Notas iniciais
Voltei bem atrasadinha, mas estamos aí. Capítulo intenso. Obrigada a todos que comentaram no cap anterior, eu fiquei tão feliz que me empolguei um pouco no tamanho desse, mas graças a deus não é nada exagerado. Enfim, façam boa leitura e desculpem-me por qualquer erro ♥



NARRADOR

" A gente precisa conversar"

Para qualquer momento da vida, aquelas quatro palavrinhas são as piores a serem ouvidas, pois quase sempre elas acompanham coisas ruins. Pode perguntar a quem quiser, são raros os casos que querem dizer algo consideravelmente bom.

Sobre a confusa vigília do par de olhos verdes, Regina abotoa novamente a sua camisa jeans e volta a encarar a loira. Assim que o fez, notou a respiração acelerada de Emma, indicando como ela está nervosa.

— Emma, você está me assustando. — diz sobre um silêncio ensurdecedor.

Com o corpo totalmente tenso, Emma pega as mãos de Regina e tenta tomar mais uma dose de coragem. — Aconteceu uma coisa. — olhou para o lado e respirou fundo mais uma vez. — E eu sei a parcial da minha culpa nisso, e também sei que é muito provável que você acabe com a gente.

— Diga.

— Eu sinto muito, Regina. Eu sinto de todo o meu coração. — se aproximou um pouco mais, tendo os olhos lacrimejando. — Eu não sabia como contar antes, eu não queria atrapalhar a sua viagem. — em mais uma pausa, ela enxugou a lágrima solitária que se escorreu por seu rosto. — O dia que eu fui naquele pub, eu encontrei a Ariel lá.

Com o maxilar travado, Regina pede em um tom baixo para que Emma prossiga.

— Digo, quando eu estava quase indo embora, ela me puxou pelo braço e quase implorou para que eu bebesse ao menos uma bebida com ela. — respirou fundo mais uma vez. — A princípio, eu só queria me livrar e beber logo aquilo para ir para casa. E assim eu fiz, eu juro, foi apenas uma bebida. Sai do bar o mais rápido que consegui, alterada, mas sai. Ariel me seguiu e me ofereceu uma carona.

— Ah, claro! Você aceitou. — retruca a morena, sentindo o sangue começar a ferver ao imaginar a situação como um todo.

— Eu aceitei sim, Regina. Mas por necessidade, não por capricho. — o rosto de Emma se encharca e ela durante alguns segundos, chora com seus próprios demônios. — Depois de entrar no carro, eu não sei o que aconteceu, eu nunca me senti daquela maneira. Nunca.

— Termine a sua história, Swan.

— Ariel até tentou me ajudar, comprando uma água, mas não adiantou muito, pelo contrário, eu via tudo de cabeça para baixo. Tenho poucas memórias do que aconteceu depois de Ariel ligar o carro. A única coisa que eu consigo me lembrar é que... Me desculpe por isso... A única coisa que eu consigo me lembrar é que Ariel estava encima de mim, me beijando... Eu só... Eu só sai de lá correndo quando percebi o que eu estava fazendo... Foi como se eu estivesse dormindo e acordasse no pesadelo. Sim, eu disse certo, de forma contrária.

Como se Regina fosse nocauteada por um soco na boca se seu estômago, seu mundo balançou. Solta as mãos da loira e cobre totalmente o seu rosto, tentando esconder o quão as atitudes de Emma a feriram. Segura as lágrimas ao máximo, mas é impossível, está completamente magoada.

Ao ver a amada reagir daquela forma, Emma foi consumida por um choro compulsivo. Está mais do que claro, ela está arrependida.

— Eu juro, eu não fazia ideia do que estava acontecendo até ela me beijar... — disse entre soluços.

Regina nada diz, continua com os olhos cobertos por suas mãos. A intensidade do choro havia diminuído com o passar dos minutos, mas o amargor da decepção preenchia cada cantinho do seu paladar.

— Regina, por favor... Acredite em mim, eu nunca faria isso com você. — Emma se aproxima mais um pouco, ficando a centímetros do rosto da morena. — Eu sei que colocar a culpa na bebida é clichê, mas eu mal conseguia andar e depois tudo piorou. Eu se quer tinha noção de que estava no apartamento dela. — Emma arrisca e tenta retirar as mãos do rosto da outra. — Olha pra mim, por favor.

