The Killers- Interativa
6 Capítulo 5- A Enforcada
Notas iniciais
Esther Spinnelle
Cantora de Nível Super Colegial
“Tudo o que eu queria, era abrir os olhos e me libertar da escuridão.”
Já faz dois dias que estamos presos nesta escola dos infernos, já procuramos em todos os cantos e recantos, mas só podemos investigar o andar térreo o que limita muito as nossas ações. Por sorte, nós nos conhecemos melhor e até fizemos amizades aqui dentro. É claro que ainda estamos desesperados, pois sabemos que aquele urso maldito vai tramar alguma coisa.
Ele veio conversar comigo ontem a noite, me disse umas coisas loucas sobre sobrevivência, e pelo visto apareceu para todos, está tentando nos confundir, para que algum traidor apareça. Não é que eu desconfie de ninguém, mas eu reforcei a maçaneta do meu quarto, por sorte ela já tinha proteção, de modo que apenas a minha chave pode abrí-la.
Quase não dormi essas duas noites, pensando se alguém iria aparecer para me matar, ou se quando eu acordasse no dia seguinte, haveria um corpo em algum lugar e teríamos que começar o joguinho sádico do Monokuma. Só espero que essa paz dure até que descubram que estamos presos aqui.
A Televisão da parede ligou, nela estava o Monokuma risonho, com seu ar psicopático de sempre, parece que ele adora ver o nosso sofrimento, vai ver é por isso que tem câmeras em todos os lugares.
– Bom-dia desgraçados! Já são sete horas da manhã, acordem!
Ele nem precisava dizer, eu já estava acordada, apenas troquei de roupa e saí do quarto, combinamos de nos encontrarmos todas as manhãs no refeitório. Se não fizéssemos isso, significaria que alguém estaria morto. Era uma segurança extra. Combinamos também de não sair do quarto durante o horário noturno, mas é claro que alguém pode muito bem quebrar esta regra.
Cheguei ao refeitório, apenas quatro alunos, o restante deve estar atrasado. Estavam apenas a Natsuri- a garota hi-tech- ela era muito reservada pelo que eu pude perceber, afinal sentou-se distante dos outros. Também Tyler, o monitor, com toda certeza ele era um aluno exemplar, mesmo em meio à situação que se encontra.
Também o garoto gênio, Joey, ele me olhou com um sorriso nos lábios, para um gênio ele é bem simpático. Ao lado dele, estava a escritora. Ela tinha um olhar, como posso dizer... Apaixonado, em relação ao Joey, mas tentava disfarçar ao máximo. Acho que ela nunca se apaixonou antes.
– Olá Esther!- disse Tyler- pelo visto você também gosta de acordar cedo!
– Eu não consegui dormir- disse puxando a cadeira e sentando-me- não consigo relaxar desde que o Monokuma veio me falar umas coisas estranhas no primeiro dia.
– Pra mim também- disse Tyler- ele falou que eu podia utilizar da confiança que tinham em mim, e todo aquele blá, blá, blá!
– Ele falou com vocês também?- perguntei aos outros, todos afirmaram, então o safado estava mesmo querendo nos confundir.
Enquanto conversávamos, chegaram Sea e Miranda, conversando animadamente, pelo visto elas ficaram amigas. Assim que elas se sentaram eu as interroguei sobre o Monokuma. Ele também conversou com elas, tentando confundi-las. Esperamos mais uns dez minutos para que os outros chegassem. Primeiro chegaram Kanoto e Nina, depois o Klev, o Crucius, o Carlos, o Daniel, o Ryan, o Adari e por fim a aya, que fez a gente esperar pra caramba.
– Desculpem- ela disse com sua vozinha doce e ao mesmo tempo arrogante, céus como ela me irrita- não vi o tempo passar.
– O Monokuma conversou com você sobre sobrevivência?- perguntou Nina.
– Sim, ele veio me falar umas coisas a dois dias atrás, mas não dei importância. E então quem está fazendo o café?
– O Klev, parece que ele sabe cozinha- disse Daniel.
