The Last Chance
33 Capítulo 32
Notas iniciais
— Mamãe, para onde estamos indo?
É a terceira vez em que Henry repete a mesma pergunta. Sabendo de quem ele puxou tal curiosidade, não o repreendi e respondo como em todas as vezes que já estávamos chegando.
Apesar de muito novo, Henry entende muito bem as coisas, nada nunca precisa ser explicado ou cobrado duas vezes, assim como o carinho que ele tinha ou tem por algumas pessoas. O coração tão doce se prende fácil demais e, não foi diferente com Regina. Assim como ele, a mulher vivia perguntando sobre, alegando estar morrendo de saudades. Borbulhando de ideias ao saber, planejei o encontro dos dois " às escondidas". Claro, não é grande coisa, mas o suficiente para me fazer batucar e cantarolar baixinho, enquanto via as ruas cobertas por neve em todo canto de New York.
A felicidade tornou-se momentânea nas últimas semanas. Como uma balança jogada ao tempo, me sinto profundamente triste por ele não ter recuperado a visão e não termos nenhuma ideia se a recuperaria. Já do outro lado da balança, ele está totalmente saudável e me vejo a cada dia mais apaixonada por Regina Mills. Retirada do torpor ao relembrar os momentos com a mulher, ouço o taxista anunciar a chegada. Retiro algumas notas da carteira para pagar a corrida, para logo assim sairmos do carro.
O lugar iluminado é cada cantinho de uma cor, verde, amarelo, azul, roxo e vermelho. Apesar da brisa gelada daquela tarde, o que não falta são os famigerados turistas. Pego o garoto no colo, já que existe uma quantidade de pessoas consideráveis passando ao nosso redor.
Gritos e risadas vem de todas as partes e sinto Henry estremecer.
— O que foi macaquinho, está com medo?
— Não mamãe, tá frio só. — sorri grande. — Já posso saber onde estamos?
— Vou dar uma dica, se você for inteligente, você acerta ok? — ele assente com a cabeça rapidamente. — Xícaras que rodam.
Me seguro para não enche-lo de beijos, pois a expressão em seu rosto é muito mais do que fofa. — Vamos fazer assim, se você descobrir até o final do passeio, deixo você comer o que quiser no jantar, que tal?
— Combinado! — levanta os pequenos braços ao alto, comemorando como se já tivesse acertado.
Desatenta com a felicidade do garoto, não percebo a aproximação de certo alguém. Apenas quando uma mão pousa sobre o meu quadril e lábios macios beijam a minha bochecha, que me dei conta que Mills havia chegado.
— Olá. — diz em um dos tons mais doces de sua voz. — Henry!
— Ginaaa! — o sorriso do menino vai de orelha a orelha e antes que eu pudesse repreendê-lo, ele já está nos braços da mulher.
— Oi garotão! Como você cresceu, ein! — beijou-lhe a testa. — Então, percebi que estavam em um desafio... — me olha e pisca. — Eu gosto de desafios.
— Mamãe disse que se eu descobrir onde estamos, posso ter o que eu quiser no jantar. – ainda sorrindo. — Quer ser a minha parceira? A gente pode dividir a recompensa! Combinamos o que é mais gostoso para nós dois!
— Eu adoraria! Mas vamos jogar limpo! Falo o nome de todos os brinquedos e você vai ter que adivinhar!
— Tá bom, feito!
— Ei! Dois contra um não vale! – digo em falso tom de frustração.
— Você não disse nada sobre duplas. – fala o garoto, passando um dos braços ao redor da morena. — A gente poderia dar um nome a isso, o que acha Regina?
— Uma ótima ideia! Qual nome você pensa que seria legal?
— Hummm. — o seu dedo indicador vai e vem de seu queixo, está pensando. — O que acha de Operação cobra?
Regina me encara como se buscasse algum fundamento no nome que ele gostaria de dar, respondi sem som algum que na verdade ele o havia escutado em uma série de TV americana.
— Certo, Operação Cobra ativada!
Me sentindo lesada com aqueles dois, comecei a caminhar em direção aos brinquedos, pois apesar de estar um pouco velha para aquele em específico, xícaras que rodam ainda é o meu favorito.
