Notas iniciais
Olá pessoal!!! Tudo bem? Capítulo novinho, espero que gostem!

Acordei um pouco antes da sirene e isso era um bom sinal.

Meus olhos ainda estavam inchados por conta das lágrimas. Sentia-me mais viva desde o beijo que Liam me deu. A Proteção estava certa, Liam me deixava forte.

Levantei com cuidado para não acordar as outras. Mas era tarde demais.

– Aonde vai? – Jane perguntou

– Café da manhã. – respondi. — Vamos?

– Os médicos disseram que minhas refeições não iam mais ser aqui, então acho que vou. – a celestial sorriu.

Jane se sentou com um pouco de dificuldade na cama, imaginei que poderia ser eu na situação dela.

– Quer ajuda para sentar na cadeira?

Ela aceitou e eu a ajudei com ainda mais cuidado, como se ela fosse uma boneca que poderia quebrar com qualquer movimento. Jane estava leve como uma pluma, fraca e frágil, parecia mesmo que iria quebrar a qualquer momento.

Puxei a corrente dourada e Treze abriu a porta. Não havia sorriso ou nenhuma forma de emoção. Era inexpressível e frio. Exatamente como eu sabia que ele era.

– Quer ajuda? – ele perguntou cordialmente.

– Nada que venha de você. – segui empurrando a cadeira de Jane.

– Você tem permissão para andar por esses corredores? – ele aumentou o tom de voz, era no fundo arrogante.

– E daí?! Não ligo para nenhum de vocês. Babaca. – o respondi rindo, a Mariah havia voltado com tudo.

– Mas quem te ajudou até agora fui eu. – ele respondeu com um pouco de indignação, o que nunca seria suficiente para perdoar a mentira.

Parei e olhei para trás. Ele não era mais digno, era menos ainda. Não importava o que dissesse. As palavras dele, cada uma delas, para mim era uma mentira estúpida que não deveria ser ouvida. Treze era mais um falso naquele inferno branco.

– Sinto muito, mas você mentiu e isso infectou você. – respondi. — Mentiras deixam cicatrizes e não sei como não vomitei até agora. Você é muito babaca.

– Você sabe que eu posso acabar com você, né?

– Sei, mas isso é outra de suas mentiras, de todos aqui. – voltei a empurrar a cadeira.

– Você sabe de muitas coisas mocinha.

– Ainda não é suficiente. – respondi. – E não me chame de mocinha.

Consegui escutar mais algumas coisas, mas eu preferi o ignorar. Treze mentiu para mim, ele alimentou uma mentira e quando viu que eu iria descobrir a verdade resolveu a revelar primeiro, tentando parecer o herói. E eu nunca iria perdoá-lo. Ele era o vilão nessa história.

Quando Jane e eu chegamos no refeitório, a maioria já estava lá, Liam estava lá. Abri um sorriso, mas ele não percebeu. A Proteção devia ter visto pelas câmeras que eu me encontrei com ele e que não adiantava mais o escondê-lo de mim.

Expliquei a Jane o esquema no refeitório do mesmo jeito que Vick tinha me ensinado. E depois de repetir mais uma vez, Jane conseguiu.

Tive sorte. A senha que Jane pegou era a mesma da mesa em que Liam estava sentado. Mas o azar veio logo depois, porque tive que me sentar na beirada por conta de Jane estar com a cadeira de rodas.

O café da manhã da Proteção parecia nunca mudar. Depois de alguns dias chegava até mesmo a enjoar e pela cara de alguns, dava para ver que não era a única. Demorei poucos segundos para devorar a bandeja, mas tive que esperar Jane, que queria degustar cada pedacinho. Ryan colocou dois dos pãezinhos de sua bandeja na de Jane. Olhei para ele sorrindo. O que aquilo significava? Ele não era generoso.

– O que? – ele perguntou confuso, no seu velho jeito.

– Nada. – o respondi.

– Obrigada Ryan. – Jane agradeceu a ele sorrindo.

– De nada. – ele retribuiu com um sorriso de satisfação. — Você precisa ficar forte.

O mutante que estava do meu lado era Théo. Ele se levantou e em questão de segundos Liam ficou do meu lado, colado a mim.

– Não consigo ficar longe de você. – ele disse baixinho, encarando a própria bandeja que estava praticamente cheia.

Abri um grande sorriso. Parecia que perto dele essa era a única coisa que eu sabia fazer.

Jane terminou e pediu para nós voltarmos, mas eu nem percebi, estava ocupada demais para atender ao pedido dela. Liam segurou minha mão. O sorriso estava estampado e os dentes a mostra. Feliz.

– Pode ir amor.

Eu me levantei rapidamente e empurrei a cadeira de Jane. Mais uma vez eu fui uma idiota perto de Liam, sempre fui uma idiota perto dele, mas dessa vez senti que o ignorei um pouco. O que me deixou com a impressão de culpada.

Notas finais
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