E assim Regina o fez. O semblante inflexível de Regina fez um arrepio ouriçar todos os pelos dos braços de Emma, fazendo-a recordar do dia em que Mills a demitiu.

— Quando eu a olhei nos olhos e... — arriscou passar o polegar sobre os lábios da outra, mesmo sabendo que os olhos são de quem voaria em seu pescoço. — eu soube que não era você ali comigo. Quando ela me beijou, eu não senti o seu gosto. Não senti a sua sutileza, o seu jeito único. Porque eu sou honestamente, verdadeiramente e completamente apaixonada por você Regina Mills.

Regina quer desviar os olhos, mas ela não consegue, pois ela enxergou. Enxergou a verdade nas palavras e nas pupilas dilatadas de Emma Swan.

Não demorou quinze segundos para a mulher mediana lançar um tapa contra a face da mulher em sua frente. — Você é uma imbecil.

— Ok. — a loira engoliu seco, sentindo a face arder. — Eu mereci isso.

Regina se levanta sem dizer nada, caminha pela sala e para em frente à grande janela, a mesma que Emma estava fotografando há alguns minutos. Sob a luz fraca da lua encoberta por algumas nuvens, ela busca se acalmar e pensar com mais clareza nas coisas que haviam acontecido. Ela sabe, há uma lógica para aquilo, já que viu que Swan não mentira. E, a mulher é esperta o suficiente para descobrir.

Como corte de raciocínios, sente o corpo ser abraçado por trás. Sente o fungar em seus ombros e apesar da raiva, sentiu-se em "casa" novamente.

— Você não tem ideia do quanto eu senti sua falta.

Por mais que Emma estivesse com medo do que viesse como consequência, não resistiu e apertou ainda mais seus braços ao redor de sua amada. Deixou um beijo delicado sobre a pele âmbar, desejando mais do que nunca, poder congelar o tempo para tê-la sob seus beijos por incontáveis dias. Regina não só estremeceu pelo contato da outra, mas pela brisa gelada que passou por seu corpo.

Escrava de suas emoções, a mulher mais velha girou todo o seu corpo, tendo novamente os olhos conectados aos de Emma. A raiva ainda preenchia todas as suas veias e, da mesma maneira que gostaria de enforcar Emma até a morte, a líbido em seu âmago crescia em um desejo selvagem de tocar-lhe sem cautela alguma. E sem mais se controlar, Mills avança sobre os lábios rosados.

Emma ao receber o beijo sentiu seu mundo bambear mais uma vez. Submissa às ações da outra, acompanhou o ritmo de um beijo cheio de raiva, sentindo vez ou outra a mulher morder sua boca sem cuidado. Mas não reclamou. A língua ágil ao reconhecer cada cantinho, deixou ser guiada. Enquanto às bocas mantinham um ritmo altamente quente, os corpos eliminavam cada requisito de espaço. Emma desconta as sensações apertando o quadril de Regina, as empurrando para a mesa logo atrás de si.

A mesa logo se tornou vazia, onde todos os books e catálogos foram ao chão. Consciente do que queria, Mills retirou a jaqueta de Emma em um simples puxão, revelando os braços fortes da loira que usava uma t-shirt preta. Encostadas ainda sob o objeto de madeira, elas se entreolharam e, Regina não demorou para perceber que havia algo por trás daquele lenço. Sem esperar por qualquer autorização, ela o retirou.

Os olhos queimaram sob a pele marcada por outro alguém, Emma ficou imóvel enquanto sentia a alma despida pelos olhos achocolatados. Regina guiou sua mão direita para o pescoço de Emma e delicadamente foi passando os dedos pelas marcas arroxeadas.

— Ela machucou a sua pele. — sussurrou, deslizando os dedos de um lado para o outro.

Palavras faltaram para Emma e ela simplesmente assentiu com a cabeça.

A mulher mediana quer ver mais, quer ver onde Ariel havia marcado a sua mulher. Sendo assim, deixou os dedos abraçarem a barra da camiseta de Emma e dessa vez a encarou, pedindo permissão. Só havia uma resposta e ao tê-la, a pele alva foi exposta.

Talvez Emma fosse inocente demais para notar, mas Regina não. Tem experiência o suficiente para conseguir ver mais da situação, da maldade. Emma não só tinha chupões como a mesma havia enxergado, haviam marcas em tons amarelos por seus braços e na lateral do seu quadril. Marcas onde claramente necessitava de força para causa-las.

