The Last Chance
40 Capítulo 39 - PVD DUPLO
Notas iniciais
EMMA NOLAN SWAN
As semanas iam se passando lentamente e ao mesmo tempo em que me mantinha feliz pelo namoro com Regina, ficava preocupada com o modo que ela estava agindo. Sempre calada, pensativa, afastada de tudo e de todos. Do serviço para casa, da casa para o serviço. Não fizemos sexo ou se quer dormimos juntas desde aquele dia, o que deixam as coisas ainda mais estranhas, já que sexo e companhia eram suas coisas preferidas e obviamente, passaram a ser as minhas também. Mas era claro, deixaria com que ela tomasse o seu tempo, seja para o que fosse.
Enquanto Regina se mantinha perdida em seus pensamentos, me mantive atenta as outras coisas, tais como o meu emprego e a cirurgia de Henry, que seria no final dessa tarde.
— Mamãe, a gente vai visitar aquela médica bonita de novo? — perguntou Henry, enquanto eu fechava a sua jaqueta.
Olhei Regina por cima dos ombros, vendo-a torcer o nariz.
— Eu acredito que não. Coloque o gorro e pegue suas luvas com a Srt B, vamos sair em cinco minutos.
Ele rapidamente saiu da minha vista, tateando as paredes à procura de Branca.
— Médica bonita, uh?
— Você sabe como as crianças são, como ele é. — lhe dei um sorrisinho, caminhando em sua direção e abraçando-a pela cintura.
— Ele deve ter ouvido você dizer alguma vez. — deu-me um leve empurrão.
— Pergunte a ele, sabe que Henry não mente. Não foi eu quem disse isso.
— Eu vou mesmo, viu? Senhorita Emma Swan.
— Tudo bem, Senhorita Regina Mills.
Revirou os olhos e se afastou um pouco ao caminhar até a porta quando o seu celular tocou. Desde aquele dia, ela evitava atender qualquer ligação perto de mim. — Espero vocês no carro, preciso atender.
— Tem certeza que não quer ir? — perguntei a Branca que se aproximava com o meu filho nos braços.
— Você sabe como eu sou, não quero deixar todos nervosos. Ansiedade é um grande mal.
— Tudo bem, eu entendo.
— Me ligue assim que ele sair ou se houver qualquer coisa, por favor. — colocou o garoto no chão e olhou pelas minhas costas.
— Onde está Regina?
— Celular.
— Ela ainda continua estranha?
— Você não tem ideia de como.
— Tenha paciência, ela vai abrir o jogo quando estiver pronta.
— Eu espero. — sorri sem humor. — E ai, está pronto para mais uma aventura kid?
— Sempre, mom.
Depois de uma rápida melancolia da parte de Branca, seguimos para o hospital. Era mais que notável que Regina estava não só preocupada com Henry, mas com muitas outras coisas. As mãos da mulher apertavam o volante com tanta força que era possível ver a palidez com a falta de circulação.
— Relaxa, tudo ficará bem. — apoiei a minha mão em sua coxa coberta pelo vestido.
Como se acordasse de um transe, abriu um sorriso tímido e visivelmente dirigiu mais calma. Henry talvez sentiu o clima e pela primeira vez se manteve quieto estando no mesmo lugar que Regina.
O hospital não era tão longe e apesar do trânsito agitado de New York, chegamos no horário correto. Enquanto dava entrada no pré-operatório, Regina cuidava de Henry nas cadeiras onde conversavam animadamente. Parecia que as coisas estavam normais, mas no fundo, não estavam. A enfermeira não se demorou em seu serviço e logo liberou o quarto para que ele pudesse trocar de roupa e se preparar para a cirurgia.
Até então, não havia sentido medo. Mas ao ver o meu garoto naquela camisola de hospital sendo levado por Whale e algumas enfermeiras, senti meu peito se apertar e as mãos a tremerem. Rapidamente senti um abraço por trás e até mesmo o seu cheiro me aqueceu.
