The Last Chance
26 Capítulo 25
Notas iniciais
REGINA MILLS
A sensação de falar com aquela mulher, mesmo que fosse ao telefone, faziam os meus dedos soarem. Não sabia ao certo até onde a mesma queria chegar com aqueles assuntos desconexos, em parte, eu não estava prestando atenção. Estava realmente concentrada no timbre de sua voz ou até mesmo nos meus pensamentos divagando sobre suas palavras aquela noite. Eu não ousei interrompe-lá, mas alguém sim.
— Gina, com quem está falando? — Ruby entrou na cozinha, Emma parou de falar.
— Estou... Estou conversando com uma amiga. — forcei a garganta. — Algum problema? Cansou da minha irmã?
A morena sorriu de canto, piscando com um do olhos.
— Você sabe que eu não canso tão fácil assim. Sobre o problema, bom... é que acabamos com o vinho... posso pegar mais uma garrafa?
Bufei, mas queria logo dispensá-la, então, apenas afirmei com a cabeça.
— Você não vem? Zelena está curiosa com o que você está fazendo aqui....
— Está mesmo? Vocês parecem muito mais interessadas entre si. — sorri, notando o olhar de malícia da mulher, que eu tinha certeza que não recaia sobre mim e sim sobre o que aconteceria na sala em minha ausência.
Esperei com que Luccas saísse e retirei o aparelho do peito, levando-o até a orelha novamente. A linha estava muda.
— Emma... — chamei.
Nenhuma resposta.
— Emma, ainda está aí?
— Sim... — um suspiro profundo. — Eu não sabia que estava acompanhada. — aquele tom, aquele tom era estranho. Parecia irritado e desapontado.— Mills, estou incomodando você?
— Voltamos ao Mills? Não, Emma, você não está me incomodando. Só me dê um minuto, okay?
— Ok.
Fui até a geladeira e peguei uma garrafinha de água, ainda com o telefone na mão saí do ambiente e voltei à sala. Ruby e Zelena estavam bem próximas e não pude deixar de notar a mão de minha irmã depositada sobre uma das coxas da morena. Revirei os olhos, tomando o rumo das escadas. Ali eu só serviria de vela e a ideia me fazia querer vomitar.
— Onde você pensa que vai? — Zelena, literalmente gritou quando passei por elas.
— Irei para o meu quarto. Aparentemente as coisas estão muito boas sem a minha presença. — Ruby sorriu, e a ruiva ruborizou. — Boa noite, garotas.
— Não irá levar o seu presente?
— Talvez queiram usá-lo. Tudo bem, eu gostei, mas aparentemente necessitam mais do que eu. Caso precisem de algo e eu sei que não vão, estarei em meu quarto. Aproveitem e não façam nada que eu não faria. — pisquei e apanhei o corrimão, não esperando resposta de nenhuma das duas.
Fechei a porta do quarto, coloquei o celular e a garrafa no criado-mudo. Abaixei o zíper lateral daquele vestido, deixando com que o mesmo fosse ao chão. Retiro os saltos e alcanço o celular com uma das mãos, me jogando sobre o colchão apenas de calcinha e sutiã.
— Pronto...
— Ah, sim... — pareceu um pouco nervosa. — Está em seu quarto?
— Como você adivinhou? — me enfiei debaixo das cobertas.
— Bem, eu ouvi...
— Verdade, esqueci de colocar você no mute. — brinquei. — Como está a temperatura, por aí? — falar sobre o tempo era definitivamente horrível naquela altura.
— Não muito diferente da que eu estou acostumada, odeio esse frio. — rangeu os dentes. — E aí?
— Bom, está nevando lá fora... Acho que você consegue ter uma base.
— É... Eu consigo imaginar. — riu.—Como você está?
— Estou...- suspirei, lembrando do choro que derramei há algumas horas. — Estou bem e você?
Ela não deveria saber daquilo, deveria?
— Estou preocupada. Mas no físico estou bem cansada, hospitais por mais luxuosos que sejam ainda sim não são agradáveis.
