The Iris child

9 Capítulo 9 – Um pouco de Pernico


Notas iniciais
Desculpem a demora, é que neste capitulo terá um flash back com um momento bem fofo de pernico, bem leve...Porque gosto de mostrar as coisas se desenrolando mas escrever este pedaço foi mais complicado do que imaginei... Gostei bastante deste capitulo para poder explorar além do Pernico um pouco de como as pessoas reagem a proximidade dos dois e introduzir o momento em que logo descobriremos porque o Octavian é assim...

Eu tinha que contar para ele, sabia que se não contasse e ele descobrisse de outro jeito seria ainda pior, para nós dois e provavelmente seria um final definitivo para a nossa amizade e não quero cometer o mesmo erro duas vezes, isso é burrice. Ainda estava abraçada em Octavian ele era magro e mais alto que eu, tinha cheiro de sabonete e perfume masculino, era bom. Abri a boca algumas vezes mas toda vez que tentava falar um bolo maior se formava na minha garganta e eu achava que ia começar a chorar se tentasse falar. Me encolho mais no seu abraço buscando um conforto que a tanto tempo não sinto com ninguém.

– Poucas pessoas do acampamento meio-sangue sabem que eu estou aqui, nem os meus irmão sabem para onde eu fui mas a maioria suspeita que estou no mundo inferior com o Nico – começo a falar com os lábios trêmulos – eu tive alguns problemas com um filho de Hermes... Eu não consigo falar disso Octavian, não mais do que isso...Admitir tudo verbalmente, só saiba que eu fui fraca e talvez aqui eu consiga aprender a ser forte e descobrir o meu lado romano.

Não consegui terminar, eu havia falado tanto e mesmo estando em seus braços a sensação de proteção acabou sendo nublada pela lembrança de Marcus, de como tudo era no inicio e como tudo se tornou no final e eu comecei a me afastar de Octavian e de seus braços, seria melhor assim. Sinto ele me segurar durante alguns segundos e me assusto erguendo o olhar, quando nossos olhos se cruzam ele os arregala e me solta virando o rosto vermelho para o lado.

Fofo, é a única coisa que eu consigo pensar ao olhar o modo como ele ficou e isso acaba me acalmando um pouco do meu pânico e soltando uma risada leve. Octavian não é Marcus, Marcus era seguro de si, descolado e brincalhão... Octavian é fechado, introvertido e doce, ele ainda tem muito o que aprender sobre a vida, mas ao seu modo ele é meio fofo.

– Hei vocês dois está na hora do toque de recolher – gritou Gabe se aproximando e eu riu um pouco porque nossa já está na hora.

– Eu sempre perco a hora – brinco com Octavian para tentar amenizar o clima.

Gabe se aproxima e comenta algo com Octavian e então começamos a ir para os dormitórios nas Coortes, a maioria parecia estar dormindo então uau perdemos mesmo a hora mas acho que foi bom porque agora eu e o Octavian somos amigos de novo acho que o clima ficará melhor entre nós. Paramos eu e Gabe no dormitório da segunda Coorte, Octavian era da primeira então ele iria continuar sozinho e bem eu tinha que ir para o lado feminino dos quartos.

Me despedido dos dois dando um beijo estalado em suas bochechas e depois me enfiei em baixo das cobertas e dormi tranquilamente, meu corpo estava tão cansado que eu precisava disso para relaxar os músculos que estavam mais do que doloridos depois do último dia. Só acordo quando puxam as minhas cobertas e ouço varias risadinhas, abro os olhos e sinto a claridade ao meu redor quando a minha visão entra em focos vejo todas as garotas da segunda Coorte no meu quarto me olhando com expectativa.

– É verdade? – falou uma das garotas, se eu não me engano ela é a Centurião da minha coorte – você beijou o Octavian? E o filho de Hades? Você trocou o badboy herói do olimpo pelo Octavian? Porque?

