The Last Chance
19 Capítulo 18
Notas iniciais
EMMA NOLAN SWAN
Depois daquela voz, dormir tornou-se um desafio. Rolava de um lado para o outro na cama, tentando acalmar os meus pensamentos. Minha mente não deu trégua, insistia em me fazer ouvir aquela voz rouca e sussurrada novamente. Ouvir sílaba por sílaba dita por aquela mulher. E como se não bastasse o estado que eu me encontrava, fazia aquele gemido ecoar-se dentro de mim como chama. Talvez seria um castigo por ouvir tantas vezes a mensagem de voz.
Droga! Droga! Droga! Droga Regina! — praguejei, indo em busca de um banho rápido.
Depois de alguns minutos, voltei para a cama. Tudo parecia estar um pouco mais calmo agora. Estiquei o braço para apagar o pequeno abajur e notei as horas no relógio encima do criado. Passava-se das três. Realmente, estava na hora de descansar.
Com a noite mal dormida, não poderia esperar mais. Olheiras. Mal humor. Sono. Acordar atrasada.
Eu corria, enquanto o tempo, voava.
Com a escova ainda entre os dentes, vestia-me da maneira mais ridícula do que já fiz em toda a minha vida. Mas era isso, ou enfrentar uma chefe furiosa por mais um de meus atrasos. Será que ela anotava?
E lá estava a mocinha, tentando desviar de todos aqueles comentários e chegar até a mesa. Isso mesmo, mocinha, estou parecendo uma garotinha de treze anos com esse vestido floral. Não lembro o motivo de eu ainda tê-lo, mas depois de hoje, ele iria para o lixo.
— Fiu, fiu, dona margarida! – disse Belle. — É só eu me ausentar que as coisas mudam!
Revirei os olhos, retirando a minha "proteção" e indo abraça-lá.
— Menina, não coloque mais aquele casaco... Você está linda. – se afastou e me olhou de cima à baixo. – Belas pernas, Swan.
— Pare. – minhas bochechas esquentaram. – Como você está? Melhorou?
Belle voltou a se sentar em sua cadeira e eu, encostei-me a mesa.
— Estou bem sim, ainda um pouco congestionada. – apontou para uns lencinhos perto de seu teclado. – Mas bem melhor. E você?
— Estou levando. – abri um sorriso amargo.
— Isso não significa estar bem, querida. O que houve? Algum outro problema?
Quando ia abrir a boca para responder, ouvi o meu telefone tocar.
— Depois a gente conversa. – sorri para ela e caminhei rapidamente até a minha mesa.
— Apple of Gold, em que posso ajudá-lo?
— Venha a minha sala.
Não precisava de uma indicação ou de um nome, eu conhecia aquele timbre. Regina.
Minhas mãos estavam suadas, meu corpo estava arrepiado por um todo; minha garganta secou.
Como pude me esquecer? Era hoje.
Bati na porta com dois toques suaves e aguardei o consentimento; que logo veio. Respirei fundo e abracei a maçaneta, girando-a devagar.
Finalmente ali dentro, senti aquelas esferas castanhas me despirem sem pudor. Encolhi-me, sabendo que eu já deveria estar vermelha.
— Está tentando agradar alguém, Swan? – disse com um sorriso malicioso, retirando aqueles seus óculos de leitura e me olhando da cabeça aos pés mais uma vez.
— Na-nã-o. – gaguejei, parando ali mesmo, quase que encostada a porta. Com certo medo de me aproximar.
— Hum... – deu mais uma olhada e se levantou. – Interessante.
Gelei.
O barulho de seus saltos me deixam arrepiada. Mills me encara diretamente nos olhos, mas eu não consigo manter contato. Seu corpo. A saia justa. O decote da camisa. A renda preta de seu sutiã. Foi inevitável, tive que encarar. Recuo um passo quando ela para em minha frente.
