The Last Chance

14 Capítulo 13 - PVD DUPLO


Notas iniciais
"Surprise. I'm back bitches". Bom esse capítulo vai em especial para a aniversariante da semana e minha fiel leitora, Lêle, esse é pra você minha linda, desejo-lhe tudo de bom e muito obrigada por estar sempre aqui ou no wttp, me fazendo rir dos seus surtos! Eu não esqueci do seu aniversário, apenas deixei para dar-lhe os parabéns por aqui, que foi onde eu a conheci! Um beijo, amo você, felicidades!! Gente, eu não quero enrolar aqui não... aposto que apenas pela minha demora vocês já devem estar querendo me matar, então, pra que fazer essa vontade aumentar? HAHA!! Me desculpem por qualquer erro de português, eu revisei, porém está de noite e eu tô mega cansada! PS: Muito obrigada pelos favs, acompanhamentos e comentários... isso me incentiva muito a continuar por aqui! Um beijo, espero que façam uma ótima leitura!

REGINA MILLS

Até mesmo no sonho meu corpo ansiava por Emma, passei a madrugada quase inteira imaginando aquela mulher na minha cama, ouvindo seu gemido quando eu a tomasse, quando seus joelhos fraquejassem e ela clamasse por uma pausa. Estou desnorteada sexualmente pela prova que a loirinha me deu no dia anterior, ela quer tanto quanto eu, sua respiração entrecortada e a pele arrepiada me contaram. Emma Swan seria minha, mais cedo do que eu imaginava.

Retoquei os lábios naquele batom vermelho vinho no retrovisor interno, pegando a bolsa e saindo rapidamente. Certifiquei-me se o terninho não se amarrotou e tratei logo de entrar na empresa.

— Bom dia Sra. Mills. – disse o porteiro.

— Bom dia. – respondi, não parando para encará-lo.

Depois de tomar o elevador com um monte de bajuladores, enfim, cheguei à porta principal, suspirando e pensando em uma única pessoa quando girei a maçaneta.

Meus olhos logo se estenderam para a mesa da garota, que não ficava muito distante dali, mas ao analisar com mais afinco, percebi que Emma Swan ainda não havia chegado, tudo estava da mesma forma quando deixou a empresa no dia passado. Curvei o braço e puxei levemente a manga do terno, vendo no relógio de pulso que faltavam apenas alguns minutos para o seu turno começar. Revirei os olhos e suspirei, esperando que Swan tivesse entendido o recado que havia dado há algum tempo. Muito embora soubesse no fundo que aquela ameaça seria um blefe, não conseguiria demiti-la, não depois de provar dos seus lábios o sabor adocicado de canela, de arranhar aquela barriga macia e sentir sua jugular pulsar entre os meus lábios; mas, se tem uma coisa cuja qual me irrita muito, são atrasos.

Passei por Belle French e a encarei.

— Onde está a sua amiga? – sabia que elas haviam feito um elo, viviam de conversinhas e sempre iam embora juntas.

— Eu não sei, senhora. Ela ainda não chegou. – engoliu seco, me olhando temorosa.

— Hum. Assim que ela chegar, peça para que ela vá até a minha sala. – falei com desdém, não voltando a encarar aqueles olhos azuis novamente.

A manhã estava passando bem depressa, pela primeira vez em semanas, dispensei Graham e disse que hoje não estava afim de suas mulheres ou mesmo de suas habilidades. Ele estranhou e remediou bastante quando empurrei serviços somente da empresa para ele fazer. Tudo estava uma bagunça com todos aqueles investimentos, porém em certos minutos me desprendia daquela pilha de papeis e caminhava até o vidro, abria as cortinas e nada de Emma Swan aparecer para trabalhar.

Comecei a ficar preocupada. O relógio já se aproximava das dez e ela ainda não tinha dado as caras ou até mesmo avisado que não viria. Como sua chefe, não poderia deixar isso passar, então, resolvi ligar. As tentativas de descobrir se algo estava acontecendo foram boas, exceto por cair na caixa postal todas as vezes que tentei. Onde raios você está?

Inconveniente toda aquela preocupação, me corrigi e joguei o celular no sofá, voltando a minha mesa e continuando a fazer o que estava fazendo antes, trabalhando.