– Então, vamos aproveitar pra discutir a nossa situação- disse Sea- estamos presos a dois dias, e pelo visto ninguém se deu conta. Nossos celulares sumiram, estamos sem comunicação e não temos saídas em lugar nenhum.
– É, parece que a nossa situação não é das melhores- disse Miranda.
– Não se preocupe- disse Ryan- eu tinha prometido ligar pros meus pais assim que eu chegasse, e eu ainda não liguei, com certeza o meu irmão já deve ter contatado a polícia.
– É mesmo, seu irmão ligou- Monokuma apareceu magicamente ao nosso lado- eu disse que celulares eram proibidos aqui1
– Você fez o que?- Ryan protestou- você não pode fazer isso.
– Posso sim, eu sou o diretor! Bom, eu estou começando a achar isso daqui muito tedioso- ele fez uma feição de desânimo- até porque eu fiz tudo como em uma história de mistério. Temos o cenário tenebroso, pessoas desesperadas, mas faltava uma coisa... Um motivo! Por isso estejam daqui a meia hora na sala de vídeo!
Ele sumiu tão rápido quanto apareceu, e agora, o que será que ele estava tramando? Com toda certeza, vai usar de todas as artimanhas pra fazer com que alguém pire e mate logo, ele quer um show, ele quer ver sangue, mas eu não vou dar esse gostinho a ele. Bom, pelo menos eu não.
– O que será que ele quer agora- disse Aya- ele deve estar tramando uma.
– Ele faça o que quiser- respondeu Crucius- eu não vou entrar no joguinho dele.
– Está dizendo isso agora- falou Natsuri- quando uma pessoa está desesperada pode fazer qualquer coisa. E lembra o que ele disse, que ia nos dar um motivo pra matar. Ou seja, ele vai atacar aquilo que mais gostamos.
– Então, nossa família?- perguntou Nina.
– É o mais provável no momento.
– Então temos duas saídas- disse Joey- matar e jogar o joguinho dele, ou nos desapegar do mundo lá fora e viver em paz aqui dentro. Nossos pais sabem que nosso ano letivo dura 300 dias, no fim desse período. Eles vão com toda certeza desconfiar que algo está errado.
– E se fizerem algo com nossas família?- perguntou Ryan.
– Então, só nos resta rezar pra que tudo dê certo- disse Nina- ou então...
– Então?
– Armar um plano pra sair daqui!
A meia hora de espera passou mais rápido do que prevíamos, em pouco tempo estavam todos reunidos na sala de vídeo, dezesseis computadores estavam ligados. O projetor também estava ligado, e na tela estava Monokuma visivelmente impaciente.
– Vocês demoraram! Mas isso não importa, cada computador tem um DVD com o seu nome, procurem-no e assistam ao motivo que vai levar vocês ao desespero.
Quando finalmente achei o DVD com meu nome, minhas pernas tremeram, tinha medo do que eu poderia encontrar ali. Será que ele tinha feito algo a minha família? Coloquei o DVD, senti como se estivesse presa em um pesadelo, respirei fundo e apertei no play. O vídeo começou a passar.
Nele estavam os meus pais, ambos sorridentes, como se estivessem feliz. Estavam em frente à praça onde ficava a gravadora onde eu fui a primeira vez. Seguravam a minha foto com muito carinho, deixei que uma lágrima lavasse o meu rosto, estava com tanta saudade deles.
– Boa sorte filha- disse o meu pai- queremos que a nossa estrela brilhe o máximo que puder!
– É isso mesmo Esther, estamos torcendo por você, sempre estaremos, somos seus fãs número um!- disse minha mãe- queremos que você se saia muito bem no novo Colégio!
– Nos vemos daqui a trezentos dias- eles responderam num uníssono.
Então a imagem começou a piscar e a chiar, tornou-se distorcida por alguns segundos e quando reapareceu foi como um susto. A praça estava lá, destruída, a gravadora era agora apenas um monte de escombros, sangue por todos os lados. Seria uma montagem?