Arregalo os olhos enquanto tento assimilar o que a filha de Venus e provável Centurião da minha Coorte falava. Quando as palavras finalmente começam a fazer sentido na minha cabeça e eu começo a raciocinar eu fico absurdamente vermelho e é claro que o meu cabelo me acompanharia com mexas de todas as tonalidades de vermelho desde o mais claro ao vinho escuro surgissem. Ouço as risadas e escondo o meu rosto no travesseiro, isso é mais vergonhoso do que com os meus irmãos de chalé.... Aqui tem muito mais garotas me olhando com expectativa, porque no fim garotas são garotas não importa se são gregas ou romanas.

– Pera calma – digo quando o travesseiro é puxado de mim e mais risadas ecoam, riu um pouco – eu e o Octavian somos amigos e só isso, nós não nos beijamos de onde tiraram isso?

Não que eu fosse namorada do Nico, eu só já tinha me acostumado a não negar...Nico era meu amigo e desde que eu terminei com Marcus e nós passamos a ficar ainda mais colados as pessoas do acampamento meio sangue só começaram a falar ainda mais sobre o possível fato de sermos um casal. Nós tentamos negar, mas quando fomos eleitos o terceiro casal mais fofo perdendo apenas para Annabeth e Percy, Jason e Pipper, ficou mais fácil ignorar. Não dávamos trela, mas não contradizíamos, pensassem o que quisessem.

– Eu disse- falou uma das garotas que estava em uma das camas – o Octavian nunca terá uma namorada de verdade, ninguém conseguiria aturá-lo a esse ponto.

Não sei definir se foi o tom de voz dela ou o que ela disse mas isso me irritou e enquanto as outras garotas riam eu apenas a fitei seriamente. Octavian não é tão mal assim e ele obviamente vai encontrar a garota certa para ele, ele só precisa aprender a confiar mais nas pessoas e o significado de amizade mas não é como se ele fosse incapaz de encontrar alguém, todo mundo tem a sua outra cara metade. De repente, acho que notaram que eu não estava rindo, todo mundo parou para me encarar talvez esperando o meu próximo passo.

– Posso não ser a namorada do Octavian, mas sou amiga dele e não admito que fale assim dos meus amigos na minha frente... – digo em um tom sério, não era a hora de ser a Valentina legal e amiga, era a hora de medidas mais sérias – eu o acho uma pessoa muito legal, talvez você só não seja digna de ver o melhor lado dele.

– Ou talvez ele esteja só te manipulando e você como a filha cabeça oca de Iris não perceba –rebate a garota.

Eu sei que os filhos dos deuses menores não são exatamente populares e que a minha mãe não é uma valorosa guerreira, sei que no acampamento romano os deuses de batalha são mais famosos e valorizados do que os pacifistas como a minha mãe e que se eu não estivesse em uma situação especial e fosse amiga de dois antigos pretores talvez nem tivesse sido aceita. Mas eu tenho amor próprio, eu amo e tenho orgulho da minha mãe e dos meus irmãos então não vou admitir que eles sejam tratados assim.

– Eu lutei em duas guerras diretas contra os deuses, sobrevivi a batalha do Labirinto no acampamento meio-sangue e já sai em mais de uma missão – digo enquanto me levanto da cama – não sou uma garota tola ou fútil, não é porque sou simpática e quero ver os outros felizes que sou desmiolada e manipulável. Você não devia me subestimar apenas porque a minha mãe não participa de batalhas, afinal de contas você nunca viu uma filha de Iris em combate.

Depois disso eu peguei as minhas coisas e me tranquei no banheiro antes que a garota pudesse revidar, aquilo fora tão difícil de se lidar. Odeio ter que ser cruel e falar palavras duras, é uma situação tão ruim e desconfortável causar dor nas pessoas mas as vezes é necessário e por mais que me doa por dentro eu tento pensar que é para ajudar a pessoa a crescer mais, a se tornar alguém melhor no futuro próximo.

Termino de me arrumar o mais lento possível, mesmo correndo o risco de perder o café da manhã, apenas porque não queria mais ver todas aquelas garotas no meu quarto, quando eu não tinha mais o que fazer finalmente saio do quarto e para a minha felicidade não tinha ninguém aqui. É claro que não, droga as atividades já começaram.

