The Last Chance
30 Capítulo 29 - PVD DUPLO
Notas iniciais
REGINA MILLLS
Parecia que sorrir nunca foi difícil assim que os momentos da noite anterior passavam na frente dos meus olhos, mas assim que chego em casa e noto uma agitação estranha sei que nada está tão bom quanto parece. Deixo o molho de chaves encima de um criado, ouvindo passos duros anunciarem que o som vinha da sala de estar. Já dentro do cômodo, tenho Ruby andando de um lado para o outro com um celular nas mãos, enquanto a minha irmã está esticada no sofá.
— Que merda está acontecendo aqui? – largo a bolsa no aparador perto dos porta-retratos, indo de encontro a Zelena.
A ruiva é um copo de leite ambulante, porém também é notório a diferença entre ser extremamente branca e estar totalmente pálida. Sua boca não tem cor, as sardas no seu rosto quase nem apareciam e, a pele está em um tom opaco.
— Regina, ela não queria que eu ligasse pra você, disse que estava com medo da sua reação. Eu tentei ajudá-la ao máximo, mas passou a ser em vão quando ela começou a vomitar sem parar. — disse uma morena exasperada, batendo impaciente o seu pé no chão.
— Discutiremos isso mais tarde, ok? – passei as mãos pelos meus cabelos, respirando tão profundamente que meus pulmões quase se engasgaram com tanto ar. — Agora, eu preciso que você me ajude a colocá-la dentro do carro para que possamos levá-la ao hospital.
Zelena não acordou ou se mexeu em nenhum momento no trajeto e, aquilo estava me preocupando profundamente. Tive que mandar Lucas calar a maldita boca em sua drástica explicação de como tudo aconteceu. Eu queria saber? Sim! Mas antes eu precisava chegar no hospital com ambas vivas. Levando em consideração a gravidade do seu estado e a quantidade quase nula de pessoas que tinha no pronto-socorro no primeiro dia do ano, ela foi atendida rapidamente. Após ser examinada, o resultado veio de imediato.
— Coma alcoólico, Ruby Luccas?! – as palavras pulam da minha boca tão alto que a vi sair do lugar com o susto.
Ando de um lado para o outro, quase abrindo um buraco na sala de espera do hospital. — Que merda vocês estavam pensando? Não sabem beber, não bebam, olha o que aconteceu!
— Eu tentei fazer ela parar, mas ela não escutava, o que mais você queria que eu fizesse?
— Sei lá, talvez me ligar? Que droga, parecem duas crianças!
— Eu não sei em qual momento da festa Zelena perdeu o controle. Mas eu fiz o que eu podia, até por que você sumiu de lá também.
— O meu celular estava comigo o tempo todo, você poderia ter me ligado, Luccas. Por mais que ela não quisesse era o certo a se fazer. Mas discutir isso agora, ou melhor, com você não fará diferença alguma. De acordo com os médicos, ela vai ficar mais algum tempo desacordada. Então, se não for pedir muito, preciso que você aguarde no máximo 10 minutos para eu ir até a minha casa para trocar de roupa e tomar um banho rápido.
— Tudo bem. Eu fico com ela.
— Eu não vou demorar. Use o seu celular dessa vez caso aconteça algo.
Ela apenas afirma com um movimento rápido de cabeça e assim, deixo o hospital.
Como havia dito, não demoraria mais do que o tempo imposto. Com uma roupa muito mais confortável do que aquele vestido, peguei o molho de chaves encima do balcão e estava quase saindo de casa quando a campainha do meu celular começou a disparar.
Um pouco atordoada com toda aquela situação, não pensei em olhar o identificador de chamadas e apenas arrastei a tela, atendendo sem saber quem seria. Confusa e totalmente dispersa, perguntei inúmeras vezes com quem eu estava falando e, só depois de alguns minutos descobri que é Tinker, minha assistente querendo saber se eu iria ou não comparecer à reunião que começaria em alguns minutos. Rapidamente todos os compromissos do dia vem a minha mente, são importantes, mas devido a irresponsabilidade da minha irmã terei que desmarcar todos eles. Um pouco mais frustrada do que eu normal, sigo caminho para o hospital novamente, rezando a Deus para que ela já tivesse acordado para que eu pudesse descontar toda a raiva que eu estava sentindo em sermões. Já que não poderia socar seu tão bonito rosto.
