Notas iniciais
Olá pessoal, tudo bem? Fiquei muito feliz quando li os comentários kkk mesmo! Espero que gostem do capítulo e não esqueçam o comentário!

Coloquei a chave como pingente em uma pulseira que estava no meu pulso.

Ele concordou e saímos do quarto andando pelo corredor até o ponto que chegamos. Lá estava o súcubo atrás do balcão, já com uma forma menos sedutora, eu diria até humana. Minha vontade de incomoda-la falou mais alto:

– Queremos comida.

E assim a mutante sedutora levou um belo susto. Provavelmente já estava adquirindo ódio quanto a mim.

– Tinha que ser você mesmo! – ela exclama. — Um dos gêmeos vai vir aqui buscar vocês para leva-los até o salão das refeições. Gostaram do quarto?

– Sim. – Liam respondeu por mim.

O belisquei atrás do braço, afinal eu tinha dito a ele para não ter contado com ela. Mentalmente, mas eu disse. Fechei o punho. Eu ainda tinha ciúmes mesmo depois de cinco anos de namoro.

– Ora, veja só quem agora está a fim de conversar. – cortei a conversa antes que ela começasse.

– Leve-os para o banquete. – o súcubo deu a ordem a um garotinho pequeno, de uns seis anos, loiro quase da cor da própria pele.

Enquanto o garoto nos conduzia me senti no direito de perguntar:

– Ela é sua mãe?

– É. Mas não conte a ela que eu te contei. – ele responde calmamente, mas senti em seu pensamento um tom de preocupação.

– Não vou contar, vai ser nosso segredo. – me abaixei para apertar o dedinho da criança que abriu um sorriso. — É mutante como sua mãe?

– Não. – o sorriso havia sumido.

– Ela te trata como um escravo, né? – perguntei.

O menino fez sim com a cabeça. Fiquei triste com aquilo. Então o peguei no colo:

– Vou te carregar assim, posso? – ele concordou e seguimos em linha reta, virando somente quando ele apontava os dedos para os lados.

Quando subimos a escada ele pediu para solta-lo:

– Chegamos! – ele exclamou, apontando para um enorme salão que por mais que parecesse, não ocupava por inteiro o segundo andar.

É incrível. Mesas e mais mesas como em um refeitório de uma escola. Eram mesas cobertas com toalhas xadrez vermelha, como de piquenique e em cada uma havia um jarro de flor, a maioria delas com rosas vermelhas. O chão ali era de piso liso e negro, muito bonito, como se contasse que o lugar realmente era como um lar para mutantes como eu. Os lustres ainda eram de luz azulada, com pequenos cristais adornados davam ao lugar um ar de igreja, o que já não era tão agradável a mim e muito menos ao súcubo que trabalhava no lugar. A cozinha ficava na frente, só que não exatamente, ficava muito na verdade, a uma distancia muito grande de nós. Poucas pessoas estavam ali. Conhecia algumas de vista e outras somente pelo nome, mas nenhuma que pelo menos eu já tenha trocado algumas palavras. Das nove mesas do local, apenas duas estavam cheias e outras três tinham três ou quatro pessoas. No final das contas o local não era tão popular.

Deixamos o adorável garotinho e fomos nos servir em uma mesa repleta de comida. Até que percebi que comida de mutante, como de vampiro, não tinha. Comecei a reparar em algumas pessoas e percebi que nem todas eram mutantes. Sem querer esbarrei em um homem alto, com o abdômen volumoso e totalmente tatuado.

– Desculpe. – disse sem jeito.

– Não foi nada. – o homem tinha um ar agradável, uma delicadeza no jeito que falava. — Te conheço de algum lugar.

– Não, eu acho que não. – não o compreendi.

– É, não deve ser nada. – ele tentou parecer que não era nada mesmo, mas sabia que estava fingindo.

– Mas me desculpe.

O homem sorriu e se sentou junto de outras duas pessoas, dois demônios pelo o que percebi. Já que eles tinham a pele rosada, os olhos grandes e negros como a noite. O cabelo raspado e completo de tatuagens, unhas longas, pontudas e negras também e o sorriso de lado mostrando os dentes pontudos. Estavam bem vestidos. Eram demônios com certeza, olhavam como se quisessem algo.

Talvez o homem me conhecesse. Conhecia-me talvez do bar que eu frequentava na cidade que morei, o bar que era exclusivo para mutantes, ninguém sem poderes entrava lá, mas o que esses três estavam fazendo naquele lugar? Mostrei para Liam, o fazendo seguir meu olhar. Os três estavam olhando para mim, não para meu namorado, somente para mim. Tentei disfarçar.

