The Last Chance

32 Capítulo 31- PVD DUPLO


Notas iniciais
Oi, gente! Estava postando semanalmente, mas aconteceram algumas coisas e eu fiquei totalmente sem animo para escrever. Enfim, peço desculpas. Muito obrigada a todas as pessoas que acompanham, favoritam e comentam. Me divirto muito com os comentários de vocês! Sem mais enrolação, desculpem por qualquer erro! Boa leitura♥️




REGINA MILLS

Apesar de ter o frio como aliado a vida toda, -10 graus não é o melhor incentivo para ir trabalhar e deixar aquela cama tão quentinha. Olho novamente para o relógio no criado-mudo marcando 06h30 da manhã. Entre um bocejo e um fechar de olhos rápido, salto da cama, tomando coragem para dar início ao novo dia. Se a cama quente estava tão convidativa, sair daquele chuveiro é no mínimo aterrorizante. Estendo o banho o máximo possível, tremendo por inteira ao sair dali. Vesti-me tão rapidamente que não me atentei muito aos detalhes, mas acredito que não faz tanta diferença, já que estou com um terninho preto, camisa branca e um scarpin preto também.

— O que aconteceu com os aquecedores? — ralhei, perguntando a uma das empregadas, a casa está muito mais fria do que o normal.

— Estão funcionando normalmente, Senhora. — responde a mulher, limpando as mãos em seu avental. — Gostaria que eu os ligasse?

— Eu deveria deixar você congelar lá fora. — murmuro levemente irritada. — Ligue-os já! O inferno gelado chegou antes aqui do que em Game Of Thrones!

— Sim, senhora. — ela sai em disparada.

— Cruzes! O inverno está dentro dessa casa também. — vi Zelena descer as escadas, se apertando no roupão.

— Maria esqueceu de ligar os aquecedores. Isso já melhora. — encho duas xícaras de café, entregando uma delas a Zelena. — Dormiu bem?

— Bem o suficiente para não ver você chegar na noite passada. — sorve um grande gole. — Como foi?

— Vi que estava descansando e não quis te acordar. Bom.... foi muito bom. – digo, controlando o sorriso que quer cortar-me a face.

— Muito bom, é? — levanta uma de suas sobrancelhas. — Vocês se entenderam, então?

— Sim. — é a minha vez de provar aquele café tão chamativo e fumegante.

— Apenas sim? Qual é ? Estão o que? Namorando? Ficando?

— Vamos apenas deixar levar. Por enquanto, sem rótulos.

— E você quer isso? Por que eu bem sei do seu apetite sexual. Conversaram sobre exclusividade?

Reviro os olhos. — Acha mesmo que se eu não quisesse, estaria atrás daquela mulher por tanto tempo? E, não. Não conversamos sobre isso, ainda...

— Hum...

— Está duvidando que eu consiga levar isso adiante por conta...

— Todos os dias, você recebia carne nova...

— Desejo sexual. Apenas isso.

— Emma consegue dar conta disso? E bem, consegue esperar até que ela tenha vontade de transar novamente?

— Zelena, tirou o dia para me irritar?— seco todo líquido da xícara, levando-a até a pia e virando de costas. — Desde Kristin, eu não me sinto assim... – abaixo a cabeça por um instante. – Eu gosto mesmo da Emma...

— Você tem certeza disso?

Viro todo o meu corpo e suporto o seu olhar no meu. — Sim, eu tenho absoluta certeza.

— Pensei que nunca a veria assim, Minha Rainha Má.

— Assim como?

— Apaixonadinha. — gargalha alto, quase derramando café em si. Desfaleço por alguns segundos, de fato estou.

— Vá a merda! — reviro os olhos ao ver as horas novamente, tenho que ir trabalhar. — Você já tem noção de quando quer começar a me ajudar com a empresa?

— Quando você quer que eu comece?

— O mais rápido possível, estou exausta e, acabamos de iniciar um novo ano.

