The Last Chance
3 Capítulo 3
– Eu pareço bem?
– Você tá ótimo, Nott... Mas a gente precisa chegar tão cedo mesmo?
– Precisamos, Blaise, e sem reclamações, por Merlin, parece uma velha coroca!
Nevava do lado de fora e eles iriam voando, por isso Blaise pegou sua vassoura e deu para Theodore.
– Você pilota, eu ‘tô com sono.
– Se você dormir vai acabar caindo e eu não ‘tô nem aí, hein?
– Impossível dormir nesse frio.
O frio realmente estava intenso e, mesmo agasalhados, os dois sentiam o vento frio entrar pelas vestes, mas a viagem foi mais rápida que o previsto e em menos de uma hora estavam parados em frente à Toca.
– Isso era pra ser uma casa? – Zabine riu zombeteiro.
–Se comporte, Zabine!
Nott bateu na borta ouvindo a barulheira vinda de dentro.
–Será que é ele? – ouviu uma voz feminina.
– O fofuxinho chegou, Mione? – disse uma voz que reconheceu como sendo de um dos gêmeos.
– Vá atender, Hermione!
Ele não esperava seu coração batendo tão forte quando a viu, nem o estômago todo retorcido. E com o choque foi ela quem falou primeiro:
– Ai, que saudade! – ela lhe deu um selinho rápido procurando seus olhos. – Você está bem? – perguntou segurando seu rosto. – Você se machucou? ‘Tá inteiro? Dormiu bem? Comeu? Você se hidratou? Sabe como é importante beber água, não sabe? – ela falava tudo rápido demais, sem se dar conta de que atropelava as palavras. — Você está pálido! O que aconteceu? É o frio? Entra aqui! – mas antes que ele desse um passo sequer ela o abraçou firme fazendo-o cambalear.
– Calma, Mione, eu estou bem! – ele a segurou firme.
O coração da castanha batia acelerado e as borboletas davam sinal de vida em sua barriga, ela o abraça com força com os olhos fechados e nada a preparava para o que veria quando os abrisse.
– Oi! – um garoto negro de olhos escuros acenava com o rosto perto do seu.
– Zabini?! – ela perguntou assustada se desvencilhando de Theodore.
– Acertou na mosca, Granger! Bem, aqui fora está meio frio, você se importa se eu entrar? – o garoto perguntou na cara de pau.
– C-claro, entra...
– Bem, Mione, eu trouxe o Blaise, surpresa! – Nott fingiu animação.
– E por que mesmo você o trouxe? – Hermione tentou controlar a irritação.
– Se eu tenho que passar um tempo com os seus amigos por que você não pode passar com pelo menos um amigo meu?
Hermione ficou em choque e suas bochechas começaram a ficar vermelhas por não encontrar uma resposta plausível.
– Hermione, venha cá, nos apresente o menino! – a Sr. Weasley a chamou tirando-a do constrangimento.
– Vem. – ela disse e se virou de costas em direção à cozinha.
– A gente vai se acertar, né? – Theodore a puxou pela mão virando-a para si.
O coração dela derreteu com o toque dele e sua voz macia em tom de poucas esperanças.
– Foi pra isso que eu vim, não?
– Claro que sim, amor. – ela se entregou quando ele a beijou de forma tão intensa, ela se esquecera de como seus lábios se encaixavam perfeitamente, como a boca dele era macia e tão... “beijável”, céus como ela sentia falta de seu toque.
– Uh-hum! – Blaise pigarreou ao lado. – eu vou indo pra lá ou espero você terminarem aí?
– Cala a boca, Blaise! – Theo resmungou e puxou Hermione para si novamente lhe roubando um beijo desesperado. – Eu senti sua falta... – ele respondeu baixo com a voz cortada, sem fôlego.
– Eu também. – a morena respondeu enquanto continuavam com as testas coladas.
Ali ao lado Zabine revirava os olhos de tédio. Céus, pra que tanta ‘melação’?
– Mione, — Gina chamou procurando a amiga. — vem aq... Ai, desculpa! Eu não sabia que vocês dois... – ela ruborizou de leve.
– Ainda bem que alguém, apareceu! Pode me tirar daqui, Weasley? – Gina olhou assustada para o garoto parado no canto do hall.
– Vocês não vão entrar? – Aarthur Weasley, a mulher e os filhos apareceram ali também estranhando a demora.
Hermione e Nott se desvencilharam para observar a cena. Céus o que aqueles dois sonserinas estavam fazendo no meio de tantos grifinórios? Aquele natal não seria extamente com Hermione pensara...