Acabei de servir e fui sentar em uma mesa que estava vazia. Rapidamente os dois acompanhantes do “homem” gentil se sentaram um de cada lado, me deixando cercada.

– O que querem? – perguntei, mantendo o olhar fixo na minha comida.

Eles ficaram quietos apenas dando risinhos sussurrados. Do tipo mais irritante que possa imaginar.

– O que querem? – repeti aumentando o tom de voz.

Pela primeira vez eles fizeram o barulho que todo demônio faz quando vai falar. Um gemido leve de desprezo, mas depois do som não disseram nada. Aumentei mais o tom de voz, repetindo a mesma pergunta.

– Nós te conhecemos. – os dois falaram juntos.

– Talvez. – com demônios devemos ser rápidos e precisos, com frases curtas, se não eles não nos entendem. — O que querem?

– Nada. – um respondeu e o outro completou. — Ainda.

– Sejam rápidos antes que eu vomite.

Liam me olhava sem entender nada. Ele nunca ouviu um demônio falar, eu sim, já que no tal bar, eles estavam em maioria e sempre à procura de devedores.

– Tudo há seu tempo. – um deles respondeu.

Reparei que o outro, o gentil, não estava lá me atazanando.

– Então o faça ser mais rápido. – fiz uma pequena pausa. — Espera! Esqueci que vocês não são Deus. – dei uma risada de desprezo.

– Não é porque somos assim, que significa que somos maus de verdade, que não somos de Deus e que não acreditamos nele. – um me respondeu com garfadas fortes no prato.

O outro completou sussurrando:

– Somos apenas mutantes.

– Eu já disse para serem rápidos. Estou perdendo minha paciência. Sei que querem me oferecer uma informação e sei que querem algo em troca. Só vou pagar a informação se ela realmente valer a pena. – eu havia me estressado.

– Não queremos nada em troca. – eles responderam juntos. — Fomos mandados para te avisar mocinha.

– Vou ser breve e vou sair daqui quando terminar. Sabia que seu colega, aquele meio loiro, qual é nome dele mesmo?

– Frank. – Liam o respondeu com desdém.

– Então… ele é um demônio.

– O que? – me engasguei com a notícia, nunca imaginei uma coisa dessas, pelo o que sei ele é um homem de fogo, não um demônio. — Como assim?

– Um demônio de fogo. – o outro sorriu.

– Nunca ouvi falar. – retruquei.

– Nível zero se quer saber docinho. – estava demorando demais para eles começarem a seduzir.

– Espera. Se ele é do nível zero, significa que…

– Que ele é um imortal. Ele nunca morre. Que é o mais poderoso de todos.

– Como sabem? – perguntei.

– Só existe um demônio de fogo e o único demônio de fogo é nível zero.

– Onde ele está? – Liam perguntou para o demônio.

– Subindo as escadas. – o respondi me levantando e ouvindo cada vez mais alto os pensamentos do garoto nível zero, até que voltei o olhar para mesa na qual agora só está sentado Liam.

Apertei o passo e segurei firme o colarinho de Frank, o puxando para mesa. Os pensamentos dele eram de confusão, ele não estava entendendo nada, exatamente como pensei. A notícia sempre cai em quem tem costume de aceitar tudo sem reclamar. O joguei no banco o forçando a sentar. Os dois demônios tentaram fugir, eu não sei como, mas os faz retornar até mim:

– Esses dois tem uma coisa para te dizer. – fiz Frank virar para trás.

– Credo! – ele pulou no banco, certamente havia levado um susto.

– Podem se sentar. Os dois. Do mesmo jeito que se sentaram comigo. Podem começar. E sejam breves.

Vi no olhar de Frank que ele estava com medo e ainda confuso, mas não consegui ler nada em seus pensamentos. Ele não estava pensando em nada, ou conseguia formar um bloqueio. Mas isso nem existia.

Os demônios ficaram quietos. Batendo as unhas na mesa. Quando me dirigi as palavras a Frank:

– Sabe pelo menos quem eles são?

– Demônios. – ele respondeu com um sussurro.

Frank falava até como um eles, como não havia percebido antes?!

Assenti.

– Eles têm uma ótima notícia para você. – fingi um sorriso.

– Não me parece ótima e você está sendo irônica, coisa que todos nós sabemos que você não é. Preciso de comida. – ele pôs as mãos na mesa como se fosse se levantar, mas não conseguiu, eu estava o impedindo de alguma forma.

Rapidamente o demônio gentil surgiu com um prato repleto de carne vermelha e a colocou na frente de Frank.

– Do jeito que eu gosto.

Ele comia como eles.

Deixo-o dar as primeiras garfadas. Mas em seguida puxei o prato.

– Contem para ele! – exigi.

Frank encarou os dois que ainda estavam lá, pois o gentil já havia sumido dali.