Um grande nó se formou na garganta de Regina e assim, ela se deu conta de que Emma quase foi estuprada. Se afastou rapidamente da outra e devolveu sua camiseta. — É melhor você se vestir.

— Mas nós não vam... — questiona Emma confusa.

— Tudo bem se você for para minha casa hoje?

— Sim, claro. Só preciso avisar a Mary para ela ficar com Henry. Você espera?

— Ótimo, avise-a e vá para casa.

— Como assim? Não vamos juntas? — franze o cenho.

— Eu preciso resolver uma coisa. — disse em um tom que foi irreconhecível para Emma. — E é melhor que eu esteja sozinha para isso.

— Está tudo bem? — preocupou-se.

— Obviamente não está nada bem. — deu um sorriso forçado, passando os dedos mais uma vez pelo pescoço de Emma. — Mas eu prometo, que... isso não vai mais se repetir.

Com o peito angustiado Emma vê Regina se afastar sem dizer mais nenhuma palavra. E se antes já estava confusa, agora tomou proporções muito maiores. Na cabeça da loira, elas deveriam estar gozando juntas agora, o que Regina viu ou pensou para que a mandasse para a sua casa?

De qualquer forma, confusa ou não, Emma ajeitou as suas coisas e ligou para Branca, para só assim, fazer o que Regina havia pedido.

REGINA MILLS

Por muitas vezes neguei o sobrenome Mills, mas com o passar dos anos passou a ser mais aceitável devido à algumas regalias que ele me trouxera. Entre o ônus e o bônus, a grandeza é infinita. E, conseguir um simples endereço estava no patamar mais baixo de todos eles.

Estacionei em frente ao grande prédio de classe média alta, (não é um dos melhores, mas está longe de ser o pior). Antes de deixar o automóvel, abri o porta-luvas e retirei um presente que há anos ganhei de meu pai. Pego o meu casaco e caminho para dentro do hotel.

— Boa noite, posso ajudá-la?

— Oh, claro! Hoje é aniversário de uma amiga minha, gostaria de fazer uma surpresa... será que posso subir? — torci internamente para que aquilo desse certo, pois não tive tanto tempo para pensar em uma desculpa.

— Isso vai contra as....

— Por favorrrr! É uma surpresa... Ariel ficará muito feliz!

Ele para por alguns segundos e me encara, deixando um riso cortar seus lábios já enrugados, como se a mulher fosse uma inquilina "próxima".

— Ah, onde eu estava com a cabeça? — sorriu amarelo. — Esqueci completamente! Você pode subir, querida. Faça uma boa surpresa!

Eu sabia que não é um bom disfarce, pois eu não carrego balões, presentes ou até mesmo um bolo. É perceptível a qualquer um, menos para o homem que me atendeu, já que provavelmente tem a visão afetada por conta da idade. Isca perfeita.

Quando o elevador parou no sexto andar, sinto os meus dedos formigarem em ódio. Eu não precisei perguntar, sei exatamente qual a porta de seu apartamento. Bato apenas uma única vez, tapando o olho mágico com a outra mão.

— Que merd... — disse ao abrir a porta.

Eu sei que existem câmeras nos corredores, então, a empurro de volta para dentro e fecho a porta atrás de mim.

— O que você está fazendo aqui? — fala alto. — Saia da minha casa!

Nego com a cabeça e a encaro, tentando me controlar ao máximo para não a matar. A expressão cínica e dissimulada cospe por seus poros.

— Acredito que temos uma conversa pendente. — digo, não sendo nada sugestiva.

— Eu não tenho absolutamente nada para falar com você, Regina!

— E com a Emma, você tem? — olho ao redor e volto a encará-la. — Por que eu gostaria que você soubesse que ela é problema meu também.

— Não tenho nada para discutir com você sobre a sua namoradinha. — responde com desdém. — E se acaso estiver se referindo ao que aconteceu aqui em casa, ela é deliciosa.

Os olhos da mulher brincavam com a alegria de me causar certo desconforto e antes que eu pudesse me controlar para não dar corda às suas provocações, meu punho voa em direção ao seu rosto de maneira que eu nunca havia feito antes. O corpo esguio de Ariel deu alguns passos para trás com o impacto, onde ela teve que se segurar na pequena pilastra de gesso que separa os ambientes. Uma mão segura o rosto, enquanto rastros de sangue começam a inundar do nariz a boca.

