The Last Chance
6 Capítulo 5 - PVD DUPLO
Notas iniciais
EMMA NOLAN SWAN
Sentia todos os pelos dos meus braços ainda arrepiados quando sentei em minha cadeira. Assim que as pálpebras abaixavam as cortinas para um novo piscar, não conseguia tirar aquele momento da minha cabeça. Regina. Suas mãos. Sua proximidade. Seus olhos e por fim, o seu roçar de lábios nos meus. O meu coração estava palpitando de uma maneira surreal e a garganta com o passar dos segundos ficava ainda mais seca. Não sei por que raios eu tinha que aceitar aquele vestido ou até mesmo, ter pedido a sua ajuda com o zíper. Mas como eu ia imaginar que em um ato solidário ela se aproveitaria da situação? Posso não conhecer muito bem aquela mulher, mas sei que ela é uma predadora. E bom, odeio admitir, mas ela acabou me fisgando ali, tão intensamente que me arrisco a dizer que foi bom, mas bem sabemos que não passaria disso, não vou ser mais uma na sua lista. Aprendi que de pessoas assim, eu tenho que ficar é bem longe.
Estava tão presa dentro dos meus próprios pensamentos que mal percebi que Belle estava ao meu lado, só me dei conta quando senti uma mão recair sobre o meu ombro direito, assustei-me, achando que seria outra pessoa, mas logo me acalmei e a encarei no curto sorriso.
— Hey gatona, que vestido é esse? Cadê aquela roupa toda molhada? Onde o conseguiu? – perguntou em um só fôlego, levando a xícara que estava em suas mãos à boca.
— Regina. – suspirei. – Me emprestou.
— O que?! – disse se engasgando, quase cuspindo todo café em mim. – Regina te emprestou esse vestido? – afirmei simplesmente com a cabeça. Quem dera se fosse apenas o vestido. Queria falar, mas sabia que ainda estava muito cedo para compartilhar essas coisas, por mais que simpatizei com ela. – Então? Como foi? Achei que ela iria fazer uma tempestade no copo d'água, mas pelo visto...
— Ah, Belle. Eu levei uma bela de uma bronca, ela disse que se voltasse a acontecer, não se daria o trabalho de ao menos conversar comigo. – disse com emoção, porém essa era uma das coisas mais insignificantes que aconteceu naquela sala.
— Hum, mas Emma... Se ela ficou tão brava, por que te emprestou um dos vestidos favoritos dela? – ergueu as sobrancelhas, tomando mais um gole da bebida.
— Esse é um dos favoritos dela? – engoli seco. Porque ela me emprestou logo esse? — Ah, não importa. Assim que eu chegar em casa irei lavar e amanhã já o devolvo. – sorrio.
— Hummmm...- sorriu maliciosamente e meu sangue gelou.
— O que?
— Nada não Emms, estava pensando aqui sozinha. – começou a se afastar quando o telefone começou a tocar. – Vou voltar para a minha mesa, bom trabalho Srta. Swan.
— Obrigada, para você também. – sussurrei ao agarrar o aparelho, vendo-a sorrir. – Alô...
Depois de alguns minutos, desliguei e voltei a encarar a tela do computador, mas a única imagem que vinha em minha cabeça eram os olhos de Regina me encarando tão de perto. Bufei entre os dedos e consegui sentir a minha mesa tremer, apanhei a minha bolsa do outro lado e vi que Branca estava ligando.
— Oi. – respondo o mais baixo que posso, olhando para todos os lados e imaginando por que ela estaria me ligando.
— Emma, o Henry... ele não está se sentindo muito bem. – respondeu com a voz temorosa, me deixando alterada de imediato.
— O que... O que ele tem? – falei com pressa, preocupada.
— Calma, Emma. Ele está febril, só liguei por que queria que soubesse.
— Branca, coloca ele na linha. – não quis de maneira alguma soar rude, mas depois de ouvir o eco da minha voz do outro lado da linha, soube que havia sido, e muito.
