The Last Chance
8 Capítulo 7
Notas iniciais
Aí meu deus, ai meu deus o que foi que eu fiz?! – despejava toda a minha confusão encarando-me no espelho do banheiro. A minha vontade era soca-lo, mas aquilo faria muito estrago, então com toda força que tinha, esmurrei o concreto acima dos azulejos; e no gemido de dor, senti todos os ossinhos da mão latejarem entre si.
Ouvia o “tum” do coração entalado na garganta, minha boca ainda salivava o sabor adocicado de Regina, a mente não parava de processar o momento que me fiz fraca, desesperada pelo desejo evidente da carne. Tentei mais do que os neurônios pudessem aguentar, mas não conseguia explicar para o meu próprio consciente o porquê havia beijado aquela mulher, o motivo que deixou tal corpo prensado ao meu com aquele busto avantajado, despido e coberto ao mesmo tempo por uma lingerie preta rendada. Aquela mulher sedutora, cheia de malicia e que eu deveria manter-me distante; não tocar, não roçar, não sentir e, não beijar.
Depois de muito pestanejar, tracei o caminho para a minha mesa com a mão dolorida. Quando a sala que eu havia estado há poucos minutos se aproximara, respirei fundo e levantei a cabeça, andando como se nada tivesse acontecido. Pelo canto dos olhos vi a Srta. Mills dispersa com alguns papéis nas mãos, notando que passaria sem ser vista. Obrigada, deus!
O dia foi passando e devido às inúmeras ligações, não vi e nem pensei mais em Regina. Troquei poucas palavras com Belle, pois ela também tinha muitas coisas para fazer. Já Graham, me encarava de longe o tempo todo com um sorriso galanteador, me deixando irritada e de bochechas rosadas.
Será que Regina não o atarefava com coisas que não envolvessem o seu café-da-manhã?
O que me faz lembrar que essa manhã ele não trouxe ninguém.
“Só tome cuidado para não ser você o café...” – A voz de Belle invadiu a minha mente, lembrando-me do aviso que ela me deu no meu primeiro dia ali.
Não, não, não e não! Foi só um beijo, quer dizer dois, não interessa! Isso não vai acontecer. Sorri convicta, fixando a ideia na minha mente e continuando a prestar atenção no relógio, contando os longos cinco minutos que faltava para eu ir para casa.
— Emma, a Regina está chamando você na sala dela.
— O quê? Pra que? Por quê? – disse em um só folego, nervosa só de ouvir o nome da morena.
— Ai como eu vou saber, Emma? Ela só disse que quer você lá.
Se eu negasse a ir, é errado, por que Regina ainda é a minha chefe. Se eu fosse, sabia que o assunto a ser tratado com certeza não teria nada a ver com a empresa, teria a ver com o que aconteceu mais cedo.
Com toda coragem que já não existia, respirei fundo, peguei a minha bolsa e comecei a caminhar até a sala da mulher. Agarrei a maçaneta com a mão que não estava machucada e a girei, entrando na sala e procurando por Regina.
— Sra. Mills. – falei um pouco mais alto, vendo a sua cadeira vazia.
Um passo por vez até ficar com o corpo todo dentro da sala, engoli seco quando não me dei conta que ela estava atrás da porta e somente ao fechá-la por completo, consegui ver aqueles olhos castanhos me fitar em uma insanidade sem fim.
Como se eu pagasse na mesma moeda, antes mesmo de poder resistir, Regina tinha-me sobre a porta, prensando-se a mim exatamente da mesma maneira, porém, ela não prendeu as minhas mãos, pois usou as suas para segurar o meu quadril com ganância. Infiltrou uma de suas pernas em meu meio, raspando sua coxa torneada lentamente onde a pulsação era ainda maior. Segurei os lábios entre os dentes, interpretando aqueles olhos tão próximos e tão escuros.