Saio correndo do quarto ainda sentindo os meus músculos doerem e ignoro o fato de que talvez eu esteja chamando muita atenção mas eu sempre acabo chamando mais atenção do que no fundo desejos. As atividades da manhã de hoje são bem mais tranquilas o que eu agradeço já que os meus músculos não aguentariam de novo esse tipo da atividade, já estava no meio da manhã quando finalmente termino tudo, mas não fico muito tempo sem nada para fazer já que logo vejo Nico na sombra de uma árvore e corro até ele.

– Nico – digo sorrindo e lhe abraçando, ele odeia abraços aliais.

Noto que ele parece desconfortável e ergo uma sobrancelha me perguntando o que houve, mas ele apenas faz que não enquanto indica para irmos para outra parte do acampamento, uma menos movimentada e onde não terão tantos ouvidos de pé. Apenas faço que sim um pouco preocupada com o que possa ter acontecido, será algo diretamente com ele ou algo que ele precisa me contar mas não quer que eu saia.

Vamos até a parte mais distante e nos sentamos em baixo de uma árvore lado a lado, não o forço a falar por mais que queira muito saber o que houve. Suspiro e olho para o céu, teria que dar o tempo dele e por sorte tínhamos até a hora do almoço. Ele respira fundo e me encara, o encaro de volta e sorrio de leve ele sabia que não importava o que fosse estaríamos um do lado do outro, só que ele parece estar ficando absurdamente vermelho, god o que houve?

– Eu sai com o Percy... mas pera não tipo encontro, tipo amigos – ele diz rápido e desvia o olhar constrangido como se tivesse feito algo de errado o abraço o convidando a me contar tudo.


Flash Back (Narrado pelo Nico)

Eu estava evitando ao máximo ir até o acampamento por motivos óbvios, estava acobertando Valentina que todos acreditavam estar no mundo Inferior/viajando comigo pelo mundo. Poucas pessoas sabiam que esta não é a verdade e um número ainda menor sabia onde ela realmente estava. Na verdade apenas eu, Jason e Percy compartilhávamos da verdade de que ela estava segura, tranquila e com várias pessoas por perto para ter certeza de que ela não sumiu no acampamento Jupiter.

De qualquer modo Percy e Annabeth haviam terminado e isso por si só era informação demais para mim, eles não podiam terminar.Eram o casal água com açúcar favorito do acampamento e que todos acreditavam que teriam filhos perfeitos juntos, desde que eu os conheço eles tem aquela química enorme e sempre foram um casal antes de ser um casal, era visível, eles sobreviveram ao Tártaro juntos e ganharam duas guerras juntos... Eles não podiam terminar, mesmo eu tendo uma obvia queda pelo Percy ele era da Annabeth, eu podia lidar com isso melhor do que com ele solteiro.

Percy solteiro é um Percy que pode ficar com várias garotas, uma diferente por dia porque se ele quiser ele pode ter a garota que quiser quer dizer quem não ia querer se sentir protegido pelos braços dele? O Percy que ia sair com várias garotas e não comigo, porque é obvio que ele não ia me chamar para sair. Eu sou um cara, não é natural dois caras saírem e para completar eu sou estranho, anti social e filho de Hades. Mas admito que e eu estava preocupado com Percy o suficiente para as vezes viajar nas sombras só para vê-lo, só para ter certeza que ele está bem e não fez algo estúpido. Percy sabe fazer coisas estúpidas melhor do que ninguém.

Desta vez ele estava andando pela floresta sozinha, mas ao menos estava armado, Poseidon provavelmente deu uma arma que volta para o bolso dele para garantir isso, provavelmente. De qualquer modo uma hora o Percy parou e se virou para a direção que eu estava, fico vermelho e já estava pronto para voltar para as sombras quando Percy chama o meu nome.

– Nico espera – e como eu poderia ir embora quando ele me chama e me olha com aqueles olhos tão profundos quanto o oceano? — não é a primeira vez que você fica me espiando, certo?