— Está com problemas?

— Pelo contrário, tudo está fluindo muito bem. Por isso tanto trabalho.

— Que tal amanhã?

— Sério?! — arregalo os olhos, surpresa e muito feliz com aquilo.

— Ando bem entediada e, bem! Sou boa com números. Poderia ser a sua contadora.

— Contadora da nossa empresa! — reafirmo, indo até ela é dando-lhe um beijo rápido nas bochechas. — Eu mal posso esperar!

Com um sorriso desconcertante, me encaminho para o hall, apanhando o grosso casaco, cachecol e luvas. Saio da casa o mais tardar que consigo, sabendo o quão rigoroso está o frio fora de casa.

Antes mesmo de colocar a minha bunda naquela cadeira, ouço o telefone tocar. Soltando corpo sobre objeto, levo o aparelho até a orelha.

— Bom dia, senhorita Mills! — é minha assistente, Tinker. — Desculpa incomodar tão cedo, mas os investidores indianos do novo projeto de software, estão solicitando a sua presença na conferência que ocorrerá na próxima semana. Posso confirmar?

Respiro profundamente, pois sabia a grande importância de estar lá e, o quão insuportável seria, ainda mais pelo clima quente demais. Mas por alguns dias havia me esquecido, são tantas coisas acontecendo ao mesmo tempo que ser diagnosticada com Alzheimer seria fácil.

— Onde será exatamente? — ligo o computador, encarando o logo da maçã dourada na tela.

— Bombaim.

O meu ressoa tímido, indicando que uma mensagem havia chegado.

— Deus... tanta gente lá... — reviro os olhos. Eu tenho que estar, expandir... expandir mundialmente nosso programa é o foco para esse ano. Droga Regina! — Certo! Confirme a minha presença já que eu não tenho escapatória. Assim que você terminar de falar com o pessoal, deixe a minha agenda livre. Eu sei que irei viajar a trabalho, mas por favor reserve um hotel onde tenha ao menos uma piscina, pois o calor lá está além do limite suportável. Peça por gentileza, para que ninguém me incomode a não ser que seja urgente. Estarei analisando os relatórios financeiros do último mês de dezembro, cálculos e mais cálculos.

Constato que a mensagem é de Emma assim que apanho o eletrônico em minha bolsa.

" Bom dia... "

— Sim, senhora. Apenas tenho mais uma pergunta sobre a viagem. — pausa por meio segundo. — Devo comprar somente uma passagem aérea, ou a senhora pretende levar mais alguém?

" O que fará hoje?"

Balanço a cabeça de um lado para o outro com o torpor da ideia de convidar Emma para a viagem. Talvez ela achasse cedo demais. Percebo que Tinker ainda está na linha por um pigarreio que ela solta, como se eu ficasse viajando na ideia por vários segundos.

— Não. Apenas uma passagem. — respondo finalmente, enquanto digito para respondê-la.

" Bom dia, Emma. Olha, além do trabalho, acredito que nada. E você? Quais são os seus planos?"

— Ok. Deseja algo mais?

— Faça apenas o que eu te pedi. É isso, por enquanto.

Não espero a resposta e finalizo a chamada, ainda com os olhos presos na tela do meu celular. Estranha aquela sensação de ansiar através do aparelho, como aquelas adolescente no colegial. Ri da minha conduta e começo a organizar a mesa. Separando e assinando os novos contratos, noto a tela ascender novamente.

" Trabalho também... como você está?"

"Eu estou bem. E você? Henry?"

"Estamos bem...."

Mordo o lábio enquanto digito, esperando obviamente que a sua resposta fosse sim.

" Uh, bem... eu tenho um trilhão de coisas para resolver hoje, então não sei ao certo quando irei pra casa. Sendo assim, você quer sair para almoçar comigo?"

Mensagem enviada e entregue. Durante exatos cinco minutos fico observando a tela, esperando o ícone verde aparecer, mas bem, nada chega.

