EMMA NOLAN SWAN

Alguns dizem que a vista mais bela do céu é quando as estrelas o marcam em meio à escuridão. Mas será que já contemplaram um anoitecer cinzento, onde mesmo com nuvens carregadas, uma luz, vermelha, levemente alaranjada, o ilumina? Não? Pois deveriam.

Passei a observar noites como aquela, desde que a notícia chegou, talvez essa, a imagem a qual me traz paz, seja um reflexo da minha situação atual. Porém, a luz de cor quente, não povoava o presente deixando apenas a escuridão, fria e densa.

— Hey, mãe, olha... Aquela ali, perece um cisne. – sorri ao despertar de meus pensamentos, encarando onde os dedos minúsculos apontavam.

Henry, passou a me acompanhar todas as noites na rotina de observar. Para ele, uma diversão em encontrar formas nas nuvens, já no meu caso apenas mais um dia de prece pela sua vida.

— Não acho... – brinquei, sabendo como ele ficaria perplexo caso eu não afirmasse que a nuvem parece com o animal.

— Como não, mãe? – tirou a cabeça do meu colo e se afastou, virando-se por completo na sacada.

— Para trás, mocinho. Você sabe as condições para ficar aqui comigo.

— Eu não vou cair, mamãe. – soltou com um sorriso bobo, virando-se novamente. – O cisne é da realeza...

— Como sim, menino? – franzi o cenho, deixando Henry novamente no meio das minhas pernas.

— Ora, não está vendo mesmo? Tem uma coroa encima da cabeça dele, mãe... – apontou novamente, esperançoso demais. – Seria o cisne da rainha? – me encarou. – Existe alguma história assim?

De fato, ao analisar melhor, Henry tinha razão, as nuvens amontoadas e avermelhadas tinham a forma das figuras; uma coroa, um cisne. Ótimo, teria que concordar com seu garoto.

— Está bem, você ganhou e achou primeiro do que eu está noite, ganhará sua recompensa, macaquinho. Eu não sei se existe alguma história assim, mas se eu descobrir eu compro o livro para que possamos ler!– beijei suas bochechas, apertando-o intensamente. Gargalhando com as cócegas que meus dedos faziam em sua barriga, pulou do meu colo e correu para a minha cama, deitando-se entre os grossos cobertores.

— Chocolate- quente, por favor. – levantou o indicador, provavelmente copiando alguma cena de filme. – E ah, não esqueça da canela, "milady".

— Não abuse. — apontei, saindo da sacada e caminhando até a porta. — Volto em alguns minutos.

Ouvi o seu resmungue e dei as costas, seguindo rumo aos degraus da escada. Assim que adentrei a cozinha, notei a presença de Branca. Ainda de costas, a mulher não percebera a minha presença, só fizera quando apanhei a caneca de porcelana no armário. Desde a minha volta da boate, Blanchard me ignorou completamente, exceto, ao deixar claro a minha irresponsabilidade e falta de juízo.

— Henry, não está mais se queixando das dores.... O remédio foi bom para ele. — comentei, tentando puxar assunto.

— Hum.

Foi somente o que ela respondeu. Respirei fundo, aquela situação realmente me deixava mal, até por que, querendo ou não, Henry e eu vivemos de favor em sua casa.

— Me desculpe... Eu... Eu só queria que por um momento tu-d-o desaparecesse. — falei com voz embargada, derramando o leite já aquecido na caneca. — A cirurgia dele, seria esse fim de semana... E ele... e-le não... Por deus, eu só precisava de um tempo!

— Precisava era passar o dia tentando buscar um nova saída, ao invés, resolveu encher a cara! – falou alto, apontando o dedo.

— Você sabe que não tem outra saída, que merda! Eu já tent... – uma batida firme na porta, me faz parar. Olhei do relógio da cozinha para Branca, estava tarde. – Está esperando alguém?

Ela apenas balançou a cabeça negando. Pegou o jornal que estava sobre a mesa e retornou à sala, não fazendo questão alguma de ir ver quem estava batendo. Ótimo.

Ao abrir a porta, quase deixei a xícara cair de minhas mãos. O que ela queria?

— Boa noite, Swan — disse, em tom sério.

— O que faz aqui, Mills? – respondi seca.

— Acho que você me deve uma explicação. – cruzou os braços, onde eu percebi um envelope em mãos.

— Eu não devo nada para você, muito menos explicações. – falei, já começando a fechar a porta.

— Mamãe? – fui impedida por aquela voz, Henry estava abraçado as minhas pernas. – É a sua amiga?