— Como você disse há algumas horas, tudo vai ficar bem. — beijou-me a nuca. — Ele é um menino forte, vai voltar a enxergar.
— Eu não tenho medo de que ele fique cego, eu posso e já consegui lidar com essa ideia. é só que ele pode, sei lá... não acordar? Ficar em coma? Ter complicações. Eu me culparia o resto da vida por isso...
— Na verdade... — ela se afastou e ficou de costas. — Isso também é minha culpa. Eu fui uma completa idiota.
Regina tinha a voz embargada.
— Não... Não... — contornei o seu corpo, levantando o seu queixo com o indicador. Os olhos castanhos mais lindos e tristes que eu já vi. — Você não sabia... Não é culpa sua. Era para você estar me consolando agora, me alegrando e não se culpando, ok? Nunca foi sua culpa, eu não fui sincera, eu omiti.
Com uma profunda fungada ela assentiu com a cabeça, enxugando o canto dos olhos. Discutir sobre aquilo agora, só piraria mais as nossas cabeças.
— Quer um café? — me encarou.
— Um chá. — sorri com a controversa.
— Um chá então. — estendeu-me sua mão.
Aceitei o convite de bom grado e antes que saíssemos, acariciei o seu rosto e a trouxe ainda mais perto pela cintura. De forma atenta e respeitosa, aproximo-me e meus lábios lentamente se ajuntam nos seus. O beijo não tomaria proporções maiores, mas eu precisava senti-la, precisava lembrar da maciez e paz que era estar ali, estar em sua "paz", sentir o sabor de sua boca.
— Não esquece não, você pode contar comigo para tudo. — sussurrei, me separando e tomando partida para irmos à cafeteria que existia dentro do hospital.
Regina nada mais disse sobre e eu deixei assim, eu não precisava de uma resposta, precisava apenas que ela me entendesse e que ouvisse.
5 HORAS MAIS TARDE ***
Tinha os olhos presos na mulher descansando na poltrona ao lado, quando Whale entrou na sala devagar.
— Tudo correu como planejado, Senhorita Swan. Conseguimos desobstruir a pressão, mas só teremos certeza se funcionou apenas quando ele despertar. Seu filho voltará para o quarto em alguns minutos, estará usando uma faixa, mas não se preocupe. Ele estará sedado por conta da anestesia, ele foi um menino forte, precisa descansar.
— Obrigada! Obrigada! — pulei nos braços do médico, agradecida.
— Eu só fiz o meu trabalho, assim que ele acordar, passarei aqui.
— Certo! Aguardaremos você.
O médico deixou o quarto e senti o meu coração ir parar na minha garganta, eu não poderia estar mais feliz. Achei que a mulher despertaria com o grito que eu dei, mas não, ela ainda estava perdida no mundo dos sonhos. Não interromperia o seu descanso e assim, peguei o meu celular e sai do quarto.
REGINA MILLS
Acordar em uma sala de hospital sozinha, não é a melhor das sensações. Ajeitei o meu vestido e deixei a manta de lado e fui à procura de Emma. Não foi fácil achá-la, já que aquele hospital era enorme, mas foi sob um sol frio e quase apagado que a avistei em um dos bancos no jardim dos fundos. Me aproximei devagar e pude ouvir os soluços da mulher que estava de costas para mim. Ao perceber e dar-me conta do que aquilo poderia significar comecei a entrar em desespero, não sabendo se eu estava pronta para receber uma notícia ruim como aquela. Eu não teria chão se algo desse errado com Henry.
— Emma! — a chamei com um nó entalado na garganta.
— Oi... — respondeu se virando.
As lágrimas eram pontos de brilho na pele alva exposta nos últimos raios de sol.
— Aconteceu algo? Porque está chorando?
— É o Henry.
— Não me diga que ele...
Um turbilhão de coisas estavam passando pela minha cabeça, mas aí tudo parou, tudo parou quando Emma sorriu... Ela sorriu muito...