Os dentes soltam o sofrido lábio inferior e enfim, deixo o celular de lado mais uma vez, começando a me concentrar no memorando que tenho que digitar. Há quase o dobro de trabalho em um piscar de olhos. Eu irei viajar em sete dias e, organizar ou adiantar alguns serviços é mais do que primordial.

Olho no relógio no canto da tela, são quase onze da manhã. É assustador a forma como as horas se passaram tão rapidamente, mas não estou reclamado, já que fora produtivo tudo que eu já havia feito.

Emma ainda não tinha me respondido.

Levanto e apanho uma xícara que está no canto esquerdo da mesa que fica de frente a um espelho redondo, dando uma leve ajeitada no cabelo, saio da sala em busca de um pouco de café.

— Srta. Mills. — cumprimenta Belle, esperando até que a Martha do recursos humanos, pegasse seu café. — Quer a minha frente?

— Não. Espero a minha vez.

— Ok. — me olha por cima dos ombros, com um sorriso desconfiado.

— Gostaria de dizer algo?

— Gostaria, mas não vou. Ainda tenho amor ao meu emprego. — diz, despejando o líquido fumegante em seu copo plástico.

— Hum. — murmuro receosa, porém, muito curiosa. — Diga.

— Você quem está pedindo. Garante o meu emprego? — apenas afirmo com a cabeça, cruzando os braços em clara impaciência.— Se a Emma te visse com essa roupa, ela com toda certeza estaria babando agora. — pega o seu café e da à frente.

Como um botão a ser apertado, sinto o meu rosto queimar de imediato, e saber que aquilo está acontecendo bem ali na frente de uma funcionária, só piora a cor das minhas bochechas. Pigarreio e balanço negativamente a cabeça de um lado para o outro. — Cuidado com a língua. — saindo dali o mais rápido que consigo, não espero sequer algum outro comentário.

Já na minha sala, porém, sentada dessa vez no sofá de couro preto, me assusto quando meu celular disparou a tocar.

"Mills"

" Bom dia, Srta Mills, coletei algumas informações e, acredito que a senhora queira estar a par de tudo. Sendo assim quando podemos nos encontrar?"

" Investigador, Archie. Bom dia. Me dê 1 segundo, por gentileza. "

Retiro o aparelho da orelha, colocando a chamada em segundo plano, à medida que verifico se Emma havia me respondido. Nada.

" O meu tempo livre será na hora do almoço. Caso contrário, teremos que deixar para outro dia."

" Hoje está ótimo. Onde podemos ir? "

" Nada longe do centro, preciso voltar rápido, pois tenho muito trabalho. "

"Granny's?"

" Certo."

" Te vejo em 45 minutos então, senhorita Mills. Até mais."

O tempo realmente tornou-se o meu maior inimigo hoje. Assim que eu finalizo a ligação, a mulher enfim me responde. O seu " sim " me faz soltar uns suspiro em desaprovação pela sua demora e, por agora ter um compromisso de extrema importância no almoço.

A contragosto desmarco com ela, explicando rapidamente o motivo do tal. Aparentemente entende, alegando que ficou enrolada pelo trabalho que apareceu de repente, não conseguindo me responder antes.

Granny's é realmente um lugar agradável, apesar de muito simples, a comida em geral e o atendimento superam qualquer um da região.

Archie já havia chegado e está me esperando em uma mesa mais afastada. Até parece um encontro, zombo mentalmente, sentando à sua frente.

— Boa tarde! – cumprimento, estendendo uma das mãos.

— Olá. — firma o aperto.

— O que você tem pra mim?

— A investigação ainda não está concluída, mas consegui algumas coisas bem importantes...

— Então diga logo...

— Robert Gold como você já deve saber não tem nenhum parente aqui. Toda e qualquer família dele, está em Moscow.

— Desde quando ele está aqui?