Pedido negado.
Libero Ruby dos cuidados e vou até o quarto de Zelena, vendo que ela ainda está inconsciente. Sabia de todo processo de hidratação intensa para que o seu fígado voltasse ao seu funcionamento, além da reposição de glicose no sangue. Sento na cadeira bem próxima à maca. — Sua cabeça de vento. – sussurro, alisando o cabelo cor de cobre. — Porque não deixou com que ela me ligasse, ein? Eu amo tanto você sua desmiolada, dá vontade de te matar com as próprias mãos por essa irresponsabilidade toda.
— Ainda bem que a enfermeira colocou o controle na minha mão e, sendo assim eu posso chamá-la a qualquer momento. — disse em tom rouco, abrindo os olhos de vagar.
— Idiota. — depositei um beijo em sua testa, voltando a recostar-me na cadeira. Aliviada estou por seu despertar, mas a vontade de matá-la permanecia em minhas veias. — Como está se sentindo?
— Como se tivesse levado um monte de socos no estômago. — suspirou. — Pode pegar um copo d'água pra mim?
Afirmo com a cabeça e me encaminho até o outro lado do quarto.
— Aqui. — entreguei a ela.
— Obrigada. — suga com cuidado, tossindo bastante. — Ond-e... cof cof... está a Ruby?
— Eu a liberei. — cruzo os braços. — Pode me explicar o motivo de não ter me ligado?
— Regina... eu sei...
— Eu quero a verdade! Porque infernos você não me ligou assim que começou a passar mal?
— Não queria que você me visse como uma irresponsável. – desvia os olhos, encarando o nada. — E vi você saindo com a Swan, não queria atrapalhar.
— Zelena, eu sou a sua irmã! – me controlo e abaixo o tom. — Eu pedi para que você ficasse, não foi? Pedi para que me ajudasse com a empresa, pedi que morasse comigo. Há anos eu vivo sozinha, sem ninguém pra conversar ou cuidar. Ok! Cuidar não, você é grande o suficiente para responder por suas atitudes e bom, essa ressaca aí, é teu ensinamento. Não concordo, mas estou aqui pra te ajudar em qualquer coisa. Você sabe que passou do limite, e sabe que eu não vou te deixar beber tão cedo, mas por favor, quando estiver com problemas não hesite em me chamar. E sim, eu estava acompanhada, mas não a nada mais importante do que a sua saúde. Somos só eu e você. Somos irmãs!
Ficamos nos encarando por vários minutos, sinto o lacrimejo no canto dos olhos à medida que os azuis também se enchem de água. — Me desculpa....
— Está tudo bem agora. — limpo sutilmente o canto dos olhos. – Agora você precisa descansar para irmos embora logo. Hospitais são um saco. Trouxe uma muda de roupa pra você quando tiver alta, aposto que não vai querer ir embora com aquele vestido todo cheio de vômito.
— Ugh! Que nojo e, não. Obrigada pelas roupas.
—
Foram três longos e cansativos dias até ela estar bem o suficiente para ter alta. Não apareci na empresa a semana toda, e, sabia que quando voltasse, tudo estaria em caos. Ruby apareceu algumas vezes em casa para visitá-la e, era nesses curtos períodos que eu conseguia organizar alguma coisa da Apple. Algumas vezes pensei em mandar mensagem para Emma, mas já haviam se passado dias desde que nos encontramos, era um tanto curioso o motivo pelo qual ela também não entrou em contato. Mas eu o faria, só não tinha ideia de quando, pois a minha cabeça estava "a milhão" aquela semana. Antes que eu pudesse ao menos concluir aquele raciocínio matutino ou então, aproveitar mais um pouquinho aquela cama quentinha, batidas e mais batidas na porta me fizeram levantar. Não são mais do que 8h da manhã.
Ajeito o roupão preto e abro a porta devagar, deparando-me com o homem grisalho em minha frente com uma expressão nada amigável.
— Onde ela está? – ralhou, passando por mim como se fosse o dono da casa.