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Se Nott achava que passaria véspera de natal aproveitando ao máximo a namorada ele não tinha ideia do quão errado estava. A Toca estava nada mais nada menos que uma bagunça. As pessoas andavam de um lado para o outro ajudando na cozinha, montando a tenda do lado de fora, talheres flutuavam pela casa assim como diversos ingredientes, um falava mais alto que o outro e o cheiro proveniente da cozinha era inebriante.
Theodore e Blaise ainda estavam meio atônitos com tanta coisa acontecendo, os dois estavam escorados no batente da borta da cozinha vendo Hermione, Gina e Molly lançarem feitiços para todo o lado, a morena ao menos tentava fazer algumas coisas manualmente para diminuir a bagunçava, mas não parecia dar certo. Pela janela eles viam a neve cobrindo o gramado e os homens colocando as cadeiras e uma grande mesa no centro.
– Nott, Zabine, vocês podem ajudar a montar a tenda? Acho que eles não estão conseguindo. – Hermione pediu calma com massa de torta no cabelo.
Theodore assentiu e saiu para ajudar Arthur, Gui e Carlinhos; Harry e Rony não estavam à vista e Percy, Fred e Jorge só chegariam às cinco.
– Muito obrigado, meninos. Apontem suas varinhas, — Sr. Weasley bradou. – um, dois, três e já!
A tenda foi erguida sobre a mesa comprida repleta de cadeiras.
– Uau, muita gente, hein? – Blaise exclamou notando o número de cadeiras.
– Aham, além de todos nós Tonks e Lupin também virão.
Blaise não fazia ideia de quem era Tonks, mas tinha a leve impressão de que teve um professor chamado Lupin. Gina e Hermione os chamaram para ajudar com algo dentro da casa.
– O que aconteceu aqui?! – Nott perguntou assustado.
A cozinha estava mais bagunçada que antes, uma ‘massaroca’ estava espalhada pelo chão.
– Ai, meu Merlin, eu sou um desastre! – Hermione disse com lágrimas nos olhos.
– A Mione deixou cair a massa da torta de abóbora no chão e a mamãe já vai voltar, ela só vai surtar. – Gina explicou a situação.
Theo abraçou a namorada que controlava o choro quando Zabine caiu na gargalhada.
– Do que você tá rindo?! – a ruiva perguntou estressada.
– Isso tá uma bagunça! Como vocês pretendem arrumar isso? – ele perguntou sem conseguir parar de rir.
– Com a ajuda de vocês! – as bochechas de Gina ganhavam um tom avermelhado. – Para de rir, idiota! – a menina perdeu a paciência e pegou um pouco de massa do chão e jogou no garoto.
Zabini parou de rir imediatamente. Abaixou devagar, sério, sujou a mão na massa e lançou em direção à ruiva. Ela estaria completamente suja se não tivesse abaixado rapidamente, a massa acertou o casal abraçado logo atrás.
– Quem jogou isso? – Hermione perguntou furiosa.
Theodore estava tão irritado quanto a garota, viu um punhado de farinha e jogou na cara do amigo, infelizmente foi o cabelo de Gina que ficou completamente branco.
– Eu não acredito, Theodore!
A partir dali não se reconhecia mais ninguém, era massa para um lado, farinha voando pro outro, ovo sendo quebrado. Uma completa confusão.
– Zabini, você é um homem morto! – foi uma voz feminina quem gritou.
– Quem jogou esse ovo?
– Fala sério, óleo é apelação!
– A abóbora não! Tá acabando!
E no meio da falação uma voz sobressaiu.
– O QUE ACONTECEU COM A MINHA COZINHA?! – a senhora Weasley não parecia nada feliz. – Saiam daqui agora! Eu não quero ver a cara de vocês hoje!
Um por um eles saíram de cabeça baixa. Ao chegarem na sala ainda ouviam as reclamações da senhora Weasley.
– Como eles conseguiram estragar tudo em tão pouco tempo? Minha cozinha...
Os quatro se olharam e caíram na gargalhada, eles estavam imundos por nada!
– O que aconteceu com vocês? – Harry perguntou entrando na sala seguido de Rony.
E assim passou o dia vinte e quatro, com muita bagunça, falação, risadas e cheiros deliciosos.
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Hermione se aprontava no quarto de Gina junto com a ruiva.
– Mione, por que mesmo você não me contou que o Zabine vinha?
– Eu não fazia ideia, Gina! Mas eu não posso reclamar de nada, graças a Merlin o Theo está se comportando e está conseguindo controlar o amigo dele.
Sim, os dois sonserinos não aprontaram nada, exceto pelo incidente na cozinha, na verdade, estavam intimidados pela quantidade de ruivos e grifinórios no local. Já era quase meia noite e as pessoas desciam arrumadas indo para o quintal. Bem, o quintal era bem grande...
– Céus, Hermione, eu achei que nós nunca teríamos um tempo juntos!
Theodore e Hermione conversavam tranquilos sentados em um banquinho afastado do movimento.
