The Last Chance
2 Capítulo 1
Notas iniciais
EMMA NOLAN SWAN – PVD 1/2
— Mamãe, onde você vai? – perguntou Henry, abraçando as minhas pernas e impedindo que eu continue a andar pela casa.
— A mamãe precisa ir trabalhar, amor. Você sabe disso! – me curvo encontrar seus olhos gentis. – Se comporte e cuide da Senhora. B!
— Quando você volta? – piscou várias vezes, ainda sonolento.
— Ao anoitecer. – beijo sua bochecha, voltando a minha postura.
Agarro a jaqueta vermelha ao lado da porta e antes de passar pelo objeto de madeira, olhei novamente para ele. – Hey, eu te amo macaquinho!
— Também te amo, macaquinha! – respondeu, abrindo um enorme sorriso no rosto.
A mulher mais velha se aproxima de nós, passando delicadamente a mão pelo cabelo castanho-escuro do garoto ao se colocar ao lado de sua cama.
— Pode ficar tranquila Swan. – murmurou, sorrindo de relance.
— Esta bem, Branca. Eu confio em você. Pode me desejar boa sorte?
— Boa sorte em seu primeiro dia, querida! – disse ela se aproximando, envolvendo-me em um abraço apertado.
— Obrigada.
Em passos lentos prolonguei aquela despedida, sentindo um leve aperto no coração por deixá-lo sozinho pela primeira vez. Infelizmente, era um mal necessário, pois estava ficando impossível manter-nos somente com o salário que Branca recebia pelo falecimento de seu marido, cujo qual, não pensou duas vezes ao me colocar para dentro de sua casa..
Conhecemo-nos no porto, onde por motivos banais me envolvi em uma briga logo que pisei na “cidade dos sonhos”. Desamparada e com o filho nos braços, acabei aceitando a ajuda da mulher, passando a viver em seu apartamento no Brooklyn. A casa em si é aconchegante, um pouco pequena para três adultos e um bebê na época, mas muito melhor do que os lares adotivos que havia passado em toda minha infância. Falar sobre o passado nunca foi fácil, ainda mais quando não existem muitas coisas para contar ou familiares para descrever. Branca respeitou todos os limites, sabendo quais assuntos deveria tocar na hora que um sermão deveria ser aplicado.
E então, em uma noite de inverno algo me chamou a atenção em minha caixa de e-mail. Onde havia um comunicado de uma vaga de secretária pessoal em uma das empresas mais conceituadas da cidade. Sabia que não teria chance, pois o único emprego que obtive foi há muito tempo, mas apenas por curiosidade me candidatei á vaga e, quando menos esperei, o telefone tocou. A minha inexperiência foi claramente notada em meu currículo, porém o que me ressaltou dentre os demais candidatos foi (segundo o entrevistador) a minha inteligência, conseguindo fazer todos os testes com agilidade e exuberância. E assim o homem todo engomado do outro lado da mesa, forneceu a resposta que eu mais queria e menos esperava... Sim.
Fiquei surpresa, extasiada com a ideia de trabalhar em um local como aquele... Mas algo permaneceu ofuscando a visão daquela oportunidade... Henry... E isso é o que me fez pensar e repensar antes de passar pela catraca que dava acesso a parte inferior da empresa.
Minuto por minuto contei em meu celular, deslizando a tela de bloqueio e analisando a foto do menino inúmeras vezes.
— Ei docinho, vai ficar ai ou vai entrar? – uma voz feminina tirou minha atenção, fazendo com que eu me vire e encare a dona daquele timbre.
— Te conheço? – respondo, encarando a morena em um vestido vermelho e um blazer elegante, muito elegante por sinal.
— Acredito que não, você é? – estendeu a sua mão, sorrindo para mim.
— Emma... Emma Swan! – respondo ao cumprimento.
— Hum. – fiquei um pouco constrangida, vendo seus olhos subirem e descerem por todo o meu corpo. – Então, vai entrar?
— Eu... Eu não sei.
— Então saia da frente, essa é a única catraca que faz o meu crachá funcionar. – resmungou, empurrando o meu corpo para o lado.
— Hey, você deveria ser mais educada dona. – digo, vendo ela se afastar.
— E você deveria saber com quem está falando.
Antes que eu pudesse responder a altura, ela já estava longe e parecia incrementar em seu rebolado, sabendo que todos estavam olhando.
— Com licença?
— Oh... Oh sim, desculpe-me. – dou dois passos para o lado.
— Obrigada. É o seu primeiro dia? – a mulher pergunta, retirando seu casaco.
— Como... Como você sabe? – indaguei, semicerrando os olhos.
— É que eu fiquei da mesma maneira que você, olhos arregalados, imóvel, olhando todas as pessoas que entram ou saem... Normal. Mas você se acostuma. – a moça de olhos claros sorriu, prendendo o cabelo acobreado em um coque no alto da cabeça. – Como é o seu nome?
— Emma.
— Seja bem-vinda Emma... Uma dica: Tome cuidado com atrasos. – ela intensifica o sorriso. – Te vejo mais tarde!
— Co-mo é o seu nome?