— Com licença? — andei até ele, parando em sua frente com os braços cruzados. — Acho que você precisa ser convidado para entrar, Gold.
— Onde está a sua irmã? – suspira profundamente, como se estivesse irritado.
— Está dormindo, isso é o que as pessoas fazem nesse horário. Posso saber quem lhe deu a liberdade para entrar assim em minha casa?
— Sua mãe me deu.
— Sim, mas ela já está morta. Então, por favor, retire-se.
— Eu não vou sair até ver se a sua irmã está bem.
— Ela está melhorando. Como ficou sabendo?
— Eu sei de tudo, Mills.
— Tá, tá! Que seja. Agora que já sabe como ela está, não vejo motivos para você continuar aqui. – aponto com a mão esquerda para a porta.
— Eu gostaria de vê-la.
Agora é "gostaria"?!
Semicerrei os olhos e os dele continuam da mesma forma. — Eu já disse, minha irmã está bem e está dormindo agora.
— Como foi deixar com que ela entrasse em coma? Você deveria estar tomando conta dela! —bradou, claramente irritado — Zelena nem deveria estar aqui Regina!
— Sr. Gold, eu não sou babá da minha irmã. Apesar de ser um pouco avoada, ela já sabe o que faz. É pra ela estar aqui sim, ela nunca nem deveria ter saído dessa casa. Olha, eu agradeço de todo coração por ter me guiado e ter me tornado forte, ter cuidado da Zelena também, mas agora não precisamos mais disso. Somos duas adultas. Conseguimos nos virar.
— Eu prometi a sua mãe que....
— Certo, você prometeu. Mas agora podemos cuidar de nós mesmas ou uma da outra, o que aconteceu foi um deslize, mas agora, aprendemos. Acredito que já tenha te falado isso, mas eu te dispenso de todas as responsabilidades que você assumiu e prometeu à minha mãe.
— Você é uma ingrata. Pode tentar me afastar, mas nunca vai conseguir.
— Com quem você pensa que está falando? Você não precisa mais fazer isso, aliás, nunca teve motivo pra você fazer todas essas coisas pela gente. E eu não sei que tipo de relação você tinha com os meus pais, mas agora eles estão mortos. Pacto, promessa ou seja lá o que você fez a eles está desfeita a partir de hoje.
E quando eu pensei que eu teria que formular mais uma resposta para tirar-lo do campo, ele simplesmente me olha pelo canto dos olhos e caminha em direção a porta. Gold sai sem dizer mais nada, me deixando atônita e sem entender novamente o motivo de tudo aquilo. Em segundos estou em meu escritório à procura de um cartão que havia ganhado de um investigador particular há um tempo, coloco o papel no bolso do roupão quando o encontro. Como se existisse uma bola de gude entalada na garganta, subo as escadas em direção ao meu quarto para trocar de roupa e dar início oficialmente ao novo dia.
EMMA NOLAN SWAN
O sol indica que a manhã havia chegado outra vez. O ciclo vicioso dava-se início no novo ano. Abro e fecho os olhos um milhão de vezes, querendo encontrar algum pouquinho de sono, mas não o tinha, o que sobra apenas é a canseira. Isso mesmo, a canseira de saber que não teria nada pra fazer o dia todo.
— É, vamos lá. – levanto de supetão, espreguiçando-me lentamente, um braço por vez, pescoço e por fim, pernas.
Após a higiene pessoal e a troca rápida de roupas, desço para o andar de baixo, notando o radar do meu estômago ser guiado pelo cheirinho de ovos fritos com bacon.
— Meu deus, eu estou morrendo de fome! – disse, jogando-me sobre aquela cadeira rústica de frente a mesa já pronta.
— Diga-me quando você não está? – indagou a mulher de cabelos castanhos.
— Não perderei o tempo que posso comer para retrucar. — digo, enchendo a xícara com o líquido preto. — Já disse o quanto eu amo o seu café, B?
— É, digamos que você deixou escapar algumas vezes. – Sentou-se à minha frente, trazendo consigo dois pratos de ovos mexidos com algumas fatias finas e crocantes de bacon, entregando-me um deles. — Eu tenho um encontro.