— Sua velha louca! Quebrou o meu nariz! — resmungou enquanto tentava controlar o sangramento. Sou totalmente contra esse tipo de violência, mas aparentemente para a minha primeira vez, me sai muito bem. Sorri orgulhosa, retirando um lenço de um dos bolsos e ofereci a ela. Estapeou a minha mão e eu me aproximei mais uma vez, mas dessa vez simplesmente joguei em sua cara. — Se você não sair da minha casa, vou chamar a polícia!

— Ótimo, faça isso por mim. — me sento em uma poltrona, cruzando as pernas. — Gostaria de ver quem realmente vai sair algemada daqui por tentativa de estupro... — retiro o objeto da cintura, apontando para ela. — E ah, claro... você a embebedou primeiro. Isso aumenta a pena, não?

Ariel congela. Posso ver a mulher engolindo seco.

Nem nos piores dias da minha vida, vi a necessidade de usar uma arma. Mas ali, tendo uma pessoa tão suja e tão asquerosa como tal, é quase irresistível a vontade de apertar o gatilho e alojar uma bala bem no meio da testa da mulher.

Pigarreio e ela quase pula em sobressalto. — Ora, está assustada? — sorrio. — Sente-se, acredito que temos sim o que conversar!

Como mando, ela se senta em silêncio de frente para mim, segurando o pano já todo encharcado.

— Emma é tão ingênua que mal se deu conta do que realmente aconteceu. — começo. — Ela é tão cega que quando me contou, se sentiu culpada. Confesso que ao ficar sabendo, eu não fiquei muito feliz. A julguei mal, sim! Mas assim que ela tirou a roupa... — levanto, alisando o revólver com a outra mão, sentindo uma leve dor entre os ossos dos dedos. — Assim que ela tirou a roupa eu vi as marcas Ariel... — paro em sua frente, apontando a arma para a sua cabeça. — Não foi consciente. Foi a força, você a arrastou até aqui e se ela não se desse conta, você a teria estuprado, sua nojenta!

— Você está ficando louca! — me encara. — Quem você pensa que eu sou para fazer isso? Ela queria.

— Eu acho que não, Ariel! Ela aceitou sim a carona, mas ela aceitou para ir para a casa dela e não para a sua. Ela estava inconsciente. Você ouviu um " sim, eu quero transar com você?" ou "me beije", " me marque"? Eu acho que não, né?

— Eu não vou ficar aqui discutindo com você! Cada um tem a sua versão da história. Ela pode estar claramente mentindo pra você! Ou você acha que ela seria fiel a você? Por que? Pelo seu dinheiro? Talvez.

Santa inocência. Deus me dê um pouco mais de paciência.

Reviro os olhos e se antes eu já estava irritada, tudo havia piorado. Com a mão livre lancei um tapa estalado na face direita, a fazendo se contorcer de dor.

— Nos poupe de sua inveja, Ariel. Eu acho que você não ouviu direito, Emma não precisou dizer, ela nem se quer ligou os pontos, eu vi. Eu vi exatamente o que precisava ver para vir até aqui. — com a mão livre tiro o meu celular do bolso e acesso um aplicativo, colocando ao nosso lado em um criado. Logo, agarro o cabelo ruivo e puxo com força, descendo o revólver lentamente pelo seu corpo até parar em seu sexo. —Agora, eu quero que você confesse o que fez... detalhe por detalhe. — destravo a arma. — Se mentir, eu não irei me controlar por mais um único segundo e atirarei em você o tanto de vezes que você marcou a minha mulher.

— Faça isso e irá para a cadeia. — sussurra entredentes — Quero ver como ficaria naquelas roupas, já que aparentemente é filhinha de papai.

— Cale essa maldita boca! Você são sabe de nada, — abaixei, ficando cara a cara com a mulher. — Você não sabe nada da porra da minha vida, sua puta! — odiava o linguajar, mas estava impossível manter pelo menos um pouco de cordialidade com ela. Respirei fundo. — Eu vou presa, tem certeza querida? Tirando o porteiro que nem sabe o meu nome, ninguém sabe que eu estou aqui. Câmeras de segurança? É fácil encontrar alguém que aceite uma boa grana para apagar qualquer imagem minha. E se mesmo assim me pegarem, você sabe que eu tenho dinheiro suficiente para pagar bons advogados ou qualquer fiança. Já você, é uma mulher mesquinha que não aceita ouvir um não e precisa embebedar outra pessoa para tê-la, você é uma incapaz.

