Ele se aproxima, desmaio em seus braços.