— Ele está bem... Deu tudo certo. Daqui alguns minutos ele voltará ao quarto.
— Oh, meu deus...
Minhas pernas bambearem e a queda foi inevitável, cai de joelhos no gramado. Rapidamente o corpo de Emma se colocou na frente do meu.
— Você está bem? — perguntou preocupada, retirando os fios do meu rosto com delicadeza.
— Eu... Eu estou. Só foi a emoção.
— Tem certeza? Estamos em um hospital, posso pedir para um médico ver você.
— Emma, eu estou bem. Apenas me desequilibrei.
Depois de eu muito insistir, Swan concordou em voltarmos ao quarto e desistiu de que eu precisava de uma consulta emergencial. Como se soubessem que estávamos fora, assim que passamos pela porta os enfermeiros entraram. Lá estava ele.
O menino de ouro estava com os olhos enfaixados, dormia e não precisava de nenhum equipamento para poder respirar. Ouvi-lo dizer que tudo se saiu bem e que a possibilidade de ter dado certo era de 90%, acalmou os nossos corações de uma forma inefável. Agora, era só esperar.
Aguardamos ansiosas pelo seu despertar. Percebi o quão Emma estava cansada e lutava pelo sono, seu corpo estava escorado na cama e eu estava um pouco atrás, na poltrona.
— Ei, você pode descansar um pouco. A poltrona não é lá essas coisas, mas dá para fechar os olhos por alguns minutos.
— Eu preciso estar aqui se ele acordar. — respondeu baixinho, acariciando o topo de cabelos castanhos do menino.
— Eu cuido dele um pouco, caso ele acorde eu te chamo. Pode ficar tranquila amor...
— Você não tem que fazer isso. Não é a sua obrigação.
— Qual é? Estamos juntas e Henry é o seu filho. Estou aqui pelos dois...
— Mesmo?
— Claro, eu... — me aproximei, deixando um beijo em sua cabeça. — Vamos... deite-se um pouco.
— Está bem. Mas por favor, me acorde com qualquer alteração.
— Você tem a minha palavra.
Swan acatou ao meu pedido e se acomodou no móvel. Só depois de rolar as esmeraldas por todo o quarto ela enfim adormeceu. A observei da mesma forma que ela fazia comigo todas as manhãs, cada traço do seu rosto foi relaxando aos poucos até adotar uma plenitude palpável. Relaxou. Sentei-me na cadeira ao lado da maca, tendo agora a atenção no garoto. Beijei-lhe a bochecha gentilmente, sabendo que a reação foi espontânea e carinhosa.
Não sabíamos ao certo que horas Henry iria acordar, nem mesmo se seria nas próximas horas. A noite foi correndo devagar e pude notar a neve entrando por uma pequena abertura na janela. Dias quentes e noites geladas, não estava impressionada. Levantei-me para poder fechá-la e assim que o fiz, senti o meu celular vibrar no bolso do casaco.
Respirei fundo ao ver o nome no identificador, me certifiquei se Emma estava realmente dormindo e atendi. Como eu estava cuidado do menino, não poderia sair do quarto.
— Oi. — disse o mais baixo que podia.
— Gina, tá tudo bem? Como está o filho de Emma? Você não deu notícias.
— Desculpe-me Zel, ando com a cabeça na lua. Ele está bem, saiu da cirurgia há algumas horas.
— Quer que eu e Ruby façamos companhia para vocês.
— Não é necessário, ele ainda está dormindo. Mas obrigada pela preocupação.
— Certo. Gina...
— Oi.
— Está acontecendo alguma coisa? Ou melhor, eu fiz algo para você?
Eu sabia que as coisas não estavam normais, mas achei que não seriam perceptíveis à ponto de Zelena perguntar.
— A gente precisa conversar sério. — respirei fundo. — Mas agora, aqui, não dá. Depois que Henry ter alta, te contarei tudo.
