Notas iniciais
Olá pessoal! Tudo bem? Capítulo chegando! Espero que gostem!

Seu olhar estava fixo em mim. Como se esperasse uma aceitação simples da verdade que me entregava. Seria difícil. Meu mundo girava, não sabia dizer o que era verdade ou o que era mentira.

– Logo irão trazer seu almoço. – disse Josh. — Vou mandar chamar as pessoas que você quer. Escolha com cuidado. Não admito falhas.

– Pode chamar Liam?

– Não. Eles sabem que você está aqui, não permitiriam.

Abaixei a cabeça. Estava frustrada, mas de certa forma já esperava por isso.

– Posso usar meus poderes aqui? – perguntei. — Seria útil para saber a verdade. Se você está mentindo para mim.

– Acho que não. – Josh respondeu. — Fique calma Mariah Hancan, pode confiar em mim, sou aliado de qualquer mutante sensato. Que sabe o que é verdadeiramente o lado bom.

Fiquei em silêncio e a comida chegou logo após alguns minutos. Ainda não acreditava no homem. Não podia. Ele estava ali na Proteção. Trabalhava para eles.

– Está tudo bem? – a voz era de Treze.

Para evitar acidentes não olhei para ele. O odiava. Ainda mais. Odiava qualquer um que dissesse que fazia parte daquele meio branco e falso.

– Claro. – Josh respondeu para Treze. — Se eu fosse você não chegava perto dela, ela está confusa. Ainda mais agora que sabe que você ajudou a reforçar a mentira para ela.

– Mas eu contei a ela a verdade hoje.

– Não. Eu que contei a ela. Agora deixe de contar vantagem sobre a garota. – Josh se virou para mim. — Quem você quer que chame?

– Robert e Frank, já que não podemos chamar Liam. – respondi sem me virar para eles.

– Você ouviu, traga os dois logo. – disse Josh.

– Eles estarão almoçando.

– Aqui tem comida suficiente para empanturrar a Etiópia. – a risada de Josh era cansativa.

Treze se retirou. Não importava o fato de ter me dito que Liam havia acordado. Ele já estava há muito tempo e Treze havia mentido.

– Vamos ser educados e esperar os dois garotos. – Josh apertou as duas mãos e se sentou.

Concordei. Estava em um grande choque para comer. Nada desceria pela minha garganta. Assim como nada entrava no meu pensamento. Josh tentava ao máximo me entreter. Entrega-me livros sobre mitologia grega, história da América, segunda Guerra Mundial, entre outros. Ele devia me achar uma máquina para ler todos eles de uma só vez.

Treze chegou com os dois mutantes, novamente me concentrei em não olhar para Treze, eu poderia enforcá-lo. Josh logo o tirou da sala, deixando lá somente eu, Frank, Robert e ele.

– Podem se sentar todos. – Josh pediu.

Eles se sentaram e encararam Josh. Estavam tão curiosos quanto eu anteriormente. Mas havia um receio.

– Por que nos chamou? – Frank perguntou.

– Temos uma missão. – eu dei um pequeno sorriso, como se agora fosse uma espécie estranha de espiã.

– Explique. – Robert colocou as mãos juntas sobre a mesa.

– Vocês sabem de que níveis são? – Josh perguntou.

– Não. – Frank mentiu.

– Zero. – Josh respondeu. — Todos vocês são do nível zero. E eu sei muito bem que você Frank, sabe disso. Eu mandei aqueles demônios te avisarem e avisarem também do ataque que a Proteção ia fazer. Infelizmente eles ficaram confusos e só deram uma informação.

– De que lado está? – Robert logo percebeu que Josh era diferente.

– Dos mutantes. – Josh era direto. — E vocês precisam fugir daqui logo.

– Por quê? – Frank perguntou.

– Temos escuros estão chegando e aqui não é lugar para mutante.

Coisas ruins. Meus olhos se comprimiram. Escuridão. A palavra que levou minha pele se arrepiar de medo. Como se a morte passasse por mim.

– Como assim? – Robert questionou.

– Mutantes contra Humanos. E nós não podemos ser neutros. Haverá uma guerra. São uma arma contra sua raça aqui e uma arma contra os humanos lá fora. – respondeu Josh.

– Que bom que eu sou imortal. – Frank riu.

– Não, você não é. Se uma arma te ferir, qualquer arma, você morre se não for socorrido, mas de velhice você não morre. – Josh corrigiu.

