Notas iniciais
Oii pessoal. Espero que neste capítulo tudo esteja certinho, revisei ele inteirinho ontem kkk. Espero que gostem do capítulo!

Abri os olhos. Pisquei algumas vezes. Estava em um quarto branco e com luzes azuladas e fortes, mas não as mesmas que quase me cegaram, porém muito parecidas.

Estava viva. Essa era a única certeza que tinha.

Uma onda de alívio me invadiu, porém rapidamente ela se foi. Onde estava?

Tentei me levantar. Duas vezes. Sem sucesso. Algo me prendia a cama desconfortante, algo forte demais para certamente não permitir minha fuga. O medo tomou conta de mim e comecei a tremer como se tivesse um ataque epiléptico. Malditos. Ridículos. Para que isso tudo? Eu tremia cada vez mais.

Quatro pessoas de branco apareceram.

Fui sedada e apaguei novamente. Será que seria assim? Um tremor e agulhas me invadiam? Queriam me controlar, tinha certeza. Que remédios me injetaram? O que houve no refúgio? Quem são essas pessoas? Eu queria acordar, mas sei que iria voltar a ter medo, ter um ataque novamente e remédios seriam injetados em mim. Malditos. Malditos. Pelo menos não me apagaram completamente. Ainda conseguia pensar.

O efeito do remédio passou rapidamente. Abri os olhos e ali estavam as mesmas pessoas. Elas me fitavam e me analisavam com os olhos, mas faltava um deles.

Tudo estava embaçado. As vozes ilusionavam estar distantes.

– Vamos levantá-la. – a única mulher do grupo disse enquanto se distanciava.

Minha cama foi posta em uma forma que ficava totalmente ereta. Pisquei meus olhos várias vezes tentando enxergar melhor. Vi um homem jogado no chão. Tentei perguntar o que houve, mas nenhum som saiu de minha boca. Será que fui eu que fiz isso enquanto dormia? Não, eu não seria capaz. Voltei a tremer. Já era comum.

– Calma mocinha. – um dos homens me pressionou na cama no momento que pensei que iria ser solta.

Consegui emitir um som. Com certeza conseguiria falar.

– O que houve com o homem? – perguntei com dificuldade.

– Pensei que iria perguntar onde está. – o outro homem começou a soltar as amarras do meu braço.

– Tanto faz. – balancei a cabeça com dificuldade, a roupa apertava no pescoço. — O que houve com ele?

– Você. – ele respondeu com repulsa enquanto me soltava.

Minha cabeça doía. Tudo doía. Não conseguia lembrar nada. O que havia feito para aquele homem estar naquele estado?

– Ele está desmaiado, né?! – perguntei enquanto os dois homens me seguravam.

– Não. – a mulher respondeu mexendo em uma máquina presa a parede.

– Morto, então? – disse com cuidado as palavras.

– Achamos que ele está em coma. – um dos homens me respondeu.

– Só achamos. – disse a mulher. – E é melhor estar.

Pressionei os olhos. Minha visão ainda estava um pouco turva, com certeza tiraram meus óculos, pois não o sentia pesando sobre meu nariz pequeno e empinado. Meus pés encostavam no chão, estava sendo carregada por eles. Trocaram minhas roupas enquanto estava desmaiada. Estava com uma camisa branca com um emblema escrito “PROTEÇÃO” e uma calça leve e cinza com a mesma palavra no canto.

Fiquei quieta. Não sentia mais vontade de dizer nada a aquelas pessoas. Nunca fui de dizer muito, ainda mais com gente que não conhecia. Pessoas que me desmaiaram e que me sequestraram. “PROTEÇÃO” a única palavra que ecoava na minha mente.

Arrastaram-me pela porta até me colocarem em uma maca. Que me levou por um corredor longo e largo.

“PROTEÇÃO” “PROTEÇÃO” “PROTEÇÃO”. Por quê? Não fazia sentido. Quase me mataram. Não havia nada de protetor em uma tentativa de assassinato.

Portas e mais portas, guardas e mais guardas de branco em um corredor que parecia não ter fim. E talvez nem tivesse. Uma das portas se abriu e minha maca foi arrastada para lá. Quatro camas, três ocupadas. Fui deitada na cama vazia. Sem fazer ideia do que estava fazendo ali. Cada surpresa poderia me matar.

– Descanse. – o homem disse a mim mentindo um sorriso.

– Tive muito tempo para isso. – respondi.

Ele saiu. Ignorando minha pequena resposta ignorante. Não fui presa na cama como fui na anterior. Sem amarras, sem a pressão, livre para me sentar quando bem entender, mas fugir não, não seria seguro com todos aqueles guardas lá fora.

