The Intended: Mutant
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Notas iniciais
Seguimos todos para a recepção. Não cruzamos com ninguém até lá. Quando chegamos o súcubo mudou de forma rapidamente, podia apostar que nenhum deles sabia que ela era um súcubo.
– Oi. – cumprimentei.
– O que é? – ela ainda estava de mau humor quando encarou o grupo. — Andam em grupo agora?
– Desde muito tempo, vadia. – girei os olhos.
– Não precisava ser ignorante. – Jane cochichou.
– É assim que se deve falar com súcubos. – respondi com os braços cruzados.
Todos do grupo direcionaram os olhos para a mulher que trocava de forma. Como eu havia pensado, eles não sabiam de nada.
– Não era para dizer a eles, agora esses humanos sabem! – o súcubo respondeu irritado.
– E quem te disse que somos humanos? – Vick se voltou para ela.
– Eu pensei que… — a cabeça da mulher era pura confusão.
– Pensou em nada. Agora faz o favor, queremos fazer uma reunião com Yoko, Ginna, Sam, Rachel, Théo, Peter e Chris.
– Para quando? – ela já me encarava com uma indiferença menos agressiva.
– Agora! – respondi em voz alta.
Ela digitou algo em um aparelho embutido na parede. Rapidamente se voltou para nós. Mostrando que não era apenas um ser geneticamente projetado para a sedução e aumento da vida.
– Eles vão estar aqui assim que ver o aparelho chamando por eles. Podem esperar ali nos sofás. Quando eles estiverem aqui vou encaminha-los para a sala secreta de reuniões.
Esperamos até cada um chegar, um a um, porém rápidos. Ainda possuíam a mesma aparência. Apenas uma mudança de cabelo ou roupas diferentes. Era estranho como o tempo não nos afetava com tanta intensidade.
– Atrás de mim, todos. – a mulher pediu.
– Com certeza. – Frank brincou, pelo menos foi o que eu achei.
Seguimos ela e demos de cara com uma escada que levava para o porão, uma porta negra e estreita. Estava limpo e era enorme, cheio de portas. Havia uma mesa grande e negra no centro, com cadeiras e mais cadeiras na sua beirada.
– Quando acabarem apertem o botão e eu voltarei para busca-los.
O súcubo deu meia volta e nos trancou.
Murmúrios ecoaram pelo salão. Dezesseis mutantes que se conheciam desde sempre ou do colegial. Depois de muito tempo resolveram dizer a verdade a si mesmos, eu pelo menos. Queria ajudar. Dar uma forma de proteção.
Pedi silencio duas ou três vezes. Já era de costume ser ignorada. Havia convivido com todos eles dessa forma.
– É melhor nos sentarmos né?! – Wesley sugeriu vendo minha decepção por ainda não ser escutada.
Sentamos. Todos o obedeciam desde sempre. Era comunicativo e amigo de todos, até de quem não o conhecia.
Os cochichos começaram novamente entre eles na mesa e nos meus pensamentos. Não conseguia distinguir nada, nem sequer uma palavra. Era tudo uma confusão embaralhada. Palavras presas que me torturavam.
– Calem a boca! – gritei.
Liam segurou forte minha mão, com um olhar de “Tem certeza” estampado nos olhos. Assenti e ele abaixou a cabeça, em seguida sussurrou para mim:
– Vai, princesa.
Pedi para calarem a boca novamente, até que recebi o silencio que precisava. Eles me encararam sérios, esperando as noticias e novidades que seriam dadas.
Eu de pé, retribuí os olhares. Continuam os mesmos desde quando conheci cada um. Eles finalmente ficaram totalmente quietos, a espera que eu diga algo. Eu estava ali e deveria fazer isso, só faltava coragem, como sempre faltou.
– Não consigo fazer isso. – disse a Liam.
_Você consegue. – ele me respondeu.
Faço não com a cabeça. E ele sorriu de um jeito feito para me apoiar, o mesmo jeito que ele sorriu quando eu fui receber meu diploma. E eu não resistia a aquele sorriso verdadeiro de lado.
– Muitas coincidências, não?! – a única frase que saiu de meus lábios.
Forcei um riso enquanto eles também fingiam. Idiotas, pareciam que não sabiam que eu conseguia ler o pensamento deles.
– Parem de rir. E de pensar também. Parece até que vocês não sabem que eu sei o que passa por suas mentes! Idiotas!
“Não precisava ser tão grossa” – Liam direcionou seu pensamento para mim.