As mãos da mulher não paravam e quando ela sorriu, apertou o meu centro por cima do jeans na sua palma com força, me fazendo arfar e um gemido a escapar.
— Não... – apertou mais forte. – Brinque... – roçou os dedos, empurrando-os para frente e para trás. – Comigo.
Ameacei a tocar o seu corpo, mas com apenas uma mão ela me prendeu dessa vez, apertando novamente a minha fenda com a outra. Quando Regina juntou as duas mãos bruscamente, os gemidos de dor e de prazer acabaram se misturando, pois meus dedos ainda estavam inchados pelo soco que arremessei contra a parede do banheiro.
Mas nem isso a parou, os movimentos me atordoavam e a respiração entrecortada anunciava que a qualquer momento eu poderia chegar lá. Regina sabia o que estava fazendo, ela apertava e roçava ao mesmo tempo, onde a calcinha entrava em atrito com o meu broto úmido.
— Ahh, Sr-aa Mi-ills. – gemi baixinho, acompanhando seu toque com o quadril.
— Estamos... – ela retirou a mão da onde me causava arrepios e começou a se afastar, soltando-me aos poucos. – Entendidas, Miss Swan?
Com o peito subindo e descendo cada vez mais rápido, afirmei com a cabeça, sentindo minhas entranhas protestarem com o término das ações da mulher.
Regina ajeitou a sua saia e fechou dois botões da camisa, que de certo abriu com a sua aproximação feroz. Não pude deixar de olhar novamente, vendo seus seios quase que por inteiros no sutiã preto. Estremeci instantaneamente, ainda parada da mesma maneira que ela me deixou.
— Mais alguma coisa, Srta. Swan? – perguntou sorrindo.
Em um súbito susto, arrumei a minha regata e saí da sala, sem ao menos olhar para trás. O que parecia ter durado uma eternidade, não durou nada menos do que os cinco minutos que teria para ir embora.
Com a cabeça ainda mais lotada do que antes, contava os passos e os quarteirões até em casa e jurava que se encontrasse uma parede agora, não iria apenas soca-la, mas a destruiria por completo.
Não sei decifrar por que não resisti à sua atitude, à sua aproximação tão semelhante a minha, porém havia uma única diferença entre ambas ações, Regina me provocou em um lugar que há um bom tempo eu não deixava ser tocado, lugar que grunhiu com o toque da morena e me entregou tão facilmente para ela.
Preenchi meus pulmões com o máximo de oxigênio que consegui e destranquei a porta de casa, entrando e subindo para o meu quarto rapidamente.
— Emma é você? – a voz de Branca me fez parar no meio das escadas.
— Quem mais seria? – balbuciei, levemente irritada. – Onde está o Henry?
Comecei a subir novamente.
— Está na banheira, ele queria brincar um pouco com as bolhas, mas já ia tirá-lo. – apareceu no final da escada, com um pano de prato encima dos ombros, provavelmente estava cozinhando o jantar.
— Pode deixar, eu tiro ele. – respondi com um sorriso raso, chegando ao hall.
— Emma, tá tudo bem?
Branca me conhecia, mas ao menos consegui admitir para mim mesmo que aquilo havia acontecido, imagina para ela.
— Estou bem, só cansada. – respondi sem olhá-la novamente, seguindo pelo corredor até encontrar a porta do banheiro.
Quando entrei, fui surpreendida por olhinhos dispersos em uma banheira cheia de espuma. Aproximei-me um pouco do garoto, sentindo suas mãos pequeninas ao redor do meu pescoço, quase me colocando ali dentro com ele.
— Mamãe! – sorriu quando me soltou, afundando e levantando, jogando água por todo lado.
— Henry! Não faz assim! – repreendi-o, vendo o piso do local todo escorregadio. – Faz quanto tempo que você está aqui?
— Não sei, a Sra. B disse que podia. – falou temeroso, como se eu estivesse pronta a dar lhe uma bronca.