— Mãe... – disse uma voz calma, fraquinha.
— Garoto, como tá? – perguntei aflita. – A Srt. B disse que não tá bem, o que aconteceu kid?
— Estou bem mãe, apenas um pouco quente...
— Quer que eu vá pra casa pra ficar com você?
Apesar da idade, Henry parecia ter muito mais do que aparentava, pois entendia situações que até mesmo eu, ficaria confusa. Tenho orgulho desse menino, sempre tão inteligente.
— Não mãe, eu sei que você precisa... – uma tosse repentina o interrompeu. – trabalhar... B tá cuidando bem de mim. Traz pizza para o jantar.
Não consegui evitar a gargalhada, mas logo me contive, notando que apenas eu fazia barulho ali. Engoli seco quando vi Regina caminhando lentamente até o banheiro, tentei desviar o olhar, mas era impossível não prestar atenção no seu rebolado. Deus o que está acontecendo comigo?
— Mãe... tá aí? – voltei ao mundo real, tinha esquecido que Henry ainda estava na linha.
— Desculpa, querido... Érrr...
— O que foi? Tá estranha.
— Nada kid, preciso voltar a trabalhar. – engrossei a voz, apertando as têmporas fazendo Regina sair dos meus pensamentos. – Levarei o jantar, qualquer coisa me liga ein garoto?
— Tudo bem, tchau mãe.
— Até mais tarde.
Apertei o botão e joguei o celular para dentro da bolsa, empurrei o meu corpo para o apoio daquela cadeira sabendo que por mais que ele dissera que estava bem, sabia que até vê-lo, não conseguiria acreditar ou ficar tranquila.
A meu ver o restante do dia havia sido tranquilo, o telefone tocou algumas vezes, mas na maioria eram para outros setores. Não vi mais a Srta. Mills, porém notei quando o tal do Graham entrou em sua sala com uma mulher alta e loira, não levei dois segundos para entender que aquele seria o tão conhecido "café da manhã" da minha chefe. Era hilário como ela não se preservava em relação à isso ou até mesmo como a maioria dos funcionários não se importavam com tamanha audácia.
Graham saiu com a mesma mulher depois de quase uma hora, encarou-me por um segundo e sorriu, retribuí forçadamente e olhei para o lado. Regina estava na porta e quando me viu, fez questão de limpar o canto dos lábios, repudiei e voltei a fazer as planilhas, evitando olhar naquela direção novamente.
Recolhi as minhas coisas e comecei a me apressar para sair, já estava na minha hora e eu não poderia ficar mais feliz. Acenei para Belle e comecei percorrer o caminho até o elevador, acelerando os passos quando a porta começou a se fechar.
— Segura o elevador! – disse um pouco mais alto e uma mão impediu que eu o perdesse.
Entrei tão rápido que só me dei conta de quem estava ali quando fui agradecer. Era ela.
— Obrigada. – disse sem jeito, encarando-a tão rápido para não ter que duelar com aqueles olhos castanhos.
Ela apenas assentiu com a cabeça e pelo cantos dos olhos vi o seu sorriso. Que ótimo, por que logo você está aqui?
— Está gostando do trabalho, Miss Swan? – cortou o silêncio.
— É... gostei. – respondi num fio de voz, não querendo conversa.
— Vejo que o vestido lhe caiu muito bem.
— Amanhã... Amanhã eu o devolvo.
— Não tenha pressa... – Regina se virou totalmente, me forçando a olhá-la. – Podemos... – foi se aproximando e as minhas pernas começaram a tremer. – continuar o que começamos...
— Não. –falei com autoridade, dando passos para trás. – Agradeço o emprego, mas se eu tiver que me submeter a esse tipo de coisa...
— O que vai fazer? – eu estava quase presa na parede, rezando para que ela não desse mais nenhum passo, caso contrário a minha situação ficaria muito complicada.