— Ei, meu bem! Como você está? — perguntou Regina em uma espécie de sussurro, bem próxima a minha orelha.
Me arrepio com o hálito quente ali, vendo que agora o garoto já esta no chão.
— Eu estou bem. — a olhei de canto. — Te atrapalhei hoje?
— Não, está tudo bem. Acredito que não tenha dito a você, mas a minha irmã começou a me ajudar na empresa. É por causa dela que eu consegui estar aqui hoje!
— É verdade, você não havia me dito nada. Mas fico contente que vocês estejam se entendendo e, claro que ela esteja ajudando você. Assim você fica menos sobrecarregada e sobra mais tempo pra' gente também!
Chegando a bilheteria, compro uma quantidade de bilhetes que daria para passar o restante do dia tranquilamente. Já em frente ao brinquedo, noto que Regina receosa ao subir. Ajudo Henry a se sentar e vou buscá-la.
— Ei, tá tudo bem?
— Está é só que... esse brinquedo, me faz ter náuseas.
Tive que conter o riso, pois muitas vezes me sentia da mesma forma quando criança, mas ainda assim eu adoro ir naquele lugar. Devido a sua demora para embarcar no brinquedo, acabamos virando o centro das atenções.
— Emma, é sério, eu vou acabar vomitando.
— Tudo bem. Prometo não girar tão depressa, ok? — pego a sua mão, acariciando a sua palma. — Agora vamos, por favor, tá todo mundo olhando pra gente.
Disfarçadamente ela olhou para os dois lados, ganhando certo rubor em suas bochechas ao perceber aquilo. Sem mais pestanejar, ela entra e se senta ao lado de Henry. Como tática para " fazer acontecer ", sento de frente para os dois, notando como ambos se dão extremamente bem. Quando a mente cogita algum comentário, o mundo começa a nos rodar devagar. Regina segura fortemente nas bordas, enquanto eu e o garoto intercalamos as mãos para fazer girar mais e mais.
— Quando isso vai parar? — exclamou depois de um tempo, um pouco desesperada.
— Não vai demorar muito. — respondo, parando de rodar a mini manivela. — Você está bem?
— Eu estou, mas isso tem que parar logo. — leva a mão esquerda a cabeça. — Que brinquedo mais chato!
— Não é não! — Henry e eu dissemos juntos.
— Dois contra um? O jogo virou? — brincou, fazendo menção ao meu comentário há alguns minutos.
Para a sua alegria e, tristeza de mãe e filho, os portões se abrem para que pudéssemos sair. Henry sai na frente, logo atrás dele a mulher também sairia mas ao se levantar, percebo o seu desequilíbrio e abraço o seu quadril antes que ela caia.
— Ei, vamos se sentar ali, ok? — aponto para um banquinho de madeira, levando seu corpo junto ao meu.
— Rê... Gina, você está bem? — pergunta o garoto assim que nos sentamos.
— Estou, meu amor. Apenas um pouco tonta.
— Mamãe já disse uma vez que você é tonta.
— Henry! — chamo sua atenção.
— O que?
Regina me olha de olhos semicerrados, aquilo é sexy, porém assustador ao mesmo tempo.
— Então, andou me chamando de tonta, Miss Swan?
— Errrr.... — cocei a cabeça.— Isso foi só uma vez.
— Quando estivermos a sós, conversaremos mais sobre isso.
Envergonhada apenas afirmei com a cabeça, ainda sobre a a observação de suas orbes castanhas. Ficamos naquela troca de olhares por vários minutos até Henry se pronunciar e dizer que gostaria de ir em outro brinquedo.
A brincadeira de adivinhação não durou muito, além de muito inteligente, a sua parceira de operação (já recuperada), não parava de falar os detalhes e assim, a península de Coney Island foi descoberta.
Como uma promessa não pode ser quebrada, deixei com que o garoto escolhesse o que gostaria de comer. Hambúrgueres com muito queijo, batata frita, refrigerante e pudim de chocolate foi o cardápio escolhido.
— Eu não vou comer isso. — repete Regina pela enésima vez ao olhar para os lanches. — Me deixe pedir uma salada.
— Isso não vai afetar a sua dieta.
— Eu não estou de dieta, Emma! — revirou os olhos. Eu definitivamente amo aquilo. — É só tudo muito gorduroso.