— E você pode meu amor. – passei as mãos pelos fios soltinhos de seu cabelo. – Me deixe ver seus dedos?
Ele sorriu e escondeu as mãos atrás das costas, ele sabia o que aquilo iria significar.
— Vamos... deixe-me vê-los.
— Ahhh, mas eles ainda não estão...
Semicerrei os olhos e ele esticou os braços.
— Enrrugadinhos... – respondi sorridente. – Vamos macaquinho, eu vou pegar o seu roupão.
Levantei e fui até o quarto dele, pegando o tecido felpudo e voltando ao banheiro. Abri-o, esperei com que Henry levantasse e o abracei, suspendendo-o em meu colo. O corpo gelado foi se amortecendo e se esquentando, onde ele descansou a cabeça em meu ombro, fazendo meus olhos se fecharem e aproveitarem o momento tão doce com meu filho.
Depois de trocá-lo e deitar-me ao seu lado, esperando o seu sono chegar, me peguei observando aqueles olhos castanhos, vendo o sorriso meigo e calmo que ele abria hora ou outra. Henry lembrava o pai e por mais que a recordação doesse, amava-o com toda a minha alma, meu filho, minha vida.
O garoto nunca teve problemas para dormir e hoje, não foi diferente. Subi os cobertores até seu peito, soltando um beijo em sua testa e deixei o quarto, querendo mais do que tudo, um banho para relaxar.
Nunca gostei de usar a banheira, mas hoje estava tão carregada que decidi sentar-me sobre a água morna e deixar com que o processo de relaxamento começasse instantaneamente. Fechei os olhos, desacelerei a minha respiração e aproveitei o silêncio para acalmar a mente inquieta, cheia de momentos e coisas que por um momento eu queria esquecer.
Deixaria o tempo levar? Deixaria com que aquelas coisas acontecessem? Por que eu? Onde aquilo ia parar? E depois? Seria descartada, como todas? Sirvo pra isso? Consigo aguentar? Eu gostei? Deveria gostar?
Tantas perguntas sem respostas, tantas dúvidas, estou na forca.
Um pouco mais tarde, depois de comer e ao mesmo tempo me livrar das perguntas da minha amiga, principalmente pela mão arroxeada, voltei ao meu quarto e resolvi repor as minhas energias, saltando na cama e contando até que o sono me abraçasse e me levasse além daquele quarto.
Uma manhã em meio à névoa, onde os dedos mesmos protegidos congelavam, os ouvidos sofriam com o forte assovio do vento e os lábios rachavam com o frio intenso nas ruas. Andei o mais rápido que consegui, mas não por que estaria atrasada, entendi mais do que bem que Regina Mills não suporta atrasos, e sim o fato de estar sob um local mais aquecido.
Passei pelas catracas silenciosamente, seguindo para o elevador com um grupo de pessoas, funcionários de outros setores. Bom, pelo menos eu sei que não estou tão antecipada como no dia anterior. Porém aquela alegria não duraria muito, pois ao entrar na sala vi que estava sozinha novamente, ou melhor, apenas uma luz iluminava o local, luz que vinha da sala de Regina.
Queria voltar e esperar até que todos chegassem, mas também queria ficar e ter a oportunidade de deixar claro que ela não tinha o direito de me encurralar daquela maneira, que mesmo depois de beijá-la e não fazer absolutamente nada contra, não significava que aquilo iria continuar, que ela poderia abusar de mim como fez.
Tomei coragem e pisei firme, jogando a minha bolsa na cadeira e traçando o caminho até a sala de Mills. Com um nó entalado na garganta e as pernas tremendo, dei um toque com as costas dos dedos na porta, apenas para ela saber que eu estava ali.
— Miss Swan. – olhou-me por cima dos óculos.
— Oi, Regina. – disse sem ânimo. – Podemos conversar?
— Sabia que viria. Entre. – fez um trejeito, chamando-me para dentro.
— Então... – olhei para as minhas próprias mãos, suspirando e encarando-a novamente. – Sobre o que aconteceu ontem...