— Quando ele ainda tinha 17 anos, visitou New York, ficando com o visto de turista por três meses. Quando ele finalmente completou a maioridade, mudou-se de vez. Deixando tudo para trás.

— E o que mais? O que mais você descobriu?

Quando o homem ajeita seus grandes óculos para responder, (odeio esses cortes) a garçonete vem nos atender. Assim que ela anota nossos pedidos e sai, Archie continua.

— Fiz algumas ligações e discretamente, entrei em contato com a família dele.

— E?

— Robert mudou-se para cá, alegando estar perdidamente apaixonado por uma colega da faculdade. — joga um envelope encima da mesa.

— O que tem aí dentro?

— Eu sugiro que a senhora abra depois de comer.

" Ata"

Apanho o papel amarelo-mostarda ente os dedos. — Abrir depois.. Até parece que...

Toda minha fala some por completo. Detalhe por detalhe. Cabelos castanhos, na altura dos ombros. Olhos intensos, fitando o homem em sua frente de forma gentil. Lábios comprimidos em um sorriso contido e claro, a prepotência na feição da morena.

— Quando foi isso?

— Em Harvard.

— Eles estavam... — engulo seco. — Eles estavam namorando?

— Não! Pelo menos na época que essa foto foi tirada, não. Eram melhores amigos e, aparentemente se afastaram quando ela começou a namorar com o seu pai, Henry Mills. O único detalhe é que Cora foi a única amiga dele naquela época.

— Humm... ainda assim, ele não tem motivo para se intrometer tanto na minha vida e, principalmente na vida da minha irmã.

Guardo a foto no envelope, devolvendo em seguida ao seu lado da mesa.

— Tenho alguns palpites do que pode estar por trás dessas coisas. Acredito que tem muito mais por baixo dos tapetes.— ele para de falar e começa a comer rapidamente, como se esperasse pelo seu sanduíche há muito tempo. Depois de intensas mastigadas, limpa o canto da boca e me encara. — Sou muito bom no que faço, me dê mais alguns dias e trarei tudo que a senhora precisar!

— Ok.

Pego a minha bolsa que está no braço da cadeira e, começo a me retirar dali.

— Não vai comer?

— Não! Perdi a fome. Quando você tiver alguma coisa que explique toda essa situação, me ligue. Até mais, Archie.

Apesar de ainda me restarem alguns minutos para voltar ao trabalho, sinto com se a minha cabeça fosse explodir. A medida que apresso os passos em direção ao carro estacionado, penso se devo contar a Zelena sobre a investigação.

Três aspirinas e aquela dor estridente parece queimar o meu cérebro pouco a pouco. Estou quase definhando em esperar o relógio marcar que eu já poderia ir, quando finalmente o ponteiro chega ao número seis, apanho a bolsa e desligo o computador ao me levantar da poltrona. Finalmente, livre.

Hidromassagem. Se já inventaram coisa melhor para relaxar, eu desconheço totalmente. Com a cabeça apoiada na toalha morna, desfruto intensamente de cada sensação que a água que borbulha em meu corpo fornece. Afastando qualquer pensamento, seja do trabalho ou da descoberta sobre Gold, sentia-me muito mais leve. Entre o gole adocicado e o corte ácido da cidra no paladar, ouço uma batida na porta do quarto. Com um grunhido baixo e desanimador, consinto a entrada.

— Ah– oh-oh meu deus. Eu não sabia que você estava... — aquela voz. Abro os olhos e ela está ali, com as mãos cobrindo metade do rosto e as bochechas mais vermelhas do que pimentões mexicanos. — Su-ua irmã disse... que estava.. tu-tudo bem se eu subisse. Desculp...

— Ah. — puxo um pouco da espuma para cobrir o colo. Não é como se ela nunca tivesse me visto nua, mas aparentemente sua timidez sempre fala mais alto. — Oi, Emma. Tudo bem. Estou totalmente coberta, pode parar de espremer os seus olhos agora e, se puder, pega o roupão no cabideiro para mim, por favor?

