The Intended: Mutant
5 Olhos fechados
Notas iniciais
A porta foi aberta e uma mulher de dourado surgiu batendo os pés no chão. Sentei e logo as outras fizeram o mesmo.
– Tenho notícias para vocês. – ela ficou no meio do quarto.
A mulher fitou cada uma de nós. Como se uma bomba estivesse para explodir.
– Acabou de acordar os seguintes mutantes. – ela pegou a prancheta que segurava por trás de si.
Meu coração acelerou. A sensação de que Liam poderia ter acordado me deixou ansiosa. Precisava vê-lo. Precisava senti-lo. Não era nada sem ele. Nada!
– Ryan.
Sam sorriu. Seu irmão havia acordado. Pelo menos ela estaria feliz e eu teria com quem discutir, me queixar e reclamar da ausência de Liam. Era pelo menos uma notícia mediana.
– Robert. Peter. Yoko.
Jane sorria. A doidinha havia acordado. Pelo menos teria com o que se ocupar. Cuidar de quem nem sabe dar os próprios passos. Ambas não sabiam.
– Somente esses nomes. E caso consigam andar e terem vontade de encontrar essas pessoas é somente vir à porta e puxar aquela corrente. – ela apontou para uma corrente dourada presa no teto e próxima a porta. — Ela ativará uma luz na porta pelo lado de fora e os seguranças irão encaminhá-las para onde essas pessoas estão.
Jane voltou a dormir. Deram muitos sedativos a ela provavelmente. Devia ser bem difícil, ainda mais para uma energética como ela era.
A mulher saiu. Possuía um ar arrogante e me exalava maldade. Mas com o que a mulher disse me confortei um pouco.
– Vick. – a chamei.
– O que? – ela perguntou enquanto se sentava novamente.
– Me acompanha? Preciso ver os que acordaram. – eu estava planejando dar um jeito de encontrar Liam, nada iria me impedir.
– Claro amiga. – essa era a velha Vick, sempre positiva e amigável.
– Quero ir também. – Sam tentou sair da cama e por pouco não caiu.
Sam estava um pouco mais forte do que eu. Firmou as pernas e depois deu alguns passos até a porta. Foi aí que percebi que ela mancava no pé esquerdo. Vick nos deu apoio. Puxei a corrente dourada e um segurança se dirigiu a nós:
– Aonde as mocinhas vão? – seu tom de voz me irritava.
– Ryan, Robert, Peter e Yoko. Sabe aonde estão? – perguntei.
– Sei onde todos estão. Posso conduzir vocês? – ele me ofereceu o ombro e o guarda que estava do outro lado ofereceu-se para Sam.
– Só faz sua obrigação. – Sam respondeu com o mesmo humor ruim que tinha naquele lugar estranho.
– Qual é seu nome? – perguntou Vick.
– Sou Treze. – ele respondeu mostrando um crachá.
– Mas treze é um número, não um nome. – Vick tentou rir, mas apenas um sorriso surgiu em seu rosto.
– Quietinha mocinha! Você ainda está em estado de recuperação. Não pode ficar se esforçando. Queremos você bem e recuperada, vocês três.
– Eu só vou ficar bem se Liam ficar bem, mas até agora não tive notícias dele. – meus olhos estavam fixos no caminho à frente.
– Posso levá-la aonde ele está. – ele respondeu. — Você quer?
– Claro! – eu disse em um tom de alívio e felicidade, mas isto não me fazia gostar daquele lugar estranho.
– Mas primeiro vamos levá-las ao quarto mais próximo. Yoko. – o outro guarda abriu uma porta.
Três mulheres e um homem estavam perto dela. Mais médicos de branco. A sua cama já estava de pé, pronta para ser retirada e encaminhada para um quarto do mesmo setor que o nosso. O setor feminino.
– Ela não está tão fraca então consegue andar muito bem. Só não está conseguindo falar. – o homem nos explicou enquanto soltava os braços dela da cama.