— Hum... – retirou aqueles óculos e encostou-se na cadeira.
— Enfim, eu não posso fazer isso, tá? – suspirei. – Como eu disse, se quiser com que eu continue trabalhando aqui... Isso não pode mais acontecer. Você é linda. – droga eu não deveria ter falado isso. Ela sorriu. – Mas eu não estou disponível para esse tipo de coisa. Talvez eu tenha te passado uma impressão errada quando permiti ou mesmo, te... – minhas bochechas estavam queimando. – beij... Er... quando eu fiz aquilo com você depois que voltamos do café, mas foi... Foi sem querer...
— Para. Para agora, Miss Swan. – elevou uma das mãos.
— O que? – franzi o cenho, ainda mais envergonhada do que antes.
Ela não deveria ter me interrompido, onde irei arrumar forças para continuar?
— Ninguém beija o outro sem querer, assuma o que fez. – Regina parecia irritada. – Se você não quer, não provoque. Esse é o meu jogo, ação e reação. – limpou a garganta, olhando-me da cabeça aos pés. – Não lhe obriguei a fazer nada, poderia ter se desvencilhado de mim e ter ido embora, mas você não foi. Não jogue a culpa em cima dos meus ombros, você gostou... só não consegue admitir...
— Eu não te provoquei! – resmunguei, estranhamente chateada pela maneira que ela falou. – Quem você pensa que é para saber se eu gosto ou não de uma coisa?
— HAHAHA. – gargalhou. – Como não? Me jogou contra a porta...
— Olha... quer saber... – bufei. – Eu não quero mais discutir isso! Vou voltar para a minha mesa, se não estiver contente com o meu trabalho, me demita, mas não irei ficar falando coisas que me deixam... Ugh... Passar bem, Regina!
Bati a porta com força, sentindo os punhos se fecharem naturalmente. Pisei firme por todo corredor até encontrar a minha mesa, sentei-me na cadeira e apertei os olhos, notando o quão meu coração estava acelerado.
“Se não quer, não provoque.”
“Esse é o meu jogo.”
“Ação e reação.”
Suas frases ficaram se repetindo em minha mente, mal consegui pensar em outras coisas durante todo o dia. Sempre quando Regina se aproximava, apanhava o telefone e desviava do seu olhar, sabendo que se mantivesse a conexão, me perderia e voltaria ao estado de antes; enfeitiçada.
Ela pareceu não gostar do que ouviu, ou simplesmente já estaria de mau humor quando eu cheguei, pois ao menos Graham recebeu a sua divina atenção. Me esforcei um pouco para não transparecer a fúria e confusão que me tomavam para Belle, e não foi tão difícil, ela ficou de conversa quase a manhã toda com alguém no telefone, nome que ela mantinha em segredo e eu claro, não insisti, respeitaria a sua privacidade.
Encarava o teto, sem nada para fazer e esperando que as horas se completassem quando senti uma mão pousar no meu ombro esquerdo. Assustei-me e tive que segurar o grito, olhando para a Srta. Mills parada de braços cruzados em minha frente.
— Estará aqui amanhã? – perguntou séria, com uma expressão nada amigável.
— Se você ainda me quiser somente como sua assistente, sim. – respondi no mesmo tom, levantando e cruzando os braços da mesma maneira na frente do busto.
— Pois bem, Emma. Se é isso que deseja, assim será. – respirou fundo e começou a se afastar em direção à saída. – Só não se arrependa depois! – sorriu cinicamente.
— Não se preocupe, Regina... Tenho total consciência e sei que isso nunca irá me agradar...
— Cuidado com as palavras, Miss Swan... Nunca é muito tempo...
— No seu caso, é o essencial...
Deu de ombros e fitou-me, sorrindo ao fechar a porta e sair de vez.
— Que hoje tenha sido a ultima vez, Sra. Mills... a... última... vez...
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