— Entendo e concordo plenamente.Tudo vai dar certo, acalme-se.
Me enrolei ainda mais nos cobertores, meu pés estavam congelados.
Um silêncio pairou sobre a linha telefônica. Me senti estranha por não saber o que dizer, mas ela ainda estava ali, sua respiração mesmo que baixa é audível.
— Regina...
— Sim?
— Obrigada...
— Oh, não precisa agradecer, conversar faz bem. Além do que as meninas estavam quase implorando para que eu as deixasse à sós.
— Não estou falando disso...
— Ah.. oh... bem, não foi na...
— Não diga isso. Você mais do que ninguém sabe que foi t...
"Senhora Swan, podemos conversar um pouquinho".
— Regina eu preciso desligar, mas eu gostaria muito de conversar sobre isso futuramente.
— Ah sim, claro eu entendo. Me mande notícias depois e acredito que teremos tempo para conversar sobre o que aconteceu.
— Te ligo mais tarde.
Ao apertar o botão para finalizar a chamada, consegui sentir o frio da barriga se estender por todo o meu corpo. Uma sensação estranha, como se fosse um aperto no peito. Respirei fundo, agarrei o travesseiro ao lado e fechei os olhos, buscando esvaziar a mente para conseguir dormir.
Não sei ao certo por quanto tempo demorei para pegar no sono, mas sabia que se passava das cinco da manhã. Toda essa insônia, teve reflexo em uma chata dor de cabeça, e um peso enorme no corpo no dia seguinte.
EMMA NOLAN SWAN
A princípio, não sei ao certo o que me levou a discar o número de Regina, o que era para ser um simples agradecimento, tornou-se uma conversa longa, e até mesmo reconfortante. Sabia que teria com ela uma dívida enorme, e eu não fazia ideia de como iria pagá-la, mas eu teria e, antes de tudo precisaríamos conversar pessoalmente. Em seu tom de voz a notei magoada e mais uma vez me repreendi por não ter medido as palavras e simplesmente explodir. Tinha consciência que talvez tivesse mesmo exagerado. Tudo estava tão fora do eixo que se quer me ouvi ao xinga-lá de maneira tão baixa.
Robbins passou todo seu corpo pela porta de vidro assim que deixei o meu celular sobre uma das mesinhas de canto. O calafrio divagou por todas as partículas do meu corpo e pelo seu semblante as coisas também pareciam fora dos eixos por ali.
— Bom dia, Senhora Swan. Como está?
— Bom dia? Que horas são? — olhei para as janelas, ainda estava escuro. — Aflita.
— Força do hábito, ainda são três e meia da manhã. — respondeu, se aproximando um pouco mais. — Desculpe caso ninguém tenha vindo te avisar, está uma loucura esse hospital hoje. Tivemos um acidente dos grandes e todos estão ajudando a ala inferior do hospital.
A mulher não usava o seu jaleco com ursinhos e afins, ela estava com uma roupa toda azul, uma toquinha rosa e branca com algumas flores e uma máscara caída em seu pescoço.
— Alguma notícia sobre Henry? — fui direto ao ponto e, realmente ninguém havia me comunicado sobre o seu estado.
— Tivemos algumas complicações...
— Ah meu deus, o que aconteceu? — meu coração errou as batidas e o desespero tremeu minhas mãos.
— Acalme-se, Henry está bem senhora. Apenas vim lhe informar que a cirurgia pode demorar mais do que o esperado. — sua mão acariciou o meu braço gentilmente. — Essas complicações são previstas em todas as cirurgias, mas não se preocupe. Estamos fazendo de tudo para não prejudicá-lo.
— Quanto tempo? — respirei fundo, sentindo certo "alívio".
— Não sabemos exatamente. Estamos procurando meios para a retirada do tumor de uma forma mais evasiva porque o mesmo está um pouco maior do que as tomografias mostraram.
— Ok, mas tudo vai ficar bem não é?
