The Last Chance
9 Capítulo 8. - PVD DUPLO.
Notas iniciais
EMMA NOLAN SWAN
Os dias foram se passando até completarem o meu terceiro mês ali dentro. Assim como Branca, também duvidei que fosse aguentar mais do que algumas semanas, e por fim eu ainda continuava na Apple of Gold, a maior empresa de tecnologia de Nova York.
Belle tornou-se uma grande amiga e confidente, posso até arriscar a dizer, mas ela era a única que me entendia ali dentro, ainda mais quando o assunto era a morena dos olhos intensos. Sim, tive que contar a ela ou morreria sufocada, pois não aguentava mais não ter alguém para desabafar quando as coisas ficassem estranhas entre eu e a Srta. Mills, eu tenho Branca, mas teria que esperar até o final do expediente para surtar, então, a garota dos olhos cor de céu começou a ser a peça chave para eu me controlar no trabalho. De inicio Belle se assustou um pouco, gargalhei com a sua expressão de espanto, mas logo soube que podia contar e confiar nela, assim como estou deixando “a porta aberta” para ela me contar seus segredos.
Os outros funcionários são legais, mas sabe aquele tipo de pessoa que não tem muita facilidade para fazer amigos? Então, apresento-me. Apenas um cumprimento formal, agradecimento ou coisas que envolviam planilhas, nada mais, as pessoas ali devem me achar uma estranha.
A única pessoa que me incomodava de certa forma era o famoso soldadinho, Graham. Por motivos a qual eu não sei, sempre que eu olhava para o lado, via aqueles olhos presos em mim, como se eu estivesse com o nariz pintado de vermelho, uma melancia na cabeça ou coisa do tipo. Seu olhar era como o de Regina, ele deve ter uma boa professora, porém a técnica não funcionou tão bem, pois ao invés de me seduzir, ele me deixava irritada.
Belle havia prometido uma noite digna de sexta-feira em uma casa noturna, com o intuito de fazer com que eu interagisse com mais pessoas da cidade, até por que desde que Henry nasceu, passei a ignorar esse tipo de diversão, ou melhor, qualquer coisa que não envolvesse estar com ele todas as noites. Um pouco à contra gosto acabei aceitando, sabendo que apesar de toda o receio eu precisava esvaziar um pouco a mente e quem sabe, me divertir como Belle prometeu.
Depois da minha última conversa com Regina, notei que ela realmente parou com todas aquelas artimanhas para cima de mim, porém de qualquer maneira ela sempre me provocava com gestos e insinuações que faziam os pelos da minha nuca se erguerem instantaneamente, mas é claro, não deixava com que ela percebesse que uma pequena parte de mim queria ver o seu lado mais insano, por mais perigoso que ele pareça ser.
Evitei por semanas ficar a sós com ela por muito tempo, elevador, sua sala, banheiro, todos os cantos que poderiam deixar as minhas sensações à flor da pele e fizesse com que eu perdesse o controle, como fiz aquele dia quando voltamos da cafeteria. Mas depois, como assistente pessoal da mulher, percebi que seria questão de tempo para que estivéssemos trancafiadas em um só lugar, então passei a guardar esse desejo lá no fundo da alma, onde assim, poderia trabalhar como qualquer outra pessoa na empresa.
Perdi a noção do tempo naquela linha de raciocínio e no quarto toque do telefone, despertei.
— Apple of Gold, Emma, em que posso ajuda-lo?— atendi, tentando contar no curto silêncio quantas vezes já havia dito aquela frase naquele dia.
— Regina, onde ela está? – disse uma voz feminina, um pouco rude.
— Quem gostaria?
— Kristin, Maleff. – soltou a respiração no telefone. — Vamos garota, me transfere logo para a sua chefe...
— Só um momento, vou ver se ela pode falar agora.
Se aquele não fosse o meu trabalho, com certeza daria uma resposta melhor para essa tal de Kristin.
Levantei e caminhei até a sala de Regina, pois ela não atendia o telefone. Com dois toques sutis na porta, ouvi o seu consentimento e entrei.
— Swan?
— Sra. Mills. – sorri. – A Srta. Maleff está na linha, ela gostaria de falar com você. Está livre para atende-la no momento ou quer que eu peça para que retorne mais tarde?
— Qual o primeiro nome, Emma?
Era inevitável não sorrir quando ela me chamava de Emma.
— Annn... Kristin, Senhora.
Pude ver Regina estática por alguns segundos, mas logo depois abriu um sorriso de orelha a orelha, um daqueles sorrisos que ela lançava para mim há alguns meses.
— Transfere, por favor. – já tratou de pegar logo o telefone.
Assenti com a cabeça e não disse mais nada, voltei a minha mesa e apertei um dos botões, esperando que Regina atendesse.