Quase cuspi o líquido que está na minha boca.
— Acho que eu ouvi errado. Pode repetir? Bem devagar e mais alto?
Revira os olhos e come uma garfada, mastiga bem lentamente, enquanto eu me sinto enlouquecer para ter a certeza de que eu havia ouvido uma loucura da minha cabeça.
— Eu. Tenho. Um. Encontro!
— Quantos anos eu dormi? Você está bem?
— Largue de ser chata.
— Certo. Vamos, me dê os detalhes. Onde o conheceu? Nome? Quais as intenções...
— Posso responder somente as duas primeiras perguntas, caso queira saber mais, precisarei sair com ele antes. – me cortou. – O nome dele é James. Nos conhecemos naquele café da esquina, já tem alguns dias.
— Porque você não me disse nada?! — pergunto incrédula com a omissão.
— Você está perdida em seu mundinho desde a noite que passou com a Regina.
Suspiro, limpando o canto dos lábios e desvio dos seus olhos.
— Nenhuma mensagem ainda? – apenas nego com a cabeça, tomando o último gole de café. — Por que você não manda? Às vezes ela está esperando por isso também.
— Você a conhece, pelo menos um pouco eu sei que conhece. Acha mesmo que ela esperaria quase uma semana pra mandar mensagem para alguém?
— Eu entendo você e, também acho que é cabeça dura demais. Olha pelo que me contou, não foi ruim. Eu com certeza optaria por um lugar melhor, mas isso não atrapalha em nada. Você sabe, estavam a flor da pele na boate, precisavam explodir e, ela deve ter optado pelo lugar mais acessível naquele momento.
— E por que então ela não me mandou nada? Nenhuma mensagem ou ligação? – olhei para os lados, vendo se Henry não estava vindo. – Eu não disse que foi ruim.
— Regina deve estar pensando a mesma coisa que você. — coloca uma mão sobre a minha. – Você está aparentemente incomodada com alguma coisa, Emma. E como você já deixou mais do que claro ao me dar detalhes horripilantes — sorriu— o sexo não foi ruim!
— Será que está? – Branca me pegou ali. — Aí que tá, não foi ruim, com certeza não. Foi delicioso, incrível. Mas foi... – bochechas esquentando droga! — Foi apenas sexo, entende? Eu nunca fiz sexo causal? Isso é o casual. Sabe sexo sem promessas. Sem acordar com a pessoa do lado. Sem amor. Sem aquelas coisas. Me sinto estranha por que a última pessoa com quem eu transei me trouxe o Henry...
— Vai me dizer que está com medo de ficar grávida? Eu conto ou você quer descobrir pela internet que isso não é possível. — me interrompe e solta uma gargalhada.
— Sua anã besta! — dei lhe um tapa no ombro e ela fecha sua expressão pelo apelido que recebe. — Eu quis dizer que eu não estive com mais ninguém depois do Neal. Não de forma tão íntima, entende? E eu não sei como essa coisa de casual funciona! Sabe?! Tô confusa! Não sei se devo ligar, chamá-la pra sair....
— Acho que você não está confusa, Emma. Muito pelo contrário, suas palavras querem dizer mais do que você pensa. Apenas analise. Bom em contrapartida, a relação de vocês foi a base de diretas, provocações e conotação sempre sexual. A chefe e a funcionária. A necessidade e o desejo. Mudou um pouco quando ela visitou Henry em Seattle aquela vez, mas nada foi construído para ser algo além disso. É claro ambas são totalmente atraídas uma pela outra. E sobre relações casuais, eu também nunca tive. Mas se você pensar com clareza, talvez vá além de uma simples casualidade.
— Está dizendo que o que eu e Regina temos, não passa de atração sexual?
— Não! Estou dizendo que se você quer algo além de sexo com Mills, precisam começar diferente porque é claro, no dia que saíram fogosas daquela boate, era óbvio que ela não te levaria para jantar, lhe daria rosas e tudo mais. Seria sexo! Não digo que ela foi certa em transar com aquela mulher, mas pelo que me contou, você também a provocou. E você sabe Regina resolve tudo no sexo, isso não é de hoje. – jogou a cabeça levemente para o lado. — mas agora voltando ao foco do assunto que são apenas vocês duas, se você quer realmente que se tornem algo maior então vocês terão que conversar, recomeçar e deixar qualquer tipo de prazer fora disso, como nos filmes de romance, onde o cara precisa conquistar a mulher antes de ganhar um simples beijo.
