The Iris child
10 Capitulo 10 – A Familia do Octavian
Notas iniciais
Era hoje, o dia do meu aniversário de 19 anos completos, o que significava que eu tinha apenas mais um ano antes de terminar o meu período no acampamento e poder começar a trabalhar e ser considerado um adulto pela minha família. Diferente da maioria eu não estou realmente animado com o dia de hoje, eu apenas fiquei um dia mais velho e terei que mais uma vez falar para toda a família como eu falhei na tarefa de me tornar pretor e desta vez é ainda pior porque sei que as chances de eu conseguir são relativamente curtas e menores do que no ano passado e tenho certeza que ao menos dois dos meus primos, além do meu pai, irão jogar isto na minha cara e falar como os meus ancestrais que a um século vão para o acampamento se sentiriam desapontados comigo, assim como o próprio Apolo que foi quem deu o sangue divino a minha família.
A maioria dos campistas devia estar realizando as suas tarefas da manhã a algum tempo, mas hoje não participarei de nenhuma e voltarei apenas para o jantar, termino de me olhar no espelho tentando ter certeza de que a minha aparência estava impecável uma vez que qualquer deslize seria visto como desleixo pela minha família e fortemente recriminado. Meus cabelos estavam ajeitados para trás e nenhum fio estava para fora do lugar, a toga romana estava perfeitamente limpa, branca e colocada no loca, usava uma calça social e uma blusa nova azul. Suspiro, por mais que eu saiba que estou de acordo com todas as normas tenho certeza que a minha avó encontrará um defeito para a minha roupa.
Saio do meu quarto e caminho até o templo de Zeus onde tiro os agouros normalmente, estou um pouco adiantado então talvez tenha tempo de abrir um ursinho e quem sabe ver o que me espera no almoço de hoje, o que fora do comum me espera para que eu já esteja pronto para estas situações, oficialmente eu não devia fazer isso mas não é como se alguém fosse descobrir ou vir tirar satisfações comigo. Já havia subido todos os degraus quando a vejo parada sentada no meio do templo segurando um enorme ursinho de pelúcia, ela me olha e sorri enquanto todo o seu cabelo muda de cor ficando absurdamente colorido enquanto ela se levante e corre até mim.
– Parabéééns! Feliz aniversário – ela diz me abraçando forte e eu sinto o meu rosto ficar vermelho enquanto retribuo o abraço um pouco desajeitado e me afasto rapidamente dela sentindo as minhas orelhas esquentarem – fiquei com medo de não conseguir te encontrar hoje, mas estava torcendo para você vir até aqui, tenho que te entregar o seu presente.
Ela tinha um sorriso tranquilo e usava as roupas do acampamento, era estranho receber uma solicitação de feliz aniversário tão alegre e entusiasmada, no geral a minha família é mais polida e comportada mas é bom... é um estranho bom, não é tão desconfortável quanto parecia ser no aniversário dos outros campistas quando alguém fazia isso. Ela chega até mim com um sorriso orgulhoso segurando um ursinho de pelúcia enorme em um dos braços e no outro com a mão escondida atrás das costas.
– Se você tivesse me avisado antes eu teria conseguido um ursinho maior, tive que ir com Percy e Nico até a DisneyLand para achar um tamanho família... É para você usar quando for fazer uma grande profecia – ela diz animada, mas é claro que ela tinha que sair com o namoradinho e o filho de Poseidon para comprar o meu presente e então ela tinha uma mini versão minha feita de pelúcia de trás das costas – bem... este é um mini você, eu nitidamente não sou muito boa em costuma mas achei que ia gostar e este você não pode abrir hein?
Ela brinca mas estava com as bochechas vermelhas e o seu cabelo estava em milhares de tonalidades de rosa, pego o mini eu que tinha olhos de botões e percebo que as suas mãos estão cheias de band-aids coloridos, ela deve ter ficado até tarde o costurando principalmente porque eu avisei bem encima da hora que hoje era o meu aniversário, ela me olhava com expectativa e percebo que ela provavelmente queria saber o que eu achei.