Ainda estava com o aparelho na orelha quando ouvi a maneira como a morena saudou a outra mulher: – Kristin, meu amor...
Senti-me estranhamente curiosa para saber quem era aquela, se era apenas uma amiga ou outra que prestava serviços para Regina, mas óbvio que eu não iria perguntar, não tinha nada a ver com isso e não sou intima de Mills para saber da sua vida pessoal.
Passei a notar que frequentemente um novo rosto aparecia acompanhado de Graham, o que me avisa que Regina não gostava de repetir o cardápio e o quão difícil deveria ser para o homem encontrar tanta mulher em Nova York. Era engraçado ora ou outra, mas na maioria das vezes era incomodo para mim, ainda mais que uma vez já fiz parte de sua lista de desejos.
— Tudo certo pra hoje né, loira? – quase saltei da cadeira, colocando a mão no peito, assustada.
— Não sei, depois de quase enfartar... Por que você sempre faz isso Belle?
— Ah desculpa, mas na verdade é você que sempre anda com a cabeça nas nuvens. – sorriu. – No que você estava pensando?
— Em nada. – balancei a cabeça para os dois lados, agarrando a bolsa em conjunto com a jaqueta. – Já está na hora? – respirei fundo e levantei, apertando o botão para desligar a tela do computador. – O dia passou muito depressa, parece que eu acabei de chegar.
— Concordo com você, mas isso é devido à demanda do mês, sempre quando o dia é lotado, as horas passam mais rápidas. – a acompanhei até a porta. – Te vejo às dez?
Olhou-me por cima do ombro, indo para o lado oposto ao meu.
— Sim... Esperarei por você. O elevador é para cá. – apontei com uma das mãos.
— Eu sei Emms, mas prefiro as escadas. – sorriu.
— Por quê? – perguntei confusa.
— Faz eu relaxar um pouco depois de quase o dia todo sentada em uma cadeira. – começou a se afastar. – Além do que, é mais tranquilo do que esses elevadores lotados.
Gargalhei com a sua explicação, ela estava certa, apesar de mais de quarenta degraus, seria bem melhor do que as caixas de matais.
— Posso ir com você?
— Ah, mas é claro Emma.
Descemos a maior parte dos degraus e como faltava apenas dois andares para chegarmos ao térreo, aderi a ideia que passou pela minha mente. Joguei a alça da bolsa por cima da cabeça e deixei com que ela ficasse de uma forma transversal, no bolso da frente apanhei a luva de inverno e dei dois passos perto do corrimão, colocando-o delicadamente entre as minhas pernas.
— Emma, sua louca o que está pensando em fazer? – Belle agarrou um dos meus braços, me forçando a apoiar uma das pernas no chão novamente.
— Vai dizer que nunca escorregou em um corrimão? – sorri, entrelaçando os meus braços no metal frio e preparando para descer.
— Você não vai descer por aí. – apertou forte a malha do meu casaco. – Já pensou se você cai?
— Fica calma que eu sei o que tô fazendo. – garanti, tentando me livrar dos seus dedos magros. – Vamos, me acompanhe!
Antes que Belle pudesse me impedir, soltei as pernas e deixei o meu corpo descer rapidamente. Olhei para trás, ajeitando a musculatura para dar a última volta, sentindo o friozinho na barriga quando o corrimão estava chegando ao fim. E esse era o momento que eu mais deveria prestar atenção, caso contrário, acabaria com uma bela dor nas costas ao se chocar com a parede do lado oposto.
O salto foi estratégico e os joelhos se firmaram no chão inflexível, respirei fundo e sorri, esperando com que a garota terminasse de descer.
— As vezes eu duvido da sua idade Swan. – respondeu, dando-me um beliscão na cintura.
— Aí. – gemi em falso, jogando um dos braços ao redor dos seus ombros. – Confessa, eu sou uma pessoa divertida!
Belle me olhou pelo canto dos olhos e abafou o riso nos lábios. – Se você diz. – falou com desdém, nos encaminhando para as catracas. – Um dia você vai se matar com essas brincadeiras perigosas! Aposto que não deixa seu filho fazer esse tipo de coisa.
— Pelo contrário. – gargalhei, agarrando o meu crachá e passando-o sobre o sensor. – A gente brinca junto!
— Meu deus! Quando o juízo vai bater na sua porta, Srta. Swan?
Belle e eu morávamos não muito longe uma da outra, porém era em direções opostas. Ela semicerrou os olhos pela última vez antes de começar a se afastar, como se pedisse uma resposta para a sua indagação.