Ainda com uma das mãos sobre os olhos, apanha a roupa felpuda e me entrega. Visto-me o mais rápido que consigo, tomando cuidado para não escorregar ao sair da banheira. Vou até o espelho e lentamente penteio o meu cabelo, encarando a mulher ainda petrificada na porta. Termino o feito e caminho em sua direção, dedilhando os dedos por seus musculosos braços e retiro a sua mão dali, tendo agora os maravilhosos olhos verdes em mim.

— Oi, de novo. — sussurrou.

— Oi... de novo. — respondo no mesmo tom.

Nossos olhares cruzados, corpos quase que colados. Sinto o seu peito subir e descer com a respiração morna que corta a minha. O cheiro de baunilha emana das sedosas madeixas loiras, levo a outra mão em uma das mechas e seus olhos recaem alguns centímetros, sei exatamente para onde ela está olhando, lugar esse meu que avança e tomou seus lábios lentamente em um beijo completamente delicado.

Consigo sentir os lábios rosados em câmera lenta contra os meus. Suplico em silêncio. Eu quero mais. Desço a mão que antes alisava o seu cabelo para o seu quadril, nos tornando mais próximas, enquanto a outra ainda toca de forma terna a ponta de seus dedos gélidos. A mesma mão que mantém o toque, eleva-se para a minha nuca e assim feito, sinto sua língua serpentear os meus lábios e então a deixo entrar.

Não está frio, não o suficiente para aquele banheiro. Meu corpo úmido, coberto apenas por felpo branco, enquanto o seu jeans grosso esbarra por entre as minhas pernas. Sinto meus mamilos endurecerem à medida que a sua língua brinca com a minha. O arrepio vai e vem, da cabeça aos pés, parando todas as vezes em meu sexo. Sensação maravilhosa, perigosa, mas deliciosa.

Findar um beijo como aquele está fora de cogitação, porém, não sei Emma, mas os meus pulmões estão quase explodindo. Selo uma última vez os lábios agora inchados, e me afasto alguns centímetros ao passar pela porta.

— Então... — caminho para a cama, pegando a camisola que havia separado antes de entrar na banheira.

Ainda de costas e rapidamente, me livro do roupão e deixo a seda escorrer pelo meu corpo. Estando um pouco mais decente e vestida, viro-me para Emma novamente.

— Você é... caraca. — respira fundo, esfregando os olhos. — O seu corpo é... uau, Regina.

— Oh, obrigada. — respondo sem jeito, já que não esperava tal elogio.

Existe todo um ritual quando eu termino um banho como aquele, todo aquele processo de hidratar a pele depois. Mas Swan está aqui, e só de pensar na cena como um todo, sei que seria muito difícil manter qualquer tipo de controle.

— O que lhe trás aqui? — pergunto, balançando a cabeça discretamente para me livrar da imagem erótica que veio com aqueles pensamentos.

— Eu... — coça a parte de trás da cabeça. — Eu vim compensar por ter demorado a te responder mais cedo e, claro, acabar perdendo o almoço contigo.

— Tudo bem, Emma. Eu entendo você. — sento na beira da cama, apontando para que ela se sentar ao meu lado. — Mas lhe adianto que não estou com vontade de sair hoje...

— Oh-oh, não... eu estava pensando em fazer algo aqui mesmo. Se você quiser e, bem, se não for muito tarde pra você.

— São apenas 19:30, não está tão tarde assim, Swan. – rio com a sua careta. — O que quer fazer?

— Eu quero só aproveitar você um pouquinho. — se aproxima, apoiando a cabeça em meu ombro. — Como foi o seu dia?

— Cansativo. – quase gaguejo, sentindo algo remexer em meu estômago. — E o seu? Como está se saindo no novo trabalho? A propósito, você ainda não me disse que tipo de trabalho é.