Eu quase que engasgo com a minha própria saliva, como assim! É do Percy que estamos falando, ele pode ser um gênio na arte de ser herói e matar monstros mas no geral ele é lerdo! Ele demorou mil anos para beijar a Annabeth e ele percebeu que eu estava espiando ele, será que durante toda a troca de saliva com a filha de Atena ele ficou inteligente e agora está percebendo as coisas rapidamente? Isso é impossível, até para semi deuses certo?

De repente, enquanto eu estava em um estado de choque e em uma briga mental entre fugir e ficar ali o Percy me abraça, me abraça! Contato físico e tudo bem não foi aquele tipo de abraço você é o amor da minha vida, ou o meu irmão era um abraço forte e estranho que me fez empurrá-lo para longe com as bochechas vermelhas enquanto ele ia e bagunçava o meu cabelo.

– Obrigado por se preocupar sério, mas eu estou bem eu acho que eu e a Annie já não estávamos juntos de verdade faz um tempo só não tínhamos coragem para terminar – ele diz colocando as mãos nos bolsos e com aquela cara que é só dele.

Percy é tão Percy que em certos pontos chega até a ser previsível, eu já estava o observando de longe faz algum tempo e ele não é o mesmo está andando mais sozinho e pelos cantos e obviamente não é por falta de amigos já que desde que eu descobri que sou um meio sangue ele sempre teve várias pessoas atrás dele, ele está se isolando e está andando sozinha na floresta, nem no mar ou em contato com a água ele está.

– Você está se isolando porque não quer ficar falando no assunto – consto em voz alta também colocando as mãos nos bolsos, um lugar seguro – quer ir em um lugar?

Depois que eu digo isso fico em choque e o ímpeto de fugir me atinge de novo, como assim eu estou chamando ele para sair...Calma eu não o chamei para um encontro, é para uma saída de amigos, algo descontraído...Não tem nenhum problema dois caras saírem juntos como amigos certo?Não é como se estivesse estampado na minha testa que eu tenho uma pequena queda bem leve pelo Percy, obviamente que não fora o fato de que parece que ser um filho de Hades faz com que uma áurea negra e sombria fique ao meu redor diminuindo ainda mais as chances desse tipo de interpretação.

– Han.. – Percy parece hesitante mas é claro que ele está hesitante eu não sou um dos melhores amigos dele, deveria ser algum dos 7 ou os gêmeos stoll a chamá-lo para fora do acampamento, não eu — claro, para onde?

E então ele deu aquele sorriso que tudo estava bem e eu quase sorri de volta, quase, mas se eu sorrisse de volta...Não, fora que o meu sorriso... eu não sei sorrir ia assustar ele, me aproximo dele sem saber como segurar nele direito para viajarmos nas sombras juntos, meio hesitante eu seguro no seu cotovelo enquanto o puxo para dentro de uma sombra.

Na verdade eu nunca pensei em lugares para levar o Percy, quer dizer não é como se eu ficasse todo o dia tentando me convencer de como chamá-lo para sair ou onde o levaria ou sonhasse com encontros imaginários.Eu posso ter uma pequena e leve queda pelo Percy mas eu não sou uma garota e muito menos uma garota tola e estúpida.... De qualquer modo eu sabia um lugar que alegraria o suficiente o Percy para fazê-lo se esquecer do fim do namoro.

No sul dos estados unidos há um parque marinho que se dedica a cuidar de animais marinhos que estão machucados ou encalham na praia, eles cuidam dos machucados e os que tem condições de voltar para o mar voltam e os que estão feridos demais acabam ficando a mostra para os turistas. Obviamente já nos coloco dentro do parque marinho para não termos que pagar as entradas, vejo Percy se apoiar na parede e ele parece meio verde na verdade. Ele puxa o ar com a boca e senta no chão, fico o olhando um pouco atônico sem saber o que fazer, deveria tentar fazer aquele negoico de pressão com a cabeça para baixo ou buscar água?

– Acho que tem uma enfermaria aqui... Quer que eu te leve? – pergunto um pouco incerto mas ele apenas faz que não com a cabeça.