— Eu... Eu... – estava determinada a responder a altura, mas o meu único erro foi abaixar os olhos e focar na mordida que ela lançava lentamente sobre o lábio inferior. Me desestruturei. – Sra. Mills... me respeite. – a repreendi com uma enorme falha na voz.
Ela me olhou intensamente e jogou o seu rosto para frente, sem mudar nada em sua expressão facial.
— Tudo bem... – sussurrou em minha orelha e logo depois senti seus lábios soltarem um beijo demorado na minha bochecha. – Se você não quer, não irei lhe obrigar.
Se afastou sorrindo, esperando então para que chegasse até o andar da recepção. Sem que ela percebesse, soltei o ar que tanto segurei, sentindo o suor frio atrás da nuca e por entre os dedos. Implorei internamente para que aquela caixa de metal se abrisse logo e como se alguém ouvisse o meu pedido, ele se abriu.
Tomando o caminho cuidadosamente e deixando com que ela o cruzasse na minha frente, senti as minhas pernas travarem quando ouvi o meu nome sair no tom de sua voz.
— Até amanhã, Miss Swan.
Ela não esperou a minha resposta e assim, sumiu entre as demais pessoas do prédio que também saiam naquele horário.
Com o jantar nas mãos destranquei a porta, encontrando tudo em silêncio. Será que os dois já estavam dormindo?
Coloquei a bolsa no sofá e deixei a caixa de pizza na mesa da cozinha, subindo para os quartos, inquieta com toda aquela calmaria.
— Henry... Srta. B? Cadê vocês?
— Emma... Estamos aqui. – a voz saiu por debaixo da última porta, estavam no meu quarto.
Abri a porta lentamente, me derretendo ao encarar Henry abraçado ao meu travesseiro, completamente apagado. Sorri para Branca que tinha suas mãos adornando os cabelos castanhos do garoto.
— Ele quis vir para cá... – sussurrou se levantando. – Não conseguiu esperar e acabou adormecendo. Qu-e-e roupa é essa?
— É uma longa história...– Como ele está?
Branca deu passagem e eu deitei no lugar que ela estava, esculpindo um beijo na bochecha morna do meu filho.
— A febre baixou já tem algumas horas. Dei algumas gotas daquele remédio. – apontou para um vidro no criado-mudo. – Não se preocupe, ele está bem.
Sorri para ela, elevando o tronco e me sentando para poder retirar aqueles sapatos. – O que acha que pode ter causado a febre? – levantei e puxei os cobertores até os seus ombros, deixando-o bem quentinho.
— Ah Emms, ele é uma criança, pode ter sido uma água muito gelada, o mal tempo... – confortou-me. – Como foi o segundo dia?
— Ah minha cara, você não vai imaginar... – era irônico aquelas coisas terem acontecido, ainda mais comigo. – Preciso de um banho, assim que eu terminar... Desço e conversamos... Tem pizza encima da mesa, coloque-a no micro-ondas para não esfriar... Não demorarei mais do que dez minutos.
Ela assentiu com a cabeça e se foi.
Certifiquei-me mais uma vez se Henry estava dormindo e fui para o banheiro, retirando com um pouco de dificuldade o vestido emprestado de Regina. Peguei-o nas mãos e apesar do meu cheiro ser transpassado para o mesmo, consegui sentir o eflúvio de maçã ao aproximar um pouco mais o meu nariz. Sorri brevemente e o deixei sobre o vaso ao entrar no lavabo, abri o registro e tratei logo de me enfiar debaixo daquela água, sentindo a quentura abordar delicadamente cada canto das minhas costas.
Sai do banheiro ainda com os pés descalços e caminhei até o guarda-roupa, desfiz-me da toalha felpuda e agarrei uma calcinha de algodão e uma camiseta soltinha do time de basquete. Notei que Henry havia mudado de posição, mas dormia feito um anjo, aproximei-me dele e o cobri novamente, beijando-lhe a testa.