Swan levanta a cabeça e a tive em meu olhar novamente.

— Foi ótimo! Estou realmente gostando dessa coisa. — sorri. — Gostaria de ver?

— Claro, com certeza. Mas me diga, o que faz Emma?

— Me dê um minuto.

Sem mais nada dizer, ela sai do quarto. Estranho a atitude, mas sei que ela vai voltar com algo.

Ainda sozinha, me aconchego na cabeceira da cama dessa vez, me cobrindo quase que por inteira, já que a noite está bem mais fria agora.

— Aqui estou eu novamente! — pula para dentro do quarto de supetão, me assustando.

— Um dia eu ainda morro do coração por você aparecer dessa forma. Já pensou em ser mais sutil?

— Desculpa. Posso? – aponta para a cama.

— Sim...

Após retirar sua jaqueta vermelha e as botas de couro, ela coloca-se ao meu lado, carregando uma espécie de bolsa preta, nem grande e nem pequena, digamos que média. Com um cuidado duvidoso ela desliza o zíper, abrindo a bolsa devagar.

— Olha, já adianto que eu estou apenas começando. — assim que ela diz, consigo finalmente ver o que ali continha.

A câmera, aparentemente cara, é totalmente manuseada com cautela.

— Eu não sabia que você gostava de fotografar. — murmuro, enquanto ela parece procurar por algo na tela do objeto.

— Antes do Henry, eu adorava tirar fotos avulsas, da natureza, das pessoas. Claro, eram fotos simples... tiradas pelo celular. – me entrega a Cannon. — O que acha?

Detalhe por detalhe é nítido ali, simplesmente incrível a tonalidade vintage. Pessoas caminhando, segurando seus guarda-chuvas pretos, coloridos e até mesmo amarelos gritantes. Os arranha-céus marcando presença. Informações em todos os lugares. Times Square.

— Esse foco, maravilhoso. Meus parabéns!

— Obrigada, ainda tenho muito o que aprender.

Passo para a próxima e dessa vez, Central Park foi registrado, provavelmente tirada no dia de hoje, já que o lugar estava quase que todo coberto de neve. Mais uma foto, uma mulher, extremamente magra de lingerie. Reviro os olhos, ouvindo a risada nasalada de Emma ao meu lado.

— Do que está rindo? — pergunto, encarando-a.

— O que foi esse revirar de olhos? – se aconchega ainda mais.

— Não tenho ideia do que está falando. — continuo a ver as fotografias, quase que me arrependendo, já que as próximas fotos são da garota esbelta e totalmente magra com peças cada vez menores. — Hum.

— Se eu.... — retira a câmera das minhas mãos, colocando-a no criado-mudo atrás de si. —... não te conhecesse...— moveu-se para perto novamente, mas dessa vez, colocou-se sentada em meu colo, abraçando cada lado do meu pescoço com os braços. — ... eu diria que está com ciúmes, Regina.

— Valha-me! – ralhei, dando um leve tapa em seus ombros.

— Posso fotografar você se quiser, com certeza você ganharia da Helena.

— Então ela tem nome? – meu rosto está em chamas, tenho quase certeza.

— Claro que tem. — me provoca, passando os indicadores na base da minha espinha de cima para baixo. — Falei sério, eu adoraria te fotografar. — sussurra, bem próxima aos meus lábios.

— Eu não sou boa com isso. Odeio fotografias. — murmuro, totalmente arrepiada com o tocar de dedos da mulher.

— Desculpe, mas isso é inacreditável. Olha só pra você. – seu rosto fica mais próximo do meu, dois dedos de distância no máximo. — Olha só para o seu corpo. Sua elegância. Sua prepotência... Sua expressão dura...

— Não sei se levo como elogio...

—Deveria. — sorri meiga, deixando um selinho no canto da minha boca. — Eu gosto de tudo isso em você... – sussurra.

