Notas iniciais
Olá! Tudo bem com vocês? Capítulo pré-fuga, ansiosos??? Então vamos lá!

Cheguei à porta do quarto com as mãos doloridas. Treze estava lá parado como se fosse de pedra, com os olhos azuis escuros fixos em mim, como se estivesse pronto para atacar. Ele abriu a porta e colocou Jane na cama, com muito cuidado. Fui até minha cama para relaxar, mas ele me advertiu.

– Você tem que ir à biblioteca, esqueceu?

Saí do quarto sem dizer nada a ele. Eu tinha mesmo esquecido disso, Josh tinha dito que íamos nos encontrar naquele dia novamente. Treze me seguia e isso me deixava nervosa.

– Eu sei o caminho. – falei.

– O elevador só desce para pessoas autorizadas. – ele revelou.

Ignorei o fato enquanto ele continuava me seguindo. Irritava ainda mais.

Cheguei até o fim do corredor e Treze estava certo. O elevador de vidro não estava lá. No exato momento em que ele chegou o elevador apareceu. Olhei para ele surpresa.

– Eu disse. – ele sorriu, deixando claro que havia vencido.

Entramos no elevador. Eu e Treze em um local fechado, se eu estivesse com o humor de ontem ele já estaria morto.

Quando chegamos Frank e Robert já estavam conversando com Josh. Todos estavam ocupados demais para notar minha presença. Sentei em cima da mesa e o assunto de repente parou. Como se eu não pudesse ouvir.

– Conhece uma coisa chamada cadeira? – Frank me advertiu.

– Conheço. – o respondi.

– Acordou muito bem. – Josh sorriu e eu retribuí o sorriso a ele, mas Josh ainda não tinha minha confiança.

– Eu poderia fugir até mesmo agora. – respondi.

– Ótimo. – Robert se virou para mim. — Porque vamos quando o relógio marcar meia-noite.

– Hoje? – me surpreendi, não era algo que esperava estava apenas brincando.

– Você mesma disse que poderia fugir agora, só adiamos para meia-noite. – Josh achava aquilo engraçado.

O encarei séria. Não havia graça mesmo. Será que não era cedo demais? Mas era ótimo. Só assim eu iria mais rápido para longe das prisões brancas.

– Não vi graça. – peguei Frank rindo de mim.

– Sua cara. É muito engraçada. – Frank não parava de rir, ele era muito debochado.

Levantei e peguei um livro. Sorri para o elementar fogo de um jeito psicopata. Frank sabia o que significava. Joguei o livro nele, que logo gemeu de dor.

– Não é por que até pouco tempo atrás eu estava fraca, que significa que ainda estou.

Todos riram, até mesmo Frank. Ele tinha o dom de levar tudo na brincadeira e era a única coisa que eu admirava nele, embora fosse irritante algumas vezes.

– O plano é o mesmo que bolamos ontem. – disse Robert indo ao ponto.

– Simples e perigoso. – comentei. — Acho que precisaremos ser rápidos.

– Não é perigoso. Meia-noite é a hora em que todos estão dormindo, até mesmo os seguranças. – revelou Josh.

– Como sabe? – perguntei.

– Como você acha que eu soube que vocês iam ser capturados? Tenho um amigo que trabalha no monitoramento das câmeras exatamente a meia-noite.

Era algo suspeito e esperado que realmente vinha de Josh.

– E ele vai nos ajudar. – concluiu Frank.

– Exato. – disse Josh. — Eu soube da melhora da sua amiga Jane.

– Ela já consegue sair da cama. – abri um sorriso.

– Isso é bom. Pelo menos não vamos ter que arrastá-la numa maca barulhenta por esses corredores. – comentou Josh. — Você já se encontrou com Liam, dá para ver no seu sorriso, está mais decidida.

– Posso voltar para o quarto? – perguntei.

– Não. Vamos chamar os outros. – o humano apontou para o elevador.

O resto do nosso grupo acabou de chegar. Vick empurrava a cadeira de Jane. Sam estava do lado de Amy e as duas nem se conheciam direito. Yoko estava com pose de assassina, a mesma de sempre. Rachel sempre com o olhar perdido ao lado de Ginna com o olhar meigo de uma criança. Ryan nos encarava sério, como se já soubesse o que estava por vir. Peter estava parado como se fosse um herói. Chris estava com a mesma cara de doido que sempre teve. Théo com o mesmo olhar perdido de Rachel. Wesley estava desolado por estar longe de Bella, sentia pena. Liam exibia o sorriso torto de quem finalmente estava feliz e foi isso que me deixou feliz de verdade.

– Podem me seguir. – Josh se levantou.

Ele nos guiou até uma sala na biblioteca, uma em que nenhum de nós havia entrado antes. No chão estava um carpete azul cobalto. As paredes eram pintadas de marrom claro. Havia um candelabro grande com velas no lugar das lâmpadas e havia também algo familiar. A mesa do local em que fomos capturados.

– Vocês roubam mesas também? – Robert fez o mesmo comentário que eu iria fazer. – Não basta só nos sequestrar?

– Eu fiz questão dessa vez. – Josh passou a mão sobre a madeira lisa e escura. — Nós costumamos pegar somente os livros do local, mas dessa vez eu quis algo diferente. Sentem-se.

Sentamos com feições sérias. O assunto merecia toda seriedade possível. Todos sabiam do que se tratava. Era óbvio.

– Vamos ser rápidos. – disse Josh. — O assunto que vamos tratar hoje todos vocês sabem. Temos que decidir algumas coisas sobre hoje. A fuga.