— Você parece nervosa, está nervosa Miss Swan? – fechou aquele espaço, me prensando à porta. Ela estava há um palmo... Perto demais. Neguei com a cabeça, completamente perdida no seu hálito de maçã. – Tem certeza? – colou as duas mãos na madeira que me sustentava, deixando os braços ao redor da minha cabeça. Afirmei novamente sem dizer nada, as palavras pareciam entaladas na garganta.
Fiquei presa naquela luxúria, na sua tensão e calmaria ao mesmo tempo. De repente tudo seguiu um rumo diferente; fui tomada por uma devasta pulsação em meu centro, sentindo uma de suas mãos tomar a barra do meu vestido, tocando lentamente a parte lateral da minha coxa. Regina tinha a boca entreaberta e quando a fitei sem vergonha, ela passou a língua pelos lábios avermelhados. Oh... Jesus... O toque, então, ganhou precisão e agilidade, onde ela arrastou a ponta dos dedos para a minha parte de trás, deixando por fim, a palma ser preenchida por minha bunda em um aperto brusco.
— Reg... – ela fez novamente, me deixando extremamente desnorteada para concluir a frase.
— Deixe-me ver como você está... – disse, trazendo a mão até a minha virilha, tocando com um dos dedos lentamente o tecido da minha calcinha. Fechei os olhos, gemendo baixinho. – Está quente Srta. Swan. – apertou com a palma dessa vez, me fazendo arfar. Aproximou sua boca do meu ouvido. – Está muito quent-e-e-e. — sussurrou.
Minha mente dizia não, mas meu corpo queria que ela continuasse a me masturbar. 'Masturbar' é sério? Oh meu deus... Isso está fora do acordo...
— Pare... Por favor... – falei quase que em um gemido, sentindo a líbido controlar o meu quadril e fazendo com que o mesmo acompanhe a sarração* de seus dedos por cima daquele tecido.
— Você tem certeza? – mordeu lentamente o meu lóbulo esquerdo.
— Uhummm. – murmurei, ainda rebolando em seus dedos.
— Eu posso continuar Miss Swan. – seu dedão pressionou o meu ponto sensível, enquanto os outros subiam e desciam pelo algodão. Sua boca se arrastou para o meu pescoço, onde a língua quente marcou um caminho molhado. Tombei a cabeça para o lado, entregando a pele arrepiada e ela mordeu. – Está tão molhada... – sussurrou e saiu do meu sexo, raspando as unhas pelas partes internas das minhas coxas. – Mas eu não vou descumprir as suas ordens... Não é mesmo? – puxou o tecido para cima. Estremeci. – Você quer que eu pare... – mais um puxão em minha calcinha. – Então eu vou parar. – se afastou, com um sorriso no rosto.
Levei alguns minutos para me recuperar, internamente sentia a frustração correr pelas minhas veias, meu sexo necessitava da continuidade das ações de Regina Mills e mesmo negando, eu queria aqueles dedos me tocando, me invadindo, me conhecendo. Balancei a cabeça de um lado para o outro, tentando me desfazer de todos aqueles pensamentos. Ajeitei o meu vestido e percebi que a mulher ainda me encarava. Ruborizei. A odiava por isso, odiava quando ela me olhava daquela maneira. Era indecifrável e ao mesmo tempo tão legível.
— O que foi? – perguntei levemente irritada, cruzando os braços.
— Você é linda, Emma. – disse com serenidade, como se fosse a coisa mais normal do mundo ela fazer-me um elogio desse.
Fiquei em silêncio, sem jeito.
— Não gostou? – caminhou até a sua poltrona e se jogou nela, cruzando as pernas bem devagar. ( pelo menos em minha mente, aquilo fora em câmera lenta).
— Eu gost... Não... Er.. Sim...
— Deixe... Deixe. – fez um trejeito com uma das mãos, piscando para mim. – Você se enrola demais.
— Não é isso... Você deixa as coisas complicadas e depois quer conversar? – não pensei para responder e logo me arrependi.
— Eu deixo? – sorriu maliciosa, prendendo os lábios em seus dentes devagar. – Complicadas de que modo? Bom ou ruim?