Olhei para as outras camas, uma do lado da minha e as outras duas à frente. O quarto também era branco, tudo parecia ser branco ali ou em tons extremamente claros, chegava enjoar um pouco. As luzes ainda eram fortes, concluí que era impossível dormir ali.

Sentei-me. Tentei sair da cama e como esperado de uma pessoa em recuperação, caí no piso áspero. Não me machuquei, mas uma dor imensa me fez não conseguir sustentar-me nos joelhos. Gemi de dor e nenhuma das pessoas de branco veio me socorrer.

– Tudo bem? – ouvi uma voz familiar vindo da cama ao lado.

– Com certeza não. – respondi. — Quem é?

– Vick. – ela respondeu. — E você?

– Você tá bem! – era uma ótima notícia poder ouvir a voz de alguém conhecido. — Que ótimo! Pensei que todos nós seriamos separados. É a Mariah tá.

– Não estou muito bem, mas você parece estar bem pior. Quer ajuda para levantar? Eu posso ajudá-la, como disse estou bem melhor que você. Na verdade sou a que está melhor que todo mundo.

– É meio obvio que eu quero ajuda.

Vick me ajudou a levantar e a sentar na cama. Estiquei meus pés e a dor pareceu melhorar um pouco, mas não tanto. Nada me faria ficar melhor, a não ser Liam.

– O pessoal de branco me disse que você dormiu por três dias. Foi a quarta de nós a acordar. Eu fui a segunda. A Jane foi a primeira e a Sam a terceira, ela chegou um pouco antes de você. Mais ou menos uns dois minutos antes.

– Por que elas estão dormindo ainda? – perguntei ficando as unhas no lençol.

– Estão sedadas. – Vick respondeu. — Pelo menos a Jane está.

– Por que você não está também?

– Eu me controlo, esqueceu? Sou muito boa em autocontrole.

– Não é o que pareceu lá no refúgio. – provavelmente ela nem se lembrava de ter desmaiado. — Nenhum dos meninos acordou? Tenho que saber se o Liam está bem. Estou preocupada com ele e com os outros, mas principalmente com ele.

– Bom, não tive interesse em perguntar, mas quando cheguei aqui os médicos da Jane estavam cuidando dela, perguntei a eles se todos estavam aqui e me disseram que sim. Isso te conforta?

– Um pouco. Mas não tanto.

– É um começo. – ela deu um sorriso acompanhado de um risinho.

– Que lugar é esse em que nós estamos?

– Eu não sei. Não me importei em perguntar. Para mim basta estar viva e com tudo no lugar.

– Até um tempo atrás você não diria isso.

Ela riu. Ironicamente. Mas riu. E isso já valia, bastante para dizer a verdade.

– Consegue usar os poderes? – perguntei a ela.

– Não sei. – Vick respondeu com um pouco de receio. — E você?

– Nada. Bloquearam os meus desde o dia em que fomos pegos.

– Eles são uns bobos, né?!

Encarei Vick e sua imagem embaçou. Meus pensamentos estavam fixos no lugar onde estava. Na curiosidade de saber onde estava. E eu apenas poderia concluir uma coisa:

– Malditos.

– Mas pelo menos não nos mataram. – ela respondeu com seus olhos arregalados.

– Mas ninguém sabe o que eles vão fazer conosco. – comentei com as mãos ainda mais fechadas, sentia ódio.

– Tenho medo de virarmos cobaias. – Vick confessou.

– Não, acho que não. – respondi determinada. — Pelo menos não eu.

– Por quê?

– Acho que matei alguém, ou feri. – disse a ela vagarosamente, as palavras saíram com um tom de dúvida. — Não tenho certeza, mas sei que a pessoa não está tão bem. Não sei se fui eu mesma. Disseram-me que foi, mas não faz sentido.

Ela ficou quieta e me encarando. Julgando-me com aqueles olhos negros e puros. Arregalados.

– Mas se você o matou, usou seus poderes, mas agora você não consegue. Eu não entendo.

– Também não.

– Vai ver só te culparam. Talvez foram eles mesmos. Não fique com a consciência pesada amiga.

– Não estou. – não estava mesmo.

Depois tudo ficou em silêncio. Por horas. Quando tentei conversar novamente, Vick já estava dormindo. Deitei-me. Era só isso que restava para fazer.

Eu não estava sozinha, mas sentia como se estivesse. Era uma sensação horrível. Um medo que torturava. Não podia perder nenhum deles. E se Liam não se recuperasse, como eu ficaria? Eu não conseguiria mais fechar os olhos e dormir, todos os sonhos e planos estariam perdidos sem Liam. Eu estaria perdida. Não poderia perdê-lo.

Notas finais
Gostaram do capítulo??? Odiaram??? Então comentem!!