– Obrigado, é muito legal – digo sem saber o que falar, eu no geral sempre sei o que falar em todas as ocasiões sou um orador natural para convencer as pessoas a fazerem o que eu quero sem precisar dizer diretamente mas alguém me dando um presente de forma tão natural e sem que eu queira menosprezar o presente é algo novo – não precisava, mas eu gostei muito.
Guardo os dois ursinhos onde eu abro os outros que costumo usar para fazer as profecias, mas coloco o que ela fez em uma estante para não se perder dos demais, o mini eu usava até uma das togas gregas e tinha uma faca amarela em uma mão e um mini ursinho em outra, ela até que tem talento.
– Imagina, hoje é o seu dia então aproveite bastante com a sua família este tempo hein – ela diz dando um beijo estalado na minha bochecha, ela tem que parar de fazer isso é desconcertante e eu sempre sinto calor nas orelhas.
Ela já estava saindo e descendo as escadas quando me apreço para descer junto com ela, não preciso realmente abrir um ursinho para saber que terei um dia horrível com a minha família me provocando e sendo, bem ela mesma enquanto eu tento dar o meu melhor para não piorar o dia e mostrar que as coisas não estão tão ruins quanto eles realmente acham que estão. Valentina andava com um ar tranquilo com o sol batendo nos seus cabelos e um sorriso fácil, mesmo que eu estivesse nervoso com o que viria era impossível ficar imune a áurea de tranquilidade que ela transmite.
– Vo...Você quer ir comigo – digo de repente e preciso usar bastante da minha força de vontade para não desviar o olhar e mostrar fraqueza.
Eu estou chamando-a para ir comigo?Não que a minha família vá fazer um escândalo ou trata-la muito mal, não mais do que o normal, mas eu nunca levei ninguém para casa e não é como se a Valentina fosse a minha namorada porque a minha família a consideraria altamente inapropriada e jamais aprovaria, ela não é uma romana típica, de família antiga, filha de um deus importante e com uma conduta exemplar, mas ela é..minha amiga, acho que a primeira que eu tenho na vida e ela apenas me olhou de olhos arregalados parecendo realmente surpresa de modo que eu só me senti ainda mais estupido pelo convite, quer dizer ela tem um namorado que é filho de Hades e tem milhares de pessoas com quem passar o dia, por que ela iria querer ir para Nova Roma ficar em um almoço chato em família?
– Eu adoraria, mas só se não for atrapalhar... e bem eu não tenho uma destas — ela diz vermelha indicando a toga que eu estou usando – e... eu tenho que avisar alguém que eu estou saindo, não? Ou pedir permissão...
Seu tom era o de duvida, mas ela não parecia realmente aversa a ideia, mas o correto seria eu avisá-la sobre o quão tradicional a minha família é e que não será um dia divertido e cheio de brincadeiras como foi quando passamos o dia com os pais dela e por mais que eles não fossem destrata-la, eu tenho quase certeza de que não fariam isso para não sujar o nome da família, mas eles não ficaram animados comigo levando uma garota tão nitidamente grega e fora do esperado, o pensamento do quanto eles vão desaprovar somente a nossa amizade já são desanimadores, mas ao mesmo tempo a perspectiva de tê-la por perto quando eu tiver que enfrenta-los acaba me animando um pouco, Valentina tem essa aurea que todos adoram, ela faz com que a gente simplesmente se sinta bem por tê-la por perto, uma alegria tranquila e leve que as vezes me faz questionar se é dela ou dos filhos de Iris em geral.
– Não vai atrapalhar, e eu tenho algumas de quando eu era menor em casa alguma deve ter servir... – comento porque tenho certeza que todas as minhas togas desde que virei centurião estão no meu quarto como uma honraria — avisamos os vigias que separam o acampamento de Nova Roma, mas você está comigo não terá problemas.