— Regina, para! – falei em tom de aviso. – Você me chamou aqui pra que?
— Emma... Em-ma... – suspirou. – Só queria confirmar se essa noite eu terei você?
Abaixei a cabeça, querendo que aquilo não estivesse acontecendo por dinheiro. Mas não... Aquela era a minha realidade.
— Está bem. – a olhei, vendo o sorriso gigante em seu rosto. – Você já está com... o...
— Fique tranquila, Swan... Eu lhe garanto que o que pediu estará comigo esta noite. Eu apenas precisava saber se não tinha desistido.
— Não. Eu não posso. – admiti, fechando os olhos por alguns segundos.
— Certo. – seu semblante marcou curiosidade, mas parece que ela se conteve. – Te pego as oito e meia, então?
Franzi o cenho. — Não precisa, Mills. Eu sei onde a senhora mora. Vou caminhando, não é tão longe.
— Senhora? Bem... Eu não estou tão velha assim. – falou em tom magoado, contraindo o maxilar.
— É costume. Você é a minha chefe. – respondi rapidamente, querendo logo deixar aquela sala.
— Hum. – revirou os olhos.– Estarei na sua casa no horário.
— Mas eu disse que...
— Não me faça esperar. – me cortou.
Respirei fundo e resolvi assentir com a cabeça, não queria entrar em confusão apenas por aquilo. Se ela quer ter o trabalho de ir até lá, que vá então. – Posso ir trabalhar agora? – questionei, já ameaçando a sair.
— Sim. – respondeu seca, como se nada tivesse acontecido há poucos minutos.
— Ótimo. – sorri sem olhá-la, colocando um dos pés para fora do cômodo.
— Swan? – a encarei, eu sabia, ela nunca me deixa ir embora sem antes me chamar de volta. Sim, eu andei percebendo isso. — Use vermelho.
— Desculpe-me... Não tenho vestido vermelho. – falei levemente constrangida.
— Eu não disse que deveria ser o seu vestido. – sorriu com malicia, me fazendo corar. – Sua pele ficará linda com algo vermelho. – deu uma piscadela, e umidificou seus lábios devagar.
Com o rubor ainda em minhas bochechas, sai dali antes que as coisas ficassem pior. Como ela conseguia ser tão ousada? E mandona? Ela não tem vergonha de pedir isso? E se eu quisesse usar outra cor?
Voltei a minha mesa com a mente já trabalhando em agonia. Não que eu não gostasse daquelas investidas, daquele jeito bruto e dominador, mas viera por meio de uma necessidade, por Henry. Pendo a cabeça no encosto da minha cadeira e encaro o teto, respirando profundamente.
— Hey loira, está tudo bem? – ouvi Belle chamar. – Você está estranha.
— Depende do seu ponto de vista da palavra bem. – murmurei ao ficar ereta novamente. – Vamos tomar um café? – apontei para os fundos, querendo um pouco mais de privacidade para lhe contar todas aquelas coisas.
— Como quiser. – entendeu de imediato, se levantando prontamente.
O corredor que nos levava até a copa era o mesmo para a sala de Regina. Agradeci aos céus por ter fechado aquela porta antes de deixá-la, caso contrário, teria que fitar as esferas curiosas. Segui com Belle impaciente até o local, via em seus olhos azulados a curiosidade exacerbada.
— Você é... Caralho! Você vai transar com ela! – gritou assim que eu terminei de contar, semicerrei os olhos. A sala da morena não era tão distante e se ela estivesse atenta, com certeza, ouvira o grito da garota. – Desculpa... – pediu, diminuindo o tom. – Está ansiosa, Emms?
— Eu não sei. Talvez eu esteja com medo. – disse com sinceridade, encostando-me a pia e bebericando o café, que agora, já estava quase frio.
— Medo do quê? Menina, você vai passar uma noite ao lado daquela mulher, fazendo coisas que nem eu consigo imaginar... Puta merda! A Regina é gostosa, como consegue não ficar nem excitada com isso?