O resto do dia foi ligeiramente normal, Percy não parava de sorrir e ficar conversando com as criaturas marinhas para ter certeza de que estavam sendo bem tratadas, além disso ele ficava fazendo traduções para mim e me explicando sobre todas elas mesmo eu já conhecendo o lugar. As vezes quando eu demorava demais – porque eu não sou como o Percy que acha legal ficar correndo de um aquário para o outro competindo com as crianças – ele voltava para me puxar pelo braço e teve uma vez que ele sem querer me puxou pela mão.Constrangedor.

Comemos a comida horrível do lugar mas ela não estava tão ruim assim, conversamos um pouco e o Percy fez algumas piadas engraçadas que me fizeram rir, contei sobre os lugares que gosto de visitar e sobre o submundo, principalmente as histórias morbitas e algumas de humor negro que o faziam rir e quase cuspir todo o refrigerante. No final ainda fomos em uma maquina de fotos e tiramos algumas fotos, foram cinco fotos no total. Na primeira eu sai sério e vermelho e ele sorrindo, na segunda ele tentou me fazer sorrir usando os dedos para forçar um sorriso, na terceira tem eu empurrando ele e ele quase caindo, a quarta somos nós dois rindo e a última é ele me puxando para um abraço e eu tentando esconder o rosto vermelho com o cabelo.

O deixei no acampamento exatamente onde o peguei e ele parecia verde, mas menos verde que o normal, já estava pronto para ir embora quando ele me segura pela mão. Eu a puxo rapidamente para longe mas me viro para olhá-la, o Percy precisa parar com isso de puxar as pessoas pela mão é constrangedor e pessoas normais não fazem isso com os amigos, não fazem!

– Obrigado, eu realmente precisava disso foi o primeiro dia normal e divertido que eu tenho desde que e eu Annabeth terminamos... Podiamos fazer isso de novo, talvez ir para um lugar que você goste – ele comenta coçando atrás da cabeça sem saber exatamente o que falar.

– Certo... – murmuro assentindo antes de entrar em uma sombra e sair dali o mais rápido possível.


Flash Back OFF (Fim do POV Nico)

Ouvi toda a narração com o máximo de atenção possível e tudo bem eu sabia que não tinha sido um encontro romântico e que isso não significa que o Percy está afim do Nico, mas mesmo assim eu estava feliz o suficiente para saber que o meu cabelo devia estar de todos os tons possíveis e para que eu estendesse os meus braços para abraçar o Nico bem apertado.

– Eu estou tão feliz!Sério, vocês tem que sair de novo – digo animada quando finalmente o solto – não como um encontro, como amigos...Tenho certeza que você se divertiu e que mal há em passar um tempo com o Percy? Ele é divertido, vocês se divertiram juntos e se conheceram melhor. Perfeitamente normal, aliais eu quero ver as fotos.

Comento tudo ignorando o olhar mortal que ele me lançou e no fim estendo as mãos para ver as fotos, pelo que eu entendi eles dividiram as fotos e o Nico ficou com as duas últimas, absurdamente fofo, ainda mais do que ele tinha me explicado. Aliais eu preciso tirar uma foto com o Nico uma hora, eu quase não tenho fotos com os meus amigos já que celulares são quase que um pedido de assassinato para os semideuses. O tempo passou tão rápido embaixo daquela árvore que só dei por mim quando Hazel apareceu nos chamando para o almoço, droga Octavian deve estar esperando.

– Nos vemos a tarde, não vá embora sem se despedir hein – brinco rindo antes de sair correndo.


Octavian narrando

Valentina estava atrasada, obviamente mas não podíamos esperar muita pontualidade dela, olho no relógio e para o meu prato de comida sabendo que se não começasse a comer logo ele iria esfriar. Ouço passos pelas escadas e sei que é ela, provavelmente se atrasou com o namorado filho de Hades do acampamento grego, espero que não tenha trazido ele até aqui.