Confesso que suas palavras me deixam um pouco atordoada e eu sei que preciso realmente pensar se poderíamos ter a chance de ser algo além de sexo. Mas antes de enlouquecer com aquele tipo de pergunta, eu preciso saber se ela está mesmo afim, se ela sente que por mais que aquilo havia sido maravilhoso, poderia ser muito melhor se não fosse apenas sexo. Em contrapartida, algo dentro de mim não deixava com que eu desse o primeiro passo. Então, ficaríamos daquela forma até que ela me procurasse. Pelo menos coloquei assim em minha cabeça... [NA; aham, senta lá Claudia]
Aquela conversa não se estendeu por muito tempo, pois Henry chegou para tomar café e, aquele assunto obviamente não é discutível na frente de uma criança. O garoto ainda tem dificuldade para se locomover dentro de casa, mas é inteligente o suficiente para se adaptar a sua nova forma de vida. Ele não pergunta, não reclama. Um menino de ouro. Na maioria dos dias sou eu a paranoica que sempre fica imaginando quando ele voltará a enxergar. Mas é notório que a saúde dele é o que importava e a perda de sua visão, não é o fim do mundo.
Como na maior parte do tempo eu não tinha nada pra fazer, assim que todo mundo estava alimentado, os convidei para irmos ao shopping, aproveitando a deixa que Mary teria que comprar um vestido novo para o seu encontro mais tarde.
Geralmente, eu não me importava com as pessoas, quer dizer; com a quantidade de pessoas em um único lugar. Mas nossa, talvez por ser janeiro aquele lugar estava uma loucura, liquidação na maioria das lojas e, claro ninguém resistiria. Nem mesmo Branca resistiu, a mulher se encheu de sacolas, até porque já fazia algum tempo que não saiamos para fazer compras todos juntos.
Demoramos muito mais do que o previsto, já se passavam das 17:00 e o seu encontro seria às 19h. Enquanto ela cantarolava no chuveiro, Henry e eu não conseguíamos parar de rir, Branca jamais se comportou dessa maneira. Após o seu demorado banho e as incontáveis horas de preparação, assim que a mulher desceu as escadas não consigo deixar de soltar um "UAUUUU". A medida que o seu rosto vai ganhando tons e mais tons de vermelho, cochicho na orelha de Henry o que Branca está usando (claro, escondendo o pequeno/grande detalhe do decote nas costas de seu vestido).
— Aqui, seu casaco. – disse, colocando o tecido quente em seus ombros, ouvindo a campainha tocar. – Qualquer coisa você me liga, se cuide!
— Eu não sou uma criança, Swan. Mas muito obrigada pela preocupação. Até mais tarde. Cuidem-se e nada de comer bobagens!
— Sim, mãe!— Henry e eu falamos em sintonia.
Assim que ela abriu a porta, pude ver de relance o homem que a aguardava. Devido a pouca luz só consegui mirar o seu rosto. Pele alva, boca avermelhada, olhos claros e cabelos loiros.
Bonito! Mary Margaret escolheu muito bem!
Como a " mãe " havia ido ter o seu encontro, decidi por meio de nossa saúde e pelo fato de fazer algum tempo que não desfrutávamos de nossa liberdade, fazer uma pipoca de microondas como janta. Henry obviamente pulava de alegria junto com o milho dentro do saquinho.
Entre altas risadas e mãozinhas sujas de sal, ele adormeceu em meu colo, me deixando sentir a sua respiração morna encontrar o meu pescoço. Estamos encostados no sofá, puxo um dos cobertores e deito com ele, vendo aquele macaquinho se aconchegar ainda mais. Poderia optar por ver um programa, filme ou qualquer outra coisa na televisão, mas decido acompanhar-lo em seu sono.
— Emma. — uma voz no fundo me chamava.
— haaaam, só mais cinco minutinhos.