– Ela ainda não emitiu nenhum som. Nenhum. – uma das mulheres completou.
– Podem visitá-la quando ela estiver no quarto que fica exatamente em frente ao de vocês. Essa mutante é muito teimosa. – a outra respondeu.
– Como assim? – perguntei.
– Ela reage bem e tomou muitos medicamentos enquanto dormia. Agitada e impossível de controlar. Demos muitos calmantes a ela. Finalmente ela está dócil! – uma das mulheres respondeu com um ar agressivo de satisfação. — Dócil como um cãozinho.
– Ela sempre foi assim. – comentei. — Agitada.
– Pena de você então. – a outra retrucou com a mesma voz arrogante.
– Encantadora. – o homem terminou de tirá-la.
Tive que rir. Até mesmo ali algum idiota se encantava pelo natural de uma criatura ferida e nervosa. Isso resumia Yoko. Ferida e nervosa. Uma pessoa fora de controle por nascença.
– Saiam daqui. Pode levá-las Treze e Doze. – uma mulher ordenou.
– Eu vou voltar tá bem. – Vick me abraçou enquanto eu era presa novamente ao ombro de Treze, a pior sensação.
Assenti e seguimos.
– Doze. Setor masculino agora. – Treze disse ao outro segurança.
– Mas podemos levá-las lá? – ele perguntou com um ar de preocupação.
– Sim. – Treze respondeu.
Sorri. Logo eu veria o amor da minha vida.
– Quer ver os que acordaram ou seu namorado?
– Você deve saber qual. – respondi a Treze com o mesmo sorriso.
– Doze, leve Sam ao irmão dela. A mocinha aqui tem que ver uma pessoa.
Estávamos no setor masculino. Diferente de Sam, tivemos que entrar em uma ala para feridos. Ou seja, Liam estava ferido. Espere um pouco. Eu também estava, só que no setor feminino. Era tudo muito estranho.
– Tem certeza que eu posso entrar? – perguntei exatamente no momento que ele ia abrir a porta em que Liam estava. — Não quero causar problemas.
– Deve! – ele abriu a porta e meus olhos se comprimiram.
Nem reparei nos médicos. Olhei somente para Liam. E minhas pernas congelaram. Ele estava lá, deitado, inconsciente. Os médicos dele me seguraram com força, como para me ferir.
– Acho que você não pode estar aqui garota! – disse um rapaz com um ódio notável.
– Treze, você não podia ter trago ela aqui! – gritou a médica. — Ainda mais que ele corre o risco de nunca acordar!
Meu mundo parou. Aquilo não podia ser verdade. Não podia ficar sem ele! Não devia ficar sem ele! Como assim nunca acordar? Não conseguia dizer nada, estava num choque. Nada saía de meus lábios. Tudo se apagou e eu caí no chão inconsciente.
Quando finalmente acordei, estava no quarto. O branco permanecia me torturando e meus olhos estavam ainda mais embaçados. Devia ter dormido por horas. O desmaio havia sido muito mais intenso, ou talvez os remédios que me injetaram.
– O que houve comigo? – perguntei a mim mesma em voz alta, tentando me sentar, mas nada.
– Você foi ver o Liam e desmaiou quando disseram que ele pode não acordar. – Treze me respondeu com frieza.
O segurança estava de pé. Observando-me como se eu fosse fazer algo. Eu não gostava disso.
– Pode me ajudar a sentar? – perguntei.
Ele esticou a mão e me ofereceu ajuda. Era muito desconfortável. Treze não parecia uma boa pessoa, nem mesmo quando ajudava.
– Me sedaram dessa vez? – perguntei.
– Não. – ele respondeu. — Você simplesmente apagou. E sabe que horas é mocinha?
– Está de dia, eu acho.
– São duas da madrugada e você aqui acordada. Acho que sou sua babá. – ele sorriu e até isso me incomodava. — Que feio mocinha!
Girei os olhos. Não gostava dele. Não queria ajuda e nem a amizade dele. Não queria nada com aqueles branquelos idiotas.