— Eu não disse que não fico excitada. – bufei.– Eu fico, e muito. Mas eu tenho medo de travar com ela... – abaixei os olhos. Eu não queria chorar. – Você sabe, eu só estou fazendo isso pelo meu filho. Nunca dormiria com alguém por causa de dinheiro.
— Por que você não disse a verdade pra ela então? A Regina com certeza não lhe faria uma proposta dessa se soubesse o motivo que a ronda.
— Ah!!! – joguei o copo descartável no lixo e bati nas pernas com as duas mãos. – Você também irá me julgar por isso?! – revirei os olhos, quase enxergando Branca no corpo de Belle. – Qual é o problema para entender que o que eu menos quero daquela mulher é a sua pena!
— Ei, nossa... – levantou as palmas para o alto. – Não está mais aqui quem falou, Srta. Irritadinha!
— Eu não estou irritada... É só que... que...
— Está tudo bem, Emma... Tá tudo bem. Desculpa. – alisou meu braço de leve.
— É apenas uma noite. – relembro. – Uma noite pela vida do meu garoto.
— Você já... – me encarou maliciosa.
— Já o que? – a fitei confusa.
Ela se aproximou e murmurou em minha orelha: — Já transou com uma mulher?
— Oh meu deus, não! – arregalei os olhos, sabendo que minhas bochechas estavam iguais a dois tomates. – Eu já fiquei com algumas, antes do Neal, o pai do Henry, mas nunca cheguei à ir pra cama com alguém do mesmo sexo.
— Hummmmm. – passou a língua por entre os lábios. – Mills será a sua primeira... Que maravilha irá abrir as portas com chave de ouro ein, Swan. – falou com duplo sentido, me fazendo gargalhar.
— E você? Já partiu pra essa parte com aquela garçonete?
— O nome dela é Ruby. – falou com bico, me fazendo rir de canto. – Mas se quer mesmo saber, não estamos mais juntas.
— Por quê?! – falei um pouco mais alto que o necessário.
— Encontrei ela de amasso com uma aí. – vi fogo naquelas íris azuladas. — E aquela vad...– se conteve. – Ruby disse que eu nunca pedi exclusividade, então ela achou que poderia ficar com outras pessoas também. Ela é uma idiota!
Apesar das palavras carregadas e a expressão furiosa, no canto daqueles olhos consegui enxergar que Belle sentia algo pela morena de mechas vermelhas. E quem não sentiria? Que Belle me perdoe, mas Ruby Lucas tinha um corpo de fazer qualquer um salivar. O mesmo vale para a Srta. Mills, porém de uma maneira bem mais devastadora. Regina até mesmo com um olhar, fazia a intimidade de qualquer um encharcar. Oh meu deus? Quem é você e o que fez com a Emma? Estou mesmo pensando em mulheres agora? Estou mesmo imaginando aquele olhar? Sentindo a pulsação forte em minha calcinha? O corpo levemente arrepiado ao pensar na boca carnuda a sussurrar em minha orelha? Meu deus, eu devo estar ficando louca mesmo!
— Mas você deu a entender que eram? – falei acordando de meus devaneios.
— Como? Estávamos ainda no começo de tudo. – rolou os olhos. – Um começo que já virou final.
— Ah, que isso. – resolvi dar uma luz para a garota que parecia desolada. – Acho que ela não sabia, vocês deveriam conversar e resolver isso. Deixar claro que quer exclusividade!
— Duvido que se acontecesse com você, iria querer conversar e entender dessa maneira. – me cutucou com o indicador. – Imagina ver alguém que você gosta dando uns amassos em outra?
— É você tem razão, provavelmente eu não aceitaria ter essa conversa, porém estamos falando de você mocinha. Então, está mesmo gostando dela? – sorri e dessa vez foi ela que ficou vermelha, ela não precisava nem responder. – Awwww, que coisa linda!
— Cala a boca Swan... — me deu um tapa e eu gemo de dor — Antes que eu espalho pra todo mundo que você vai transar com a gostosa da Regina!