Me perdi na noção do tempo e só quando o meu telefone tocou, me dei conta de que já estava na hora do almoço. Ignorei a ligação, qualquer pessoa que fosse teria que esperar até que os funcionários voltassem de seu intervalo. Peguei a minha bolsa no canto da sala e caminhei até a porta. Já do lado de fora, percebi que todas as pessoas haviam deixado suas mesas, exceto por alguém que se quer havia aparecido a manhã toda. Respirei fundo e procurei pela Srta. French, criando já o sermão para lançar lhe por não avisar da chegada de sua amiga, porém a garota já não estava mais lá. Então, parti para a próxima vítima.

Estico as mangas do casaco e caminho até ela, devagar. A loira se encontra de cabeça baixa, olhando para um papel que com certeza não era da minha empresa, o logo era diferente. Arranhei a garganta e ela notou a minha presença, guardou o que estava em suas mãos com pressa e o que parece, limpou os olhos rapidamente.

— Sra. Mills. – disse com voz baixa.

— Miss Swan. – fechei a cara, mordendo o canto direito do lábio. – Resolveu tirar a manhã de folga?

— Não, não foi isso!... Desculpe-me por não avisar... Eu apenas estou com alguns problemas. – suspirou e vi naqueles olhos vermelhos algo que a incomodava muito. – Digo... Isso não vai acontecer novamente. Eu prometo.

— Olha... – se eu não fizesse isso, não seria uma Mills. – Eu não sei quais são os seus demônios e isso também não me importa nenhum pouco! Mas que fique claro que a sua cota já chegou ao limite, não é a primeira vez que isso acontece! Você tem que ter responsabilidade! Se todos aqui respeitam as condições de trabalho, por que você não faz o mesmo? Ou pelo menos avisa quando pretende chegar mais tarde? Assim não pensamos que alguma tragédia aconteceu com você! – corrigi-me. – Não que eu me importe com você... M-a-s... Mas a sua falta acumula muito trabalho!

— Eu garant-o... Isso, não...

— Vai acontecer? É! Você já disse, vê se prova isso! – bufei e me curvei, apoiando o corpo com o braço esquerdo em sua mesa. Apanhei o queixo de Emma com os dedos e me aproximei lentamente. – Não me faça demitir alguém que tanto desejo.

— Por... favor, não me dem...ita. – olhou no fundo dos meus olhos e eu enxerguei a sua alma atormentada. – Por favor.

Sorri com a sua clemência, aquilo me deixava louca e satisfeita demais para deixar de apanhar aqueles lábios em um selo demorado. O gosto de Emma me fez querer mais, aquela boca permitindo que eu a sugasse deliciosamente devagar.

— Regina... – colocou uma mão em meu rosto, me afastando devagar. – Por favor.

Me afastei e claramente estava estampado no rosto de Swan que hoje não era um dos seus melhores dias, me segurei para não perguntar o que de fato estaria acontecendo com ela, seria pessoal e íntimo demais. Ajeitei a minha postura e fiquei ereta novamente, largando o seu rosto e desviando dos seus olhos para disfarçar.

— Tudo bem, Miss Swan. – comecei a me afastar. – Vou almoçar. Te vejo em uma hora.

Emma não respondeu, apenas afirmou com a cabeça.

Antes de sair totalmente da sala, olhei mais uma vez para a mulher, porém ela não me olhava de volta. Com os braços cruzados ela deixou a sua cabeça ali em seu meio e, um murmúrio parecido com choro foi quase inaudível. Um grande nó se formou na minha garganta e por alguns segundos pensei em ir até lá, mas saí dali, sabendo que seus problemas não eram os meus.

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Um almoço mais rápido do que pensei, ainda mais quando encontro Robert sentado em uma das mesas do restaurante. Tentei me esconder, pois sabia que se ele viesse até mim, não teria mais paz. Dito e feito, não levou no máximo cinco minutos para o homem aleijado se aproximar. Nunca entendi qual era a sua obsessão e por que rondeava toda a nossa família, principalmente quando meus pais faleceram.

— Mills. – estendeu uma das mãos.

Neguei o cumprimento e acenei com uma das mãos para que ele pudesse se sentar.

— Gold. Que surpresa te encontrar aqui. – falei com escárnio, sabendo que ele perceberia.

— Digo o mesmo, Regina. – ralhou. – Como estão as coisas na empresa?

— Normal. Como sempre. – disse seca.

— Hum.

— E os lucros? Aumentaram?