— Belle, eu me chamo Belle! – com um aceno rápido, começou a se afastar.
— Belle? – chamo-a.
— Sim?
— Espere. Eu vou entrar com você. – resolvo parar de pensar tanto e simplesmente aceitar a oportunidade que a vida me ofereceu.
Passei finalmente pela catraca e caminhei em passos apressados para alcançar a mulher.
— Que bom que você entrou. Aliás, quem te contratou? – ela abriu a porta, dando passagem para que eu entrasse primeiro.
— Eu não sei, o nome diz que trabalharia com um tal de... Graham. – respondo, lembrando-me do nome que estava no papel em minha bolsa.
— Ah, o soldadinho.
— Soldadinho? – não entendo.
Belle se sentou em uma das mesas, onde supostamente deveria ser onde ela trabalha.
— Não vou contar, ele nem é a melhor parte. Terá que descobrir sozinha. – ela gargalha. – Primeira porta à direita. – apontou com uma das mãos.
— Corro algum risco? – brinco.
— Depende do seu ponto de vista.
— Como assim?
— Ande logo, mais um minuto e terá problemas... – ela diminui o tom. – Atrasos.
— Okay...
Lanço um sorriso para ela, seguindo cuidadosamente o caminho que foi indicado. Meu estômago está revirando, minhas mãos soam como se eu estivesse correndo uma maratona, o coração aumenta o ritmo, deixando-me um pouco ofegante.
Olhei para os dois lados ao abraçar a maçaneta fria, suspirando e empurrando a porta com delicadeza.
Um passo por vez, sentindo o calafrio tomar o meu corpo.
— Com licença... – sussurro, vendo a enorme poltrona de couro virada para o lado oposto.
Assim que a minha voz ecoa-se pela atmosfera daquela sala, a cadeira se vira de imediato, e eu quase tombo para trás ao reconhecer aquele rosto.
— Olá Emma... Emma Swan... Creio que agora você já deve saber quem eu sou...
REGINA MILLS- PDV
Passei os olhos rapidamente pela loira parada em frente a uma das catracas, murmurando coisas indelicadas para mim mesmo ao ver seu corpo tão bem esculpido. Após uma troca pequena de desavenças, segui para o meu escritório, um pouco mais irritada do que o normal por discutir com o Sr. Gold logo cedo.
Completamente atenta mandando uma mensagem para Graham, uma voz conhecida foi audível dentro da minha sala e, ao virar a minha musculatura, deparei-me com aquela mulher novamente. Cumprimentei-a em um tom sarcástico, lembrando-me das palavras que ela usou há alguns minutos.
A garota de cabelo loiro ficou calada e vi em uma forma dissipada em sua expressão facial, partículas de sua surpresa em conjunto com o medo. Um riso escapou por entre os meus lábios, quando tal mulher começou a tremer.
— Me-me desculpe, eu-u não sabia. – gaguejou.
— Terá que pedir com mais convicção. – brinco, vendo seu nervosismo.
— Me desculpe por falar com a senhora daquela maneira. – murmurou, elevando o olhar e me encarando. – Eu não sabia.
— Está bem Srta. Swan. – sorrio. – Agora, sente-se e vamos conversar um pouquinho sobre o seu novo trabalho. — de imediato ela se sentou na cadeira em minha frente e eu pude ver uma linha tênue corar as suas bochechas. – Como você já notou, essa empresa tem um nome a zelar sociedade á fora. E para que o reconhecimento seja plausível com o que fazemos aqui, necessitamos de funcionários competentes...
— Entendo. Não deveriam ter me escolhido para a vaga então. – a loira disse tão baixo que tive que me esforçar para poder entender. Ignorei aquilo, pois acredito que seria um pensamento que acidentalmente ela deixou escapar.
— Então, como eu ia dizendo... O seu trabalho é um dos mais simples aqui Swan, você terá que simplesmente se manter atenta ao telefone e manter a minha agenda atualizada.
— Achei que trabalharia com um homem.
— Tem algum problema em trabalhar comigo por eu ser uma mulher? – olho em seus olhos, sorrindo ironicamente.
— Não... Não. Eu... não quis dizer isso.
— Hum.
— É serio, eu... Eu quis dizer que em minha pasta o nome era masculino. Graham.
— Tudo bem Emma. Mas corrigindo, Graham é como você, um empregado. Trabalhará com ele e, não para ele. Entendeu?
— Sim. Entendi.
— Mas agora, sem cordialidades... Conte-me um pouco de você. – recostei-me na poltrona, sorrindo para ela.
— Não existe muito sobre mim.
— Ah, mas é claro que existe.
— Bom, eu vim pra Nova York há quatro anos. Tenho um filho e moro com uma amiga. É isso. Viu? Nada.
— O que você veio fazer aqui?
— Tentar uma nova oportunidade e esquecer o passado que deixei em minha antiga cidade.
— Hum, interessante. E o pai do seu filho? Está com ele?
— Sou obrigada a responder isso? Talvez seja um pouco pessoal. – ruborizou, desviando o olhar.