Filha de uma rapariga, cala a boca! Avancei para cima dela, brincando é claro.
— O que está acontecendo aqui? – uma voz corta nossas risadas.
Nos afastamos.
— Bom dia, Srta. Mills. – disse Belle, ajeitando os cabelos que eu havia bagunçado.
— Srta. French. – a olhou de cima a baixo e depois me encarou da mesma forma. – Srta. Swan.
— A seu dispor. – falei séria.
— Ou bem mais que isso. – retrucou Belle ao meu lado, com um riso abafado.
Regina a fuzilou e ela se recompôs de imediato, mas seus olhos ainda estavam embromados na graça. Engoli seco, pois agora eu estava em sua vigia. Mills subiu e desceu o olhar por todo meu corpo, assumo, um tremor invadiu meu íntimo, me deixando descompensada.
— Melhor eu voltar pra minha mesa. – sussurrou a ruiva, caminhando para longe de nós. Implorei com os olhos para ela não me deixar, mas foi em vão, ela já estava no final do corredor.
Regina deu alguns passos à frente e eu voltei a fitá-la. Ela parou, deixando uma fresta minúscula de ar corrente entre nós.
— Achei que ninguém deveria saber sobre o nosso negócio. – falou em tom arrastado, mas ao mesmo tempo intimidador.
— Há quanto tempo está ouvindo?
— Tempo suficiente.
Fiquei sem jeito, realmente, ninguém deveria saber sobre, mas Belle era a única pessoa que eu confiava ali dentro.
— Belle não dirá a ninguém. – afirmo.
— Hum eu não me importo de ser a chefe que fodeu a funcionária, mas acredito que você não gostaria de ser a funcionária que foi fodida pela chefe em troca de dinheiro.
Um ódio descomunal tomou conta do meu corpo, senti raiva. Como ela podia falar assim? Quem lhe deu esse direito? Sem me controlar, levantei a mão na direção de seu rosto, acertando-lhe um tapa estralado.
— Maldita! – abraçou o rosto com uma das mãos no local surrado e saiu bufando.
Fiquei em transe, acordando somente quando as paredes tremeram. Era a porta da sala de Regina; que quase foi ao chão pela força usada.
Oh deus, o que foi que eu fiz?
— O que foi que aconteceu depois que eu sai de lá? – perguntou Belle.
— Você ouviu? – apontei para a porta.
— Eu e o prédio inteiro também.
— Que merda! – ralhei, jogando o corpo na cadeira com tudo, quase caindo, pois as rodinhas deslizaram no porcelanato. – Droga, droga, droga!
— Você está me assustando, Emma.
— É melhor a gente só... Só trabalhar...
E foi o que eu fiz, ou pelo menos; tentei. Mills rondeava os meus pensamentos, mas a sua real presença tornou-se extinta desde o momento de minha explosão. Me sentia profundamente envergonhada e drasticamente assustada. O dia se escorreu para o fim daquela maneira, quieto, mas agitado em minha mente. Eu sabia que de alguma forma, havia estragado tudo. Não ousei ir até a sala da mulher ou até mesmo telefonar, por algum motivo a qual agradeci, nenhum cliente exigiu falar com a presidente durante todo o dia.
REGINA MILLS
— Sai da frente! — gritei, apertando a buzina severamente para o outro carro. — Filho da puta!
Mesmo depois de todas aquelas horas, ainda sentia o ódio correr por minhas veias e, os dedos de Emma Swan arderem em minha face. — Desgraçada! Como ousa a me bater?! Estúpida, vá procurar outra pessoa para bancar qualquer que seja essa porcaria! Eu não te quero mais! — falei sozinha, enquanto o transito insistia em seguir lento. — Mas que merda, anda logo porra!
Sob a necessidade de uma banho revigorante, me atrevi a passar pelo acostamento em alta velocidade. Aquele congestionamento estava arrancando de mim o último requisito de paciência, então; antes uma multa por passar em local proibido, do que ser presa por estraçalhar todos aqueles motoristas em minha frente.