— Eu já a tive, acho que você se lembra. Você viu. — provoca.

— Você não a conhece, não teve ela gemendo seu nome. Ela gozando na sua boca. Não a teve por completo. E nem nunca vai ter, Emma jamais olhará para você novamente quando ela perceber o que tentou fazer. E sinceramente, eu não dou a mínima se acaso eu for presa por estar fazendo isso, o importante é que você pagará pelo que fez.

Respiro fundo e coloco o dedo ao lado do gatilho novamente, caso contrário, a minha raiva dispararia aquela arma.

— Confesse o que fez, Ariel. — empurro ainda mais o objeto em seu centro.

— Eu odeio você... — murmura. — Um dia você...

— É recíproco, minha querida. Shiiiiii... Cão que ladra não morde. Eu quero ouvir a verdade sobre o que aconteceu. Não ouse mentir.

Empalidece por completo, talvez tenha tomado consciência da situação. Ariel começa a descrever lentamente detalhe por detalhe de como abordou Emma, deixando claro suas intenções. Percebi seus olhos desviarem dos meus e ela engolir seco de repente. O sangue de seu nariz havia parado de escorrer e agora, havia apenas machas de sangue seco em seu buço.

— O que você está escondendo? — a encaro, apertando mais o revólver entre as suas pernas.

— Na-d... a. Eu não estou escondendo nada.

— Eu não sou idiota, Ariel. É melhor dizer a verdade de uma vez.

Se antes ela já parecia desconfortável, agora, é óbvio que ela teme por sua vida. Espero silenciosamente até que ela continuasse a sua descrição, não deixando que ela desviasse a visão novamente.

— Regina, por favor... não me mate...

O pedido veio com o final de seus relatos e de como agora tudo se encaixou, já que Emma jurou ter tomado apenas uma bebida com aquela mulher. Eu congelo por alguns segundos, tentando imaginar o que se passa na cabeça de uma mulher como aquela e, como a situação de Emma poderia estar bem pior. Não havia mais dúvidas, Ariel drogou Swan.

— Qual é o seu problema?! — solto o seu cabelo e me afasto um pouco, ficando ereta.

— Eu só...

— Não tem justificativa! — passo a mão livre por meu cabelo, vendo o seu corpo tremer por inteiro.

Eu poderia muito bem acabar com a vida dela ali, agora. Naquele minuto que se passou, deixei a arma apontada para a sua cabeça e, pensei, pensei demais para abaixá-la. O sangue fervendo em ódio é bombeado até as mínimas veias do meu indicador, o mesmo que pressiona o gatilho de leve.

— Por favor... — implora mais uma vez.

— Eu não sei o que você faz dessa sua vida medíocre, e não me importo nenhum pouco. Mas eu aconselho você sair o mais rápido possível de New York. — dei um passo à frente, ficando cara a cara com ela. — Por que eu nunca mais quero ver a sua cara! Está ouvindo? Desapareça, Ariel! Desapareça para o seu próprio bem! — lancei um tapa contra o seu rosto ainda com a arma na mão e foi notório a marca avermelhada pelo revólver quando ela voltou a me encarar, já com o nariz dando sinais de que sangraria novamente. — A sua sorte é que eu não sou uma assassina. Mas não me teste! Fique longe de Emma Swan, está ouvindo?!

Concordou com um aceno de cabeça rápido. A olhei uma última vez, peguei meu celular e sai logo dali. Estava sufocando.

Não consigo sentir um pingo de alívio ao dizer aquelas palavras, sinto que Ariel deveria pagar com a vida pelo que tentou fazer, pois para esse tipo de coisa não se tem perdão. Mas... Mas eu não consegui, é como se alguém sempre tirasse o meu dedo do gatilho, como se alguém me segurasse para não fazer merda.

Dei algumas voltas no quarteirão antes de estacionar em frente à minha casa, eu precisava me acalmar para poder contar a Emma o que realmente aconteceu e, que ela não deveria se sentir culpada. Respiro fundo três vezes e giro a maçaneta da porta, conseguindo ouvir assim que coloquei os pés para dentro, algumas risadas vindo da sala de jantar. Retiro o casaco e guardo a arma no criado-mudo ao lado do cabideiro, sorrindo vez ou outra por ouvir o riso da loira.

Fico observando as três mulheres dispersas por alguns minutos, vendo claramente que Ruby e Zelena estão em um tipo de relacionamento.