— Você já ouviu a frase... – sorri, andando de costas. – Temos que aproveitar ao máximo cada segundo? Então, a vida é muito curta Belle! – acenei com uma das mãos, começando a virar o corpo. – Te vejo mais tarde. – não esperei resposta alguma, pois mesmo que quisesse não conseguiria ouvir, Belle já estava longe o suficiente.
Caminhei tranquilamente pelas calçadas úmidas de Nova York, um inverno rigoroso, como sempre há de ser, mas que uma bela noite de farra apagaria o rastro do frio em qualquer corpo da cidade que nunca dorme.
Após o jantar, ajudei Branca com as louças sujas, enquanto Henry estava disperso por algum desenho na sala. Comecei a guardar os pratos que já estavam secos, já contando o tempo para eu conseguir me arrumar até Belle chegar.
— Tem certeza que não quer mesmo ir? – indaguei me aproximando, recolhendo dessa vez, alguns copos. – Posso chamar alguém para cuidar dele.
— Sério que você confiaria em outra pessoa? – respondeu com ironia, sabendo como eu era desconfiada. – Tudo bem, Emma... Vá se divertir, eu fico com o garoto...
— Mary, me sinto tão carregada por deixa-lo tanto tempo com você. – desabafei, parando em seu lado e fitando-a de uma maneira terna. – Já basta morarmos aqui... Prometo lhe pagar por tudo amiga, assim que eu conseguir uma vida melhor. Recompensarei todos esses anos que você me acolheu. – beijei as suas bochechas e a abracei fortemente.
Branca retribuiu o abraço, colocando as mãos em volta das minhas costas.
— Não precisa me agradecer por nada, Swan. Vocês são a minha família, minha companhia. – se afastamos, sorrindo uma para outra. – Aposto que se não tivesse a encontrado naquele porto, eu com certeza ainda estaria chorando pelos cantos, ou estaria em um bar, bebendo por causa do meu David. – voltou a abrir a torneira, olhando-me por cima dos ombros. – Agora trate de subir e se arrumar!
Com as mãos atrás das costas comecei a me afastar, não conseguindo esconder a minha ansiedade no curto sorriso que abri. Encarei Henry rapidamente antes de agarrar o corrimão, respirando profundamente e enchendo a mente de ideias para qual roupa usar essa noite.
As pernas devidamente hidratadas e lisas após um banho demorado, foram cobertas até a metade das coxas por um tecido vermelho, justo e colado. Demorei horas para escolher um dos vestidos de Belle, deveria ter escolhido outro, algo mais solto ou não tão curto, mas agora era tarde demais. Era ele ou as roupas de sempre.
Delineei um traçado amistoso pelos olhos, elevando os cílios e completando com um esfumaçado preto, porém sútil. Para os lábios, escolhi um batom vermelho matte, carregando e me deixando irreconhecível. Dificilmente usava maquiagem, preferia as coisas mais ao natural, mas de acordo com as minhas duas e únicas amigas, hoje aquela opção não existia.
Calcei um sapato preto, não tão alto e comecei a me dirigir para o corredor, agarrando o meu celular dentro da bolsa-de-mão, olhando a mensagem que indicava que Belle já estava chegando. Desci as escadas calmamente, sabendo que o barulho do calçado chamaria a atenção de Branca e de Henry, preparei as bochechas, pois sabia o quão envergonhada iria ficar por meu garoto me ver naquelas vestes.
— Mãmãe... – chamou-me, estendendo os bracinhos.
Peguei ele, tomando cuidado no decote pelo peso sob o tecido. – Hey meu amor, quero que se comporte hoje, tá bom?
Ele assentiu com a cabeça. – Você está linda... – Henry colocou as mãos delicadas nas minhas bochechas e depois beijou rapidamente. – Se comporte também, mamãe.
— Acho que anda ouvindo demais os sermões que ganho da Srta. Mary. – brinquei, olhando para a mulher com os olhos semicerrados. – Não irei demorar, Branca...
— Ah, pare! Não se preocupe com horários! – sorriu. – Henry, hora de dormir... Vamos? – Entreguei-o com um imenso aperto no coração, não gostava de deixa-lo durante a noite.
Meu celular vibrou.
[Emms, tô aqui... Vamos logo... Antes que fique lotado para estacionar. – Belle.] – dizia a mensagem de texto.
Olhei mais uma vez para Branca que agora, estava no hall da escada. – Não se preocupe, divirta-se ao máximo!
— Tchau, mamãe. – acenou Henry, com a cabeça deitada nos ombros da mulher.
— Tchau... A mamãe volta logo.
Vamos Emma, você consegue ter uma noite só sua... É só passar por aquela porta e entrar naquele carro... Só isso... Só isso que você precisa para se divertir...
Apenas... se divertir...
