The Key - Fanfic Interativa
6 Victory Neco James & Allen Cross
Notas iniciais
Tiros eram disparados ao longe, mas Victory Neco James estava acostumada com aquilo, não ficava mais pensando em quem estaria apertando o gatilho, ou pior, em quem estaria recebendo os tiros.
Quando entrou naquele mundo de gangues parou de se ligar a essas questões, era um mundo sem sentimentos, sem amor, onde ela tentava ajudar as pessoas que não tinham muito, porque apesar de tudo e de onde vivia ela se incomodava ao ver pessoas boas sofrerem por fome, por não terem onde dormir ou por não terem um teto sobre suas cabeças. Era diferente de sua antiga vida no exercito, sempre amou aquele lugar, onde seguia regras, usava seu uniforme e tudo parecia bem, cresceu em uma vila de militares, sua mãe era pasteleira e ha tempos não comia uma refeição tão saborosa como ela fazia. Mas depois da morte de seu pai, seu maior exemplo, ela não aguentava mais aquele lugar, tudo a fazia se lembrar dele.
Sentiu vontade de chorar ao se recordar do pai, e chorou, não era o tipo de pessoa que se envergonhava por deixar algumas lágrimas caírem. Seu punho coberto por uma luva preta, com os dedos cortados, socou a mesa a sua frente. Da sala onde estava sentada Neco pôde ouvir pés firmes indo de encontro ao chão.
– Neco!- Victory se levantou quando o amigo entrou correndo pela porta azul desbotada.- Os KZ estão no nosso território! Estão matando e roubando as pessoas. Chegaram atirando num garotinho que andava de bicicleta na calçada. Eu vou acabar com eles!- Correu até a janela, seu corpo magro e esguio se curvou ao tentar espiar pelas persianas, os fios de cabelos tingidos de branco estavam úmidos devido a chuva fraca que caia sobre a cidade.
– Droga! Os KillZone? Só pode ser brincadeira, Allen!- Neco correu para o lado do amigo.
– Telefonaram para a policia, quando disseram que era sobre essa gangue desligaram na hora. Bando de medrosos!
Quando pôde ver o que acontecia na rua as pernas de Neco fraquejaram por um momento, pessoas corriam para todo lado e homens armados atiravam para todo lado.
– Chame os outros! Mande os gêmeos ficarem nos prédios e o resto mande pra rua, diga pra ficarem escondidos e tentar abate-los com armas maiores. Se isso não funcionar nós vamos para as ruas.- Neco acelerou os passos para voltar à sua mesa e de debaixo dela tirou sua arma preferida, a colocou na cintura e empunhou a mais fraca que estava dentro de seu casaco. Allen andou para a porta, afim de cumprir as ordens, antes de sair se voltou para a amiga.
– Fique viva!- pediu sorrindo.
– Você sabe que morrer não é uma opção!- Neco respondeu com outro sorriso enquanto procurava por munições.
Já entre um dos becos dos prédios, Neco dava instruções aos seus aliados, todos identificados por uma tatuagem de arco e flecha na curva entre o ombro e o pescoço.
– Como Allen disse, os gêmeos estão nos prédios. Nós vamos ficar no chão, Well e Tobias ajudem quem ainda está na rua, levem-nos a um lugar seguro, depois voltem aqui pra ajudar, os outros sabem o que fazer. Allen vem comigo.- todos ouviam atentamente a quem consideravam sua líder.
Assim que todos concordaram uma saraivada de tiros os pegou de surpresa, as balas vinham de cima do prédio.
– Merda! Pra rua! Todos na rua!- Neco gritou por entre o barulho dos tiros e correu para o meio da rua, se escondendo atrás de um carro cujo motorista estava desfalecido sobre o volante, logo Allen se juntou a ela e notou o motorista.
Neco olhou para o alto e viu seus inimigos, que logo foram abatidos pelos irmãos gêmeos, ótimos na mira em conjunto.
– Veja se o motorista está vivo.- Neco pediu enquanto se esgueirava para o capô do carro para dar cobertura ao amigo, podia ver a rua e o inteiro corredor de prédios mal acabados e mercearias que frequentava, todos iluminados pelo dia cinzento.
Allen abriu a porta e se arrastou para o banco do passageiro, colocou os dedos no pescoço do homem constatando, tristemente, que estava morto, desencostou o homem do volante para poder ver seu rosto.
– Ah, droga!- Allen sentiu sua garganta se apertar.
– Que foi?- Neco perguntou ao ouvir o amigo reclamar.
– É o Sr Clarkson. Era o cara mais simpático daqui, ele tinha uma família.- Allen lamentou enquanto examinava o ferimento a bala no peito do homem. Allen sempre foi muito fechado a seu pequeno grupo de amigos, as pessoas tinham de conquista-lo para conseguirem ter sua lealdade e amizade, isso se deu rápido com o Sr Clarkson.