Pigarreei para ser notada e elas olharam em conjunto em minha direção.

— Oi. – beijo o rosto de Emma delicadamente, vendo ela sorrir em seguida.

— Olá...

— Eu vou subir para tomar um banho. Termine de jantar e depois vá ao meu quarto, por favor. — sussurro em seu ouvido.

— Tudo bem...

— Não vai jantar, Gina? — pergunta Zelena. — Ruby arrasou no macarrão com queijo.

— Exagero seu, sua irmã é a rainha das massas. – Ruby sela os lábios de Zelena.

— Eu estou sem fome, obrigada. — dou alguns passos em direção às escadas. — Eu espero que a minha cozinha esteja impecável amanhã, Ruby Luccas.

— Com toda certeza, madame.

Sinto cada músculo do meu corpo tensionando, estou sobrecarregada com todas as coisas que aconteceram nas últimas horas. E em comparação às muitas horas de viagem, a situação de Emma é quatro vezes pior.

Já dentro da banheira, a água morna faz o trabalho árduo de me trazer algum alívio e, retirar dos meus ombros o que parecia ser uma tonelada de preocupação. Fiquei rebobinando todos os fatos em minha cabeça por mais de dez minutos até relaxar por completo, alcançando um patamar considerável de paz interior. Após os momentos nostálgicos de adrenalina, minha mão começa a dar sinais de que iria precisar de mais atenção além de um banho quente, me deixando uma nota mental de colocar gelo antes de dormir.

De um mundo alternativo à meu banheiro novamente, a batida na porta me "acorda".

— Entre. — digo não muito alto, ouvindo a porta ser aberta e passos que vinham do quarto.

Levanto, ouvindo cascatas de água caírem na banheira. Com cuidado para não escorregar, pego o roupão vermelho e saio do banheiro, tendo os olhos esmeraldas atentos em mim.

— Eu sei que você não estava com fome, mas Ruby realmente arrasou no macarrão. Perdeu! — disse, levantando da cama e caminhando em minha direção. Quando parou, seus dedos deslizaram pelo contorno do meu rosto e eu inevitavelmente sorri. — Você está bem? Me assustou pela forma que saiu do meu escritório hoje.

— Desculpe-me por isso. Eu não queria assusta-lá.

— O que foi fazer? – abaixa o olhar. — Depois do que eu te contei, depois daquele momento... eu pensei que desistiria de mim.

— Ei... — abraço o seu rosto com as duas mãos, ficando na ponta dos pés para poder ficar a sua altura. — Eu tenho certeza de que é óbvio, mas apenas para ressaltar... Eu nunca desistiria de você, ok? – espero sua confirmação para continuar. — E sobre o que aconteceu quando eu estive fora... Eu não quero, em hipótese alguma que você se sinta culpada.

— Mas eu... eu aceitei a beber, eu aceitei a carona... Espera... O que aconteceu com a sua mão? — me olha desconfiada e passa delicadamente os dedos pela pele ainda vermelha. Sinto a ardência e não consigo ignorar a pontada e gemo baixo.

— Acredite em mim, você não tem culpa. Você só quis ser gentil ao aceitar beber um drink, eu entendo. Assim como por necessidade, aceitou a carona. A maldade está naquela mulher, Emma. — selo seus lábios lentamente. — Eu preciso te contar uma coisa que você não percebeu... Esqueça isso por agora. — retiro sua mão da minha.

— O que? Do que estamos falando? — franziu o cenho.

Para qualquer queda, é melhor cair em algo confortável, não é mesmo?

Nos encaminhei para a cama, pedindo para que ela se acomodasse. Peguei em suas mãos (geladas como sempre) e refiz o contato visual, ela parece assustada.

— Ariel te drogou. Não, não foi o "Submarino" que te deixou naquele estado. Ela colocou bala na sua água, na água que ela te deu. — ela fica atônita. — Seja forte para o que eu vou dizer agora, por favor... Se você não tivesse saído daquele apartamento, você seria estuprada Emma. — aperto sua mão para lhe mostrar que estaria ali de forma literal e figurativa, ignorando toda dor causada pelo soco na destra. — Eu sinto muito... de todo o meu coração.

Emma solta o aperto e abraça o seu estômago em uma espécie de ânsia. Fica em silêncio por mais de dez minutos e eu respeitaria aquilo, mesmo que durasse por horas e horas.

— Como.... Como você ficou sabendo da bala? — disse com dificuldade.