— Digamos que as metas estão sendo cumpridas. – odiava ter que falar de trabalho em intervalos. – Mas e a loja de penhores? Ainda funciona? – alfinetei, cortando os lábios com o sorriso.

Gold tem uma das maiores e mais conhecidas lojas de penhores de toda cidade. Há um tempo, quando ele realmente se dedicava a ficar e cuidar do lugar o homem recebia pessoas de vários cantos do mundo, onde penhoravam ou queriam encontrar algo exótico, artefatos antigos e, claro, com um preço bem inferior aos demais vendidos em lojas atuais. Com o preço demasiadamente barato, Robert lucrou muito mais, passando a vender quantidades absurdas e assim obtendo uma ótima renda. Mas a ganancia do homem foi tanta, que quando menos se deu conta, acabou quase sem nada para vender.

Ele raramente falava de seus assuntos, mas adorava focar nos meus.

— Tudo está como deveria estar. – falou com desdém, sorrindo ao jogar suas costas no apoio da cadeira. – Mas me diga, Regina, está preparada para a chegada da outra herdeira da família Mills daqui duas semanas?

Minha garganta secou.

— Do que você está falando? – apanhei o copo e bebi toda água que nele continha.

— Zelena, minha cara. – abriu aquele sorriso amarelado novamente. – Ou você esqueceu que o natal está chegando e as “crianças” visitam os familiares nessa época.

Ele estava certo, havia esquecido que Zelena teria que vir para casa nesse período.

— Claro que não. Como me esqueceria? – minto. – E se acaso viesse, com certeza, você me lembraria... Não é mesmo?

— Com toda certeza, Regina! Você sabe que poderia tirá-la do mausoléu e coloca-la ao seu lado na empresa.

— O que? Não, Zel é muito nova ainda! E ela nunca quis fazer parte disso... Prevejo que não vai ser agora. Talvez ela fique por lá, nem queria vir para Nova York...

— Ela tem direito, tanto quanto você. Seus pais deixaram explícito no testamento...

— Grande coisa! Eu ergui aquela empresa sozinha, Zelena se fechou e nunca quis saber de nada.

— Ainda bem que essa escolha não cabe a você...

— Nem a você!

— Com certeza não! Mas fui encarregado por seus pais em manter as coisas nos eixos. Zelena tem 50% das ações da empresa, tudo foi dividido igualmente... É bom colocar isso em mente, Regina.

— Você não precisa me lembrar disso, eu mesma li aquele testamento, diversas vezes. E Zelena não completou a maioridade ainda, por enquanto... Sou eu que cuidarei da sua herança. Bom, parece que eu perdi a fome, pois até mesmo no almoço... você vem me atormentar. – bufei, levantando-me e deixando o guardanapo com toda hostilidade em cima do prato. – Passar bem, Robert.

— Passar bem, Regina... Lembre-se... Duas semanas.

EMMA SWAN

Não consegui pregar os olhos nem por um segundo se quer durante toda noite, Henry estava ao meu lado e toda vez que meus olhos rolavam para o seu semblante tão sereno, uma dor tomava-me o peito, sufocava-me até que eu sentisse o lacrimejo escorrer pelo canto dos olhos. Apertava as têmporas com força, pensando e repensando no que faria, não tendo a menor ideia de como conseguiria uma quantia que demoraria mais de uma década para ganhar. Um valor extremamente alto, mas que seria a única salvação para o meu filho.

Os primeiros raios de sol já começavam a transpassar em filetes singelos pelas cortinas, caindo aos poucos na beirada da cama. Beijei suavemente a testa de Henry e me desprendi de seu corpo, levantando devagar. Sentindo uma leve dor de cabeça fui à procura de uma aspirina em minha bolsa, quando finalmente achei a pílula, encontrei também o cartão que o médico havia me dado, olhei para aquele número diversas vezes, chegando à conclusão que seria o primeiro lugar que deveria ir essa manhã.

Depois de tomar um banho bem rápido, escolhi uma roupa um pouco mais social do que o normal para usar. Coloquei um vestido preto que ia quase até a altura dos joelhos e um sapato alto da mesma cor. Retirei do fundo do guarda-roupa um casaco que nunca tinha usado, mas que ajudaria bastante para causar uma boa impressão para os bancários. Deixei meu cabelo solto caindo por cima dos ombros e fiz uma maquiagem básica, apenas para esconder aquelas olheiras enormes. Respirei fundo antes de descer as escadas e, por um minuto me recordei que hoje eu teria que trabalhar. Quando ameacei a voltar para o quarto, tirar aquela roupa e esquecer que hoje não daria para ir ao banco, ouvi quando Branca me chamou.