Ao olhar para a mulher, notei que agora, seus olhos se prendiam na figura menor ao meu lado. Um frio me cortou a espinha, não precisava de muito para descobrir que Henry estava lutando contra algo, pois, grande parte de seu lindo cabelo havia caído por causa da quimioterapia.

Não. Ela não é minha amiga e já estava indo embora. – respondi dura, quebrando o contato da mulher com ele. – Não é mesmo, Regina?

— Swan... Por favor... – disse, quase em uma súplica. Uma coisa a qual, não era típico da minha ex-chefe.

— Vá embora, já lhe disse não tenho que explicar nada a você....

E então, quando fiz menção de continuar, fui barrada por um beliscão. Olhei para o garoto, que agora, tinha o semblante sério e os braços cruzados. — O que foi?

— Você me disse que não devemos machucar os nossos amigos. – olhou para Regina. – Desculpa senhora, mamãe com certeza não fez por mal, não é? – voltou a me encarar, pegando a xícara de minhas mãos. — Como pedido de desculpas, pode beber o meu chocolate todinho e se quiser, a senhora B, fez biscoitos deliciosos.

Hesitante, ela abraçou a porcelana, me encarando como se pedisse permissão. Já estava feito, fui envergonhada por meu próprio filho, tentei disfarçar a vermelhidão das minhas bochechas e apenas assenti com a cabeça. Ela então, bebericou o chocolate devagar.

— Então, é bom não é? – disse a figura de gente ao meu lado, impaciente.

— Sim, é realmente muito bom. – concordou ela, entregando a xícara de volta para mim. – Por favor, vamos conversar, Swan?

Respirei fundo, com Henry nos observando, não conseguiria me desfazer daquele pedido novamente, sabia que ele iria interferir. Então, com uma respiração pesada, dei passagem para que ela pudesse entrar.

Regina, ficou alguns minutos imóvel, me encarando surpresa, mas logo sua mão foi puxada, onde Henry começou guiá-lá para dentro da casa.

Que merda.

— Como é o seu nome? – ouvia, atenta.

— Henry, o seu é Regina, né? – ela afirmou, com um sorriso que parecia ser sincero. – Você é realmente muito bonitona, mamãe tinha razão.

— É mesmo? – falou em deboche, me encarando. – Não sabia que sua mãe me achava tão bonita assim.

— Não gosto disso. – murmurei para mim mesmo, sabendo que por mais tagarela que o menino fosse, ele tinha razão. Regina é incrivelmente bonita. Corei. – Eu vou colocar ele para dormir, você pode se sentar ali. – apontei para a sala, especificamente para uma das poltronas. – A Srta. Blanchard lhe fara companhia. Volto em dez minutos.

Peguei Henry no colo e vi que os dois trocaram um olhar cúmplice, para logo depois, Regina piscar. Revirei os olhos e então cortei o contato dos dois, subindo os degraus com ele.

— Achei que tinha ganhado o jogo e que dormiria em seu quarto hoje. – disse ele emburrado quando o coloquei sobre a cama.

— Isso é verdade, mas quem mandou você convidar estranhos para a nossa casa? – semicerrei os olhos, pegando o pijama que estava sobre a cômoda.

— Ma-as, mamãe, ela não é uma estranha... É sua chefe. – sorriu. – E sua amiga também. Ah mamãe, me deixa dormir com você?

— Você precisa aprender muito sobre amizade, garoto. – disse, arrastando o cobertor para seu colo depois de vesti-lo. – Vamos fazer assim, se não for muito tarde quando Regina for embora, eu levo você para o meu quarto, combinado?

Com um sorriso desconfiado, ele concordou e, por fim deitou-se.

Apesar de Henry sempre dar um pouco de trabalho para dormir, devido à todas aquelas medicações essa noite para a minha e total surpresa, ele adormeceu em menos de dez minutos. Enquanto tomava cuidado ao fechar a porta do quarto para não acordá-lo, não conseguia disfarçar o nervosismo, onde toda tensão corria por uma das minhas pernas, começando a tremer constantemente.

— Vamos, Emma é só uma conversa... — desci os degraus da escada enrolando e murmurando o máximo que meu cérebro deixava.

Ao chegar na sala, quase sorri. Aparentemente, Regina era obediente, ficou exatamente no lugar onde eu pedi, diria até mesmo que não se moveu um centímetro se quer. Pigarrei para chamar a atenção, fazendo as esferas castanhas me fitarem no mesmo instante.

— O que você quer? — perguntei.