Enquanto estava perdida em pensar se aquilo era ou não real, ouvi um grito vindo de Miranda. Ela estava visivelmente desesperada, chorava copiosamente, como se estivesse vendo algo terrível. Sea correu para ampará-la, mas ela a empurrou e sumiu no corredor. Pude ver pela face dos outros, que o que eles viram não foi muito animador.
– Será que ela vai ficar bem?- perguntou Daniel.
– Eu vou ver como ela está!- disse Sea correndo na direção dela.
– Isso só pode ser montagem- disse Ryan- não é real.
– Não, não é montagem- disse Natsuri- se é uma montagem, foi feita pelo gênio dos computadores, as montagens podem ser reconhecidas, e não encontrei esses pontos nesta.
– Está dizendo que o canalha que está por trás disso é tão poderoso assim?- perguntou Nina.
– E se não for um canalha- disse Adari.
– E o que é então?
– E se fossem, uns canalhas.
– Como assim?- perguntei.
– Uma única pessoa não conseguiria realizar isso sozinha, por mais poderosa que fosse, mas umas pessoas poderosas poderiam fazer isso facilmente.
– Então, resumindo...
– Podemos dizer que estamos presos por pessoas ricas e muito influentes, que tomaram conta dessa escola e fizeram esse jogo.
– É melhor irmos- disse Joey.
Todos saíram da sala de vídeo, muito preocupado. Depois do café, passamos o dia inteiro dentro de nossos quartos. Com medo de que algo acontecesse, de que alguém se entregasse ao desespero. O dia passou como um flash, e em pouco tempo, um dia já havia se passado.
° ° °
Quarto Dia de Confinamento
08:30
Acordei muito cansada, pelo relógio, eu estava uma hora atrasada. Corri para o refeitório, não queria deixar ninguém preocupado com a minha ausência, pois eles poderiam pensar nas piores hipóteses. Quando cheguei ao refeitório, todos estavam lá conversando algo.
– Cheguei, desculpem a demora!
– Tudo bem, chegamos a pouco tempo- disse Nina sorrindo para mim- você viu a Miranda.
– Não, vai ver ela não quer sair, deve estar muito triste com o que aconteceu ontem a noite!
– Coitada- disse Sea- ela deve ter visto alguma coisa muito horrível.
– Vou ver como ela está- disse.
– Vou com você- disse Nina.
– Eu também- disse Adari.
Chegamos no quarto de Miranda, a porta estava trancada e ninguém atendia a campainha. Então Adari arrombou a porta, e quando ela abriu, a visão que tivemos não foi muito animadora.
Corpo Descoberto
Miranda estava suspensa, uma corda amarrada ao teto, ela parecia ter se enforcado, uma cadeira estava caída junto a ela. Como se ela tivesse cometido suicídio, seus olhos estavam inexpressivos. Gritei de desespero, não só eu, Nina também. Somente Adari parecia estar calmo.
Todas as televisões presas as paredes ligaram ao mesmo tempo, nela estava o Monokuma sorridente, parecia que ele tinha o que tanto esperava.
– Um cadáver foi encontrado, encontrem-se no ginásio imediatamente.
Não demorou muito pra todos estarem no ginásio, Sea chorava desesperada. Os outros tinham faces de medo e de dúvida. Como se soubessem o trágico destino que levara uma das estudantes.
– O que aconteceu- perguntou Kanoto- por que ele falou em cadáver.
– A Miranda, ela...
– Por que... ela...- Sea falava gaguejando- por que... logo ela... se matou!
– Fique calma Sea- tentei consolá-la, as duas eram amigas e eu nunca havia consolado ninguém que perdeu um ente querido.
– Ela morreu não foi?- perguntou Joey.
– Sim- disse Adari- está morta!
– Como?
– Parece que ela se enforcou.
Antes que alguém dissesse alguma coisa, Monokuma apareceu na nossa frente, com um sorrisinho em seu rosto. Ele ria sadicamente, aquele desgraçado.
– Pelo visto o motivo deu certo- ele riu novamente- Miranda Taylor, está morta!
– Você matou ela não foi?- gritou Crucius.
– Eu? Eu não mato ninguém, a menos que ele desobedecesse as regras, quem matou Miranda Taylor, foi um de vocês!