— Estamos fazendo todo possível para que sim. Agora se me permite irei voltar a sala, no mais tardar trago notícias. — foi saindo do quarto.
Devido a certeza que a médica transpassou em suas palavras, senti um leve conforto. Cheguei ali por indicações e pelo menos de forma aparente ela honrava o cargo de uma das melhores cirurgiãs pediatras do mundo. Depois que Robbins saiu do quarto me sentei novamente na poltrona, levando a mão a cabeça, tentando tirar um cochilo. Precisava de algumas horas de sono, meu corpo inteiro estava em desaprovação com o meu estado.
Não sei quanto tempo havia se passado, mas ao despertar o quarto se encontrava claro demais, ou seja, o sol já havia nascido. Fechei as persianas e olhei o relógio de pulso, passavam-se das onze horas da manhã. Vesti um suéter branco e decidi ir à procura de um café, meu estômago estava vazio, mas não tinha vontade alguma de comer, só queria mesmo algo que me aquecesse e que mantivesse acordada.
Cerca de duas horas depois, entre uma rápida caminhada e o café, segui de volta para o quarto, não havia muito o que fazer, então o jeito era esperar por notícias. Assim que abri a porta, levei a mão ao peito, o lugar não estava vazio.
— O que está fazendo aqui? — perguntei em um fio de voz, reconhecendo sua estrutura.
— Você disse que ligaria mais tarde, Miss Swan. — me encarou com aqueles olhos castanhos, levando suas mão para os bolsos de seu casaco preto. Deu alguns passos, parando em minha frente. — Como você está?
Engoli seco. Talvez, ainda não estava preparada para encontrá-la, ainda mais depois do último episódio. Conversar por telefone era completamente diferente.
— Ah.. bem, na medida do possível. Consegui dormir por algumas horas. — disse sem graça, desviando o olhar. — Não precisava vir até aqui, era só ter me mandado uma mensagem.
— E você já viu o seu celular essa manhã? Eu fiz isso. — respondeu com certa acidez. — Da forma como tudo ficou, achei que tinha acontecido algo grave.
— Oh, me desculpe. — ela estava certa, comprovei ao pegar o aparelho na mesinha ao lado, havia ligações perdidas e diversas mensagens. — Estava no silencioso e eu não o peguei essa manhã. Como soube onde estávamos?
— Certo. Eu só fiquei preocupada. Eu apenas me informei... — suas bochechas ganharam um tom rubro, provavelmente vendo em meu semblante a condenar por fazer aquele tipo de coisa novamente. Controlei o sorriso, tentando manter a seriedade. — Como está o seu filho? Henry, não é?
— Isso, Henry. — respirei fundo. — Eu não sei, ontem quando eu precisei desligar ele estava estável, mas a cirurgia demoraria um pouco mais. Houve complicações. Eu realmente não vou lhe questionar quais os métodos por que já posso imaginar.
— Oh! Certo, desculpe-me uma vez.
— Eu não sei mais por quanto tempo ele ficará na sala de operação, só espero que ele saia bem. — disse com voz embargada. — Enfim, você não deveria ter vindo... Deve ter milhares de coisas para fazer.... nós não... eu já lhe devo demais.
— Não quero falar disso. — balançou os ombros. — Se estou aqui é porque eu posso estar.
— É manhã de Natal, Regina...
— Então venha, me dê um abraço e deseje um feliz natal decente.
Procurei em seus olhos algo que indicasse que ela estava brincando, mas nada encontrei. Senti uma das minhas pernas tremer de nervoso e como se ela lesse os meus pensamentos, se aproximou. Mills era mais baixa do que eu, porém, devido a bota de salto que usava, ficou na mesma altura. Seus pequenos braços foram para cima, e ela então juntou nossos corpos em um abraço. Engoli seco com a proximidade, levei alguns segundos para conseguir reagir e só assim, coloquei uma das mãos em sua cintura, deitando a cabeça levemente em seu ombro.
— Feliz natal, Emma Swan. — disse em um fio de voz bem perto do meu ouvido.