— Oi? – respondi, descendo devagar.

— Já está acordada?

— Eu nem dormi. – parei no hall, encarando Branca do outro lado. – E você? Por que está acordada tão cedo?

— Estou preocupada, fechei os olhos por poucas horas... Onde está indo? – olhou-me de cima abaixo.

— Eu ai até esse banco... – mostrei o cartão de longe. – Mas vou subir e trocar de roupa, preciso ir trabalhar.

— Tem certeza? Acho que Regina entenderia se você se atrasasse.

— Na verdade... Eu não sei se gostaria que ela soubesse dessas coisas.

— Por quê? – ela se aproximou, parando em minha frente.

— A coisa que eu menos quero receber dela, é a sua pena.

— Está certa. – suspirou. – Mas ainda sim, acho que deveria ir até o banco, mesmo se isso lhe render uma boa bronca.

— Ou se não uma demissão. – murmurei medrosa.

— Acho que não. – sorriu de leve.

— Como sabe?

— Instinto talvez... Vá ao banco e faça tudo o que tem que fazer, as coisas vão dar certo, Emma. – me confortou. – Depois você vai trabalhar, arrume uma desculpa caso não queria contar a verdade... Mas, de uma coisa eu tenho certeza, Regina não irá demiti-la. Aliás, aposto que será bem rápido lá no banco.

Mary Margaret estava errada, passei quase a manhã toda sentada, olhando as horas passar e a aflição ficar ainda maior a cada senha chamada. Eram tantas pessoas a serem atendidas que me perguntei se sobraria alguma coisa para mim ali dentro, me deixando ainda mais nervosa para a tal conversa com o homem de terno.

Enfim o número 487 apareceu no painel. Ao mesmo tempo em que comemorei pelo chamado, senti que eu estava cada vez mais próxima da única opção que eu tinha para salvar a vida do meu filho. E apenas em pensar novamente em tudo o que ele passaria, meu coração murchava da maneira mais dolorosa possível.

— Srta. Swan. Correto? – o moreno mostrou-me um sorriso franco, estendendo uma das mãos para cumprimentar-me. Apertei a sua mão, afirmando com a cabeça. – Sente-se, por favor.

Sentei-me, com as pernas já trêmulas.

— Então, em que posso ajuda-la, senhora?

Engoli seco, era agora ou nunca. Passei os olhos pela placa a qual marcava o nome do homem, e ensaiei o discurso mentalmente antes de começar. Expliquei de uma maneira bem apelativa o motivo que precisava de uma quantia equivalente à quase R$50.000 reais. Pude ver na feição do Sr. Jones que o valor não o intimidou, o que eu não sabia se significava algo bom ou ruim. Concluí o rogo retirando uma foto de Henry da minha carteira, colocando-a na mesa do homem. Ele tomou a foto em suas mãos e no mesmo instante, abriu um sorriso largo, me deixando um pouco mais esperançosa em relação a tudo aquilo.

— Srta. Swan, ele é lindo, parabéns. Aparenta ser um menino adorável. – pausou, escondendo os dentes e voltando a seriedade. – Mas... é um pouco mais complicado do que a senhora pode imaginar. – Eu apenas afirmava com a cabeça, apertando as mãos uma nas outras. – O banco tem uma política muito rígida quando os valores são altos demais, inclusive, análise de crédito. — Ah... Droga. – disse mentalmente. – Dado a isso, enquanto a senhora foi falando, analisei profundamente os seus documentos e notei que trabalha na Apple of Gold há três meses e meio, correto?

— Sim. Correto.

— Então Srta. Swan, isso é um empecilho para nós. Sinto a dizer que a sua renda não será suficiente para que o banco possa ajuda-la. – respirou fundo. – Entretanto, podemos fornecer uma quantia que está de acordo com os termos e acredito que venha a ajuda-la de alguma forma.

— O que? – falei exaltada, triste, não brava. – Entenda... Eu não tenho da onde tirar esse dinheiro todo! Não tenho a quem recorrer... – o homem me entregou um dos papeis, onde a quantia ali era bem inferior. – Sr. Jones, isso não é nem a metade do que eu preciso! – senti o canto dos olhos lacrimejarem. – Por favor, me ajuda!