— Ah, só dessa vez. Vai, eu tenho que presenciar você comendo besteiras uma vez na vida.
— Tá uma delícia! — disse Henry em um sobressalto, com as duas mãos sujas de molho.
— Só dessa vez, por favor.
— Tá, tá! Que seja. Mas é a última vez que me comoveu com esses olhinhos de cachorro.
— Não faço ideia do que está falando.
— Aham, claro que não.
Sem mais nada dizer, a mulher mais velha pega o hambúrguer com as duas mãos, o encara por alguns segundos e depois dá uma gloriosa mordida, digna de palmas. Peguei o meu celular disfarçadamente e, fotografei a pessoa mais saudável que já havia conhecido, se definhar em um delicioso mar de calorias.
O anoitecer toma sua forma assim que saímos do pequeno restaurante. Já alimentados e ouvindo o garoto reclamar por já estar cansado, sugeri que fôssemos embora. Regina se prontifica a nos levar para casa em seu carro, alegando que caso Henrry quisesse dormir, seria muito mais confortável por conta do estofado. E, ele assim o fez, foi ela ligar o motor para o garoto cair no sono profundo.
— Entre um pouco. — falo, enquanto manuseio o peso em meu colo devagar para não acorda-lo.
— Eu não quero incomodar...
— E você não vai, acredite.
— Tudo bem, mas só irei ficar um pouco por que precisamos conversar sobre uma cosia.
— Eu devo me preocupar?
— Não, Emma... definitivamente não deve.
Antes de subir os pequenos degraus que haviam em frente a casa, olhei para traz e sorri, destrancando a porta e concedendo passagem para que ela pudesse entrar primeiro.
— Eu irei colocá-lo na cama, pode ficar a vontade.
Apesar de ser extremamente rigorosa com meu filho sobre correr nas escadas ou subir dois degraus por vez, foi inevitável não fazer aquilo. Estou curiosa e ansiosa para saber o que a morena gostaria de conversar.
De volta ao andar inferior, procuro por Regina. Ela está sentada no sofá, ereta e olhando para suas próprias mãos. Sentia um frio no estômago a cada passo até ela.
— Prontinho. — indago, sentando-me ao seu lado.
— Onde está a sua amiga?
— Em um encontro. Ela saiu um pouco antes de chegarmos, deixou um bilhete.
— Ah, sim... — me encara, chegando um pouco mais perto. — Emma?
— Sim? — respondi receosa.
— Ficarei alguns dias fora de Nova York. Irei viajar amanhã à noite.
Arregalei os olhos.
É, por aquilo eu não esperava.
— Você não vai dizer nada?
— Err... para onde você vai?
— Bombaim.
— Sempre fui péssima em geografia...
— Fica na Índia. Talvez você conheça por Mumbai.
— Na verdade, eu não tenho ideia. — admito sorrindo. — Porque tão longe?
— Vou à trabalho, não se preocupe. São um conjunto de conferências para expandir produto.
— Ah, sim. E estamos falando de quantos dias exatamente?
— Estarei de volta, acredito eu, no próximo fim de semana ou na metade da seguinte, se não houver nenhum imprevisto. Mas não posso garantir isso ainda, tudo depende de como as coisas vão fluir...
— Isso é bastante... muitos dias... — comentei em um sussurro.
Eu não sei como estou reagindo aos olhos de Regina, mas no meu ponto de vista é notável o meu desconforto com aquilo. A sensação inexplicável de tê-la longe por tantos dias, arruinou qualquer chance daquela noite terminar como eu havia imaginado. Não que eu não estou mais feliz com a sua presença, apenas sinto-me estranha com aquilo.
— Eu realmente preciso ir até lá... — pega na minha mão, levando-a até a sua boca. Olha em meus olhos e solta um beijo delicado no peito da minha mão. — Tudo bem?
— Zelena não pode ir no seu lugar?
— Infelizmente, não. Ela ainda precisa aprender muita coisa, principalmente no quesito negócios.
O silêncio então, ali reinou. Não sabia mais o que dizer ou até mesmo entendia o que está se passando em minha cabeça. Devido à postura ereta ao seu lado, minhas costas começaram a doer. Girei o corpo no sentido anti-horário e encostei, relaxando todos os músculo nas almofadas. Não tento procurar os seus olhos, pois eu tenho quase certeza que ela está me encarando.