Neco se entristeceu, não apenas pelo Sr Clarkson, mas também pelos demais corpos na rua, a maioria conhecidos, pensou no pouco valor que as pessoas davam a vida, principalmente a vida dos outros. Distraída por sua tristeza Neco não viu a movimentação em um beco logo a frente, só percebeu quando uma bala passou assoviando ao lado de sua cabeça, logo seguida por outra e mais outras, assim que ouviu a primeira se abaixou atras do carro.
– Eles tem silenciadores!- Neco disse em voz baixa, como se ela mesmo precisasse se silenciar.- Allen, derruba eles.
Allen sempre teve uma mira impecável, aprendera com o pai que era um soldado especial. Seus pais morreram em missão quando tinha apenas 12 anos, desde então jurara descobrir quem os matou para vingá-los. Allen sempre soube que seus pais eram soldados especiais e desde pequeno queria seguir seus passos, era e ainda é seu maior desejo.
É uma pena que não conseguiu arrumar uma sniper nas ruas, quando abandonou a vida militar também teve de abandonar sua paixão pela arma preferida.
Ao sair do carro ele parou ao lado de Neco, respirando com uma calma anormal devido a situação, empunhou sua arma e esperou quem quer que fosse o atirador aparecer de novo em seu campo de visão preparado para atirar a qualquer minuto, os tiros e gritos ao redor foram cessando aos poucos, dando lugar ao som de um helicóptero.
– O que é isso?- questionou sem tirar os olhos da rua, talvez os policiais medrosos não eram mais tão medrosos e decidiram aparecer, pensou Allen.
Com sua visão periférica pôde notar quando Neco levantou a cabeça para as nuvens. O som do helicóptero aumentou, parecia estar voando sobre a suas cabeças.
– Parece do exército.- comentou Neco ainda olhando para o alto.- Ele está descendo.- aumentou o som da voz, tentando se sobressair ao barulho do helicóptero.- Espere, é um CH-47 chinook.*
Já sem poder conter a curiosidade Allen se abaixa atrás do carro e olha para o céu. Reconheceu aquela aeronave no ato, sempre via seus pais irem embora em um deles ou voltar pra casa em um deles, ele mesmo já voou nela diversas vezes.
– São soldados mesmo.
– Isso eu já reparei.- Neco observa sarcástica.- Mas o que estão fazendo aqui?
– Será que vieram atrás de nós?- Allen indagou preocupado ao olhar para Neco, sua voz quase inaudível pelo barulho que o helicóptero fazia.
– Não teria porque, nossas licenças já tinham acabado quando saímos.- Neco o tranquilizou.
– Eles fugiram! Viram o helicóptero e fugiram.- Neco e Allen levaram as mãos ao coração quando Well chegou gritando em seus ouvidos, rindo feito idiota.
– Mas que droga, Well! Vai assustar a vó.- Allen empurrou o ombro grande de Well para trás, fazendo o homem com alma de criança gargalhar mais ainda.
– Desculpe. Então, o que é aquilo?- se levantando perguntou.
– Soldados.- Allen respondeu quando se levantou também.
– Vieram atrás de vocês?
– Não. Talvez. Ah, não sei!- Allen respondeu nervoso.
– Vamos lá ver! Well chame os outros.- Neco ordenou.
Seus cabelos ruivos escapavam da touca que usava por conta do vento que saia das hélices do avião. Allen e Neco receosos se aproximavam do helicóptero que pousou a alguns metros de distância, aos poucos os membros da gangue se juntavam a eles, quatorze no total, no percurso Neco e Allen se entristeciam ao ver os vidros das lojas quebrados, buracos de tiros na parede, um ou dois corpos no chão, provavelmente mortos, alguns da gangue se dirigiam até os corpos e lojas arrombadas para ver o estrago.
– Está abrindo.- Allen avisou quando a porta de trás do chinook se abriu.
Ambos pararam de andar, esperaram até que um coturno preto descia da parte de trás da aeronave, aos poucos a figura de Zeev apareceu e quando notou os velhos amigos ele levantou a mão e acenou.
– É o Crawford!- Neco riu e imediatamente a tensão do corpo de Allen se esvaiu.
Ambos andaram em direção ao outro, Zeev mantinha um sorriso nos lábios, sentia falta do amigos que fizera no acampamento militar que os pais o faziam ir quando era pequeno.
– Neco! Allen! Quanto tempo!- Zeev disse assim que se encontraram.
– Alguns anos.- Allen observou. Estendeu uma das mãos para cumprimentar o antigo colega e Neco fez o mesmo.