Não consigo esconder o orgulho do que digo, porque sabia que dificilmente alguém nos impediria de prosseguir apenas porque oficialmente Valentina não estava nos planos. Minha família é antiga e influente em Nova Roma, eu sou influente no acampamento e tenho um dom raro e hoje é o meu aniversário e se eu me recusasse a ir simplesmente porque me negaram o desejo de levar uma acompanhante a minha família acabaria tomando isto como uma ofensa pessoal. Se eu me incomodo com o modo como as coisas são?Não realmente, a maioria das pessoas e famílias são assim, algumas apenas tem mais influencia para fazer o que desejam enquanto outras não tem esta capacidade.
O caminho até a extremidade do acampamento foi relativamente rápido e logo estávamos em Nova Roma, Valentina havia ficado visivelmente animada com a vista e falara sobre o quanto tudo era bonito e que devia ter sido divertido crescer em um lugar como este, o quanto de espaço seguro tem para correr e brincar mas na verdade ela não parece notar que se vimos duas crianças brincando na rua é muito, não é porque não há monstros ou caras maus aqui dentro que as crianças brincam na rua, não me lembro de ter brincado nem no jardim da minha cara para falar a verdade.
A casa da minha família, já que não moramos todos na mesma casa já que há tantos primos e tios que isto seria desconfortável, mas ao mesmo tempo moramos todos próximos o suficiente para que seja fácil reunir a todos em datas como estas assim como é fácil todos saberem o que você fez de errado quase tão rápido quanto sabem das conquistas, creio que até mais rápido. A minha casa ficava na avenida principal e era relativamente grande para abrigar apenas 3 pessoas, na verdade quando eu estava em casa eu quase não os via já que cada um tinha suas próprias obrigações. Olho para Valentina e ela não parece estar admirada ou deslumbrada com a minha casa, mas o seu pai é um artista rico entre os mortais então talvez ela esteja acostumada com isso.
O jardim tinha várias flores e era o orgulho da minha mãe, no geral ela competia com a irmã – vulgo minha tia – ela titulo de jardim mais bonito e bem cuidado da rua, não sei quem é a vencedora da semana mas tenho certeza que antes do fim do dia uma irá sutilmente comentar sobre isto de modo que não preciso realmente me preocupar em ter uma resposta. Não havia notado o quanto estava nervoso até parar na frente da porta e sentir Valentina tocar a minha mão de leve, me viro para encará-la e ela apenas me da um sorriso tranquilo como que para me dar coragem, acho que ela iria falar alguma coisa mas não tem a chance pois a porta é aberta e nossas mãos são separadas rapidamente, sinto o meu rosto esquentar.
– Octavian já estava na hora, todo mundo já chegou e... quem é ela? – foi a minha tia quem abriu a porta e encarou Valentina de cima a baixo a avaliando com cuidado e procurando por defeitos – você não havia nos avisado que traria uma amiga vamos precisar arrumar toda a mesa agora.
– Eu me chamo Valentina, muito prazer – ela diz sorrindo e estendendo a mão para a minha tia que pisca os olhos antes de apertar rapidamente a mão e nos dar espaço para passar.
A sala estava cheia com todos os meus tios, primos, avós, pais e todos nitidamente usavam túnicas, dava para ouvir as vozes das várias conversas que se seguiam mas um a um todos pararam de conversar para nos olhar, isto já aconteceria normalmente já que avaliar a pessoa que chegou e se comparar com ela é algo comum, mas o modo como olhavam para Valentina me deixava desconfortável talvez eu devesse tê-la avisado sobre como eles são, mesmo sabendo que isso provavelmente só a faria querer fugir e não vir até aqui comigo.
– Eu... eu vou pegar uma das minhas túnicas menores para a Valentina – digo ficando vermelho e tentando atravessar a sala e ir para o meu quarto ter alguns minutos de paz para tentar se recompor e não precisar mostrar fraqueza na frente de tantas pessoas.