— Sra. Swan, eu sou um simples gerente... Adoraria ajuda-la, assim como queria fazer algo pelas outras pessoas que recebo. Mas eu não posso, recebo ordens, sou um mero empregado.

— Tudo bem. – suspirei. – Obrigada. O que eu devo fazer para retirar isso? – devolvi o papel para ela.

— Não há de que, Emma. – o encarei, estranhando. – Quero dizer, Srta. Swan. Perdoe-me. Bom, você trouxe todos os documentos... Irei buscar o seu contrato e dentro de vinte e quatro horas o valor já estará em sua conta corrente.

Assenti com a cabeça. Derrotada demais para falar.

(...)

Quando cheguei à empresa, muito mais atrasada do que podia imaginar, vi que todos já haviam saído para lanchar. Joguei-me brutalmente naquela cadeira e retirei da bolsa o contrato que havia feito com o banco. A cada nova linha que eu lia, sentia o meu coração se afundar no peito. Estava desesperada.

Fui surpreendida por uma voz que jamais poderia ser confundida e no momento que virei-me para encarar aqueles olhos castanhos, sabia que o sermão viria em poucos segundos. Eu ouvi atentamente cada palavra da morena, ela estava certa, embora me magoasse a sua frieza ao dizer que ao menos se importava com o motivo do meu atraso ou quais eram os meus demônios. Não que eu fosse contar, mas um pingo de sua curiosidade seria uma ótima maneira de enxergar o altruísmo em Regina. Mas nela, aquela qualidade parecia faltar. Achei que ela fosse me demitir, foi tão fria, rígida que tive que implorar, pedindo por favor. Amassei o meu ego em milhões de pedaços ao clamar pelo meu emprego, esquecendo-me completamente do que Branca me disse; “ela não vai te demitir.” E bem, nesse ponto a mulher estava totalmente certa, Regina não iria me demitir, pelo menos não enquanto ela mantivesse aquele desejo sujo sobre mim.

A morena me beijou, sem vergonha, sem enrolar. Eu deixei meus lábios aos seus por alguns segundos e ela o sugou como sempre fazia. Não posso dizer que eu não gostei, mas minha cabeça estava tão lotada que não era hora de pensar se queria Regina ou não, então eu tive que afastá-la. Ela não reclamou e ao menos tentou continuar com aquilo, me encarou como se tentasse me entender e se foi.

Não consegui ao menos esperar até ter a confirmação que ela teria mesmo ido almoçar, cai em prantos ali, entre os meus braços e a minha mesa, sentindo a impotência de não poder ajudar a pessoa que mais amo na vida. Depois de esgotar todas as minhas lágrimas e sentir os olhos arder, vi que não sentia fome alguma e resolvi por então, dar uma olhada nas coisas que se acumularam pela manhã, podendo assim, entreter a mente.

Os minutos foram se passando e o turno da tarde já se iniciava. Percebia pelo canto dos olhos a maioria dos funcionários me analisarem quando entravam, senti as minhas bochechas corarem, pois de certo modo todos já deveriam estar sabendo que eu faltei no período da manhã.

— Garota! O que foi que aconteceu com você?! – chegou Belle de surpresa, tocando em meus ombros e me fitando de cara amarrada.

— Oi, Belle. – sorri triste, lembrando-me do motivo da minha falta. – Não foi nada... Só alguns... – respirei fundo. – Só alguns problemas.

— Ué, mas está tudo bem? – franziu o cenho, encostando-se à minha mesa.

Por um momento pensei em sua pergunta, claramente as coisas não estavam bem. Iam de mal a pior.

— A gente pode conversar em outro lugar? – olhei ao redor, vendo que muitas pessoas poderiam ouvir.

— Claro, Emms. Mas tá me deixando preocupada.

Caminhei com Belle até o almoxarifado e me certifiquei se não havia ninguém ali. Nos sentamos em caixas, lotadas de materiais de escritório. Hesitei em falar e o silêncio caiu sobre nós, a garota me fitava de uma forma branda e não me apressava, deu-me o tempo que eu precisava para criar coragem e contar a ela a notícia que me atormentava e que me impedira de dormir a madrugada inteira. Contei também o motivo pela a minha ausência na empresa durante a manhã e quando me calei, aqueles bracinhos magros me abraçaram fortemente, me transmitindo algum tipo de apoio. Abracei-a de volta e tive que me segurar para não chorar mais uma vez.