— Podemos conversar a sós? — disse a morena, olhando para Branca pelo canto dos olhos.

— Eu não vou sair daqui. Não irei perder o meu programa de culinária por vocês. — Blanchard murmurou.

Merda, por que raios você tem que ser tão chata quando está brava?

— Me siga. — disse, apanhando o corrimão da escada novamente.

Odiei aquela opção, mas era isso ou deixar Branca participar de uma troca de farpas, por que isso, com certeza iria acontecer. Mills não disse uma palavra durante o pequeno percurso, ainda sim, segurando o envelope em uma das mãos. Ao chegarmos à porta, deixei com que a mulher mediana entrasse primeiro, para logo depois, fechar a madeira atrás de mim.

— Não achei que me traria ao seu quarto. — murmurou os lábios vermelhos.

Revirei os olhos.

— Sem graçinhas. — apontei com o indicador. — Desembucha, Mills. Que merda eu tenho que explicar para você? Alguma coisa da empresa que sumiu? Algum papel que deixei de assinar?

— Gostaria que fosse isso, Swan. — disse com olhar confuso, ainda sim, observando o quarto. — Posso? — apontou para a cama.

— Não, sente-se ali se quiser. — apontei para uma poltrona perto da janela. — Mas se eu fosse você, falava logo, minha paciência com você já se esgotou há tempos.

— Por que você mentiu para mim? — perguntou sem rodeios, jogando o envelope sobre os lençóis.

REGINA MILLS

Algumas horas atrás...

— Conseguiu o que eu lhe pedi? — disse, assim que notei o homem se aproximar com uma pasta entre os dedos.

Engoli seco quando ele invadiu o meu espaço pessoal, sabendo que as condições pudera fazer dele alguém perigoso. Recuei um passo, tendo a porta lateral do carro em minhas costas. Cruzei os braços na frente do busto, encarando-o de forma séria.

— Ficou mudo? — cansada do silêncio, provoquei.

— Ora... Ora... — sorriu, sínico. — Achei que tinha me dispensado de seus serviços.

— Deixe de rodeios e me responda, Graham. Conseguiu ou não?

— Depende, Mills.

Revirei os olhos.

— Depende do que? Já havíamos combinado o valor... Você quer mais, é isso?

— Para que quer esse dossiê? — abriu a pasta, folheando as páginas com atenção. — O que tem de tão importante na vida de Emma Swan? — me encarou, estendendo o papel caramelo em minha direção. — Ah, não me diga que se apaixonou?

— Isso não é da sua conta! — apanhei com força, colocando-o de imediato no porta luvas.

Dei as costas para o homem e me estiquei para pegar a bolsa no banco de trás. Com o bolo de dinheiro já em mãos, notei que seu olhar divagava sobre as minhas curvas. Me sentindo extremamente incomodada, estendi a mão, trazendo os olhos do ex-empregado novamente para os meus.

— Aqui está.

Ele avançou um passo, pegando o dinheiro de minha mão e o analisou, como se algum enigma se escondia por entre as notas.

— Pensando bem... — mais um passo. — Eu não quero o seu dinheiro. — sem pedir permissão ele abriu o meu casaco, enfiando o mesmo bolo de dinheiro em um dos bolsos internos. Ele estava perto... perto demais, podia ouvir a sua respiração pesada se cruzar com a minha.

— O que você quer então? — perguntei em um sussurro, assustada.

— O que você tem de melhor... — disse e sem me dar chances para se esquivar, suas enormes mãos tomaram a minha cintura, me jogando contra os seus lábios ralos. Repudiei o beijo, não mexendo a boca um segundo se quer. — Beije-me! — exigiu, apertando o meu quadril com força.

— Está fincando louco! – o empurrei com força, limpando a boca com a manga do casaco.

E ele se aproximou com rapidez novamente, dessa vez, emaranhando-se os dedos em minha face, insistindo em grudar seus lábios aos meus.

— Idiota! – não aguentando mais o abuso, levantei um dos meus joelhos, acertando seu membro com toda força.

O homem foi ao chão, agarrando suas partes íntimas com as mãos quase que ao mesmo tempo, se encolhendo de dor. Com um sorriso torto nos lábios, dei a volta no automóvel, deixando Graham ali caído.