Já haviam atravessado quase que metade da sala de forma rápida e efetiva o suficiente para evitar conversas quando a minha prima Margo se coloca na nossa frente bloqueando a passagem. Margo havia sido a pretora do acampamento antes de Reyna e adorava se gabar do tempo que ficará com o cargo e é claro do fato de eu não ter conseguido ser um pretor mesmo sendo da família principal. De todos os meus primos Margo era sem sombra de duvidas a mais insuportável e inconveniente, além de ter a habilidade natural de colocar todos os meus defeitos expostos na frente da família toda assim que abre a boca.
– O que houve com a túnica da sua convidada Oc? – Margo parecia ronronar enquanto falava – e que cabelo interessante ela tem e... oh ele muda de cor sozinho?
– Eu sou nova no acampamento, cheguei faz quase três semanas apenas, mas mesmo assim desculpe o incomodo e o desconforto – Valentina estava sendo educava mas o seu cabelo estava com mechas em tons escuros de roxos e vermelhos que pareciam ser uma indicação forte do quão desconfortável ela estava.
O sorriso de Margo se alargou um pouco mais enquanto encarava Valentina e seus cabelos coloridos de cima a baixo sem nos deixar atravessar o caminho até o meu quarto a fim de tentar me reestabelecer e talvez conseguir ajudar um pouco a Valentina lhe explicando o quanto a minha família realmente é complicada.
– Ela não deveria tirar a placa de probatio só porque saiu do acampamento – é claro que Margo tinha que que empinar o nariz e usar aquele tom de advertência que ela sempre usou para me repreender mesmo quando eu não estava errado.
– Eu não estou em probatio, já sou um membro oficial da legião — Valentina não desvia o olhar ou recua o que me faz admirá-la em partes já que Margo é ótima em diminuir as pessoas ao seu redor, Valentina se limita a mostrar o braço com a marca da sua primeira faixa, coorte e da sua mãe divina.
A esta altura a minha família nem parecia fingir estar entretida com alguma coisa e a minha mãe já havia se aproximado o suficiente e parado atrás de nós quando se coloca ao lado de Valentina e segura o seu braço analisando a marca enquanto passa os dedos por cima como se estivesse verificando a veracidade, como se pudéssemos falsificar uma destas. Ela passa os dedos lentamente pela marca de Iris e morde os lábios encarando a marca com duvida.
– Creio que a sua convidada terá que ficar sem uma toga, afinal já atrasamos o almoço em comemoração ao seu aniversário por tempo suficiente Octavian e não queremos que a comida esfrie, certo? – minha mãe disse sorrindo enquanto solta o braço de Valentina, era sempre assim que ela falava sem nos dar nenhuma real abertura para dizermos não.
Valentina narrando
A família do Octavian é enorme, maior do que eu realmente achei que seria mas as pessoas parecem todas iguais. Todos são loiros, altos, de pele pálida e a maioria possuía aquele olhar de superioridade e indiferença que as vezes eu via nos olhos de Octavian enquanto ele discursava, mas naquele momento eu só via um Octavian pequeno e intimado por uma família que parecia coloca-lo para baixo e se sentir superior ao colocar um dos membros mais novos para baixo.
Haviam arrumado um lugar para mim ao lado de Octavian o que é bom uma vez que eu não conheço ninguém e ele parece estar tão desconfortável com a situação quanto eu, mesmo que esta seja a família dele o que faz com que tudo perca um pouco da logica natural. As saladas já tinham sido servidas e agora iriam servir os pratos quentes o que parecia significa carne, mas espero que tenha algo como batata ou outro acompanhante que eu possa comer apenas para não fazer a desfeita de ficar com o prato vazio.
– Mas então... Eu nunca tinha ouvido falar de uma filha de Iris no acampamento antes – comenta um dos tios do Octavian que estava do outro lado da mesa – e conseguir a segunda Coorte vindo de uma deusa menor sem histórico em batalhas é algo surpreendente, deve ter tido boas recomendações.
