The Last Hope
3 Capítulo 3
Acordo. Estou deitada na grama, só me lembro que estava fugindo de Valentim e vi alguém. Meu braço está enfaixado, o ferimento já deve ter parado de sangrar. Sangue. A imagem de Mary volta em minha cabeça e começo a chorar, olho para o meu pulso e vejo a pulseira que ela me deu, está suja de lama. Foi por isso que ela me deu antes, acho que ela sentia o que iria acontecer. Não sinto que Mary está morta, sinto que ela ainda está aqui, em algum lugar. Me sento e abraço meus joelhos, não estou chorando tanto a ponto de soluçar, mas as lágrimas estão começando a me incomodar.
– Mais um pra alimentar... — A voz de uma garota, ouço passos.
– Anne! Ela pode ser útil. — Agora uma voz de um garoto, conheço essa voz.
– Só vai ser um peso morto! — a garota grita outra vez.
Os passos estão chegando perto, enxugo as lágrimas e fico sentada, abraçando os joelhos como um filhote indefeso.
– Acordou. Achei que estava morta. — o garoto diz.
Fico em silêncio.
– Vai morrer de qualquer jeito. A floresta não é um lugar para pobres crianças indefesas.
Solto meus joelhos instantaneamente.
– Não sou uma pobre criança indefesa! — grito.
– Claro que é! Se não fosse o Tobias você estaria desmaiada com seu machucado infeccionando. — ela diz calmamente.
Olho para o garoto. Deve ser Tobias, ele tem olhos azuis escuros, profundos, e também tem cabelos pretos.
– Obrigada pelo que fizeram. Vou embora agora podem ficar tranquilos. — digo, me levantando.
– Não, você não vai. — Tobias para na minha frente.
– Por que não? Sou só um peso morto não é?
– Não você não é. Sabe fazer alguma coisa?
– Tipo o que?
– Caçar, plantar, qualquer coisa que possa fazer nessa floresta para nos ajudar.
– Morrer... — Anne diz baixinho com um sorriso diabólico no rosto.
– Não sei caçar, mas sei usar arco e flecha.
– E como é sua mira? — Tobias pergunta.
– Eu me esforço.
Eles ficam quietos. Não quero dizer como são minhas habilidades com arco e flecha, meu pai me ensinou e muito bem, sou ótima com o arco e flecha, treinava ao vir na floresta.
– Cheguei com as frutas! — ouço o grito de um garoto, uma voz suave, diferente da de Tobias.
Um garoto chega por trás de mim e me empurra para o lado, ele joga várias frutas no chão.
– Então, Alec? — pergunta Anne.
– Teremos um jantar excelente hoje! — ele diz com um sorriso.
– Ótimo! Vou começar a assar a carne. — Anne diz.
Alec olha pra mim, como se não tivesse percebido que eu estava aqui antes.
– Quem é ela?
– Uma garota que encontrei por aí. Ela desmaiou e a trouxe pra cá. — Tobias se senta.
– Qual o seu nome? — Alec pergunta curioso.
– Isabelle.
– O mesmo nome da princesa. Espero que você não seja igual a ela. Metida, rude, idiota, manhosa...
– Na verdade eu sou ela! — grito alto e coloco a mão na frente da boca. Valentim deve estar atrás de mim e pode ter me ouvido.
Tobias, Alec e até Anne olham pra mim.
– Como você pode matar sua própria irmã? — Alec diz.
Valentim! Ele deve ter feito alguma coisa com meu pai e fingido ser ele, espalhou para todos que eu matei Mary!
– Eu não a matei! — grito novamente.
– Seu pai disse que matou...
– Ele não é meu pai!
– Quer dizer que sua mãe teve um romance fora do casamento? Que feio...
Dou um soco no rosto de Alec com foça, ele vai para trás e tira a mão do rosto. Está muito vermelho. Não vou pedir desculpas. Não tem como perdoar o que ele disse. Anne corre para ajuda-lo. Eu desvio o olhar e percebo que Tobias está olhando pra mim.
– O que você quer?
– Impressionante. Seus punhos são fortes, vai valer pra alguma coisa.
– Não, não vai.
– Você disse que sabe usar o arco e flecha. Vamos testar. Anne vou pegar seu arco.
– Nem pense nisso! Ela vai estragar! — Anne grita.
– Calma, ela não vai estragar.
Ele me da um arco e uma flecha, poe uma maçã em um tronco a 10 metros de mim. Quero acertar. Posiciono a flecha e puxo, solto. A flecha pegou no tronco. Eu errei? Desde os meus 10 anos eu nunca errei uma.
– Pode melhorar... — Tobias diz.
– Ela é péssima! Se não consegue acertar uma maçã como vai acertar um animal? Ela é inútil! — Anne diz.
Inútil? Eu não gosto de ser ofendida. Vejo um gambá, enquanto Anne e Tobias brigam, puxo a flecha, Tobias e Anne param e olham pra mim, acerto o bicho. Bem no olho.
– É impossível! — Anne grita.
Tobias vem atrás de mim e coloca a mão no meu ombro.
– Perfeito. — ele diz.
– Punhos fortes e boa mira. Ela é ótima! — Diz Alec levantado do chão.
– Até você Alec? Ela te bateu! — grita Anne.
– Foi um bom soco. — ele responde.
– Isabelle, você pode ficar com a gente se quiser. — diz Tobias.
– Tudo bem. Não tenho onde ficar. — digo.
Anoitece e todos vão dormir, menos Tobias que está montando guarda. Adormeço rápido.
Tenho um sonho. Mary está sentada em um campo com flores, usando um vestido branco, ela fica totalmente imóvel, mas depois fala:
– Eu estou aí Isabelle. Me encontre. Eu ainda estou aí.
Acordo. Me levanto e sento em um tronco. Tobias senta ao meu lado.
– Não consegue dormir? — ele pergunta.
– Não estou com tanto sono.
– Ah.
Ficamos em silêncio por um tempo.
– Você, Alec e Anne. Moram aqui? — pergunto.
– Mais ou menos. Alec e Anne são irmãos, meus pais morreram quando eu tinha 7 anos e a família deles me adotou. Crescemos e viemos pra cá, pois estava ficando difícil para Jocelyn e Luke, a mãe e o pai de Alec e Anne cuidar de nós quatro, então viemos morar aqui.
– Quatro?
– Jocelyn e Luke tiveram uma filha. Marlee, ela tem 10 anos agora.
– Eles não ficam preocupados com vocês aqui?
– Luke sabe, ele confia na gente. Jocelyn não sabe, ela acha que estamos morando em uma casa no reino.
– Entendi.
Meu olhos estão fechando.
– Vou dormir. Boa noite Tobias.
– Boa noite.
Deito no chão e durmo, sem pesadelos.
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