The Last Chance
7 Capítulo 6
Notas iniciais
Minha visão se ofuscava a medida do despertar, encolhi-me ao máximo na cama tentando aproveitar mais um pouquinho da quentura dos lençóis. Uma manhã fria, preguiçosa e que convidava-me a cada instante para permanecer ali, mas eu não podia, tenho que ir para aquela maldita empresa e dar ordem a aqueles funcionários idiotas.
Levantei em um só pulo, espreguiçando-me e caminhando lentamente até o banheiro. Encarei a minha imagem no reflexo do espelho por alguns segundos, coloquei as mãos em forma de cunha debaixo da água e depois as levei até o rosto, escovei os dentes e voltei ao quarto, já pensando na roupa que usaria.
Apanhei no fundo do closet uma saia preta e uma camisa acetinada, de cor cinza. Subi o zíper da saia lentamente, vendo-a se emoldurar em meu corpo da maneira que eu mais gostava, justa. Coloquei a blusa logo depois, fechei todos os botões, exceto os dois últimos, onde deixei a renda do sutiã aparecer de leve, apenas para causar uma sensualidade no look.
Caminhei vitoriosa até a penteadeira e comecei a maquiagem de sempre, básica até certo ponto, mas que fazia toda diferença quando os meus lábios ganhavam uma cor avermelhada, tão intensa quanto sangue. Por fim, calcei um par de louboutin pretos e desci as escadas, agarrando a bolsa junto com o casaco encima do sofá e saí, trancando a porta atrás de mim.
Como de costume, nunca tomava café em casa, não consigo olhar muito tempo para aquelas imensas paredes e apesar dos meus longos vinte e nove anos, o silêncio do local me assustava. Tinha dias que pensava em comprar um cachorro ou algum animal que me fizesse companhia, mas depois vi que só vou para casa para dormir, ou seja, o pobre bichinho também se sentiria sozinho.
Estacionei o carro na garagem interna do prédio, cumprimentando o porteiro apenas com um aceno e segui para as catracas. Pela pressa e desatenção total só fui perceber as horas quando entrei na caixa de metal, cedo demais. Quando destranquei a porta foi inevitável não soltar um sorriso no rosto ao encontrar uma loira debruçada sobre a mesa, parecendo tirar uma soneca. Fechei a porta lentamente para não fazer barulho e caminhei o mais silenciosamente possível pelo corredor, aproximando-me do corpo dormente.
— Bom dia, Miss Swan. – sussurrei em seu ouvido.
No susto a mulher jogou a sua cabeça para trás, que veio de encontro com o meu rosto. Tive que me apoiar na mesa, sentindo dor pela pancada.
— Aí Emma!
— Regi-na... Ai meu deus, me desculpa! – ela se levantou rapidamente, chegando bem perto e analisando-me com cautela. – Ah que droga, olha o que eu fiz! – não queria deixar escapar o sorriso ao ver toda preocupação, então fechei a cara de vez. – Deixa eu ver isso!
Sem ao menos esperar resposta, senti seus dedos abraçarem o meu queixo, levantando-o para que ela visse se o estrago havia sido muito grande, no fundo eu sabia que não, caso contrário, Emma Swan não estaria mais em minha frente. Olhei naqueles olhos esverdeados, que analisavam a minha face com cuidado. – Eu estou bem, Swan. – disse.
Emma como se tivesse voltado ao nosso mundo retirou suas mãos e deu um passo para trás, com as bochechas coradas ela buscava as palavras. – Eu não tive a intenção. Me desculpa mesmo.
— A audácia foi minha de chegar tão perto... – o passo que ela tinha dado para se manter distante eu acabei apagando-o, ficando bem rente ao seu corpo. Sorri ao notar o ritmo de sua respiração aumentar. – Está tudo bem, Miss Swan? – perguntei quase em um sussurro.
— Est-á... Estou – engoliu seco.
— Está nervosa, Miss Swan? – dessa vez ela não falou, apenas balançou a cabeça negativamente. Mordi os lábios. – Estamos sozinhas?
Percebi que ela havia travado, então, eu já tinha a minha resposta. Estamos a sós. Emma lambeu os lábios, mordendo-os quando sua cabeça começou a se movimentar para frente, me afastei lentamente quando percebi o que de fato iria acontecer. Dei às costas para ela, olhando-a por cima dos ombros. – Iriei colocar gelo nisso daqui, antes que meus funcionários pensem que eu fiz algo impróprio. – dei ênfase à última palavra, vendo ela ainda mais vermelha. – Se estiver livre nos próximos dez minutos, vamos à cafeteria aqui do lado... É por minha conta. – sei o que ela faria e ansiava por isso, mas se realmente quiser, terá que pedir com todas as palavras.