Passei boa parte do dia tentando lidar com as informações que ela me deu, ela estava aqui escondida, ninguém do outro acampamento sabia e eu fui uma das poucas pessoas que ela teve confiança o suficiente para me contar a verdade. Ela me contou por vontade própria, eu não vi com os ursinhos ou coisa do gênero a informação saiu dos lábios dela. Logo a vejo chegando com um sorriso no rosto e sozinha sem o grego filho de Hades, ela se senta na mesa e logo é servida com aquela coisa verde e natural.

– Desculpe o atraso eu perdi totalmente a noção do tempo – ela comenta e é claro que perdeu com o namoradinho grego – te fiz esperar muito?

– Já ia começar a correr, pontualidade não é mesmo o seu forte – comento e vejo ela ficar vermelha- amanhã não vamos poder almoçar juntos..

Comento em um tom casual enquanto cortava um suculento pedaço de carne para o levar aos lábios, eu já sabia que não iria almoçar aqui amanhã e que seria dispensado do acampamento durante o período de almoço para ir até Nova Roma, não que eu tenha pedido mas a minha família sabe ser bem persuasiva. Todo meu aniversário ou aniversário do meu pai eu era forçado a sair do acampamento e voltar para casa onde toda a família estaria reunida, primos e tios, todos conversando e a velha pressão de sempre que torna as reuniões de famílias algo que eu prefiro adiar.Levanto os olhos e encontro a jovem filha de Iris me olhando um pouco chocada.

– Mas porque? Aconteceu alguma coisa? Ou é por causa do atraso de hoje?- ela pergunta e os seus cabelos parecem mais opacos.

Suspiro frustrado ,não é como se eu gostasse de divulgar essa informação pelo acampamento. Não é como se eu fosse comemorar com todo mundo, receber presentes e assoprar velinhas no final do dia enquanto tento escolher para quem vou dar o primeiro pedaço do bolo.Esse costume na verdade é ocidental e não aceito na minha família, além disso não imagino ninguém realmente se importando tanto assim com a data de qualquer modo, mas ela havia sido honesta comigo e ela quer tentar esta coisa de ser minha amiga e não estar aqui por querer algo em troca.

– Amanhã é o meu aniversário, vou ir para Nova Roma para um almoço em família – suspiro mexendo nos vegetais no meu prato – devo sair cedo para conseguir chegar a tempo em casa e voltar antes do jantar, não vamos nos ver amanhã.

Coloco um pouco mais de comida na boca e quando ergo o olhar para encará-la ela está sorrindo e se levantando toda atrapalhada enquanto dá a volta na mesa enquanto joga os braços ao redor dos meus ombros e me abraça, fico vermelho pela surpresa, nunca vi alguém gostar tanto de distribuir abraços quanto ela.

– Parabéns! Mil vezes parabéns e eu simplesmente não acredito que você não me contou eu nem tive tempo de pensar em um presente para você – ela comenta quando me solta em um leve tom de brincadeira com um sorriso nos lábios – deve ser legal ir ver a família, aproveite bastante e que horas você vai sair? Você não pode me dar uma dica do que quer de aniversário?

Seus cabelos já estavam de todas as cores possíveis e ela sorria enquanto despejava várias palavras sobre mim, era incrível a habilidade que ela tinha de falar muito, principalmente quando conseguia ser uma ouvindo excelente quando eu queria falar, ouvia sempre cada palavra dita por mim com extrema atenção. E um presente? Ela queria me presentear com algo?Ela realmente não era normal, mas eu não conseguia pensar em nenhum presente que ela poderia me dar.Sempre ganhei armas, ferramentas ou favores da minha família e não acho que ela poderia conseguir qualquer uma destas coisas.

– Não precisa de nada – comento e me separo dela um pouco vermelho – e eu tenho vários afazeres, vou ficar fora durante quase que um dia inteiro por isso tenho que garantir que não vão colocar fogo no acampamento ou entrar em batalha na minha ausência...

Notas finais
Obrigada a quem comentou o último capítulo e um milhão de desculpas pela demora, não foi a minha intenção demorar tanto!