Dava para sentir o tom implícito em sua voz e eu entrava em um conflito interno entre simplesmente deixa-los falar o que quiser e me defender. No geral não ligo para o que falam de mim, sei que as pessoas realmente importantes na minha vida me conhecem o suficiente para não cair em pré-julgamentos tolos, porém sinto que ele não está apenas querendo me colocar para baixo como parece também querer colocar Octavian para baixo já que vim como sua convidada, ele é muito similar a prima que nos parou na porta mais cedo. Esta família é mais complicada e tradicional do que eu própria achei o que parece mostrar ainda mais o porque de Octavian ser assim tão fechado neste casulo e ter modos tão distantes e complicados. Coloco uma mecha do cabelo atrás da orelha enquanto me preparo para falar.
– Eu vim com duas cartas de recomendação dos dois últimos pretos Jason filho de Jupiter e Percy filho de Netuno, além de ter lutado nas guerras contra Gaia e Cronos – não gosto de me exibir ou tentar me colocar para cima, me gabar no geral de modo que jogar os fatos assim faz com que eu me sinta mal – e no geral eu e os meus irmãos preferimos ficar no acampamento meio-sangue, creio que a primeira que optou por conhecer e aprofundar mais o lado romano do meu sangue.
Acho que nunca passei por um momento tão constrangedor em toda a minha vida, parecia que toda a atenção da família estava centrada em nós dois e a prima do Octavian parecia estar se divertindo com a situação, meu coração batia acelerado e por mais que eu soubesse que estava fazendo o certo não me sentia particularmente confortável. Só que a atenção pareceu sair de mim e ter como foco o aniversariante, o que seria normal se fosse para parabeniza-lo e deixa-lo feliz e fazer aquelas perguntas constrangedoras de família sobre as namoradinhas ou o acampamento, mas eles parecem levar isto a um modo que só me faz querer abraçar Octavian e protege-lo da própria família.
– Isto me lembra que pela cor da sua toga você outra vez não virou pretor e está no seu último ano no acampamento...Estou certo?- o tio do Octavian parecia se deliciar com as palavras que saiam lentas como o sibilar de uma cobra dos seus lábios e eu quase poderia pensar que ele é um monstro, mas nem os monstros seriam tão cruéis – e pensar que até um grego filho do deus dos mares virou pretor...
Octavian se encolhia na cadeira enquanto ouvia o discurso do tio sobre os ancestrais pretores, o sangue, sobre como era uma desonra e um ultraje para a família tamanha humilhação e que isto seria lembrado por gerações e gerações, noto que ninguém parecia realmente disposto a protege-lo ou fazer o tio parar de falar, eu obviamente não podia interromper o discurso dele, seria mal educado com ele e com a família do Octavian, escorrego a mão por debaixo da mesa e procuro a do Octavian para apertá-la e lhe dar força, ele não está sozinho aqui e eu definitivamente jamais foi permitir que ofendam os meus amigos assim na minha frente. Octavian segura a minha mão com força de volta e noto como a palma da sua mão estava usada e ele parecia tenso e nervoso, hoje deveria ser o dia dele, um dia para ele aproveitar e receber todas as atenções, ser feliz e sorrir se sentindo especial e não ser colocado para baixo deste jeito. Quando o tio do Octavian finalmente para de falar eu respiro fundo e começo a falar, antes que outra pessoa comece a fazer um discurso e eu perca a minha chance.