– Se eu te perguntar algumas coisas, você vai poder me responder, Treze?
– Claro. – o sorriso ainda me irritava, era como o de uma cobra. — Só pergunte baixo porque suas amigas estão dormindo e você ainda não recebeu permissão para sair daqui.
– Por que será?! – era culpa dele, da Proteção.
– Sabe Mariah, eu gostei de você. Você não é um “monstro” como as pessoas daqui dizem. Você parece ser interessante.
– Eu monstro? Vocês que parecem monstros. – respondi séria. — E como assim um “monstro”? – aquilo me deixava nervosa.
– Quando você dormiu pela segunda vez aqui, um médico tentou tirar seu sangue. – seus olhos estavam fixos em mim e minhas mãos tremiam. — Eu não sei como, mas exatamente como as câmeras de lá captaram, no momento em que ele enfiou a seringa no seu braço e o sangue entrou na seringa. – ele fez uma pausa e seu olhar dessa vez era de julgamento. — O homem foi arremessado e morto. Somente de ver o seu sangue.
O encarei séria. Isso era impossível. Tudo isso. Mas nos últimos dias havia recebido uma lição. Nada era impossível.
– Quando os outros três médicos chegaram e viram o homem lá, com a seringa carbonizada, começaram a dizer que você usou seu poder. – Treze desviou o olhar para o teto. — Acho que você não sabe, mas aqui na Proteção temos um mecanismo de alta tecnologia que impede que os mutantes usem seus poderes. Nas câmeras dá para perceber que você não usou poderes, porque senão você teria se soltado. No vídeo dá para ver que foi apenas o seu sangue.
Aquilo que Treze contava só podia ser uma bobagem qualquer. Meu sangue não era venenoso. Se fosse, eu mesma já estaria morta.
– Impossível. – respondi de braços cruzados.
– Essa palavra não existe mocinha! – ele riu. — Pelo menos não aqui mocinha.
– Por que me chama de mocinha toda hora? – estava muito mais séria que o normal. — Eu tenho dezenove anos sabia?
– Eu sei. E você é encantadora como se fosse uma mocinha. – ele riu.
– Vulnerável aqui, principalmente. – respondi prestes a fazer um corte para acabar logo com ele. — E perigosa quando estou com meus poderes. E mais uma coisa, não me chame assim, quando eu estiver bem vou ter o prazer de acabar com todos vocês. Cada um de vocês, entendeu?
– Ei! Não vou avançar em você, quero ser seu amigo, não quero ocupar o lugar do cara que pode não acordar. – tudo que ele dizia saía com um tom de ameaça e isso me deixava nervosa.
Não acreditei. Fechei os punhos e sentia as pontas dos dedos formigarem. Era tudo culpa de pessoas como ele. Pessoas que não merecem nem respostas.
– Se quer ser meu amigo, se mate e tente nascer de novo, como um ser humano que não tenta matar os outros.
– Eu sei a hora em que os médicos dele saem para as refeições, eu posso levar você lá. Vai fazer bem a você e a ele, mocinha.
– Obrigada. – era o mínimo que ele podia fazer. — E não me trate de nenhuma forma. Não quero contato com quem me prendeu nessa merda de lugar. E nada de apelidos.
– Certo. – Treze respondeu sério, como se não tivesse entendido, mas queria que eu pensasse que sim.
– Eu posso pedir uma coisa?
– Claro. – ele se aproximou novamente e eu girei os olhos, entediada.
– Meus óculos. Não consigo ver direito sem eles.
– Ok. Vou ver se consigo achá-los. Hora de voltar lá para a porta. Durma bem. – ele respondeu sério, como se algo tivesse dado errado e saiu.
Eu senti ódio mais uma vez. E sentiria cada vez mais se essas pessoas machucassem quem eu amo e parecia que Treze era assim. Tentava conquistar para depois apunhalar. Mas que pena para ele. Eu só confiava em Liam. Ele nunca mentiria para mim.
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