Eles me olhavam como se eu fosse outra pessoa. Senti-me indesejada por eles. Ótimo, bem melhor. Amo falar com pessoas que não são de meu agrado. Quando sou indesejada tudo fica mais fácil para eu soltar o grito.
– E não vou me desculpar também. E vocês, por favor, tomem uma decisão.
– Que decisão? – perguntou Sam em total confusão.
– Nada, não é isso. – consertei. — Temos notícias para dar, né Frank?!
Ele balançou a cabeça em negatividade. Mas eu insisti. Ali era seguro.
– Você fala. – ele jogou a bomba para mim.
– Ele é um nível zero. – apontei para Frank, que sorriu enquanto mais da metade não havia entendido. — E para quem não sabe, nível zero é quando o mutante tem poderes superiores ao extremo. Nunca morre. É imortal e mortal para qualquer um que seja comum.
– Como uma arma de munição infinita. – ele complementou com o sorriso confiante irritante.
– Peço para cada um de vocês para manter isso em segredo, por nossa segurança e da dele. Não contem isso a ninguém e nem pensem. É mais perigoso do que parece. Uma gota de inveja e todos nós estaremos em perigo. Acho que alguns não têm noção disso. – olhei para Yoko, sim, era uma indireta.
De repente luzes vermelhas começaram a piscar no teto. Desesperados, sem saber oque está acontecendo, corremos até a porta e Chris ficou apertando o botão que permite nossa saída. Aquilo era um mau sinal. Tínhamos certeza, ou melhor, achávamos isso.
– O que tá havendo aqui?! – um grito estridente veio de Jane.
– Eu não sei. – respondi com os olhos amarelados esbugalhados.
– Isso já aconteceu antes. – Frank se sentou novamente. — Não é nada. Eles dizem que é uma espécie de treinamento para quando o refúgio estiver em perigo.
– Não estou gostando disso! – Yoko olhou para o teto diversas vezes, nunca havia visto ela tão desesperada, tomada pelo medo.
– Também não! – Ginna batia na porta enquanto Chris ainda pressionava o botão loucamente.
O caos tomava conta de todos nós. Vick desmaiada enquanto Wesley tentava reanima-la, mas era evidente que ele também não estava muito bem. Seus olhos estavam vermelhos, pela primeira vez o via chorando.
Batemos nossas mãos e pernas contra a parede. Socos e chutes. Em vão. Nem mesmo a força de Ryan, Sam e Amy eram suficientes. O que só piorava o caos em nossas mentes. As incertezas desesperadoras.
– Vamos ficar presos! – Rachel ajoelhou no chão segurando a própria cabeça.
E a luz se apagou. A energia havia sido cortada, com toda certeza. Todos ficaram em silencio por alguns segundos. Encarando uns aos outros. Com medo.
– Estamos presos. – ela completou com os olhos afundados em lágrimas.
O olhar de Frank se tornou negro e vago. Ele estava em pânico. Pelo que parecia, ele estava pior que qualquer um de nós. Olhava para o teto como uma águia cautelosa.
– Xi! – Robert pediu silencio.
– O chão oco. – Liam olhou para mim com um sorriso e um olhar nervoso.
– Exato. – respondi.
Passos fortes fáceis de ouvir, por cima de nós. Não era um treinamento! Era uma invasão, estávamos em perigo.
– Consegue invadir o pensamento? – Robert perguntou.
Tentei e nada. Mentes vazias estavam acima de nós. Balancei os dedos em negatividade e ele abaixou a cabeça, tentando pensar em algo.
– Mas não são mutantes. – respondi tentando reconforta-los mesmo não tendo certeza disso.
– Então podemos atacar. – Frank tentou fazer o fogo nas mãos como estava acostumado, mas apenas uma fraca fumaça saiu. _O que houve comigo?
Os passos ficaram menos intensos. Como se estivessem parando.
– O que tá acontecendo lá em cima? – Chris perguntou.
– Não vou querer sair daqui tão cedo para saber. – respondeu Rachel.
– Espera. – direcionei meu olhar para ela que estava no fundo da sala, ainda ajoelhada segurando a cabeça.
– Não. Eu não vou! Não mesmo. – Rachel não se arriscaria assim tão facilmente.
Olhamos para Peter, nosso garoto veloz.
– Só se arrombarem essa porta. – ele tinha mais coragem, sem dúvida.
– Faria barulho. Iria atrair a atenção das pessoas que estão aqui, nós não queremos isso. Vamos ficar aqui e esperar tudo ficar bem. – Robert sentou em uma cadeira que estava próxima demais a ele.
