The Intended: Mutant
11 Jane de volta
Notas iniciais
Acordei um pouco antes da sirene e isso era um bom sinal.
Meus olhos ainda estavam inchados por conta das lágrimas. Sentia-me mais viva desde o beijo que Liam me deu. A Proteção estava certa, Liam me deixava forte.
Levantei com cuidado para não acordar as outras. Mas era tarde demais.
– Aonde vai? – Jane perguntou
– Café da manhã. – respondi. — Vamos?
– Os médicos disseram que minhas refeições não iam mais ser aqui, então acho que vou. – a celestial sorriu.
Jane se sentou com um pouco de dificuldade na cama, imaginei que poderia ser eu na situação dela.
– Quer ajuda para sentar na cadeira?
Ela aceitou e eu a ajudei com ainda mais cuidado, como se ela fosse uma boneca que poderia quebrar com qualquer movimento. Jane estava leve como uma pluma, fraca e frágil, parecia mesmo que iria quebrar a qualquer momento.
Puxei a corrente dourada e Treze abriu a porta. Não havia sorriso ou nenhuma forma de emoção. Era inexpressível e frio. Exatamente como eu sabia que ele era.
– Quer ajuda? – ele perguntou cordialmente.
– Nada que venha de você. – segui empurrando a cadeira de Jane.
– Você tem permissão para andar por esses corredores? – ele aumentou o tom de voz, era no fundo arrogante.
– E daí?! Não ligo para nenhum de vocês. Babaca. – o respondi rindo, a Mariah havia voltado com tudo.
– Mas quem te ajudou até agora fui eu. – ele respondeu com um pouco de indignação, o que nunca seria suficiente para perdoar a mentira.
Parei e olhei para trás. Ele não era mais digno, era menos ainda. Não importava o que dissesse. As palavras dele, cada uma delas, para mim era uma mentira estúpida que não deveria ser ouvida. Treze era mais um falso naquele inferno branco.
– Sinto muito, mas você mentiu e isso infectou você. – respondi. — Mentiras deixam cicatrizes e não sei como não vomitei até agora. Você é muito babaca.
– Você sabe que eu posso acabar com você, né?
– Sei, mas isso é outra de suas mentiras, de todos aqui. – voltei a empurrar a cadeira.
– Você sabe de muitas coisas mocinha.
– Ainda não é suficiente. – respondi. – E não me chame de mocinha.
Consegui escutar mais algumas coisas, mas eu preferi o ignorar. Treze mentiu para mim, ele alimentou uma mentira e quando viu que eu iria descobrir a verdade resolveu a revelar primeiro, tentando parecer o herói. E eu nunca iria perdoá-lo. Ele era o vilão nessa história.
Quando Jane e eu chegamos no refeitório, a maioria já estava lá, Liam estava lá. Abri um sorriso, mas ele não percebeu. A Proteção devia ter visto pelas câmeras que eu me encontrei com ele e que não adiantava mais o escondê-lo de mim.
Expliquei a Jane o esquema no refeitório do mesmo jeito que Vick tinha me ensinado. E depois de repetir mais uma vez, Jane conseguiu.
Tive sorte. A senha que Jane pegou era a mesma da mesa em que Liam estava sentado. Mas o azar veio logo depois, porque tive que me sentar na beirada por conta de Jane estar com a cadeira de rodas.
O café da manhã da Proteção parecia nunca mudar. Depois de alguns dias chegava até mesmo a enjoar e pela cara de alguns, dava para ver que não era a única. Demorei poucos segundos para devorar a bandeja, mas tive que esperar Jane, que queria degustar cada pedacinho. Ryan colocou dois dos pãezinhos de sua bandeja na de Jane. Olhei para ele sorrindo. O que aquilo significava? Ele não era generoso.
– O que? – ele perguntou confuso, no seu velho jeito.
– Nada. – o respondi.
– Obrigada Ryan. – Jane agradeceu a ele sorrindo.
– De nada. – ele retribuiu com um sorriso de satisfação. — Você precisa ficar forte.
O mutante que estava do meu lado era Théo. Ele se levantou e em questão de segundos Liam ficou do meu lado, colado a mim.
– Não consigo ficar longe de você. – ele disse baixinho, encarando a própria bandeja que estava praticamente cheia.
Abri um grande sorriso. Parecia que perto dele essa era a única coisa que eu sabia fazer.
Jane terminou e pediu para nós voltarmos, mas eu nem percebi, estava ocupada demais para atender ao pedido dela. Liam segurou minha mão. O sorriso estava estampado e os dentes a mostra. Feliz.
– Pode ir amor.
Eu me levantei rapidamente e empurrei a cadeira de Jane. Mais uma vez eu fui uma idiota perto de Liam, sempre fui uma idiota perto dele, mas dessa vez senti que o ignorei um pouco. O que me deixou com a impressão de culpada.
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