– Vamos sair a meia-noite. – Robert se levantou e logo sentou novamente.

– Por quê? – Vick perguntou.

– É o horário mais seguro. – Robert respondeu.

Não houve mais questionamentos quanto aos horários. Todos queriam sair o mais rápido possível dali. Partilhávamos o mesmo ódio pela Proteção.

– Temos alguns pequenos problemas. – Josh direcionou o olhar para Jane. — Certas pessoas não estão completamente recuperadas. Principalmente Jane.

– Eu a carrego. Sou forte. – Ryan disse imediatamente.

Jane sorriu para Ryan. Não era o tipo de sorriso de quem dava mole, que era o sorriso mais frequente de Jane, mas era sincero e calmo. Realmente parecia puro.

– Ótimo. Todos vocês sabem usar seus poderes, certo? – perguntou Josh.

Todos concordaram, mesmo alguns sem fazer ideia do que realmente eram. Desconheciam seus níveis e suas raças. Acho que eu agora fazia parte desse grupo.

– Todos vão ter que sair daqui com seus poderes, não podemos derrubar o muro. – disse Robert. — Não podemos chamar atenção.

– Que pena, faz tampo que não uso meus punhos. – Sam apertou as próprias mãos.

– Você irá ter chances para usá-las. – me virei para ela.

– Alguma pergunta? – Josh perguntou com a sobrancelha levantada, como se esperasse algo.

– Para aonde vamos depois de sairmos daqui? – perguntei.

– Você irá saber Mariah. – ele respondeu. — Mais perguntas?

Ninguém perguntou nada. Mais uma vez o silêncio foi feito.

– Ótimo. – ele se levantou. — Meia-noite no jardim. Vão mais três mutantes e vocês irão saber na hora quem são. Se houver algum atraso o mutante fica. É cada um por si na hora da fuga. Podem voltar para os quartos.

Todos saíram, mas quando me virei para sair Josh me chamou. E seu tom entregava um pequeno desespero.

– Espere. – disse o humano.

– O que? – me virei para ele.

– Preciso que você cuide dos mutantes que vão conosco. – Josh parecia desesperado.

– Eu não sei quem são, não posso ajudar. – respondi de braços cruzados. — Olha, não é por mal, mas é que eu sou ruim nessas coisas.

– São duas crianças e uma mulher. A mulher se cuida sozinha, mas as crianças precisam de você.

Eu ainda não entendia o que ele queria dizer. Sabia muito bem que eu não era a pessoa adequada, podia acabar fazendo algo errado.

– Por que eu?

– As crianças são especiais. – a resposta de Josh não ajudava muito. — São os únicos mutantes do nível um que temos aqui. Eles são realmente muito especiais. Já ouviu falar sobre a raça materializador?

– São raríssimos. Na cidade que eu morei, eu frequentava um bar, só iam mutantes, ouvi uma vez que um demônio tinha sido presenteado por um materializador com uma Ferrari. – respondi.

– São incríveis. Eles serão necessários para vocês saírem daqui. Vai cuidar deles? – ele havia me induzido a aceitar, precisávamos das crianças.

– Protejo, mas não sozinha.

– Claro que não. Todos vão protegê-los, mas você é a única que pode dar a vida por eles, já que não morre.

– Faz sentido. – mas eu poderia matá-los.

– Sempre faz. – ele sorriu confiante.

Fiquei em silêncio. Íamos levar uma pessoa que nem sequer conhecíamos e duas crianças muito poderosas. O medo parecia tomar conta de mim. Saí da biblioteca, o ar lá já não me parecia agradável como no dia anterior.

Já era hora do almoço, mas preferi não ir comer. Não sentia vontade, apenas sentia uma ansiedade de ficar livre e medo de algo dar errado, por mais que todos fizessem parecer que iria dar certo.

A companhia de ninguém poderia me acalmar, nem mesmo a de Liam. Sozinha em um quarto branco, comigo mesma e mais ninguém. Somente câmeras a me monitorar, como se eu fosse fazer algo errado, como se conseguisse. Era ridículo como eles tratavam os mutantes, como num zoológico, só que sem os telespectadores. Éramos tratados bem para não nos rebelarmos.

As meninas voltaram e eu estava notando o entrosamento que já tinham. Sam havia se dado muito bem com Vick e Jane, melhor do que eu imaginava.

– Por que não foi almoçar? – Sam me perguntou.

– Sem fome. – apontei o dedo para a câmera discretamente, tentando mostrar a ela que não podia falar o porquê.

– Ata. Liam estava te procurando. – ela me disse.

– Por que ele não veio aqui? – perguntei.

– Não sei.

– Acho que nenhum dos meninos tem permissão de entrar num quarto feminino depois que você entrou em um masculino. – Vick comentou tentando não transmitir a indelicadeza.

– Sou errada demais. – era um fato que lutava para mudar.

– Problemática. – Jane riu.

– Isso aí, eu acho. – ri junto dela. — Que horas é o banho de sol?

– As três. – Vick respondeu.

– Vou dormir enquanto isso. Deviam fazer o mesmo. – fechei os olhos como se fosse dormir e foi o que fiz.

Quando acordei eram nove da noite. Passei as próximas duas horas com os olhos fixados no teto, formando pensamentos agradáveis para não ficar nervosa. Pensando nos meus pais, relembrando minha história com Liam. Pensei nas várias vezes que antes dele eu tentava suicídio, mas acabava na tortura. Talvez já fosse um indício de que eu era imortal. Mas era mesmo real tudo isso?

Notas finais
Hora de comentar pessoal!