REGINA MILLS
Suprir. Suprir é a palavra que me levou a recorrer às mulheres banais para que o meu desejo fosse atendido desde que ela me deixou. Confesso, chorei por dias, semanas. Não esperava que uma oferta de emprego fosse arrancar de mim a pessoa que me fizera extremamente feliz por tantos meses, pessoa a qual eu juraria amar até a morte, caso fosse necessário.
Desde que perdi os meus pais naquele acidente, comecei a me apegar às pessoas, me deixar sentir e aflorar tudo o que um dia foi recluso por causa de um pai rigoroso, idealista e que tinha um nome a zelar. Apesar dos conselhos de Zelena, minha irmã mais nova que morava em Los Angeles, e de Robert Gold, decidi manter aquilo e curtir de forma extrema antes que o testamento fosse aberto e eu tivesse que ficar presa pelos bens que iria adquirir dada à morte dos meus pais.
No inicio era só uma parada rotineira, como acontecia em alguns pontos desertos de uma longa estrada. Algumas perguntas e eu estaria livre daquela policial. Mas quando ela pediu para que eu descesse do carro para uma revista, sabia que dali à diante, eu estaria encrencada. Uma revista minuciosa, apertos em partes que eu poderia jurar que não eram necessários. Estremeci quando as duas mãos pararam próximo as minhas pernas, erguendo levemente a barra daquela saia e, quando ela olhou para cima e sorriu, soube as suas reais intenções. Kristin era o nome esculpido no distintivo que joguei ao longe ao arrancar aquela camisa azul. Sentei-me sobre ela no banco traseiro do meu carro em puro êxtase por transar com uma desconhecida, cuja qual manipulou o meu corpo com tamanha precisão que quando terminasse, eu clamaria por mais.
Passou-se um, dois, três e quando estava completando o quarto mês que me entreguei a uma paixão, sádica, sensual e prazerosa, a policial dos olhos claros recebeu uma premiação, dando-me a notícia que precisaria ir para o sul da Califórnia. O pior de tudo é que eu receberia o testamento dos meus pais na semana seguinte, onde ela não estaria ao meu lado para garantir que tudo iria ficar bem, que eu poderia lidar com aquilo. Gritos, lágrimas, e o meu próprio coração eu usei para tentar impedi-la de ir, mas não adiantou, era o seu futuro em jogo.
Amei-a até o último adeus naquele aeroporto sujo, não guardei mágoa, não senti raiva, apenas sabia que a melhor parte de mim, havia sido levada. Kristin me ensinou tudo, tudo que envolvia agradar o corpo a quem se deitava abaixo de mim, mas a maior de suas lições foi: não se apaixone tão fácil. Disse para mim mesmo que não me derreteria mais ao receber uma de suas ligações, ou até mesmo por receber noticias suas pela televisão quando a mulher fosse bem sucedida em seu trabalho, mas ao ouvir aquela voz do outro lado da linha, todas as lembranças vieram à tona.
— Kristin... meu amor, a que devo a honra? – disse em um tom galanteador, porém ao mesmo tempo irônico.
— Regina... Regina, você não me contou que a sua casa tem uma macieira...
Quase saltei da cadeira quando ouvi o que ela disse, como ela poderia saber da pequena árvore? Ah não ser... que...
— Está em Nova York... — respondi em um sussurro, respirando fundo. — O que faz tão longe de suas terras forasteira?
— Ah minha cara, precisava resolver um caso por aqui... Aí... me veio a ideia de fazer uma visita a uma velha amiga, chamada Regina.
Gargalhei, jogando-me para o assento da cadeira com tudo.— Então está tão necessitada que veio até a mim?— brinquei.
— Pois é... andei me divertindo com strippers na noite passada, mas nenhuma tem o seu rebolado morena. – riu alto. – Estou a brincar, mas adoraria te ver...
— Estaria uma das policiais mais importantes da Califórnia, a senhora que me abandonou... me chamando para sair?
— Senhora? Não estou tão velha, querida... Mas sim, uma dose de Regina Mills antes de voltar à minha vida, seria essencial.— e aquela voz manhosa, dita em um tom nutrido pela sedução.
— Me diga primeiramente, onde a noite terminaria? – entrei no jogo, abusando da voz sussurrada.
— No meu quarto de hotel ou na sua cama, se preferir...
— Se eu disser que eu não quero nenhum dos dois?
— Você estaria mentindo...
— Veremos... Onde pretende me levar?
— Uma surpresa em troca de uma pergunta...
— Vamos... Pergunte...
— Você gosta de dançar, Srta. Mills?
— Não tanto quanto meus pés aguentam. — respondi.
— Então, nos vemos às dez...
— Tudo bem, senhorita...
— À propósito, tens uma casa muito bonita... Mal posso esperar para conhecer ela por dentro...
— E eu mal posso esperar para te mostrar o que virá junto com a casa...
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