– Bem... desculpem se eu ofender alguém mas acho que tenho que descordar de você, não estou menosprezando o cargo de pretor mas a verdade é que eu própria conheço 3 que foram pretores no mesmo ano. Em uma batalha o cargo pode ser facilmente substituído e mesmo assim o acampamento pode sobreviver, quando Reyna e Nico foram buscar a Atena Panteros a legião ficou sem nenhum pretor durante um período de tempo considerável e mesmo assim se saiu muito bem na batalha – digo sentindo tanto o meu rosto quando o meu cabelo ficar vermelho com toda a atenção que eu recebia – mas o papel que o Octavian tem no acampamento não me parece ser assim tão substituível. O que seria do acampamento sem alguém para ler os agouros e prever os perigos , ajudar nas missões e nas batalhas... Analisando por este lado, me parece que ser pretor é algo substituível de modo que se você perecer em batalha ou sair da legião haverá uma fila de pessoas que podem facilmente ocupar o lugar principalmente em períodos de pais como tivemos antes das duas últimas guerras, mas não acho que seria assim tão simples encontrar alguém para ler os agouros e temo que quando Octavian terminar os seus anos como legado o acampamento estará perdendo alguém incrível e que sofrerá com a perda.
Respiro fundo depois de dizer tudo isso, eu sempre faço isso me empolgo para falar e esqueço de respirar, não sou muito boa em discursos na verdade me empolgo muito e eu só não gesticulei enquanto falava porque ainda segurava a mão de Octavian que me encarava e parecia realmente agradecido por eu estar defendendo ele, ninguém disse nada durante alguns segundos e isso só me deixava ainda mais nervosa, eu e o aniversariante apertávamos tão fortemente a mão um do outro que sentia como se uma das mãos fosse se partir.
– Isso é muito conveniente vindo de uma garota que só está na legião faz três semanas, me surpreendo que tenha sobrevivido tanto tempo lá fora mas acho que o seu cheiro não atrai muitos monstros – fala Margo em um tom superior finalmente quebrando o silencio.
– Eu estava no acampamento meio sangue antes de vir para cá, passei todos os verões desde os meus 12 anos lá. Eu lutei nas duas guerras e não insulte os meus irmãos ou a minha mãe até porque como legada de Apolo você deveria saber que Apolo e Jupiter são os patronos de Iris – digo pois eu não ligo realmente por ser subestimada mas entendo que em suas palavras ela subestima não só a mim como menospreza os meus tão queridos irmãos – quando Jupiter e Apolo tiveram a maior de todas as lutas o céu se dividiu entre o sol e a tempestade e não pareciam que entrariam em um consenso até que daquela mistura de sol e chuva surgiu um arco-iris e a minha mãe nasceu, os deuses maravilhados pela beleza que criaram esqueceram da sua discussão e ficaram em paz. Tanto os deuses na forma grega quanto romana cultivam Iris e se um arco íris aparecer toda batalha deve parar até que ele desapareça e até mesmo os monstros respeitam isto, então se até Apolo respeita minha mãe e meus irmãos não acho que você tenha o direito de se impor desta forma, na verdade esta me parece uma ofensa muito maior do que simplesmente não ser pretor.
– Acho que está na hora da sobremesa – comenta a avó do Octavian quebrando o clima. Sorrio de leve com a ideia de uma sobremesa já que não havia conseguido comer quase nada dos pratos quentes.
O almoço terminou no meio da tarde, mas depois do meu discurso eu e Octavian fomos ignorados totalmente, mas creio que era o melhor tratamento que poderíamos recebemos depois de tudo o que eu disse, mas mesmo assim me sinto culpada afinal ele esta sendo ignorado no próprio aniversário, mas ele não parece incomodado ou querendo sumir então creio que isto seja bom, não? Tivemos que soltar as nossas mãos para comer a sobremesa e admito que a minha estava dormente e vermelha, acabo rindo um pouco com isso e depois abaixo o rosto já que estou rindo sozinha. Não houve um parabéns ou um bolo com velinhas o que é decepcionante, mas talvez aja no final do dia. Os primos mais novos foram estudar e os mais velhos se reuniram para falar de negócios ou jogar algum jogo, ficamos apenas eu e Octavian na mesa e eu não sabia realmente o que fazer já que é a primeira vez que venho aqui e ele parecia desconfortável também.
– Você... você quer subir até o meu quarto?Quero dizer, para pegar a túnica – ele diz concertando rapidamente o que disse – ainda é uma tradição e temos tempo ainda até termos que ir embora.
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