Percebi que ele era o único que não possuía nenhum semblante de medo ou desespero, apenas de frustração. O que já era esperado dele, com toda certeza.
– Ótima ideia. – sorri, afinal se ele não tinha medo e se controlou, era a ele que devemos seguir e não eu que apenas pedia atos, eu como líder estava fora de cogitação.
Caminhei até Robert. Minhas pernas tremiam.
– Tem algum plano? – cochichei.
– Sim. – ele respondeu cochichando também. — Empurrem a mesa. Essa porta tem que ser reforçada. Ninguém deve invadir. Coloquem também todas as cadeiras em cima da mesa. E nós nos mantemos atrás de tudo isso, os fortes na frente e os fracos atrás.
Fizemos tudo. Sam com os punhos. Amy com os pés. Ryan com os músculos. E assim foi por quarenta minutos. Todos em posição. Todos vulneráveis.
– Não aguento mais esse silencio. – disse Yoko.
– Xi. – Robert apontou para cima.
Gritos. Gritos de dor e desespero invadiram nossos ouvidos.
– Ai meu Deus. – disse Amy tampando os ouvidos.
– Fica quieta. – Wesley fez sinal de silencio ainda com Vick apagada em seus braços.
Deixamos apenas o som dos gritos fazerem a trilha sonora daquele lugar.
– Não! Não! Não! – uma voz de mulher é ouvida, vindo lá de cima, voz rouca de alguém em um perigo muito pior do que nós estávamos.
As meninas estremecerem.
Silencio de novamente.
Depois um estalo de chicote foi ouvido, em seguida uma voz forte e arrogante:
– Leve ela para o caminhão! Menos uma ameaça. – e uma gargalhada aterrorizante me faz tremer a estrutura.
– Ameaça. – repetiu Robert. — Acho que eles estão atrás de mutantes.
Jane na minha frente tremia junto de Vick que ainda estava desmaiada, de mãos dadas com ela, unidas exatamente como no nono ano, amigas. E aquilo era um pouco irônico.
O som dos gritos e da voz forte já havia sumido.
Passos na escada. Corações acelerados. Medo estampado nos olhos.
– Vai checar essa porta? – a maçaneta girou e nossos corações aceleraram.
Nossos olhares, antes distribuídos entre nós, naquele momento possuíam apenas um foco. A maçaneta da porta.
– Não consigo abri-la chefe.
A maçaneta girou e girou. Os obstáculos estavam funcionando, até então…
– Deixe que eu faço então, inútil.
De repente ela foi aberta e a mesa arranhou o chão, fazendo um som que nos torturou. A pessoa atrás devia ser muito forte. Talvez até como o Ryan.
Então surgiram seis homens de terno branco com armas grandes nas mãos. Armas que nunca havia visto, mas sei que são armas, talvez armas para deter mutantes. Elas foram apontadas para nós.
Um homem de terno prata e sem arma entrou no meio do grupo dos seis. O encaramos. Ele também nos encarou, a todos nós, cada um. Seus pensamentos pareciam bloqueados. Ele se aproximou e nós recuamos. Ele estava cada vez mais perto de nós.
– Não tenham medo. – ele sorriu. — Estamos aqui para ajudar vocês. – ele fez uma pequena pausa. — Vocês me parecem espertos, andem, vamos. Eu sei o que vocês são.
Silencio profundo. Não confiávamos nele. Era ameaça. Tínhamos certeza.
– Mas nós não sabemos quem vocês são. – Robert respondeu indo para frente.
– E não vamos nos entregar assim tão facilmente. – Frank tentou novamente fazer sua chama, nada.
– Seus poderes não funcionam aqui. – ele disse apontando para nós com desprezo.
Dei um passo à frente, mas Liam segurou firme o meu braço. Mantendo-me presa a ele. Tinha que fazer isso. Estava revoltada.
– Não fala nada amor. – ele tampou minha boca e cochichou para mim.
– Estamos do seu lado. Vamos proteger vocês do mundo! – o homem do terno prata disse estendendo seu braço direito para nós.
Soltei-me e fui até a frente.
– Mas então, por que essas armas?
– É, pra que? – Théo foi para frente, a quatro passos do homem.
– Ouço na sua voz o desprezo. – Robert disse para o líder arrogante.
– 3, 2, 1. – o homem disse com o olhar fixo em Robert.
As armas são acionadas. Caímos no chão em transe de uma luz que nos cegou. Não vi mais nada. Não ouvi mais nada. Não senti mais nada. O mundo parou. Estávamos desprotegidos. Eles nos pegaram. Fomos capturados. Raptados.
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