Segundo o ditado, " a curiosidade matou o gato" e provavelmente, me mataria também. Estacionei o carro o mais rápido que consegui e com o suor correndo em mãos, apanhei a pasta no local que havia guardado às pressas. Como se houvesse um bloqueio, hesitei em folhear o documento, não sabendo ao certo por que a vida da mulher me chamara a atenção à ponto de me submeter aos cuidados de Graham novamente. Mas a dúvida não demorou ao menos três segundos para se esvair, pois, logo senti as pontas dos dedos apanharem a borda da página, sabendo que à partir dali, invadiria completamente a vida pessoal de uma ex funcionária da Apple Gold Company.

Não sei por quanto tempo me perdi naquele relatório, quantas vezes tentei entender o por que de Emma nunca ter contado que seu filho estava doente. Nunca ter mencionado o motivo de precisar de tanto dinheiro. Óbvio, me senti mal com aquela situação. Como eu não desconfiei que poderia ser um problema desse tamanho? Como ela conseguiu aceitar uma proposta daquelas, ao invés de ter apenas dito que era para a enfermidade de seu menino? Suja. Isso foi o que eu senti ao relembrar da maneira que havia tratado a mulher aquela noite em minha casa. Por quê Emma? Por quê você simplesmente não contou a verdade? Tentei. Ah, como eu tentei resolver aquelas incógnitas. Mas é impossível, realmente não tem como. A única que poderia fazer tal coisa seria ela, somente Swan.

(...)

Agora eu estava ali, esperando que ela terminasse de ler o que levei tempo para entender. Senti um arrepio cortar a pele e eriçar os pelos atrás da nuca, quando ela travou o maxilar, devolvendo para a cama o dossiê.

— Você mandou me investigarem? — disse por fim, me queimando com aqueles olhos.

— Isso não importa, me responda, por que você não disse que seu filho era o motivo do dinheiro?

— Você não tem o direito de fazer isso. — falou um pouco mais alto, dei um passo para trás. A mulher parecia furiosa. — Que merda! É minha vida, minha privacidade! Você não consegue respeitar ao menos isso. Vá a merda!

— Me responda!

— Por que você se importa, ein? — se aproximou, engoli seco. — Achei que se preocupava apenas com os seus brinquedinhos sexuais.

— Você realmente não me conhece, Swan. — disse em um tom seco. — Eu nunca te denominei como um brinquedo sexual.

— Ah, não? Lembro-me bem de como era as coisas na empresa. Uma mulher por dia, ou seriam duas? Comigo, três? Hum — debochou. — ... Você é uma vaca insensível, Regina Mills. Você não se importa com nada, a não ser o seu bem estar, vulgo, o que tem entre as suas pernas. Agora me responda você, por que eu deixaria com que soubesse de algo tão importante como a vida de Henry, se a única coisa que você quer é ter um.... — sorriu sínica, agora, à poucos centímetros de mim. -... belo orgasmo? Poupe-me de seu ego! Você não precisa da verdade, quando o seu umbigo é maior do que os dos outros.

— Se eu não me importasse, jamais teria parado quando você começou a chorar! Por deus, você não só poderia como deveria ter me contado!

— VAI A MERDA REGINA, VAI A MERDA! – passou as mãos por seus cabelos nervosa — Puta que pariu, você não tinha esse direito. Saia da minha casa! Suma daqui! Você é uma... uma...

— Uma?

— É a porra de um câncer!

Absorvi cada, cada uma daquelas palavras. A respiração irritada dela, ainda cortava a minha. Embora a vontade de lhe beijar me veio à mente, não o faria, não era movida pelas coisas que ela fez questão de dizer. Eu tenho sentimentos, como qualquer outra pessoa, embora poucas vezes tenham aparecido, eles existem sim.

— É assim que você me vê, Swan?

— É assim que você se mostrou Regina. – disse sem nenhum requisito de dúvida.

Com o maxilar travado e o peito, digamos que apertado, desci a mão para um dos meus bolsos, apanhando um único pedaço de papel. Passei os dedos pelas elevações feitas à caneta uma última vez e, deixei com que a palma o esmagasse com uma fúria descomunal, para logo depois, jogar em cima da cama da mulher.

Não deixei com que os meus olhos fossem captados mais uma vez pelos seus e, sem pensar uma segunda vez, rodei os calcanhares e caminhei para fora do quarto, querendo estar o mais longe dali.

Notas finais
Quase três meses sem capítulo, eu sei, fiquei no limite. Acredito que muito de vocês provavelmente perderam o interesse na história e, eu entendo... de verdade! Mas para os que ainda acompanham, peço desculpas (novamente), não desistam de mim, vou escrever essa história até o fim. Um beijo e se puderem, comentem para eu saber quem ainda faz parte da "casa". Obrigada, voltarei logo ♥