O meu estômago começou a reclamar duramente, então, penteei o cabelo rapidamente e desci para o andar inferior, ouvindo o som da televisão ecoar-se por todo local. Caminhei silenciosamente até a cozinha, abrindo o micro-ondas e apanhando um pedaço de pizza e um copo de refrigerante, dirigi-me até a sala e sentei ao lado de Branca.
— Emma... Emma... já disse para não lavar o cabelo a essa hora, sabe que você pode ficar doente. – me olhou de rabo de olho, me fazendo gargalhar instantaneamente. – O que foi? Por que está rindo?
— Você até parece a minha mãe! – mordi um pedaço da tão deliciosa pizza, sentindo o queijo derreter lentamente na minha boca. – Hummm... a melhor refeição.
— As vezes tenho dúvidas da sua idade, come feito criança...
— Senhorita B. – apertei o seu braço com a mão livre, beliscando devagar. – Lavei o cabelo por que tomei um belo banho de chuva antes de chegar ao meu serviço.
A mulher rapidamente desfez a cara de turrona e deixou os olhos curiosos se entregarem.
— Como assim antes de você chegar no seu serviço? Digo... Você se molhou?
— Isso mesmo, não foram apenas respingos... Eu fiquei encharcada e o pior, estava totalmente atrasada.
— Swan... é sério? – afirmei com a cabeça, lançando mais uma mordida no pedaço. – Por isso... o vestido. — olhou para o alto, deixei com que ela pensasse, parece que ela estava disposta a acertar ou concluir suas próprias frases. – Quem... Quem te emprestou o vestido?
— Adivinha...
— Nã-a-a-a-ao, ela? Sua chefe?
— Exatamente...
— Eu não acredito! – colocou as mãos sobre a boca. – Menina, você tem sorte, se fosse no meu caso já teria sido mandada embora.
— Ah, Mary... – raramente a chamava pelo nome, o que ela não gostava muito e acabou fazendo uma careta. – Você não tem noção do que eu passei por ter aceitado esse vestido!
— Então me conta! – disse animada.
Contei detalhe por detalhe e se eu não fosse a vítima da situação, acompanharia as gargalhadas da mulher assim que eu disse o que Regina de fato fez, porém, fiquei calada apenas observando ser caçoada por minha melhor amiga.
Quando Branca enfim se acalmou deixei-me levar pelo programa que passava na televisão, evitando continuar aquele assunto, já que ainda não havia descoberto como me sentia em relação a tudo que aconteceu. As horas foram se passando e notei que meus olhos já nem prestavam mais atenção no que aqueles homens estavam dizendo, deixei a louça suja na cozinha e beijei a bochecha de Branca, subindo preguiçosamente pela escada.
Pulei na cama como criança, agarrando-me a Henry como uma concha e apagando com uma das mãos o abajur ao nosso lado. Encostei o meu rosto em seu pescoço morninho e antes do sono me invadir, um par de olhos castanhos passou por minha mente...
Boa noite... Regina Mills.
REGINA MILLS
Esticava as pernas de um lado para o outro dentro daquela banheira, sentindo o meu corpo relaxar aos poucos com a água morna abordar-me tão minuciosamente. Joguei a cabeça para trás e tornei a fechar os olhos, sorrindo ao repassar alguns dos momentos do dia, e claro, a minha nova contratada não poderia ficar de fora.
O vapor em conjunto com as lembranças ouriçavam os pelos dos meus braços até mesmo debaixo da água. Meu antro ansiava e pedia por mais, porém ela não estava disposta a participar de uma sádica aventura ao meu lado, por mais que seus olhos esverdeados mostrassem-me o contrário, não iria desrespeitar a sua vontade, não iria burlar as regras... não iria fazer absolutamente nada...
Apenas aguardaria até que Emma Swan viesse até a mim... O que eu mal posso... esperar...
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