E mais uma vez naquela noite, algo se agitou em meu estômago. Levo as duas mãos ao seu quadril, trazendo-a mais para perto. A boca rosa natural é convidativa demais, e sem pensar duas vezes, eu me perco ali, fazendo dos seus lábios os meus.

EMMA NOLAN SWAN

Consigo sentir o meu corpo se arrepiar a cada simples movimento que a sua língua fazia em minha boca. As mãos de Regina agora, se encontram por baixo do meu suéter. Os dedos pequenos sobem e descem devagar, enquanto sinto o seu corpo se estremecer embaixo daquela camisola. Os pequenos seios se chocam contra os meus e em uma espécie de dança, o ritmo do beijo vai aumentando e o espaço entre os nossos corpos torna-se cada vez menor.

— Emma... — ronrona ainda em meus lábios. — Eu preciso respirar....

Sorrio e selo uma última vez, sabendo que eu também preciso fazer o mesmo.

Deslizo para sua esquerda, tendo o corpo da mulher agora ao meu lado. A observo recuperar o fôlego, tentando entrar em sintonia com a sua respiração. Um barulho estranho ecoa pelo silêncio do quarto.

— O que foi isso?

— Esse foi o meu estômago. – se levanta de repente, estendendo uma das mãos. — Venha, farei algo para comermos.

— Terei então, Regina Mills, cozinhando para mim?

— É, quase isso. — responde.

Ainda de mãos dadas e já no andar inferior, sinto o rubor tomar conta do meu rosto assim que cruzamos o hall da escada. A irmã da mulher, Zelena, está conversando intimamente ao celular, não percebendo que não está mais sozinha.

Mills pisca para mim e ignora a irmã no sofá, caminhando até a cozinha e me puxando junto pelo entrelaço dos dedos.

— Então, algum pedido específico? – levanta uma das sobrancelhas.

— Irá mesmo cozinhar?

— O que acha ein? — beija o canto da minha bochecha. — O que gostaria de comer?

— Ah, oh- eu não sei. Eu como de tudo!

— Fetuchinne?

— Qualquer coisa que fizer, estará ótimo pra mim. — respondo, sentando sobre a bancada, notando o seu olhar de repreensão.

— Temos cadeiras, viu? — murmura de costas, pegando alguns ingredientes na geladeira.

— Dessa forma, é mais fácil ver você.

A desculpa é esfarrapada, mas se ela percebeu, nada disse. Enquanto a mulher cozinha em silêncio, entre olhadas rápidas para o meu celular, vi o seu corpo de um lado para o outro na cozinha. Me ofereci diversas vezes para ajudar, mas em todas elas fui colocada para escanteio. Regina é sem sombra de dúvidas uma das mulheres mais bonitas que já conheci, até mesmo de costas ela consegue chamar a atenção.

Pouco menos de uma hora depois, estávamos à mesa. Zelena que uma vez concentrada em seu aparelho telefônico, agora está ali, colocando diversos assuntos em pauta. É notável a diferença entre as duas, não só na aparência, mas o fato da ruiva ser bem mais falante e extrovertida do que a mais velha. Mas confesso, não a trocaria por nada. A primogênita tem o meu coração.

Entre conversas alheias e assuntos vergonhosos, notei Regina endurecer de certo modo quando sua irmã a questionou sobre desencaminhar da investigação. Apesar de saber sobre, resolvi ficar calada, já que é assunto de família. Um tanto quanto deslocada quando as duas começaram a discutir, me retiro da sala de estar e começo a lavar os pratos na cozinha. Entendendo perfeitamente que as duas precisam daquele momento à sós.

— Você não precisava fazer isso. — ouço uma voz soar ao fundo quando estou retirando a última taça de cristal da lava-louças.

Não preciso olhar para trás para saber que é Regina. O timbre aveludado é mais do que familiar aos meus ouvidos.

— Tudo bem, uma cozinha e a outra fica com a louça. — dou de ombros, procurando onde é o lugar daquele objeto.