Arrepiei-me.
— Feliz natal, Regina. — respondi um pouco rouca.
— Senhora Swan.... Ah, oh! Desculpem-me...
Regina e eu terminamos aquele abraço como se tivéssemos sido pegas fazendo algo errado. De um modo desajeitado, encarei a dona da voz.
— Doutora Robbins. — senti as minhas bochechas quentes. — Algum-aa notícia? Como ele está? Aconteceu alguma coisa?
— Uma pergunta de cada vez. — sorriu a loira. — Swan, o Henry já está saindo da cirurgia. Ele está bem, conseguimos remover com sucesso todo tumor. Dentro de alguns minutos, ele voltará para o quarto. Ele ainda vai estar dormindo por causa da anestesia geral, deixe-o descansar, foi uma noite difícil para ele. Não temos certeza se houve alguma sequela, mas ao que tudo indica, tudo saiu como planejado. — pausou por um instante, analisando um objeto preto em sua mão, que apitava sem parar. — Tenho que ir. Volto aqui mais tarde para lhe informar com mais afinco os cuidados, ok? — afirmei com a cabeça.- Desculpe mais uma vez por ter entrado daquela forma. Até mais. E ah, feliz natal para vocês.
Sentia o ritmo das batidas do meu coração irem aumentando gradativamente. O sorriso foi de orelha a orelha. A felicidade corria por cada veia do meu corpo, e dessa vez, foi eu quem procurei o abraço da mulher. Seu corpo não me recebeu muito bem por causa da surpresa, tive que fazer força, para nos equilibrar.
— Obrigada... Obrigada, Regina. — falei assim que me senti firme, e ela relaxar.
Gratidão. Alívio.
— Fico feliz que ele esteja bem... — sussurrou.
— Eu não sei... Eu não sei como lhe agradecer...
— Ei, conversaremos sobre isso depois. — se afastou, desfazendo o abraço e me encarando. — Deixei a minha irmã dormindo há algumas horas no hotel, preciso voltar antes que ela fique preocupada. Apenas passei para ver se estava mesmo tudo bem.
— Ah sim, claro. — respondi, sem graça.
— Posso voltar mais tarde para vê-lo? — perguntou com receio.
— Claro... Claro que você pode.
— Certo, te vejo depois então. — depositou um beijo casto em minha bochecha esquerda e se foi.
Era estranho Mills estar ali, era completamente estranho ter aquela mulher ali depois de tudo o que aconteceu. Mas eu estava grata, sem ela, Henry não teria chance alguma.
Joguei-me sobre a poltrona ao lado da cama de Henry, assim que os minutos iam se passando, conseguia ouvir os batuques dos meus dados sobre os braços do móvel. Estava nervosa e apreensiva, precisava vê-lo logo. Apanhei o meu celular, mandando uma mensagem para Branca, avisando que nosso garoto estava vivo. Ela que rapidamente respondeu, fazendo perguntas que eu ainda não tinha as respostas.
Demorou muito mais do que eu esperava para que o trouxessem, e assim que o fizeram, meu corpo todo se arrepiou. Ali estava o meu menino, com uma faixa branca enorme na cabeça, de olhinhos fechados, peito subindo e descendo calmamente, como se estivesse dormindo. Os enfermeiros deixaram o quarto e eu, me aninhei ao seu lado com todo cuidado. O beijei intensamente e inalei o cheirinho de seu corpo, seu cheiro natural.
Não sei a que ponto daquele encontro que eu fechei os olhos e me prendi em um cochilo intenso. Ao sentir algo se mexendo abaixo de mim, despertei assustada.
— Henry? — o chamei, notando que ele já estava acordado.
— M-mãe, é você? — disse ele, movendo as mãos de um lado para o outro. — Mãe... por que tá tudo escuro? Mãe... acende a luz... por favor...
O riso morreu em meu rosto.
Não estava escuro. Era dia.
Seus olhos... Seus olhos estavam abertos...
Henry... estava cego...
?
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