– Você não é nossa mestra! – um deles abriu a boca mostrando todos os dentes branquíssimos e afiados.

– Dane-se.

– Contem para mim então. – o nível zero pediu.

– Claro chefinho.

Pronto, já estavam o chamando de chefinho.

– Você é um demônio de fogo. – os demônios responderam.

E como o esperado, Frank não havia entendido.

– Nível zero. – completei antes deles.

– Existe nível zero? – ele perguntou ainda sem entender.

– Existe babaca. – Liam respondeu.

– Nunca ouvi falar. – Frank retrucou.

– Você é imortal. Não morre. É o mais poderoso de todos os demônios!

Frank assumiu uma cara assustada, exatamente como a minha. Seus pensamentos ainda eram vagos, na verdade nunca vi seus pensamentos, somente ouvi algumas vezes, quando palavras eram de interesse familiar. Quanto aos olhos, os dele nunca foram a janela da alma.

Os demônios sumiram, pois já haviam dado o seu recado. E estava claro que aquele era um sinal para Frank se proteger, já que era tão poderoso. Demônios são sedutores, mas não tão mal como todos pensam, se você tem um como amigo ele vai te oferecer proteção para o resto da vida.

– Eu sou incrível. – ele gritou, o que fez com que todos no salão voltassem os olhos para ele.

– Não, você é um idiota. – chutei o pé dele por debaixo da mesa.

– Você tem inveja. – ele respondeu.

– Ela lê pensamentos e olhares. Acho que ela é tão incrível quanto você. – Liam impediu de começar o mar de ofensas que Frank iria lançar sobre mim. — E tenho certeza que ela é melhor que você.

– Continuo sendo incrível.

Segurei minha cabeça sobre a mesa, abaixando-a lentamente quando vi todos meus amigos que revi hoje de manhã sentados na mesa. Sei que eles não poderiam saber que Frank era um imortal, pois era claro que eles iriam comemorar e muito. Ou pior e mais obvio, poderiam ficar com inveja, não eles, mas as pessoas ao redor.

– Sabem da novidade? – Frank começou.

Chutei sua perna novamente, o que fez com que ele voltou o olhar para mim. Balancei a cabeça em negatividade. Frank não poderia tentar contar e eu faria de tudo para impedi-lo.

– Qual? – Jane perguntou animada.

– Nada. – ele cortou o assunto, dando conta da importância.

Meus antigos amigos me encararam. Pareciam saber que eu sabia de algo, mas eu tinha sorte, pois somente eu podia ler mentes.

– O que? – os encarei ajeitando os óculos sobre o nariz.

Eles voltaram a comer. Pensaram que era apenas uma impressão qualquer. Mas não era e eu precisava contar para eles, mas em um local seguro. E ali não era.

– Sabe quem tá aqui Mariah? – Jane perguntou com a mesma animação de antes.

– Quem? – perguntei sem interesse algum.

– A Yoko. – Jane sorriu. — Ela é um demônio de água, sabia?

– Ela é uma? – quase engasguei com a comida.

– É legal pra ela, mas continua insuportável.

– Como sempre. – Liam interferiu.

– Ela não é insuportável! Ela é minha amiga! Ela só é desiquilibrada, todos nós somos. Vocês só veem o defeito dos outros. – Jane havia ficado nervosa.

Esperei meus amigos acabarem de comer, tinha muito o que conversar com eles. Ainda mais com Yoko, que estava espalhando algo que poderia coloca-la em perigo. Levantei e me direcionei a Jane.

– Onde ela está aqui?

– Não sei. – Jane ainda era a mesma garota distraída e com parafusos a menos.

– Então como sabe?

– Cruzei com ela no corredor, estava com a Ginna e com o Théo.

– Eles também são mutantes, né? – perguntei.

Jane assentiu com um pouco de ressentimento.

– Sabe de alguém que conheço que também está aqui?

– Sam, Rachel, Ryan, Peter e Chris. Pelo menos são esses os amigos seus e do Liam que eu conheço.

– Ótimo, sabe pelo menos onde eles estão ou só cruzou no corredor? – ri tentando ser irônica.

Jane formou uma feição de desprezo. Seus olhos castanhos pareciam começar a adquirir um tom mais claro, com pigmentos pequenos de azul. Era estranho.

– Os meninos estão no quarto do lado do meu. E por causa disso Sam está no do lado do deles, mas Rachel eu não sei.

– Quero falar com eles depois.

– Vamos para o salão de reuniões, você avisa a mulher da recepção e ela os chama. – disse Robert no canto da mesa, prestando atenção em nossa conversa.

– Certo.

Notas finais
Então?? Gostaram? Odiaram? Comente e não seja um leitor fantasma!