— Não importa... — respiro profundamente. — Eu só quero que você saiba que está segura agora. Você nunca mais terá que olhar para aquela mulher novamente.

Os olhos vermelhos de tanto segurar o choro me fitam assustados.

— A sua mão, não me diga que você entrou em uma briga, Regina? O que você fez? Meu deus... não me diga que você...

— Confesso que eu quis muito... Mas não... Eu não fiz nada que pudesse me comprometer, ou comprometer a gente... — dou um meio sorriso. — Você está segura agora.

Silêncio.

De forma lenta ela se levanta e para em minha frente. Ficamos nos olhando por vários segundos, e uma certa tensão começou a aflorar pelo ambiente. Engulo seco, não sabendo exatamente o motivo de tê-la em minha frente tão calada, me observando de uma maneira inexplicável. Levanto os olhos para encará-la. Sua expressão tem uma nota de preocupação, ansiedade e confusão. Os olhos esmeraldas encaram as minhas mãos e ela quase em câmera lenta, pega a machucada. Sinto dor, mas não ouso desviar meus olhos dos seus. Em questão de um segundo e meio a perco de vista, vendo-a ir perdendo altura, para enfim se ajoelhar.

Palpitações.

Mais palpitações.

Emma Swan leva seus lábios a beijar o peito e os pequenos ossinhos da minha mão, me olha tão intensamente que sinto o meu coração querer parar a qualquer momento. É como flutuar, mas temer qualquer segundo com a queda.

— Você é uma das pessoas mais excêntricas que eu já conheci. Você é destemida. Esforçada. Corajosa. Inteligente. Prepotente. Um pouco introvertida... — sorri e eu a acompanho. — Mas... mas você fez algo que eu nunca tive de ninguém em todos esses anos, além de Branca é claro, você me protegeu. Claro, há alguns meses atrás, eu nunca diria isso. Mas eu enxerguei assim que te conheci de verdade. E eu sei, eu não saberia lidar com isso se não fosse por você...

— Emma eu só...

— Por favor... só escute. — assinto. — Eu não saberia lidar, pois você é forte. Você transmite força. Eu não conseguiria encontra-lá novamente, nem para uma conversa. Então, obrigada por "resolver" as coisas. Sabe, eu queria que você se olhasse por meus olhos um único dia, eu te admiro muito Mills. — "seria a minha vez de chorar, pois eu já estava quase". — Decidimos não colocar rótulos... mas depois de hoje eu preciso saber.. — beija o peito da minha mão mais uma vez e se fixa um olhar latente aos meus. — Você quer ser a minha namorada?

Silêncio.

Suas palavras ficaram se repetindo de forma tão doce em minha mente que no torpor de todos os meus sentimentos, eu só consegui me jogar em seu colo sem medir ou controlar forças. Realmente, o carpete nunca foi tão bem usado. Alegria ronda tanto o meu coração que me emudece. Abro os olhos depois de sentir seu corpo se remexer abaixo do meu, por quê tão linda? Os fios amarelos desgrenhados contornam o rosto iluminado da mulher. A admiro enquanto pude, pois assim como o salto não programado, a vontade de beijá-la aparece na mesma proporção.

— Ei... Sua maluca, a nova saltadora do mundo. Você precisa me responder. — separa nossos lábios e me encara.

— Sim... Eu aceito a namorar com você Emma Nolan Swan...

— Espera um pouco... — semicerra os olhos. — Eu nunca disse que tinha Nolan...

— Mas o seu filho sim...

— Ah... é... Esqueci que tenho um tagarela...

— Ele teve a quem puxar... Mas eu também tinha a obrigação de saber, ou se esqueceu que já trabalhou para mim?!

— Ei!

— Vem aqui logo! Eu estou morrendo de saudades dos seus beijos...

— Mal ganhou o posto de namorada e já está tão exigente... Mas eu tenho mais uma pergunta.

— Oh, Emma... Sério? — afirma violentamente com a cabeça. — Faça então.

— Estamos mesmo bem?

— Mas é claro que sim... Estamos muito bem, meu... amor...

Notas finais
E ai? O que acharam? Pergunta para o meu tcc, acham que a Regina deveria ter dado ao menos um tirozin (nem que fosse no pé) da Ariel? Ela merecia? Gostaram da cena final? Ruby e Zel... aprovam? Vou indo nessa, volto assim que a minha mente colaborar (em breve) kk! Beijos!