– Por que então há a lenda de que os mutantes do nível zero são imortais? – perguntou Frank, totalmente confuso.

– Não posso responder a vocês. – Josh olhou rapidamente para mim. — Precisamos montar um plano para vocês fugirem.

– Chamou a pessoa certa. – Robert sorriu. — Mas pelo o que vi aqui a segurança é bem potente.

– Isso é só aparência. – Josh respondeu com desprezo.

– E se não for? – levantei a hipótese.

– Eu moro aqui desde meus vinte anos. – ele respondeu. — Eu sei muito bem que essa sede da Proteção não é grande coisa. Há algumas mais potentes e elas ficam em grande parte na Ásia, as mais desenvolvidas estão lá.

Então havia outras. Outros locais para torturar mutantes, para nos tornar fracos e vulneráveis. Animais em gaiolas brancas.

– Se é um aliado dos mutantes, por que fica aqui? – Frank perguntou.

– Alguém precisa ajudar os mutantes que vem para cá. – respondi por Josh, agora sim fazia sentido. — Essa é a missão do Josh.

– E vocês são minha última missão aqui. – Josh sorriu. — Vocês são muito poderosos e raros. Precisam realmente fugir daqui. Lugar de ninguém é na Proteção.

– Já tem um plano? – perguntei para Robert.

– Sempre tenho. – ele respondeu o que eu já esperava dele, o que qualquer um esperava.

– Conte. – Josh pediu.

Robert se levantou e começou a andar pela biblioteca. Essa mania para explicar as coisas era nova. Antes ele apenas colocava os dois dedos indicadores no queixo.

– Como percebi, há um momento em que todos vão para um banho de sol. É nesse momento que deveremos agir. – disse ele indo direto ao ponto. — O jardim não é preparado para fugas, o que é uma vantagem para nós.

– Como sabe? – Josh perguntou.

– Depois do jardim tem um espaço de três metros de terra seca que parece uma estradinha e lá não há bloqueio de poderes, ou seja, podemos passar pelo muro. – concluiu Robert.

– Como sabe que lá os poderes funcionam? – Frank perguntou com um ar de impressionado.

– O Wesley conseguiu ficar invisível por dois minutos. – Robert respondeu.

– Por que não ficou mais tempo? – perguntei.

– O sinal tocou e todos nós voltamos para os quartos. Eu e os meninos estávamos mesmo já com esse plano em mente, só que agora aumenta o número de pessoas. – Robert respondeu.

– Como eu não sabia disso. – disse Frank, dando-se como excluído.

– Nós dissemos só que você não prestou atenção, idiota. – Robert bateu um livro na cabeça de Frank.

– Genial. – abri um sorriso, poderia fugir dali finalmente.

– Claro, ele é da raça dos gênios, era de se esperar. – Josh sorriu para Robert com admiração.

– Mas não era para o poder dele deixar de funcionar aqui? – perguntei.

– Não, gênios não perdem o poder. – Josh respondeu. — Então iremos realizar esse plano quando?

– Você mesmo disse que tem que ser logo. Depois de amanhã seria uma ótima data. – Robert respondeu por todos nós.

Nós concordamos, era tudo que queríamos. Depois de cinco minutos em puro silêncio, nós pedimos a Josh para nos liberar. Ele disse que iríamos lá amanhã para acertar o resto do plano. Disse também que logo após que nós saíssemos ele iria chamar os outros mutantes para contar o plano.

Eu e os meninos estávamos pensando que íamos ser acompanhados novamente por Treze até nossos devidos quartos, mas ele não estava no elevador. Mas dessa vez isso não aconteceu. Fiquei quieta, não sabia o que dizer aos garotos. Não poderia compartilhar com eles tudo que estava acontecendo comigo, Josh deixou isso claro com o olhar que lançou quanto aos assuntos imortalidade e nível zero. Eu estava sozinha nessa, era minha própria companhia.

– Esqueci a cadeira de rodas, vou ter que voltar para buscar.

– Eu pego. – Frank se ofereceu.

– Não, a cadeira quem usa sou eu e não você, eu sei o caminho, é só um elevador, idiota.

Deixei os garotos. Realmente havia esquecido a cadeira. Andei pouco até chegar na biblioteca. Josh me colocou no elevador e sorriu como se tivesse um propósito por ele não ter chamado Treze. Eu sinceramente havia gostado disso, não suportava aquele segurança idiota que se fazia de amigo.