—Isso parece sério. Devo me preocupar?
— Não ainda. A gente conversa outro dia.
Não esperei por sua resposta e finalizei a chamada.
— Mãe. — ouvi o sussurro e me virei para encará-lo.
Henry estava acordado.
Rapidamente apanhei sua mãozinha que estava levantada. — Oi meu amor, me dá um segundo...
— Regina é você?
— Sou sim amor. Sua mãe está aqui, só me deixe acordá-la.
Beijei os pequenos dedinhos e me afasto, caminhando até Emma.
— Emma... — toquei em seu ombro. — Meu amor, acorde... Ei, Henry despertou...
Me mantive um pouco ao fundo do quarto para poder dar privacidade à mãe e filho. Era notória a preocupação de Emma e a amabilidade da criança, poderia observar aquilo por dias e ficaria encantada em todos eles. Não os interromperia naquela conversa íntima, mas o toque na porta o fez.
Dr. Whale estava ali novamente e apesar de eu não gostar dele nos primeiros momentos, o médico mostrou ser competente e cordial. Me aproximei, tentando ouvir um pouco do que estavam conversando.
— Como havia explicado mais cedo Srt. Swan, apesar de ser uma extração um pouco mais invasiva, a recuperação da mesma é bem mais rápida do que uma craniotomia. Aconselho que seu filho fique em observação por pelo menos mais um dia, apenas para garantir que tudo correu bem e que não há indícios de qualquer infecção.
— Tudo bem, mas quando vamos saber se o procedimento foi bem sucedido? — perguntou com certa cautela.
— Podemos retirar a faixa para termos certeza por agora, mas ele precisar ficar com os olhos cobertos nos dias seguintes por conta da sensibilidade à claridade que ele terá.
Emma concordou com a imposição do médico e assim eles se aproximaram ainda mais da maca. A mulher me encarou por cima dos ombros e estendeu uma de suas mãos para que eu me juntasse a ela. Aceitei de bom grado e fiquei ao seu lado, ainda mantendo nossas mãos juntas. Sua respiração pesada era fácil de ser ouvida, ela estava nervosa.
— Ei garotão, eu vou retirar essa faixa e quero que você tente abrir os olhos devagar. É provável que sinta certo incomodo pela claridade, mas eu garanto que é por pouco tempo. Acha que consegue fazer isso? — disse o doutor para Henry.
— Mom, você não contou a ele que eu já sou um menino grande e que consigo fazer muitas coisas por que sou forte. — questionou bravamente.
— Oh, perdoe-me Dr. Whale, esqueci de avisar que ele já cresceu. — brincou ela.
— Já que temos um grande homem aqui, vamos começar então. — ele sorriu.
Whale abriu uma das gavetas do cômodo ao seu lado, retirando uma tesoura, soro fisiológico, algodão e um rolinho de esparadrapo. Quando a faixa começou a abandonar o rosto de Henry, Emma apertou fortemente a minha mão, adotando uma postura nervosa diante do que viria a seguir.
— Calma meu amor. — falei baixinho, beijando-lhe a bochecha direita.
— Vamos lá, abra bem devagar e me informe se sentir qualquer tipo de dor, ok? — disse o homem mais velho, se afastando um pouco.
A outra mão da mulher agarrou os dedos de seu filho e senti que agora era a hora da verdade. Um arrepio cortou-me a espinha quando percebi que ele começou a fazer certa força para abrir os olhos. Sim, eu temia por ele, por ela. Mas me mantive calada e apenas esperei.
Os olhinhos castanhos estavam abertos... E aquelas órbitas me encaravam...
Silêncio.
Silêncio...
— Eu gosto muito do seu vestido azul, Regina... Oi mamãe...
~~ ♥~~
Me mantive às sombras de Emma até ter absoluta certeza de que os dois ficariam bem. Ofereci a minha casa para se hospedarem até a recuperação total do menino, mas rapidamente ela negou e disse que eu também precisava de tempo e espaço. De início, me senti incapaz e magoada pelas respostas, mas depois entendi que ela estava mais do que certa, eu precisava mesmo de alguns dias para colocar as coisas em seu devido lugar.