– As coisas aqui na Toca são assim mesmo, mas eles são divertidos, não?
– Eles são tudo menos quietos. – ele respondeu sorrindo.
Theo abraçava Hermione que apoiava as costas no peitoral do namorado.
– Agora entendeu por que eu gosto tanto deles?
– Na verdade agora mesmo é que não sei! – ele disse brincalhão recebendo um tapa da castanha. – Ai, eu ‘tô brincando, eles são legais sim.
– Viu? E o Blaise também não é tão ruim quanto eu imaginei.
– Agora a gente pode parar de falar deles e fazer outra coisa? – ele sorriu malicioso.
Hermione sorriu de volta virando-se para ele, mas eles mal haviam encostado os lábios e alguém pigarreou.
– Estou atrapalhando? – Fred sorriu maroto.
– Não, imagina... – Theodore resmungo ficando sério.
– A mamãe está chamando pra ceia e, a propósito, vocês viram a Gina?
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Gina sabia que Hermione iria querer um tempo a sós com o namorado, por isso desceu logo após a amiga e distraída acabou trombando com Blaise.
– Ai, desculpa, nem te vi! – ela disse sorrindo.
– Eu que tenho que pedir desculpas, eu te vi, mas fiquei tão impressionado com a sua beleza que não percebi que estava tão perto. – ele sorriu maroto.
Ela ruborizou levemente, mas não se deixou levar por suas palavras e arqueou uma sobrancelha.
– Não precisa jogar esse seu charminho pra mim, Zabine. – respondeu confiante o ignorando e indo para a cozinha.
– Por quê? Você já ficou encantada?
– Há, há, há! – disse sarcástica.
– Então preciso me esforçar mais. – ele disse segurando-a pela cintura.
Gina realmente não esperava por isso e nem ao menos conseguiu formular uma resposta boa, só ficou abrindo e fechando a boca sem dizer nada realmente.
– Bem, foi fingir que isso foi um sim. – ele sorriu e a soltou tão abruptamente quanto antes. – Vamos para o quintal? – ele perguntou fingindo que nada tinha acontecido.
– Claro... – a ruiva respondeu ainda chocada com tanta atitude.
Ela o seguiu com os pensamentos longe e não percebeu que ele a levara para um canto mais escondido.
– Agora estamos mais à vontade. – ele a envolveu mais devagar pela cintura e sussurrou em seu ouvido sorrindo malicioso. – Eu não vou fazer nada que você não queira, ruiva.
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– Temos que achá-los, Nott! Se algum dos familiares os pegar juntos... Eu não quero nem pensar! – Hermione e Nott corriam de mãos dadas pelo quintal procurando Blaise e Gina.
– Ali, Mione! Atrás daqueles arbustos!
– Oh. Meu. Merlin!
– Blaise!
Gina e Blaise estavam aos beijos sentados na grama, quando ouviram o grito de Nott se separam assustados.
– Vocês estão loucos? Daqui a pouco todo mundo vai ‘tá procurando vocês!
Gina levantou se recompondo com as bochechas ruborizadas.
– E qual o problema? Eu tenho cara de puritana agora? – a ruiva saiu de cabeça erguida sem olhar para trás.
– Uau, eu gostei dela. – Zabini a seguiu sem dar satisfação ao casal espantado.
Hermione e Theodore se olharam e riram da situação enquanto voltavam andando de mãos dadas.
– Então isso quer dizer que estamos bem, né? – Nott a abraçou apoiando o queixo na cabeça dela.
Tonks e Lupin tinham acabado de chegar, então eles dois ficaram separados num canto.
– Estamos. Mas Theo eu... Eu tenho que dizer que nem sempre vou escolher você. – ele a encarou sem entender. – Eu posso ser, na verdade até já me considero, sua família, mas você sabe que eu me importo com eles também, eu estarei com quem precisar mais de mim e hoje eu estava conversando com os meninos e... A guerra ‘tá aí, o Harry vai precisar de mim, mesmo que ele negue, e eu vou estar lá quando ele precisar. Então talvez, mesmo juntos, nós dois não estejamos sempre perto um do outro... Não até tudo isso acabar. – ela finalizou triste.
Theodore demorou a responder, já não a olhava nos olhos mais. Ele entendia, entendia perfeitamente seu ponto de vista, mas não gostava de pensar que eles poderiam ficar tanto tempo longe um do outro.
– Eu entendo. – ele a abraçou forte. – Acho que consigo suportar isso...
– Venham, já é Natal! – Gina gritou sorridente.
A barulheira aumentou ainda mais e o senhor Weasley lançou luzes vermelhas e douradas no céu comemorando o início do dia vinte e cinco.
– Feliz natal, amor. – a morena sorriu e lhe deu um beijo longo.
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