— É a sua esquerda, na terceira porta.

Após deixá-la onde deveria, continuei virada, sentindo a presença da mulher em minhas costas.
Mills está em sua altura normal, já que está sem seu par de scarpin ou louboutin. Senti seus braços abraçarem a minha barriga, um pouco abaixo dos meus seios. O corpo morno me aquece e deleito daquele contorno de gente.

O silêncio traz paz ali e, me perco no tempo e em pensamentos com aquela mulher a medida que sinto o seu corpo mais colado ao meu. Não de forma maliciosa, mas imaginado o que seríamos em um ou dois meses, um ano ou dez.

Viro todo o meu corpo, tendo-a agora de frente. Ha uma ternura infinita naqueles olhos castanhos, e com certeza, uma beleza exótica no sorriso disfarçado que ela abre e fecha.

— Eu adorei o jantar. — salpico um beijo em sua testa, perdendo o contato quando ela fecha os olhos no ato.

— Eu gostei que veio. — sussurra.

O corpo que antes pequeno, ganha alguns centímetros de forma desconfiável, olho para baixo e ela está nas pontas dos pés. Antes que eu soltasse uma piada ou qualquer comentário, fui surpreendida pelos seus lábios nos meus.

Regina poderia me beijar infinitas vezes ao dia, mas sempre, a cada novo beijo é uma explosão de sensações. Os lábios macios moviam-se contra os meus de forma lenta e delicada. Tinha agora, as minhas mãos em sua cintura e as dela em meu pescoço. A empurrei até o balcão de mármore, colocando-a sentada sobre a peça sem se quer quebrar o beijo.

Mills está alguns centímetros mais alta, então, suas pernas agora, também estão ao meu redor, especificamente falando em meu quadril. Por mais que ir devagar é prioridade, não desejá-la de outras formas é quase que impossível, ainda mais quando a intensidade do beijo começa a arranhar todo o meu sexo.

Arrepiada e completamente entorpecida por cada um de seus movimentos com a língua em minha boca, e o corpo contra o meu, decido por bem da sanidade, parar um pouco. Sugo seu lábio inferior e deixo os dentes morderem a pele devagar e, quando fui soltando-o ouvi o rouco gemido escapar por sua garganta.

A sorte de já ter findado o beijo, não apagou de maneira alguma a libido, ainda mais depois do gemido em minha boca. Mantenho os olhos fechados e com a testa colada à dela, sinto o seu corpo arfar da mesma maneira que o meu.

— É melhor eu ir. – sussurro, soltando o seu quadril, sentindo o meio dos dedos suados e a seda de sua camisola quase que amassada.

— Não quer ficar? — fala no mesmo tom rouco, me jogando ainda mais para o penhasco.

— Acho melhor não. — respondo depois de alguns segundos, me sentindo mais calma. Levo uma das mãos à sua face, acariciando sua bochecha e sentindo a pele quente contra os meus dedos. — Obrigada pelo jantar. Tudo estava... maravilhoso.

— Emma...

Se afasta alguns centímetros, fitando-me diretamente.

— Eu gosto muito de você... — indaga sem ao menos gaguejar.

Levo a boca mais uma vez a sua, selando seus lábios docemente. — Eu também gosto muito de você, Regina.

Com borboletas voando por todas as paredes do meu estômago, deixo a Mansão Mills. Apesar da baixíssima temperatura sob a lua, sentia-me completamente aquecida, e é de dentro para fora.

Ainda com o sabor da morena em minha boca, foi inevitável não sorrir o caminho todo e claro, ter uma gratidão imensa por aquele misto de sentimentos que há muito tempo não pousavam em meu coração e muito menos, me deixava tão feliz como agora...

Obrigada... Regina Mills...

Notas finais
E aí? Como estão as expectativas de vocês para com a história? Apareçam, meus amores! Mil beijos!