— Você não tem mais nada a dizer? — sinto o seu corpo se aproximar do meu quando ela se levanta e para na minha frente. — Vai ficar tudo bem entre a gente?
Nada respondo. Pois nem eu sequer sabia a resposta.
— Emma. Olhe para mim e responda.
— Eu não sei. — respondo com voz embargada.
O que era aquilo? Eu estava...
— Você está chorando? — seus dedos abraçam o meu queixo e ela move meu rosto para cima.
Há sim certo lacrimejo no canto dos olhos, mas deveria ser sono ou por conta da luz fluorescente. Eu não posso estar chorando por conta daquilo. TPM?
— Claro que não. — retiro o seu indicador e o dedão do meu rosto, olhando para o lado mais uma vez.
— Ei, tá tudo bem. — ela se senta na direção para qual eu estava olhando, tendo agora o seu contato visual. — É apenas uma viagem de negócios. Imagine que é uma semana normal, onde eu terei muito trabalho e só vamos conseguir nos ver daqui sete dias. Ou seja, no fim de semana. Caso eles decidam prolongar, darei um jeito de voltar e terminar por chamada de vídeo. Ok?
— Você vai levar alguém com você? Digo, você vai levar alguma mulher com você? Ou homem? Quem sabe o que vai querer.
— Acho... que entendi agora e sinto-me ofendida que pense isso. — ela sorri um pouco triste. — Está com medo que eu faça alguma coisa errada?
— Você tem vontade de ficar com outras pesso...
— Ei! Não! — me cortou. — Não tenho. Eu tô muito bem com você, com a gente. Gosto do que estamos criando aqui e, eu não sou tão hipócrita à ponto de estragar tudo isso. Eu não tenho vontade de mais ninguém, apenas de você.
— Me prova. — antes que eu pudesse pensar uma segunda vez, aquelas palavras simplesmente pularam da minha boca.
Não estava arrependida. Apenas surpresa comigo mesma.
— Tem certeza disso? — Regina se levanta mais uma vez e para em minha frente.
Apenas afirmo com a cabeça.
Sem nada dizer, ela joga uma perna em cada lado do meu quadril, sentando em meu colo. O vestido azul-bic sobe alguns centímetros com o movimento, mas ela parece não se importar. Mãos abraçaram as minhas bochechas e sem qualquer chance de escape, os lábios vermelhos apanham os meus.
A boca delicada sobrepõe a minha e, a língua da mulher pede passagem com movimentos ligeiros e sensuais. Quando o contato finalmente é feito, nossas línguas se intercalam na brincadeira de trazer fogo a todas as partes de nossos corpos. Cada músculo abaixo do meu quadril está tenso. Descarrego todas as sensações em seu quadril, onde cravo as unhas naquele tecido fino. As mãos da mulher se espalmam em meu colo e sinto-a invadir-me por dentro da jaqueta, tirando a peça tão lentamente que é possível contar os milésimos.
O quadril da mulher começa a se movimentar e o beijo, que uma vez suave, agora, se torna selvagem. Luxúria, cada movimento do seu corpo é pura luxúria. Aperto fortemente a sua bunda e o som abafado pelos meus lábios é o melhor. Como é bom ouvir aquele tom que escapou por entre seus lábios. Regina foi a níveis elevados de sedução ao gemer daquela forma.
A mesma mão que a apalpou, subiu para o feixe do zíper.
— Emma... aqui não... alguém pode chegar...
Pela primeira vez ela quebra o beijo.
Concordo com o seu comentário e abraço suas coxas com a mão, levantando com ela em meus braços. Regina se prende ainda mais ao meu corpo quando suas mãos abraçam o meu pescoço quando eu começo a ir em direção à escada. Lambo seus lábios e ela sorri lindamente, mas antes que eu pudesse ao menos alcançar o primeiro degrau, sinto o seu corpo enrijecer de leve. .
— Você quer mesmo?
— Quero que me prove que tem vontade apenas de mim.
— Me leve até o seu quarto... Miss Swan. Mostrarei o que meu corpo quer tanto lhe mostrar...
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