Fumar nunca fez parte dos meus dias, não continuamente, mas eu sabia que um bom e caro cigarro me ajudariam naquela madrugada. Refleti a noite toda sobre o que fazer e por onde começar, chegando a conclusão que deveria começar pelo começo, pelo pivô de tudo. Assim que o quarto ganhou claridade, olhei mais uma vez pelo horizonte. Estava sentada na grande janela, observando o nascer do dia. Tinha entre os dedos um dos últimos cigarros, levando-o até a boca e tragando o máximo que meu pulmão permitirá. A fumaça logo se dissipava pelo vento gelado e a vida começava a nascer mais um dia pelo canto dos pássaros. Me apertei naquele hobby por mais alguns minutos e deixei o canudo de tabaco morrer em meus lábios.
O gosto e cheiro de nicotina impregnaram em cada fio de cabelo e cada canto da minha boca, precisei de alguns minutos embaixo do chuveiro para me sentir limpa novamente, escovando os dentes mais de duas vezes para ter certeza que não havia ficado nenhum odor. Após vestir-me e tomar um café preto sem açúcar, decidi começar a executar as coisas que havia planejado a madrugada inteira.
Pedi um táxi por um aplicativo de celular, ficando um pouco irritada por ainda estar sem carro. Não me arrependia de ter dado a Emma o meu como presente, apenas estava zangada com a concessionária que demorava há mais deu uma semana para despachar o meu novo BMW. Me atentei ao celular e vi que o motorista acabará de chegar em frente à casa, peguei a minha bolsa e segui para fora, saindo sem fazer barulho para que Zelena não acordasse.
Disse o caminho ao taxista e o restante do caminho fora feito em silêncio, me mantive perdida em pensamentos do que diria assim que chegasse ao destino.
— Fique com o troco. — disse já abrindo a porta assim que o carro estacionou no endereço pedido.
Não esperei resposta e simplesmente fui em direção à imensa porta de madeira. Analisando cada canto da casa, ficando surpresa por nunca ter estado ali. Bati três vezes a porta e esperei até ser atendida.
— O que você está fazendo aqui? — disse em um tom nada amigável.
Rolei os olhos e mantive a expressão. — A gente precisa conversar sobre a minha irmã. Ou deveria chamá-la de meia-irmã?
Roberto Gold ficou estático e era possível ver o seu engolir seco. Eu sinceramente ainda tinha dúvidas de que ele poderia não saber de nada e que só teria certo afeto por ela, mas apenas ao notar sua expressão, era claro que ele sempre soube.
O homem cedeu passagem para que pudesse entrar em sua casa e assim o fiz, seguindo-o até o que parecia ser um escritório.
— Deseja alguma coisa?- ofereceu.
— A verdade, somente.
— O que você quer saber exatamente, Regina?
— Tudo! Do começo ao fim.
Apesar de ser no máximo 7h30 da manhã, o homem ainda de pijama seguiu até uma espécie de bar e se serviu com um pouco de Whisky. Com o copo pela metade ele andou pela sala até se sentar em uma poltrona na minha frente.
— Sente-se. — pediu e eu concedi.
— Não ouse mentir Gold.
Ele soltou um riso sarcástico e bebericou sua bebida.
— Se você quer mesmo saber, eu te conto. — tomou mais um gole. — Mas prometa que Zelena não vai se machucar com isso!
— Você tem a minha palavra. Jamais machucaria Zelena!
Cruzei os braços e assim, esperei que ele impacientemente para que ele contasse o que de fato teve com a minha mãe.