— Não, na verdade não precisa. – admito, porém, querendo descobrir um pouco mais da bela mulher. – Vamos ao trabalho então. – levanto-me, encarando-a até o percurso da porta. – A sua mesa ficará á poucos metros do meu escritório, de frente com a de Graham. Ele vai ajudar com que você pegue o ritmo nos primeiros dias, mas depois terá que se manter por conta própria. – Emma se levanta, parando atrás de mim. – Espere ele chegar para você começar.
Abri a porta sutilmente, dando espaço para que a loira passasse.
— A propósito... Qual o seu nome?
— Meu nome é Regina, Regina Mills querida.
— É um prazer trabalhar aqui Regina.
— Aposto que sim.
Após dizer aquela frase, Emma manteve-se calada e eu apenas fiquei observando o sorriso constrangido pelo silêncio mantido entre nós. Senti um nó se formar em minha garganta a cada novo segundo, sabendo que a loira sentiu a mesma sensação.
— Então... Srta. Swan, é melhor esperar com que ele chegue. – falo enfim, recobrando a consciência.
— Está bem. – respondeu, se afastando lentamente. – E, aliás, pode me chamar só de Emma.
— Como quiser, Emma. – digo, agarrando a maçaneta da porta e fechando-a logo depois. — Emma... Emma Swan...
EMMA NOLAN SWAN – PDV 2/2
Meu Deus, o que foi aquilo? Flertando com a sua chefe no primeiro dia? Quem você pensa que é?— conturba o meu cérebro, enchendo-me de pensamentos sombrios ao me sentar naquela cadeira. Senti todo o sangue do meu corpo parar em minhas bochechas, sabendo que aquilo aconteceu tão inconscientemente que não consegui conter.
— E ai, como foi? – uma voz me tirou do transe, fazendo com que eu volte a realidade. Olhei para o lado, vendo Belle me encarar sorridente.
— Normal, sabe como funciona as apresentações.
— Normal... Nunca é normal com a Regina. – senti o tom de sarcasmo em sua voz.
— Então, onde está esse tal de Graham? – mudei de assunto.
— Já deve estar chegando, ele se atrasa as vezes ao buscar o café da manhã da Regina.
— Só espero não ter que fazer isso...
— Espere não ser isso. – sussurrou ao se afastar.
— O que? – elevo o tom, esperando que ela me escute.
— Descubra, Emma Swan!
Cruzei os braços, tentando achar uma explicação para tal comentário, mas é em vão, pois algo tirou a minha atenção sentindo uma vibração fluir de um dos bolsos da minha jaqueta. Disfarçadamente, agarrei o meu celular, vendo uma mensagem de Branca ao desbloquear a tela.
[Como está se saindo no seu primeiro dia? Eu espero que bem Ems, não se preocupe com o Henry, ele não perguntou de você até agora. Se cuide, beijos e até mais tarde.]
Quando estava prestes a respondê-la, a porta principal se fechou bruscamente e passos começaram a ser audíveis por todo corredor. Guardei o aparelho rapidamente, olhando para o lado, tentando descobrir o responsável por tamanha hostilidade.
Por alguma razão, a qual eu não sei, sabia que o homem ao lado da loira de olhos verdes se tratava de Graham. Ele me olha pelo canto dos olhos, sorrindo, enquanto a mulher ao seu lado, mantém a sua postura, se equilibrando naquele sapato de salto ao caminhar até a sala de Regina.
Consigo ouvir o estralo de uma cadeira e mudo o foco da minha visão. Belle sorriu, fazendo alguns gestos com as mãos. Não entendi ao certo, mas acompanhei a sua risada, achando engraçado.
Voltei a minha seriedade, ligando o computador em minha frente e seguindo as indicações que estavam em um papel ao seu lado. Anotei todas as coisas impostas em uma só planilha, comemorando ao encarar o relógio e notando que mais de uma hora já havia se passado.
O barulho alarmante do telefone me tirou toda a tranquilidade, ao atender e ouvir algumas reclamações do homem no outro lado da linha, não soube o que fazer. Então, como não me restou alternativas, caminhei até a sala da “minha chefe”, abrindo a porta lentamente.
O meu coração quase saltou pela boca ao me deparar com a morena de costas apenas de sutiã, sentada em sua mesa com as pernas abertas e deixando com que a loira trabalhasse com a agilidade de sua boca em seu centro. E como se não bastasse, o homem sem camisa domava os lábios de Regina com euforia.
Os gemidos quase inaudíveis começam a preencher o local, me deixando ainda mais envergonhada por estar ali. Analisei a situação por mais alguns segundos, decidindo que realmente aquela não seria uma boa hora para pedir sugestões.
Voltei a minha mesa, vendo a imagem passar repetidas vezes por minha mente. Balancei a cabeça, querendo mais do que nunca que elas fossem embora. Desliguei o telefone, passando as mãos por meu cabelo, completamente assustada.
Você não tem nada a ver com isso Emma... Concentre-se... Você precisa desse trabalho... Eles estão apenas se divertindo... Isso não muda nada... Vamos... Delete essas coisas...
Apenas trabalhe... Trabalhe...
Fale com o autor