– Então está dizendo que foi assassinato?- perguntou Joey.
– Pode ter sido suicídio também, isso acontece. Agora vou explicar vocês as regras. Vocês tem duas horas para investigar, depois iniciaremos o Julgamento Escolar, onde vocês indagarão e debateram, até chegar a uma conclusão de quem foi o culpado. Se acertarem, o culpado será executado. Mas se errarem, o culpado estará livre, e todos os outros serão executados.
Engoli em seco, então se errássemos, quatorze estudantes seriam executados, então mesmo que não matássemos ninguém, estaríamos correndo o risco de morrer caso errássemos o nome do culpado, se é que tinha um culpado.
– E se foi suicídio?- perguntei- Quem é o culpado?
– Então nesse caso, o culpado é a própria Miranda. Agora vão! Os cartões eletrônicos de vocês estão atualizados.
° ° °
Investigação
A vítima é Miranda Taylor, a enfermeira de Nível Super Colegial. A causa da morte foi por asfixia. A encontramos em seu próprio quarto, provavelmente ela cometeu suicídio, mas ainda assim tínhamos de investigar a sua morte. Ela morreu entre as seis e as sete da manhã! Ou seja, sua morte foi recente!
– Isso não é uma corda- disse Natsuri- é uma extensão, eu vi algumas na sala de vídeo.
[Pista N°1- Extensão da Sala de Vídeo]
– Então, ela provavelmente pegou de lá- eu disse- vamos tentar reconstituir a cena.
Coloquei a cadeira embaixo do corpo, e percebi que mesmo em cima da cadeira, ela não alcançaria o teto, portanto não poderia amarrar a extensão e se enforcar. Natsuri também notou isso, tentamos colocar a cadeira em diversas posições, mas ainda assim, o tamanho da pobre garota não seria suficiente.
– Ela era baixa- eu disse- não teria como ela amarrar a extensão no teto.
[Pista N°2- Tamanho de Miranda]
– Pessoal, eu encontrei isso no banheiro do ginásio!- chegou Nina muito afoita, ela segurava em suas mãos um vidro azulado, cheio de pílulas.
– Posso ver- pedi- é um vidro de cianureto. Uma substância venenosa!
[Pista N°3- Cápsulas de Cianureto]
– Ela usou isso pra cometer suicídio?
– Provavelmente não!- respondi- afinal estava no banheiro do ginásio, e o cianureto mata em pouco tempo, não daria tempo de ela vir até aqui!
Enquanto indagávamos, Adari chegou com uma expressão séria:
– Preciso que saiam, vou fazer a autópsia- todas nos assustamos- por favor!
Começamos a investigar o corredor, até que Adari saiu do quarto de Miranda, suas mãos estavam limpas. Ele nos olhou com um pequeno sorriso e reuniu os outros no ginásio para que pudéssemos juntar as pistas:
– Ela tinha uma ferida na cabeça, pequena, mas muito profunda!- disse Adari.
[Pista N°4- Ferida na Cabeça da Vítima]
– E eu encontrei essa chave de fenda na cozinha- disse Rachel- não sei como ela foi parar lá, mas está manchada de sangue!
[Pista N°5- Chave de Fenda]
– O chão do quarto cheirava a água sanitária- disse Natsuri- provavelmente foi limpo!
[Pista N°6- Chão do Quarto Foi limpo]
– Encontramos estas cápsulas de cianureto no banheiro do ginásio- disse Nina- e o tamanho dela não era compatível com a altura do telhado.
– Como assim?- perguntou Sea.
– Mesmo em cima da cadeira, ela não poderia amarrar a extensão no teto e se enforcar!
– Ah e isso estava preso nas unhas dela- disse Adari- é uma linha, provavelmente de um tecido chamado licra.
[Pista N°7- Fio de licra]
– Atenção alunos- Monokuma apareceu de repente- acabou o tempo! Sigam o corredor do Saguão de Entrada e encontrarão uma porta de veludo vermelho, é o elevador, entrem nele! Começaremos o Julgamento Escolar!
° ° °
Alunos
15/16
Miranda Taylor-X-

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