— Eu não tenho ideia de como você ficou sabendo disso, mas você precisa saber que eu sempre amei a sua mãe. Seja lá o que esteja passando na sua cabeça, foi um acidente, uma atitude sem pensar. Estávamos bêbados quando Zelena aconteceu. — ele fez uma pausa, tomando mais um gole do whisky.- Cora foi muito clara quando disse que estava com Henry e que o que teríamos era nada mais do que amizade. Mas um dia em uma das suas visitas, tomamos algumas cervejas...
— Eu não sou idiota, Robert. — semicerrei os olhos. — Minha mãe não bebia cerveja e nem qualquer outra bebida alcoólica... Cora nasceu em uma família perturbada, meu avô a espancava sempre que bebia. Ela jamais colocaria uma gota de álcool na boca. Agora me diga a verdade!
— Certo! Certo... Eu bebi algumas!
— Espera, o que? — raciocinei –Não me diga que você a forçou, seu bêbado nojento! — berrei, pulando da cadeira.
— Eu... não... Eu amava a sua mãe!
— Isso não lhe impede de tê-la estuprado. — estava a ponto de grudar no pescoço do homem.
— Regina... Eu não fiz isso... Eu não sei...- respirou profundamente e jogou o copo de vidro contra a parede. — Eu estava bêbado! Eu não me lembro. Me culpo todos os dias da minha vida por não lembrar do que aconteceu. E isso é um saco! Inferno eu amava a sua mãe. Sempre amei!
— Desgraçado! Aposto que a obrigou manter a gravidez, pois sabia que a criança viria com muitos bens! — me aproximei, agarrando o colarinho do seu pijama ridículo. — Foi sempre sobre isso não é! Sobre dinheiro! Toda aproximação! Todo cuidado com nós. Seu filho da puta!
— Pelo contrá-rio — gaguejou -, eu nunca quis. Pedi para sua mãe se desfazer, abortar. Depois disso, nossa amizade acabou. Vi Cora poucas vezes ao longo de sua vida. Perdemos nossa conexão. Confesso, me reaproximei de vocês por dinheiro. Mas conheci Zelena, e ela é uma garota incrível, linda e inteligente. Minha garota.
— Você é um verme! Um verme! — sentia a veia da minha testa saltar, tinha sangue nos olhos. Apertei ainda mais os meus dedos, encarando-o diretamente. — Como teve coragem de dizer que amava a minha mãe! Você a estuprou e nada satisfeito, tratou Zelena como lixo descartável. — senti uma lágrima molhar a minha face. — Zelena nunca irá te aceitar como pai! Nunca!
— Não diga isso. — o empurrei para trás onde ele cambaleou. — Eu cuidei de vocês assim que os seus pais sofreram o acidente. Eu mereço reconhecimento. Fui o pai que vocês precisavam.
— Valha-me Gold! Como quer reconhecimento depois de tudo o que fez? Nunca! Está ouvindo, nunca se compare ou se julgue nosso pai! Jamais chegará aos pés dele. JAMAIS!
— Você só se tornou alguém por minha causa, M-I-N-H-A C-AUSA! Eu criei você, eu guiei você na Apple's Gold! Eu fiz você ser a mulher que você é hoje.
— Vá para o inferno! Você não me conhece!
Eu sabia que já tinha ouvido mais que o suficiente quando a vontade de matá-lo começou a correr por entre os meus dedos. Confesso que ponderei mais de uma vez em caçar o canivete em minha bolsa e estraçalhar sua jugular até todo sangue sair do corpo, mas eu não era uma assassina, eu não estragaria a minha vida à essa altura por um merda como ele. Então, respirei profundamente e sem mais nada dizer, deixei sua casa, podendo ouvir ao fundo o ratear do homem mais velho.
Sentia meu corpo tremer do lado de fora, como se ainda estivesse naquela sala com aquele homem, sentindo o cheiro forte de álcool à medida que ele contava suas mentiras. Dentre tantos destinos, me encontrava perdida e não sabia se ia para a minha casa e contava tudo de imediato para Zelena ou se esperava um pouco mais.
Eu estava perdida... como no dia da morte dos meus pais...
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