– O que faz aqui?- Neco quis saber.
– Vim atrás de vocês!- um sorriso se estendeu nos lábios de Zeev.
– Por que?- Allen indagou preocupado.
– Porque preciso de vocês.- disse sem rodeios. Neco e Allen ficaram sem entender.- Eu preciso de uma equipe. Estou chamando os melhores que conheço e não podia deixar vocês de fora. Foi extremamente difícil encontrar vocês, acreditem, não fazia ideia que estariam em uma gangue.
– Não é uma gangue sanguinária que só quer conquistar espaços. Essa é diferente, nossa causa é proteger, não matar.- Neco explicou.
– Entendo.- Zeev disse.- Mas esse não é o ponto.
– Por que precisa de uma equipe nova? E a HunPle?- Allen mencionou a antiga equipe dos pais de Zeev e de seus próprios pais.
– Foi abatida em missão. Não sobrou ninguém.
– Sinto muito, Zeev.- Neco colocou a mão sobre o coração.
– Obrigado. Eu preciso continuar com a HunPle.- Zeev sorriu de lado, dava para ver a tristeza em seus olhos.
– Eu estou dentro.- Allen garantiu. Sempre quis ser um soldado especial, nunca teve uma oportunidade, viam mais seu porte físico pequeno do que suas habilidades e talentos, mas isso mudou com Zeev no comando.
– Eu não posso. Não posso abandonar isso aqui. Não posso abandonar eles.- Neco apontou para a cidade e para seus companheiros.
– Nós sabemos que o maior problema de vocês é uma gangue chamada KZ, e se você aceitar vir comigo eu posso resolver esse problema pra você.
– Neco, pensa bem. É isso o que sempre quisemos. Se os KZ sumiram, o povo vai ficar bem.- Allen tentava convencer a amiga.
Neco estava debatendo tudo aquilo mentalmente, afinal, não era uma proposta ruim.
– É uma proposta boa, Neco.- Well se esgueirou para o lado de Neco, confirmando o pensamento dela.- E não precisa se preocupar, eu cuido de tudo.- sorriu orgulhoso.
– Isso não me deixa tranquila, Well!- Neco riu e foi acompanhada por todos que estavam ali, inclusive Well.
– Pode deixar, eu tomo conta. Eu sei que isso é importante para você, mas também sei que ser soldado é muito mais.- Tobias se intrometeu.
Tobias estava certo, Neco não podia negar, ser uma soldado sempre foi tudo para ela, é como se tivesse nascido para aquela vida e nada no mundo mudaria aquilo.
– Tudo bem.- finalmente aceitou. Allen se entusiasmou, não podia acreditar no que estava acontecendo.- Mas se eu souber que vocês estão fazendo merda por aqui eu volto para acabar com vocês!- Neco ameaçou e apontou para seus colegas.
– Vamos ficar bem!- gritavam e riam.
– Vocês tem dez minutos para arrumarem suas coisas.- Zeev avisou e se voltou para o helicóptero.
Em menos de dez minutos eles já estavam com tudo arrumado e prontos para entrarem no helicóptero. Neco repetia suas ordens a Tobias pela decima vez.
– ... E em hipótese alguma deixe Dave cozinhar.
– Ei! Eu cozinho muito bem.- Dave protestou enquanto os outros riam.
– Diga isso para minha última intoxicação!- Allen rebateu.
– Vocês não tem que ir para algum lugar?- Dave indagou retoricamente.
Neco sorriu e todos se despediram. Zeev os aguardava.
– Vai ser bom ter vocês ao meu lado de novo.- Zeev sorriu quando Neco e Allen chegaram a porta de trás do helicóptero.
– Acredito nisso.- Neco confirmou.
– Mais garotas? Ah cara, isso está cada vez melhor!- alguém disse de dentro do helicóptero. Neco se inclinou para o lado e assim pôde ver as pessoas lá dentro, duas mulheres e três homens.
– Por que você não cala a boca por pelo menos dois segundos?- um outro homem, que estava com a perna engessada, disse aparentemente irritado.
A maioria dos rostos se virou para um homem de cabelos castanhos e olhos azuis, que vestia uma camiseta também azul. O rapaz respirou fundo e depois encarou o que havia falado ha pouco.
– Pronto.- o de camisa azul sorriu sarcástico.
– Espera minha perna melhorar que vou te fazer ficar quieto rapidinho.
– Cão que late não morde.
– Eu não aguento mais vocês! Dá para os dois se calarem, por favor?!- um rapaz loiro gritou, o que fez as duas garotas rirem.
– É, isso vai ser interessante.- Allen observou esperançoso, cutucou o braço de Neco e seguiu para dentro do helicóptero.

Victory Neco James
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