— O-ho não... Eu já tomei café. – ajeitou a jaqueta vermelha, jogando o longo cabelo para o lado. – Obrigada, Srta. Mills.
— Ora, Swan... não seja modesta, aliás, você quase quebrou o meu nariz, seria uma forma justa de se desculpar.
Ela sorriu pela primeira vez desde que cheguei, um sorriso digno para se capturar em uma fotografia. – Tudo bem, dona. Mas eu pago.
— De maneira alguma, eu estou convidando-a. – abri a porta da minha sala, esperando a conversa terminar para entrar.
— Regina. – corrigiu-se. – Sra. Mills sou eu quem preciso me desculpar, então eu pago.
Emma usou um tom autoritário, estranhei, mas não remediei e assenti com a cabeça, vendo-a sorrir novamente.
Deixei a minha bolsa no mini sofá, retirando o casaco e correndo para pegar a Bolsa de Gelo no freezer. Senti a pele queimar por um instante, mas logo relaxei quando o frio estancou o incomodo onde a cabeça de Emma havia batido. Fiquei ali no máximo cinco minutos, peguei a minha carteira, mesmo ela dizendo que pagaria e saí da sala.
Encontrei Emma dispersa mais uma vez, mas não queria assustá-la, então forcei o salto e o barulho chamou a sua atenção, fazendo-a se virar para mim de imediato.
— Vamos. – indaguei, esperando ela se levantar.
— Vamos. – respondeu simplesmente, dando passagem para que eu fosse em sua frente.
Depois de alguns passos, Emma ficou felizmente ao meu lado, ainda tímida ela tinha suas mãos abraçadas uma nas outras em frente ao corpo, desviando os olhos em um canto qualquer. Chegando ao elevador, permiti que ela entrasse primeiro e assim, apertei o botão para descermos.
Pude ver pelo movimento impaciente de seus olhos analisando o painel dos números que ela se lembrava exatamente do que havia acontecido há dois dias, e claro, eu também lembrei.
Era engraçado vê-la daquela maneira, nervosa, constrangida e ao mesmo tempo vendo o desejo correr por aquelas córneas de cor tão intensa. Encostei-me em uma das paredes, colocando o braço na frente do busto e olhei-a de maneira que ela não conseguisse desviar.
— O que foi? – perguntou sem jeito, logo corando.
— Nada. Estou apenas te olhando. Não posso?
— Po-d-ê, mas... mas é que...
— O que, Srta. Swan?
— É estranho, você é estranha. – Emma abaixou a cabeça, supostamente pensando no que acabara de dizer. – Digo... Ficar encarando as pessoas não é uma coisa muito legal. – olhou-me novamente, abrindo um sorriso curto nos lábios.
— Tem razão, Swan... Mas é complicado não encarar...
— Como assim? – franziu o cenho.
— Deixa pra lá. – falei e logo ouvi a campainha familiar, indicando as portas de metais se abrirem. – Então, está pronta para conhecer um dos meus lugares favoritos? – ela assentiu com a cabeça, saindo para fora do elevador.
Sabia que ela estava curiosa pela minha resposta, mas como eu disse, não irei força-la a nada, faria ela chegar aos meus pés.
Como a loira havia ido a minha frente, não resisti, tive que analisar cada parte bem apresentada. Suas pernas torneadas emolduradas em um jeans preto, justo o suficiente para deixar claro o quanto aquele corpo seria perfeitamente esculpido, a regata branca que usava embaixo da jaqueta vermelha, um gosto bem peculiar se posso dizer, não tapava aonde os meus olhos se repousaram, sua bunda, perversa e deliciosamente palpável. Mas me controlei, não iria agarrá-la de novo, tenho limites e meu ego sabe me controlar muitas vezes... Porém olhar... olhar não arranca pedaço, não é mesmo?
O local que geralmente costumava ser lotado, hoje por incrível que pareça estava vazio, onde apenas eu e Swan éramos clientes ali.
— Sra. Mills. – disse Ruby, a atendente, neta da dona.
— Sra. Lucas. – cumprimentei-a com um sorriso, onde ela respondeu da mesma maneira. – Um café bem forte, por favor. – olhei para Emma. – E você, como gosta do seu café?
— Na verdade, um chocolate quente com um pouco de canela, seria ótimo. – sentou-se na bancada, sorrindo para a morena em nossa frente.
Ruby a qual eu já conhecia de longa data, não perdeu tempo, foi logo se engraçar para cima da outra, aproximando-se de uma maneira vulgar. – Chocolates quentes são para as crianças, Emma. – interrompi aquela troca de olhares, sentindo uma reviravolta estranha em meu estômago.
— Ah mas de criança... ela não tem é nada. – fuzilei a morena com o olhar, que ao menos percebeu, deixando-me ainda mais incomodada.