— Eu sinto muito amiga, sinto mesmo! – apertou-me ainda mais, chegando a me sufocar.

— Obrigada, Belle. Obrigada. – me soltei, vendo que o abraço já havia durado mais do que o necessário.

Todavia, me sentia extremamente bem podendo desabafar com alguém que não fosse Branca, pedi a garota sigilo sobre o que acabara de contar. French se quer protestou e disse que de sua boca nada sairia. Confiei plenamente na menina e passado algum tempo nos obrigamos a voltar às nossas mesas, antes que Regina percebesse que nós estávamos ausentes.

O dia foi caminhando para o seu fim, Mills apareceu na empresa um pouco depois das duas e trouxe consigo, pela primeira vez, uma mulher alta, loira. Mesmo com a minha mente atordoada aquilo não passou em branco, encarei-a de esguelha e notei que as duas estavam de mãos dadas.

— Uau... parece que a Regina não precisa mais de você soldadinho! – ouvi um burburinho e pela primeira vez naquele dia, consegui sorrir sem ter que me esforçar.

— Quem disse isso? – perguntou Graham com tom de ira, levantando o pescoço e olhando ao redor.

— Olha só, Mills sabe procurar o próprio meio de se alimentar... alguém vai perder o emprego! – essa voz eu conhecia, Belle falou entre gargalhadas.

Abafei o riso e olhei para o homem que fechava os punhos, se ele se visse, com certeza não pararia de rir.

— Você que pensa. – falou ele, se acalmando. – Regina não consegue viver sem mim!

— Assim como ela mesma conseguiu se virar agora! – provocou a menina.

— Quem você pensa que é?

Parece que Belle pisou no calo do homem, pois num piscar de olhos ele estava quase encima da garota.

— Ué? Por que está tão bravo? Só por que ela não te convidou para ir junto?

Ele gargalhou alto, dando um passo para trás.

Franzi o cenho em conjunto com Belle, notando a mudança repentina de humor.

— Eu não preciso ser convidado, se eu quiser... Eu entro lá e faço das duas o que o seu pai fez com a sua mãe. – disse estufando o peito.

Olhei para o lado para cair na gargalhada, porém o riso anuiu quando fitei a morena encostada na parede, apenas observando a atitude de seus funcionários.

Regina forçou uma tosse e os dois encrenqueiros se viraram. Vi de longe as bochechas de minha amiga se tornar rubras de imediato, Graham por outro lado se manteve robusto, encarando Regina da mesma maneira que recebia o olhar. Sra. Mills parecia estupefata e bem surpresa com o homem, porém não baixou guarda, manteve-se com a carranca em seu semblante. Se aproximou devagar, sem desviar do olhar do mesmo. Quando estava a milímetros do rosto de Graham, ela moveu sua cabeça para o lado e cochichou em seu ouvido, fazendo os ombros do homem caírem no segundo seguinte, desfazendo toda aquela pose de machão.

A morena não ficou ali por mais do que trinta segundos depois de dizer algo para ele e lançar um sermão para Belle, mandando a garota trabalhar ao invés de ficar falando de sua vida. A outra morena não se demorou para voltar a mesa, temendo irritar ainda mais a nossa chefe.

Depois que Regina se foi e levou consigo o homem, Belle me encarou por de trás de seu computador, soltando um risinho disfarçado. Balancei a cabeça negativamente e sorri de volta, vendo que em parte, eu gostava de trabalhar ali.

No decorrer das horas, não vi mais a morena. Graham que não ficou muito tempo na sala da mulher, saiu e pegou suas coisas rapidamente. Eu e Belle nos entreolhamos, ou Regina havia lhe dado um trabalho com urgência ou o pior havia acontecido, ela o demitira. Com todo aquele fuzuê e um telefone que não parava um segundo se quer, consegui esquecer-me de toda aquela angústia que sentia. Porém já era hora de ir embora e recordei que estava em apuros quando o cartão do advogado caiu de um dos bolsos quando levantei.

— Ah, droga... Tenho que achar um jeito... Um jeito rápido!

Notas finais
Zeleninha vai aparecer? Prevejo desavenças entre ela e a Regina, preparados? Só eu que acho que a Regina está pegando leve com a Emma? O que vocês acham? ... Emma precisa do dinheiro... E precisa logo :o Comentem...