Logo que o elevador desceu avistei ao longe três mutantes e um segurança. Treze. Eu não fazia ideia de quem eram os mutantes, mas que eram do nosso grupo eu tinha certeza. Mas estavam diferentes. Quanto mais se aproximavam, conseguia perceber os traços. Um homem e duas mulheres. Realmente os óculos estavam me fazendo falta.

Continuei empurrando minha cadeira. Lentamente e com dificuldade, não sabia que eu era tão pesada assim. Forcei os olhos em direção as pessoas. Vick. Amy. O homem começou a dar passos lentos. Treze parecia conversar com ele. Parecia que a cada passo lento que o homem dava minha cadeira ficava mais pesada. Cruzei com as duas garotas.

– Fica calma, por favor. – disse Vick com um sorriso pequeno no rosto e Amy sorriu com um desespero.

Os dois continuavam parados. Quem era o homem? Ele me parecia tão familiar. Eles voltaram a andar, dessa vez mais rápido. E minha cadeira continuava pesada. Parecia que meus braços iriam quebrar se eu desse mais um empurrão.

Pisquei os olhos. Lá estava, bem na minha frente. Ele. Quem me protegia de tudo. Quem era a razão por eu ainda estar viva. Quem até um tempo atrás estava dormindo, mas na verdade não estava. Lá estava ele na minha frente com um olhar confuso. Abrindo um sorriso emocionado. O cabelo estava bagunçado. Ele estava pálido e ao mesmo tempo mais forte que eu. Talvez minha falta não tivesse tanto efeito nele.

Tentei sorrir, mas apenas uma lágrima solitária escorreu dos meus olhos. Coloquei o pé no chão para me levantar e abraçá-lo, mas não consegui, havia ficado fraca, numa espécie de choque. Voltei a me sentar. Tentei dizer algo, mas Liam me surpreendeu. Bem na minha frente, face a face, olho a olho, nariz a nariz, distantes por poucos centímetros.

– Contaram que você estava dormindo. – disse Liam.

A voz dele era como uma sinfonia doce em meus ouvidos. Finalmente consegui formar um sorriso nos meus lábios.

– Aqui não é seguro. – ele segurou minhas mãos, ajoelhado na minha frente, assenti para ele. — Eu senti sua falta, amor. – Liam segurou meu queixo.

Outra lágrima escorreu, chegando até sua mão. Ele beijou minha testa com um pouco de cuidado, provavelmente emocionado.

– Eu te amo, sua teimosa. – finalmente ele me beijou nos lábios.

Senti-me viva. Meu corpo se irradiou. Não sabia como explicar. Depois de tanto tempo sem contato com os lábios dele, tinha me esquecido de qual era a sensação. Boa e tranquilizante. Pela primeira vez me senti protegida, como se fosse somente eu e ele, mostrando que nem mesmo as mentiras podiam nos separar.

– Também… te amo. – sussurrei, deixando as lágrimas tomarem conta do meu rosto.

– Não vou te deixar. – ele voltou a segurar minhas mãos.

– Não vai. – respondi. – Eu confio.

Ele beijou minha testa e seguiu junto de Treze, finalmente me sentia forte de verdade.

Quando cheguei ao quarto, lá estavam Sam e Jane, conversando. Elas pararam a conversa e voltaram os olhares para mim.

– Por que o sorriso? – perguntou Jane.

– Nada. – demorei para responder.

Sentei-me na cama tentando disfarçar ao máximo o sorriso e os olhos vermelhos pelas lágrimas.

– Você passou o dia inteiro na biblioteca. – disse Sam. – Sei que gosta de ler, mas tanto assim?!

– Passei? Nem percebi. – a respondi deitando levemente a cabeça no travesseiro, meus batimentos ainda estavam acelerados.

No exato momento em que ela iria dizer algo, Treze entrou no quarto e levou as duas. A cadeira que antes eu estava sentada agora era Jane que a ocupava. Ela estava criando forças e isto me levou a sorrir com mais intensidade.

Finalmente minha esperança foi acesa. Iria escapar dali. Liam estava acordado. Ele me beijou. Infelizmente isso não me ajudou tanto. Afinal o que eu sou?

Notas finais
Hora de comentar! Qual acham que será o poder da Mariah?