E quando penso que o pedido será concedido, uma mão me balança violentamente. Suspiro e abro os olhos da maneira mais lenta possível, maldita claridade.
— Branca? O que foi? Porque chegou tão cedo? – murmuro em um bocejo, acariciando os cabelos de Henry que ainda dormia.
— Eu não cheguei cedo, são quase 23:30 da noite. – sorri e se levanta, indo em direção às escadas.
— Pode voltar aqui e me contar como foi! Você está sorrindo grande, quero saber os detalhes.
Ela abre novamente aquele sorriso e, começa a saltitar, isso mesmo saltitar, de encontro ao sofá que está em minha frente. Me ajeito um pouco para olhar em seus olhos.
— Então?!
— Ah, ele é maravilhoso. Fomos jantar em um restaurante francês, no centro da cidade. Ele foi super cavalheiro e soube manter um bom papo durante todo o jantar. Conversamos absolutamente sobre tudo, exceto, sobre o David, pois era bem provável que eu me sentisse mal falando sobre a morte do meu ex- marido. Enfim, ele é fotógrafo. Está na cidade já tem um pouco mais de um ano, antes disso ele morava em Madrid. Nunca foi casado, não tem filhos, é um ótimo homem. – ela abre um sorriso ainda maior. – Marcamos de ir ao cinema na próxima semana. Agora, eu irei subir para tirar esses saltos por que eles estão me matando. E você, trate de colocar esse menino na cama e ir dormir também.
— Eu irei e você também, mas assim que você me dizer o que está escondendo. – semicerrei os olhos, sabendo que ela omitiu uma coisinha.
— É sério isso? – afirmo com a cabeça.– Ele me beijou assim que saímos do restaurante.
— E????!
— E foi muito bom. – começa a subir. — Agora vá dormir, mulher!
— Agora sim, dormirei em paz .
Antes de dormir sorri por Branca, torcendo para que tudo desse certo, pois ela merece mais do que qualquer pessoa ser feliz.
~~
Os flocos de neve caem lentamente nas ruas de Nova Iorque. A medida que a natureza deixa tudo de uma única cor, sinto os meus lábios racharem com o vento gelado que passa por mim. Meus passos são rápidos porque quero chegar logo ao café, pois além do cheiro maravilhoso, sei que lá dentro estarei muito mais aquecida. Tirando os grandes painéis, tanto de conveniência ou até então do relógio principal ao final da rua, com aquele tempo é muito difícil de saber quais são as horas pelo fato do céu estar muito cinzento. Recebi a mensagem de Belle um pouco depois das 7h00 da manhã, é cedo eu sei, porém, estou com fome e já estou acordada, então, não hesitei em aceitar o seu convite para tomarmos café juntas.
Assim que o sininho da cafeteria é tocado, sinto todos os olhares se voltarem contra a porta e, claro para mim. Com as bochechas levemente coradas dou uma olhada em todo local, notando que ela ainda não havia chegado. Procuro uma mesa vazia e a encontro somente aos fundos no canto, exatamente da maneira que eu gosto. Ajeito o coque frouxo no topo da minha cabeça e tiro um dos casacos, realmente está mais quente ali. Pego o meu celular de um dos bolsos para ver se tinha alguma mensagem que informaria o seu quase atraso. Não havia nada ali então, sabendo como ela é pontual, provavelmente chegaria em alguns minutos. Sei também que aquele é o lugar onde Ruby trabalha, mas em nenhum momento noto a morena entre as atendentes.
— Olá, bom dia. Posso anotar o seu pedido? — uma moça de olhos claros, cabelo castanho, bem colocados em um coque perfeito. Lily, é o nome talhado na sua plaquinha de identificação.
— Oh, obrigada... mas eu estou esperando uma amiga. – sorrio de canto.
— Tudo bem, volto mais tarde então. — pisca e sai para atender outra mesa em seguida.
Apesar de acompanhar a caminhada da atendente até à mesa da frente, sentia-me totalmente em outro lugar, meus pensamentos estão em Regina.