Cheguei em casa no cantar dos pneus, entrei, sendo abordada pelo vazio do lar. Suspirei e deixei o molho de chaves no lugar de sempre e segui para o banheiro de imediato, queria me livrar de todas aquelas sensações antes que fizesse alguma besteira ou matasse alguém. Já despida, chequei se a água estava boa e então, deixei meu corpo se acalmar no acolhimento daquela banheira redonda. Pendo a cabeça para trás e fecho os olhos, tentando mais do que nunca, apenas relaxar.
Quando minha mente começou a esvair-se para um local de paz, ouvi o som irritante cortar a quietude. Meu adorável celular, lembrarei de tacar-lhe na parede da próxima vez.
"Sra. Mills. Me pediu para avisá-la quando a carta ficasse pronta, amanhã sua funcionária já receberá tal comunicado. Att; Robin Hood. "
Ao menos alguém sabia trabalhar. — pensei.
"Ótimo, suspenda o acesso dela pelas catracas também. Eu não quero aquela mulher colocando os pés em minha empresa novamente. Entendido Sr. Hood?"
Sorri ao enviar.
"Entendido. Sra. Mais alguma coisa?"
Revirei os olhos com aquela pergunta, eu sabia o que o homem queria. Há um tempo ele vinha com seus investimentos medíocres e sem graça. Por deus, não conseguia ver graça naquele homem, talvez fosse a barba mal feita, ou talvez fosse ele por completo. Robin Hood é, realmente, apenas um funcionário sem qualquer interesse à parte. Não lhe dei o privilégio de resposta e deixei o aparelho ao lado da banheira, voltando a tombar a cabeça para trás. Depois de um tempo incontável debaixo daquela água, que já não estava tão agradável quanto antes, fui para uma das duchas e lavei calmamente os meus cabelos.
Segui para o quarto alguns minutos depois, sentindo a sola dos pés marcarem o assoalho com a umidade do banho. Sentei- me na beirada da cama, apanhei a escova no criado-mudo e penteei as madeixas calmamente. Na medida que encarava um ponto desconexo, enxerguei a maleta no canto do quarto; suspirei. Fui até o canto escondido e quando ia me abaixar para pega-la, ouvi a campainha tocar.
— Mas quem será há essa hora? – encarei a tela do celular, passavam-se das dez horas da noite.
Desci as escadas um pouco receosa, não era normal eu receber visitas, ainda mais naquele horário. Por uma superstição, ou mesmo por um medo inconveniente, nunca olhava através do "olho mágico". Já viu o que acontece nos filmes? É sempre um erro olhar por aquele buraquinho.
Tomei a coragem do além e enfim, destranquei o objeto de madeira, dando de cara com ninguém menos, ninguém mais do que Emma Swan.
— Regi...
— O que você está fazendo aqui? – a cortei de imediato, sentindo a face arder novamente.
— Eu... – encolheu os braços, apertando as mangas de seu casaco. — Eu vim me desc...
— Vá embora! – disse rancorosa, agarrando a lateral da porta para fechar.
— Regina... Eu... Eu não queria ter batido em você.
— Vá caçar a sua gente! Vá embora Miss Swan! – gritei e assim, empurrei a porta contra o batente com toda força.
Rodei os calcanhares com um sorriso de satisfação e agarrei o corrimão de madeira, pronta para voltar ao meu quarto, porém a campainha voltou a gritar.
— Mas que merda! Eu disse vai em... – Travei assim que abri a porta.
Um casaco azul-marinho, que mal havia me interessado para analisá-lo encontrava-se ao redor de saltos pretos ao chão. Engoli seco e subi o olhar de vagar, sentindo o fraquejar das pernas ao encontrar sob a luz fraca da lua, o corpo tão bem esculpido de Emma Swan, trajar apenas uma minúscula lingerie vermelha na porta da minha casa.
— Eu posso entrar agora? Está frio aqui fora...
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