— Ruby, por que você não vai preparar os nossos pedidos? Estamos com pressa, hum. – interrompi mais uma vez, sendo realmente rude para acabar com o que quer que fosse aquilo.
A garota de mechas vermelhas me olhou assustada e logo sumiu para dentro da cozinha. Emma por sua vez, segurava um sorriso no rosto. – O que é? – ao invés de me sentar ao seu lado, joguei-me em um dos bancos afastado da onde ela estava.
Swan logo se juntou a mim, ainda com aquela expressão que eu não entendia. Cruzei as pernas por baixo da mesa e comecei a encara-la, como havia feito há poucos minutos no elevador.
Minutos corriam feito água em riachos, mas nenhuma de nós duas queria quebrar o silêncio e me arrisco a dizer que ela estava gostando daquilo, pois não parava de sorrir e amaciar os seus cabelos.
— Diga logo. – falei já irritada, não aguentando mais aquele jogo.
— É impressão ou senti alguma tensão entre você e garçonete por minha causa?
Não vou confirmar isso pra você querida, não da maneira que pensa.
— Por sua causa? – gargalhei falsa. – Não querida, Ruby... e eu. É, apenas não gosto de ver pessoas que já foram minhas flertando na minha frente.
Swan empalideceu por completo, aposto que essa não era a resposta que ela queria. Matei seu adorável ego. Como eu amo fazer isso.
— Ela é tão selvagem... Meu de-us. – passei a língua entre os lábios, olhando em direção à cozinha.
— Você já fez...com ela? – com muito esforço consegui ouvi a sua pergunta.
Com um gesto pedi para que ela chegasse mais perto, então me levantei um pouco, ficando com quase toda a minha barriga sobre a mesa. – A pergunta que se encaixaria melhor... Quem já não esteve comigo, Miss Swan?
— Ah... – Emma voltou a se sentar como estava, olhando a jovem garota se equilibrando para trazer as canecas com os líquidos fumegantes.
— Aqui está Regina. Forte como pediu. – colocou uma delas perto de mim e a outra, empurrou para Emma. – E aqui, seu chocolate quente linda.
O sorriso que Emma deu não foi igual ao primeiro, foi seco, como se ela perdesse toda graça depois do que eu disse. Agradeci Ruby e toquei de leve em seu braço, notando pelo canto dos olhos a loira inquieta.
— Qual é a graça? – perguntou depois de um tempo.
— Do que exatamente? – tomei mais um gole, encostando-me no apoio do assento.
— De ficar com uma a cada dia? – percebi pelo tom o seu julgamento.
— As mulheres, todas são diferentes. Cada uma lhe proporciona uma coisa a mais, outras até menos... Eu só gosto de experimentar... – pisquei. – Eu adoro experimentar. Sou solteira.
— Impagável isso. – respondeu com desdém, bufando.
— Você é heterossexual? – fui direta.
— Por que eu deveria responder essa pergunta?
— Por que eu acabei de te responder uma coisa bem pessoal, não foi? – sorri.
— Não. Sua sexualidade é exposta por todo canto daquela empresa, não é pessoal, todos já sabem o que você faz. – debruçou-se sobre as mãos. – E a minha, só interessa a mim, só eu sei.
— Uau. – o tom usado, a maneira como ela processou aquelas coisas, isso me irritou, me intrigou. – Guarde pra você então, Miss Swan. Já vou indo. Termine o seu chocolate e em vinte minutos o seu turno começará.
Deixei o dinheiro que pagaria a nossa conta, colocando-o sobre o balcão e piscando para Lucas, saindo sem olhar para trás.
Quando cheguei a minha sala, tranquei a porta e sentei-me no mini sofá. Joguei a minha cabeça para trás e respirei profundamente até que a batida na porta me fez suspirar de raiva.
— Estou ocupada. – gritei.
— Regina... Abre aqui.
Ah Emma, me deixa em paz.
Levantei com todo esforço e abri a porta, dando passagem para que ela entrasse.
Quando fechei o objeto de madeira, fui arremessada para o mesmo. Sentindo o corpo de Emma Swan colado ao meu, prensando-me com toda força. Minhas mãos foram presas as suas na porta, encima da minha cabeça, o seu busto tocava o meu, seus olhos se suspendiam pelos meus, a respiração entrecortada anunciava algo e mal tive tempo para reagir, a loira “certinha” abocanhou os meus lábios, sugando-o de maneira intensa.
O beijo que poderia durar mais foi quebrado e, aqueles olhos pairaram sobre os meus novamente. – Essa é a resposta para a sua pergunta.
Emma Swan me libertou e antes de passar pela porta, sorriu e lançou uma piscadela, deixando-me confusa com o que faria com ela depois desse momento...
Você não sabe com quem está mexendo... Miss Swan...E se soubesse, com certeza não entraria nesse jogo...
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