Não sei ao certo por quantos minutos vi passar sobre os meus olhos toda noite que tivemos, caçando claro, algum detalhe que me fosse convincente para ela não ter ligado. Apesar de ser apenas sexo, eu infelizmente ou felizmente, senti-me tão livre e tão bem com cada beijo trocado ou até então, cada encostada de pele...
Como bomba para aquele lapso de memórias Belle cai sobre a cadeira em minha frente, fazendo aquele mundinho todo desaparecer.
— Me desculpe, me atrasei um pouco... não estava encontrando as chaves do carro. – a ruiva está toda sorridente.
— Não tem problema, cheguei tem menos de cinco minutos — eu acho, pensei comigo.
— Ótimo! — retira o seu casaco.— E aí, como você está?
—Bem, eu acredito.... acredito que estou bem. Você?
— Eu não acreditei, o que foi dessa vez? Estou bem, obrigada.
— Vamos pedir e enquanto comemos eu te conto tudo, não quero te atrasar também.
— Ah-ah não se preocupe, além de adiantada, Mills não aparece na empresa já tem uma semana, e bem, alguns minutos atrasada, não vão me ferrar.
— Como assim ela... Ela está bem? Doente? Aconteceu algo?
— Nossa, quanta preocupação mocinha. Então, ao certo ninguém está sabendo de nada. O único parecer que ela nos deus foi que ficaria fora por tempo indeterminado, mas que estaria acompanhando todas transações e afins...
— Hum... acha que pode ter sido algo sério? — engulo em seco, é o número de dias exatos desde que dormimos juntas.
— Existem boatos na empresa, mas nada concreto e confiável. Mas acho que não seja tão grave, talvez ela só tirou um tempo para ela.
— É, talvez tenha sido isso mesmo.
Lily trouxe nossos pedidos bem rápido e apesar da situação toda, notei que ela estava tentando flertar. Não era hora, mas deixei um ou dois sorrisos para a garota, pois, além de tudo ela é muito bonita. E depois de estarmos com os estômagos aquecidos, comecei a contar todas as coisas que aconteceram na semana passada.
— Vocês transaram no Tróia? — levou a mão à boca, aparentemente surpresa. Apenas afirmo com a cabeça e sorvo mais um gole do café. — Garota de sorte! Uma suíte lá é uma fortuna.
— Pois é.
— Porque está agindo assim?
— Porque eu nunca estive com uma mulher. Porque eu tenho absoluta certeza que poderia ser mais do que sexo com a Regina.
— E a Ariel aquele dia? Aquele dia que vocês se comeram na boate?
— Como você sabe disso?
— Sou amiga da Ariel...
— Hummm... olha foi totalmente diferente, ela não enfiou sabe? E eu também não.
— Aha-aaa, entendi.— minhas bochechas devem estar como dois pimentões, abaixo a cabeça por um tempo. — Sabe o que é Emma?
— O que? — levanto os olhos, voltando a encara-lá.
— Vocês duas se gostam muito mais do que aparentam, mas nenhuma das duas.... — semicerrei os olhos, não poderia ser verdade Belle também ?! Já não faltava Branca.— Não faça essa cara! Enfim, nenhuma das duas enxerga isso! Você obviamente está começando a se dar conta disso, " poderia ser mais do que sexo"? O que é isso?! Você está apaixonada por ela.
— Isso não é verd...
— Não te culpo por mentir, porque você tá mentindo para si própria.
— E ela?
— Mills?! Vou fazer uma pergunta retórica. Você já olhou para aquela mulher? O corpo. O rosto. Toda essa autoridade. Até mesmo o nariz empinado, Regina poderia estar com qualquer mulher, qualquer mesmo. Mas faz as contas, faz quanto tempo que estão nessa brincadeira de ego e tensão sexual? Ela age diferente e, por deus, que ela nunca saiba que eu disse isso, mas, ela tem medo e quando ela se sente assim, ela veste uma máscara pra que ninguém veja que ela tem um coração ali. E bom, pelo que você me conta, ela quem quase sempre foi pra cima de você, não é? — afirmo violentamente com a cabeça. — Então, vai atrás dela, pois só não enxerga quem não quer ver, mas Regina Mills também está totalmente apaixonada por você. Vai atras do seu "além do sexo" Swan!
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